segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Francis Reginald Hull – Mister Hull

Francis Reginald Hull nasceu em Winblendon, subúrbio de Londres no dia 21 de novembro de 1872, filho do comandante da Marinha Real Britânica, Thomas Arthur Hull. Estudou engenharia na School of Practical Engineering, uma das mais renomadas instituições educacionais do Reino Unido.  

Mr. Hull

Mr. Hull veio ao Brasil pela primeira vez em 1892, sendo contratado como Engenheiro Assistente da São Paulo Railway, onde foi encarregado dos levantamentos topográficos e da localização de dois terços do ramal ferroviário, na Serra do Mar. 
Retorna a Inglaterra em junho de 1893 para cursar Astronomia e Agrimensura na Royal Geografical Society.
Regressa ao Brasil em  dezembro de 1895, desembarcando pela segunda vez no porto de Santos. Foi novamente nomeado Engenheiro Assistente da São Paulo Railway e incumbido da construção de parte dos Novos Planos Inclinados da Serra do Mar. 
Entre as obras executadas por ele encontram-se: três túneis, três viadutos com  estrutura metálica, viadutos de pedra e cimento e trinta eclusas abobadadas.

Ladeira da Prainha. A casa com torre-vigia era a residência de Mister Hull. A ladeira permitia o acesso da parte baixa e antiga da cidade com a Rua do Seminário e Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Prainha. (arquivo Marciano Lopes)

Regressou a Grã-Bretanha no ano de 1900, onde passa a supervisionar trabalhos de construção de inúmeros reservatórios e serviços de distribuição de água. Em 1905 foi eleito Membro Assistente da Associação de Engenheiros Hidráulicos e no ano seguinte foi proclamado Membro da Associação de Engenheiros Civis da Grã-Bretanha
Chega ao Ceará em 1913, nomeado para o cargo de superintendente Geral da Brazil North Easterm Railway, arrendatária da Rede Ferroviária Cearense. 
Como engenheiro construiu a Estrada de Ferro Sobral-Baturité. 

Mr. Hull no jardim de sua casa na Rua Franco Rabelo esquina com Almirante Jaceguai. (Arquivo Ah! Fortaleza).

Com a Primeira Guerra Mundial, retorna à Europa e incorpora-se ao Corpo de Engenheiros Reais de sua Majestade Britânica. Comissionado como Tenente Engenheiro, foi deslocado para a Mesopotâmia onde combate contra turcos e alemães. 
Mr. Hull desembarca pela terceira vez no Brasil, desta vez em Ilheus-Bahia. No dia 5 de abril de 1921 é designado Vice-Cônsul de Ilhéus e logo após, Superintendente Geral da The State of Bahia South Western Railway Company , Limited
Desenvolveu um intenso trabalho no projeto e execução da construção da ferrovia Ilhéus – Vitória da Conquista, que lhe valeu o reconhecimento público e a participação em um romance de Jorge Amado no personagem do “coronel inglês”. 

Mr. Hull e parte da equipe durante a construção de uma estrada de ferro (foto Ofipro) 

Retorna ao Ceará a 6 de maio de 1933, desta vez definitivamente, como Superintendente da The Ceará Tramway Light and Power Co. Ltd., dividindo seu  tempo com atividades de Vice-Cônsul do Governo Britânico no Ceará. 
Realizou inúmeras pesquisas sobre o fenômeno secular das secas. Observando o ciclo das mesmas ocorridas no Nordeste brasileiro, descobriu que havia uma estreita correlação entre a freqüência dessas anomalias meteorológicas e o ciclo undecimal das manchas solares. 
No dia 15 de março de 1939 apresenta pela primeira vez, durante uma conferencia, o “Diagrama das Secas”.
Faleceu em Fortaleza, no dia 1° de março de 1951 aos 79 anos de idade.
Mr. Hull emprestou o nome a uma importante avenida de Fortaleza. 

Fonte:
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)

8 comentários:

Lúcia disse...

Nunca tinha ouvido falar de Mister Hull, até ir morar na avenida que leva o seu nome. Já tinha lido um pouco sobre êle. Hoje estou conhecendo muito e muito mais.Não sabia, por exemplo, sobre sua atuação na Bahia e que fora personagem de Amado.
Aquela ladeira da prainha, onde tinha sua interessante casa, que foi tombada literalmente, desci incontáveis vezes,com meus irmãos, qnd íamos tomar banho no mar de Iracema. Certamente, ainda havia a tal casa com torre-vigia...fugiu, da memória e de vera.....

Fátima Garcia disse...

suponho que a ladeira da Prainha ficasse ali naquela descida ao lado do Dragão do Mar em direção a praia, que é bastante acentuada. Qto ao Mr. Hull ouvi falar dele quando li algo a respeito das estradas de ferro. Como tinha estrangeiro por aqui naqueles tempos antigos, hein!
abs

Gildobrasileiro disse...

Há outra importante contribuição do Mr. Hull para a cultura cearense que o texto não menciona. Mr. Hull era reconhecidamente homossexual e tinha um forte sotaque inglês. Eis que na construção da ferrovia sobral-baturité ele tinha fixação por manter a BITOLA entre os trilhos (bitola - distancia entra os trilhos). Todavia ele não conseguia falar BITOLA e fica gritando com a peãozada para cuidarem da BYTOLA, OLHA A BAITOLA, A BAITOLA ESTA ERRADA, CORRIJAM A BAITOLA. dAI O NASCIMENTO DO TERMO baitola. Os peões ja diziam quando ele chegava. - cuidado ai que o seu baitola ta vindo ver se a bitola esta certa.

Fátima Garcia disse...

bem interessante, Gildobrasileiro, os textos que consultei não falavam disso, o que já tinha percebido é que o termo "baitola" é coisa de cearense, nem na Bahia sabiam o que era. Fica o registro.
abs

Juliano Tzar disse...

Papo furado essa história de baitola.o cara,n era,fresco

Karla Felix disse...

Fiquei conhecendo Mr.Hull através de um amigo meu, que cursa engenharia...Ele me contou essa mesma história que o Gildobrasileiro falou sobre o termo "baitola", não me aguentei e tive que pesquisar toda a história desse cara. Fiquei encantada!!!

Anônimo disse...

Mas não há evidências históricas que apontam que ele de fato era homossexual, muito pelo contrário. Porém, ele tinha um pouco do "jeito", então os trabalhadores zoavam, e o termo acabou pegando.

Anônimo disse...

ELE NÃO ERA HOMOSSEXUAL. ELE ERA EXCÊNTRICO PARA OS PADRÕES CEARENSES DA ÉPOCA, POIS USAVA BERMUDA DEVIDO AO CALOR DO NOSSO CLIMA E OS CEARENSE PENSAVAM QUE ELE ERA "DOIDO" POR USAR CEROULAS EM PÚBLICO.