sexta-feira, 25 de abril de 2014

Caio Prado

Na Praça dos Mártires (Passeio Público), tem a Avenida Caio Prado, mas ele não foi um dos mártires envolvidos na Confederação do Equador, que acabaram fuzilados naquele logradouro; durante algum tempo, a atual Praça da Sé foi denominada Praça Caio Prado, em homenagem ao mesmo personagem. Afinal, quem foi Caio Prado?

 Avenida Caio Prado, no Passeio Público de Fortaleza 

Caio Prado foi sem dúvida uma das figuras mais interessantes que apareceu na provinciana Fortaleza daqueles tempos: filho de tradicional família paulista, irmão do escritor Eduardo Prado, rico, bonito, intelectual, educado na Europa, vivido e escolado no modus vivendi parisiense, depois de pouco mais de 7 meses a frente do governo de Alagoas, "caiu de paraquedas" no cargo de governador do Ceará, nomeado por Sua Alteza Imperial Dom Pedro II.
Nascido em São Paulo, em 13 de junho de 1853, chegou aqui aos 35 anos de idade. Assumiu o governo do Ceará em 21 de abril de 1888, cercado de admiradores e elogios de simpatizantes, mas com reservas da imprensa local. Ao tomar posse no cargo, logo se viu cercado de dificuldades de todos os tipos. Para começar, o Estado enfrentava mais um período de seca, a chamada “seca dos três oitos”, com a capital Fortaleza, mais uma vez, invadida por retirantes, em busca de alimentos, abrigo, trabalho e assistência social; e mais uma vez, exposta ao risco de epidemias, que costumavam surgir nessas situações de caos.
Talvez pelo desconhecimento no trato de problemas com os quais nunca tivera contato, talvez por não saber distinguir as especificidades da terra que aceitara governar, o presidente Caio Prado permaneceu alheio e distanciado das graves crises que o Estado atravessava.
Para agravar o quadro, o presidente cercara-se de amigos e correligionários, nomeando-os secretários, assessores, e para os demais postos oficiais do governo, todos inexperientes e tão descompromissados quanto o próprio.
Apesar das críticas que vinham de diversos setores da sociedade, e acusado de negligência em relação aos problemas que assolavam o Estado, Caio Prado não se abalou, e entregou-se à convivência dos intelectuais da terra e pessoas da sociedade, abrindo os salões do Palácio do Governo para receber a elite que o acompanhava às tertúlias e aos piqueniques domingueiros em sítios e chácaras de Fortaleza e Maranguape. 


Sitio do livreiro Gualter, no Benfica, que o presidente Caio Prado costumava frequentar. A segunda foto, identifica os presentes na primeira. 

O Palácio da Luz tornou-se um salão de festas aberto todo o tempo, as festas e recepções eram contínuas, os gastos altíssimos. As viagens ao interior do Estado eram tratadas como alegres excursões, sempre em companhia de amigos e correligionários.
Enquanto as festas palacianas aconteciam, a seca continuava implacável, trazendo para a Capital a miséria, a fome e um exército de retirantes. Somente após os rumores da existência de ações que visavam sua interdição, o governo decidiu adotar algumas providências ainda que tardias e iniciou a assistência aos flagelados através dos serviços públicos.

 embarque os chamados "soldados da borracha", que partiam em busca da sobrevivência e de melhorias de vida na Amazônia. Noticiais de jornais da época davam conta que em apenas dois vapores da Companhia Brasileira, embarcaram 2.720 emigrantes; outro jornal revelava que no período entre 19 de setembro a 12 de janeiro do ano seguinte, deixaram a província 5641 pessoas com destino ao sudeste e 2421 cearenses foram para o Norte. 

E a ajuda veio em maior intensidade em forma de migração, principalmente para a Amazônia e para o Sudeste, solução bastante comum em outras secas, sob outros governos. O “inferno verde” e os trabalhos nos cafezais atraíam os nordestinos expulsos pela seca, que sonhavam com dias melhores nos eldorados dos seringais e dos cafezais.
A administração de Caio Prado não fugiu à regra; apesar dos elogios recebidos pelas iniciativas tomadas em socorro dos necessitados, como a construção de açudes, foi muito criticado pela imprensa pelas atitudes tomadas, e por incentivar a migração de cearenses para outras regiões do país. Apesar das críticas, cada vez mais contundentes, o Presidente  continuou incentivando a emigração, e não apresentou nenhuma outra proposta, nenhuma outra solução.
Para completar a tragédia da falta de chuvas, como sempre acontecia nessas situações com grandes aglomerações, fragilizadas pela falta de alimentos, carentes de higienização, de assistência médica ou de  vacinas, proliferou no Ceará uma violenta epidemia de febre amarela, agravando o quadro de miséria para milhares de pessoas.
Com a epidemia instalada no Ceará, o próprio presidente foi uma das vítimas; acometido da doença, faleceu em 25 de março (ou maio) de 1889.

 a antiga Praça Caio Prado, atual Praça da Sé, nos anos 40

Com características tão marcantes, Caio Prado seria imortalizado no livro “A Normalista”, de Adolfo Caminha, um romance regionalista que trata dos costumes da época em Fortaleza.
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"Uma tarde em que o Mendes, o juiz municipal e a mulher, tinham ido passear ao Trilho, João da Mata entrou alvoroçado, sem fôlego, com uma notícia a escapulir-lhe da boca – Sabem quem está muito doente?

Todos voltaram-se surpreendidos, com o olhar cheio de curiosidade.

– Não, ninguém sabia. Algum conhecido? 
– O presidente, o Dr. Castro, teve um ataque há pouquinho. A rua está cheia. Diz que está bem mal.
– De quê, menino, interrogou o juiz muito admirado e já nervoso. Houve logo um interesse comovido dos circundantes.

E João, sentando-se sem apertar a mão aos Mendes, pálido, limpando a testa, foi dizendo o que sabia:

– Muita gente defronte do palácio. Tinham sido chamados todos os médicos, e todos menos o Dr. Melo, eram de parecer que se tratava de um caso de febre amarela. O presidente tinha acabado de jantar e lia à cabeceira da mesa a correspondência do sul chegada naquele momento, quando começou a sentir-se mal – embrulho no estômago, tonteira, calafrios. Imediatamente ergueu-se, lívido, e ao dar o primeiro passo, caiu fulminado!...
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Maria do Carmo passou a noite nervosa com insônias, sentida com a doença do Dr. Castro, muito apreensiva.

Não podia se conformar com a ideia da morte do presidente, o homem da moda, o querido das moças, o grande amigo do Ceará, que tantos benefícios fizera a essa província, mandando construir açudes no sertão, reconstruindo o Passeio Público, ativando obras do porto, facilitando a emigração, prodigalizando esmolas, e finalmente introduzindo em Fortaleza certos costumes parisienses, como por exemplo, o sistema de passear a cavalo a chouto, de aparar a cauda aos animais de sela.
Lembrava as qualidades pessoais do fidalgo paulista, o seu modo de falar num sotaque aportuguesado, muito moderado na conversação intima, as suas maneiras delicadas, os seus belos dentes branquejando sob um bigode sedoso e bem tratado...”

Trecho do romance A Normalista, de Adolfo Caminha

fonte:
GIRÃO, Valdelice Carneiro. A Emigração Cearense no Governo Caio Prado (1888-1889). Fortaleza: Revista do Instituto do Ceará, 1990.

sábado, 19 de abril de 2014

Coca-Cola realiza em Fortaleza treinamento para gestão de resíduos nos estádios da Copa do Mundo da FIFA™


Catadores em treinamento na última quinta-feira (17/04) em Fortaleza-CE.
  • Fortaleza, uma das sedes da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, recebeu o treinamento que beneficiou 70 catadores de material reciclável;
  • Profissionais irão trabalhar no gerenciamento dos resíduos sólidos dos estádios da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014;
  • Todo o lixo sólido produzido no evento da FIFA será reciclado.

A Coca-Cola Brasil, em parceria com a FIFA, será a responsável pela ação de gerenciamento de resíduos sólidos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™. A ação, que teve como teste a Copa das Confederações da FIFA 2013, quando 70 toneladas de material foram destinadas à indústria de transformação, será realizada nas 12 cidades-sede do megaevento. Para garantir a excelência do projeto, a empresa irá treinar toda a equipe de catadores que trabalhará durante os jogos, realizando o Treinamento para Gestão de Resíduos nos Estádios da Copa do Mundo da FIFA™. Ao todo, serão 840 catadores capacitados. Fortaleza recebeu o treinamento na última quinta-feira, dia 17, no Confort Hotel.

Durante a Copa do Mundo todo o lixo sólido produzido nos estádios será coletado e encaminhado à reciclagem nas cooperativas apoiadas pela Coca-Cola Brasil participantes do projeto Coletivo Reciclagem, que oferece suporte para a gestão e capacitação em 300 cooperativas em 22 estados. Em Fortaleza, todo o material coletado no Castelão será destinado à Rede de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis do Estado do Ceará, formada por 16 cooperativas e associações. A estimativa é que sejam produzidas cinco toneladas de resíduos passíveis de reciclagem a cada partida da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™.

O curso teve uma carga horária de 4h e nas aulas os catadores aprenderam como manusear os equipamentos que serão utilizados durante o Mundial. Eles foram treinados também sobre a dinâmica de trabalho dentro do estádio, além de terem recebido informações sobre segurança e questões comportamentais.

“Avaliamos a experiência realizada na Copa das Confederações de forma bastante positiva e, em parceria com a FIFA, resolvemos levar a ação para as 12 cidades-sede. A participação dos catadores foi fundamental para o resultado. Pensando na Copa do Mundo, decidimos ir além e contribuir também para o crescimento profissional e pessoal desse grupo. Por isso, criamos o Treinamento para Gestão de Resíduos nos Estádios da Copa do Mundo da FIFA™”, explica Victor Bicca, Diretor de Assuntos Governamentais, Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™.

A iniciativa da Coca-Cola Brasil tem o objetivo de estimular a expansão da coleta seletiva de lixo urbano nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014™. A reciclagem de resíduos está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, que cria normas para a coleta, o destino final e o tratamento de lixo urbano e industrial, entre outros.

Todas as ações da Coca-Cola durante a Copa das Confederações da FIFA e da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™ serão baseadas nos três legados que a companhia pretende deixar para o País com o evento: reciclagem, comunidade e vida ativa.


Legados para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™

Comunidade
Presente em cerca de 150 comunidades de 13 estados brasileiros e no Distrito Federal, o Projeto Coletivo Coca-Cola terá um protagonismo na Copa do Mundo FIFA™. A companhia planeja capacitar cerca de 115 mil jovens até o fim de 2014, quando estarão preparados para atuar no mercado de trabalho. A Coca-Cola Brasil pretende utilizar parte desta mão de obra durante o evento.

Reciclagem
Pioneira em reciclagem no Brasil, a Coca-Cola apoia mais de 300 cooperativas através de incentivos para a coleta seletiva, como programas de gestão e equipamentos. Durante a Copa das Confederações da FIFA 2013, a Coca-Cola, em parceria com a FIFA, foi responsável pelo gerenciamento de todo o resíduo sólido produzido nos seis estádios. O material coletado foi encaminhado à reciclagem nas cooperativas apoiadas pela Coca-Cola Brasil, por meio do projeto Coletivo Reciclagem. Após a realização das 16 partidas da competição, 70 toneladas de resíduos sólidos foram enviadas para reciclagem. A iniciativa será ampliada para as 12 cidades-sede do Mundial de 2014.

Vida Ativa
O conceito de vida ativa tem como carro-chefe a Copa Coca-Cola, que desde 2011 vem estimulando a prática de exercício físicos em diversas comunidades de todo país através de um torneio de futebol que reúne mais de 10 mil jovens divididos em mais de 500 equipes. Os campeões de 2012 tiveram a honra de atuarem como os gandulas da Copa das Confederações Brasil 2013. Para 2014, a Coca-Cola Brasil vai novamente oferecer treinamento específico para todos os 750 meninos e meninas vencedores da Copa Coca-Cola 2013 estejam aptos a atuarem como gandulas na principal competição da FIFA.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Colégios de Fortaleza no Século XIX

Na Fortaleza do século XIX estudar além do curso primário era privilégio quase que exclusivo das elites.  Os colégios existentes à época, eram quase todos particulares e mesmo as poucas escolas públicas existentes - como o Liceu e a Escola Normal - eram inacessíveis aos mais pobres, dado o custo do material e da manutenção de um aluno em sala de aula. 

 escola pública de Fortaleza em foto de 1912
 
Havia 20 escolas públicas, sendo 4 para meninos, 7 para meninas e 11 mistas, todas dedicadas ao ensino das primeiras letras. A exceção eram  duas escolas públicas, dois pequenos prédios, atraentes pela forma elegante de suas construções e asseio, construídos, um no bairro do Outeiro da Prainha, na administração do governador Coronel Luís Antônio Ferraz, em 1890, e o outro no Boulevard Visconde do Rio Branco, na administração do Presidente Dr. José Freire Bezerril Fontenele, em 1893. As duas ministravam o curso primário. 
 
 O Bonde do Jacarecanga, repleto de alunos com a farda do Liceu do Ceará
 
Os filhos das famílias ricas eram educados nos melhores externatos da cidade, nos internatos religiosos da capital do país e muitas vezes, em instituições no exterior, como França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Bélgica. Algumas famílias optavam por matricular os filhos aqui mesmo, onde os pais podiam fazer um acompanhamento de perto; e a oferta de estabelecimentos de ensino era bem razoável. 

 prédio do Liceu na Praça dos Voluntários
 
Berço da instrução pública de Fortaleza, o Liceu do Ceará iniciou a sistematização do ensino neste Estado a partir de 1845. Foi instalado no casarão na Praça dos Voluntários, onde hoje se encontra a Secretaria de Polícia e Segurança Pública. O Liceu  instituiu um curso equivalente ao do Ginásio Nacional, com duração de 7 anos, compreendendo as seguintes disciplinas: álgebra, geometria, trigonometria, mecânica, astronomia, física, química, meteorologia, mineralogia, geologia, zoologia, botânica, biologia, geografia, história universal, sociologia e moral, letras e artes,  e línguas: portuguesa, francesa, alemã, latina e grega; literatura nacional, desenho, música, ginástica, evoluções militares e esgrima. Ao aluno que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o título de Bacharel em Letras e Ciências. 
Ainda no século XIX, destacava-se o Ateneu Cearense, fundado em 1863 por João de Araújo Costa Mendes. Auxiliado pro seu irmão Manuel Teófilo Costa Mendes, transformou esse educandário particular num dos melhores da capital. 

 Seminário da Prainha, em 1905, na antiga Rua do Seminário, atual Avenida Monsenhor Tabosa
 
O Seminário Episcopal instalou-se em 1864, no Outeiro da Prainha, abrigando por gerações o cenáculo da cultura cearense. Lá o ensino era dividido em dois cursos, o Teológico e o Preparatório. No Curso Teológico os alunos eram submetidos às seguintes disciplinas: teologia oral, teologia dogmática, direito canônico, história eclesiástica, liturgia, cantochão, eloquência sagrada e escritura sagrada. No Curso Prepatório, estudava-se filosofia, física, retórica, matemática, história geral e do Brasil, geografia, francês, latim, gramática portuguesa, catecismo, história sagrada, civilidade e música vocal.

  Colégio da Imaculada Conceição, com um pavimento em 1905. Ao lado, a Igreja do Pequeno Grande
 
Dirigido pelas freiras francesas da Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula, chegadas em Fortaleza em 1865, o Colégio da Imaculada Conceição funcionou a partir de 1867, num prédio construído para abrigar um hospital. Ocupava a área equivalente a um quarteirão quadrado, na parte setentrional da Praça Filgueiras de Melo. Ao longo do tempo, o Colégio Imaculada Conceição conquistou posição de destaque na educação das moças pertencentes a elite da cidade, que aprendiam as seguintes matérias: instrução religiosa, primeiras letras, gramática portuguesa, gramática francesa, aritmética, geografia, história sagrada, história do Brasil, civilidade. Além disso, aprendiam sobre costura, bordados, tecidos, flores, desenho, piano e música vocal. O colégio era dirigido por 19 irmãs de caridade, todas francesas. 
No início do século XX, nas dependências do Colégio da imaculada Conceição foi criado o externato São Rafael para meninos, onde estudou o futuro presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.
Em 1876, o cônego Ananias Correia Amaral fundou o Colégio São José. Suas irmãs Júlia e Judith Correia do Amaral, auxiliadas pela prima Elvira Correia Pinho, dirigiram a partir de 1881, o Colégio Santa Rosa de Lima.
Em 1870 o professor Pedro da Silva Sena fundou o Panteon Cearense; o padre Bruno Rodrigues da Silva Figueiredo iniciou em 1879, o Instituto Cearense de Humanidades. 

 Escola Normal Pedro II em 1902. O prédio situado na Praça José de Alencar, com algumas modificações, atualmente abriga  o IPHAN.

A Escola Normal Pedro II, inaugurada em 1884 na Praça Marquês de Herval destinava-se a formação de professores para as  escolas do Estado.  O surgimento da Escola Normal provocou uma grande polêmica na sociedade, por causa da proposta de formar professoras profissionais, numa época em que as mulheres eram destinadas ao casamento e a criação de filhos. Lá os alunos (a escola aceitava alunos de ambos os sexos) cumpriam o seguinte programa escolar: um curso preparatório de 1 ano; e um curso normal de 3 anos. No prepatório, ensinava-se português, francês, aritmética,  sistema métrico, caligrafia, desenho linear, música vocal e prendas domésticas. No Curso Normal ensinava-se pedagogia, português, francês, aritmética, álgebra elementar, geometria, geografia geral e corografia do Brasil, ciências físicas e naturais, caligrafia e desenho, música vocal e prendas domésticas. Aos alunos que concluíam o curso, era expedido o diploma de habilitação para o magistério.
Durante o mandato da Irmã Clemence Therese Gagné de Dion, falecida em 1917, o Colégio da Imaculada Conceição foi equiparado à Escola Normal do Ceará, passando também a formar professoras. 

 prédio da Escola Militar do Ceará, atual Colégio Militar, na Avenida Santos Dumont
 
A Escola Militar do Ceará fundada em maio de 1889, instalou-se, no início nas dependências do Quartel da Força de Linha, junto à Fortaleza de N. S. de Assunção. Seu ensino correspondia ao de seus congêneres do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Posteriormente a escola Militar se estabeleceria no atual prédio que, construído pelo Barão de Ibiapaba, sediou por algum tempo, o Asilo de Mendicidade.
Outros colégios antigos podem ser citados como o Colégio Parthenon Cearense, fundado em 1892 por Lino de Souza da Encarnação, na esquina das Ruas 24 de maio e Guilherme Rocha.
A Escola Cristã do Padre Liberato criada em 1882 educou muitas personalidades do cenário social da cidade; outro colégio, o Ginásio Cearense de Anacleto de Queiroz Lima, fundado em 1887, comumente chamado de Colégio Anacleto, possuía alto conceito na época, firmando-se como principal estabelecimento particular de ensino do Estado.
O Externato Santa Clotilde da professora Francisca Clotilde Barbosa Lima, poeta e romancista, foi inaugurado em 1891. O Instituto de Humanidades do Cônego Salazar da Cunha e Antônio Augusto de Vasconcelos, iniciou suas atividades em 1892, na Rua Sena Madureira, em frente a antiga Igreja Presbiteriana, local hoje ocupado pelo Edifício Clóvis Rolim. 

 Colégio N. S. de Lourdes, de propriedade de Ana Bilhar, na Avenida Santos Dumont
 
Ana  Bilhar estabeleceu em 1896 o Colégio Nossa Senhora de Lourdes. O Colégio N.S. das Vitórias foi propriedade de Maria Mendes  e Emma Adélia Ruedin Gonthier, a notável Madame Gonthier, que fundaria em 1916 o afamado Colégio La Ruche.
De grande conceito também o Colégio Castelo Branco, iniciado em 1900, por Odorico Castelo Branco. Com a primeira denominação de Instituto Miguel Borges, instalou-se na Praça Coração de Jesus e posteriormente, na Avenida Dom Manuel. Mais tarde passou a ser chamado Colégio Castelo Branco a partir de 1921, com o falecimento de seu fundador.

 Colégio Castelo Branco, na Avenida Dom Manuel
 
Muitos desses estabelecimentos de ensino tiveram vida longa e formaram diversas gerações de profissionais que se destacaram no cenário cearense em inúmeras atividades. Outros, perduram até hoje, como o Liceu, a Escola Normal, o Imaculada Conceição, o Seminário da Prainha e a Escola Militar, hoje Colégio Militar de Fortaleza.. 

pesquisa:
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
Ideal Clube, história de uma sociedade, de Vanius Meton Gadelha Vieira 
fotos do arquivo Nirez

 

domingo, 13 de abril de 2014

13 de Abril é o Dia da Cidade de Fortaleza




Conta o professor José Liberal de Castro que, um belo dia, foi procurado por Cláudio Pereira, então presidente da Fundação Cultural do Município, que dizia estar recebendo insistentes solicitações de um vereador, no sentido de que fosse escolhida uma data na qual Fortaleza pudesse usar como referencial para comemorar alguma data que fosse significativa do seu passado. Na solicitação do vereador havia uma incontestável reverência ao passado fortalezense, mas também resultava na promoção artificial  de celebrações com as quais a cidade jamais se preocupou.

Poucos dias depois, o professor apresentou ao presidente da Fundação Cultural, uma curta lista datas, acompanhadas de sucintas considerações pertinentes, a fim de que ele escolhesse a que melhor conviesse, com o alerta de que as datas não deveriam ser consideradas propriamente como referências históricas, mas como simples marcos simbólicos.

Nessa perspectiva, qualquer das datas sugeridas poderia ser escolhida, inclusive outras mais, lembradas por terceiros. Incontáveis datas poderiam ser aventadas, em particular aquelas alusivas a primazias, quer dizer, “data do primeiro este, à data do primeiro aquele”.

De qualquer modo, fossem quais fossem, deveria portar significados de ampla abrangência e constituir fontes geradoras de novas fontes retentoras de memórias. Por tais motivos, era aconselhável evitar datas desconhecidas ou propostas baseadas unicamente em propostas pessoais.

 segundo plano do Passeio Público, denominado Avenida Carapinima - 1908 

Após as devidas ponderações, foi escolhida a data de 13 de abril de 1726 – data em que o povoado do forte foi elevada à categoria de Vila – decisão que, juntamente com os argumentos justificativos da escolha, foram levados ao conhecimento do vereador Idalmir Feitosa, interessado na consulta, que aceitou sem relutância da data sugerida.

O consequente projeto apresentado e defendido por Idalmir Feitosa transformou-se na Lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que instituiu o dia 13 de abril como o Dia da Cidade. A lei aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade. 
Neste 13 de abril de 2014, Fortaleza completa 288 anos desde que se tornou Vila. O povoado, este nasceu bem antes. 

Fonte:

As Comemorações do 13 de Abril, de José Liberal de Castro, publicado no livro “Ah, Fortaleza!”.