terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A Primeira Sessão de Cinema

A primeira sessão cinematográfica no Brasil teria ocorrido em 1896, no Rio de Janeiro. Projeções itinerantes aconteceram por esse período país afora, inclusive em Fortaleza – os filmes eram exibidos como curiosidades nos intervalos das apresentações de circo ou em locais públicos, a exemplo de praças, cafés e parques de diversões. Depois, surgiram as salas fixas de exibições. 
Cinema Rio Branco
O primeiro cinematógrafo de Fortaleza teria surgido em 1908, instalado pelo italiano Vitor di Maio, vindo do Rio de Janeiro – onde também inaugurara o primeiro cinema brasileiro. A seguir, outros cinematógrafos surgiram na capital cearense, como o Rio Branco, do italiano Henrique Mesiano, e o popular Cassino Cearense, de Júlio Pinto, ambos de 1909. 

Júlio Pinto, nascido em Icó, foi um comerciante e industrial dos mais ativos no Ceará no começo do século passado, parente de Nogueira Accioly. Em 1911 aparecia o Cine Polytheama, de José de Oliveira Rola. Havia outras pequenas salas de exibição pela periferia. 

Durante a apresentação dos filmes, que eram mudos, um pianista tocava. Em 1932 chegava à cidade o cinema falado. De início os filmes eram voltados para as camadas populares, como uma diversão barata. O público, sobretudo o masculino, lotava as pequenas salas de exibição. Depois a diversão tornou-se mais elitizada, direcionada para os setores abastados e com filmes dirigidos também para as mulheres. Deixou de ser mera curiosidade para virar um negócio lucrativo. Apesar das salas terem se tornado um espaço elitizado, eram comuns as reclamações quanto à gritaria e molecagens do público, além do forte cheiro de cigarro durante as sessões. 

Cine teatro Majestic Palace 
foi construído pelo comerciante Plácido de Carvalho, com endereço na Rua Major Facundo. Encerrou suas atividades em 1968, quando um grande incêndio destruiu a sala de projeção. 

Cine Moderno
Ficava na Rua Major Facundo vizinho ao Majestic. Foi construído por Plácido de Carvalho, inaugurado em 1922 e explorado comercialmente por Luiz Severiano Ribeiro. Também encerrou as atividades em 1968, em decorrência de um incêndio em suas instalações. 

Em 1917 surgiria o Majestic Palace, o primeiro grande e moderno cinema da capital, situado na Praça do Ferreira. Também ocorria ali a apresentação de peças teatrais, de artistas e até luta de boxe! No ano de 1921 apareceu o Cine Moderno. Somente em 1940 e 1958 surgiriam cinemas de igual porte, o Diogo e o São Luiz respectivamente. Eram prédios luxuosos, visando atender ao bom gosto das elites em seu lazer. Os citados cinemas e luxo foram criados por um dos negocistas mais conhecidos no País no ramo de exibições cinematográficas: Luiz Severiano Ribeiro.


Nascido em Baturité, no ano de 1895, Luiz Severiano Ribeiro conseguiu destaque no comércio de Fortaleza como proprietário de livrarias e papelarias. Buscando diversificar os negócios, entrou para a atividade de exibição de filmes – em 1915 inaugurava o Cine Riche, em parceria com Alfredo Salgado, rico comerciante local.

Cine Diogo 
Instalado no térreo do Edifício Diogo, foi inaugurado em 1940, na Rua Barão do Rio Branco. Era propriedade de Luiz Severiano Ribeiro.

Cine São Luiz
 inaugurado em 26 de março de 1958, construído por Luiz Severiano Ribeiro. Foi o maior e o mais luxuoso cinema do centro.  

Fundou vários cinemas, especialmente os luxuosos, que eram uma tendência da época em outras cidades do mundo – com um público mais abonado. Os lucros também seriam maiores. Os cinemas concorrentes acabaram falindo e Severiano Ribeiro passou a monopolizar a atividade, não só de exibição, mas também de distribuição de filmes nos anos 1920. Chegava a pagar aos concorrentes para manterem suas salas fechadas. 

Logo expandiu os negócios e o monopólio para outros estados do País – mudou-se para o Rio de Janeiro em 1926. Em sociedade com empresas cinematográficas dos EUA, conseguiu o direito de exibir com exclusividade os lançamentos de filmes em seus cinemas (depois, as películas iriam para outras salas de exibições). Nesse lucrativo esquema, edificou um verdadeiro império de cinemas. Faleceu em 1971.

Extraído do livro 
História do Ceará, de Airton de Farias. 
fotos do Arquivo Nirez 
       

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Bairro do Jacarecanga que eu Conheci


 Francisco José Lustosa da Costa  

Adolescente solitário, nos fins de semana, à tarde, tomava o ônibus da empresa do Oscar Pedreira, na Barão do Rio Branco (ou ia a pé?), rumo da Praça do Liceu, no Jacarecanga. Fazer o que, não sei. Talvez turismo, para conhecer a cidade. Passava pela mansão Itapuca, de Alfredo Salgado, construída com material importado da Europa a que olhava, com olhos deslumbrados. Descia naquela leitaria, esquina com Guilherme Rocha, localizada próxima à casa do radialista Paulino Rocha, pois, a este tempo, bebia leite e coalhada. Ainda não se inventara o iogurte. Olhava a prontidão do quartel do Corpo de Bombeiros que interessava menos pela rotina dos soldados do fogo que pelo fato de ser o local onde se guardavam os doutores, gente importante – que não podia ir para a Cadeia Pública, feita só para os pobres – quando em prisão especial. O silêncio das salas do Liceu, que era ainda a grande instituição de ensino do Ceará, só iria acabar com a fundação da Universidade Federal, quando os seus professores viraram professores universitários e não tiveram substitutos. Seus alunos era rapaziada valente que tomava parte em manifestações políticas e quebrava os ônibus do Oscar Pedreira, quando a Câmara de Vereadores elevava o preço das passagens. Gostaria de conhecer o Bom Pastor que acolhia as moças que haviam perdido a virgindade e tentavam recompô-la através de preces e de recolhimento. Claro que era impossível. A Escola de Aprendizes de Marinheiros, com a brancura intocada de seus muros, não pichados nem mesmo nas campanhas eleitorais. O Asilo dos Velhos, encargo do Torres de Melo. 

 Casa de Thomaz Pompeu Sobrinho, na Avenida Francisco Sá


Prédio do Liceu do Ceará

Havia belas casas apalacetadas, as de Florival Seraine, Brasil Pinheiro, Thomaz Pompeu Sobrinho, Luiz Morais Correia, avô do deputado Carlos Virgílio, Pedro Sampaio e, principalmente, as da família de Pedro Philomeno Gomes, filhos e genros. O antigo fabricante de  cigarros de Sobral se tornara disparado o homem mais rico do Ceará. Dono da fábrica de tecidos e de redes São José, responsável pela plantação racional de caju e pela construção do primeiro hotel de praia, o Iracema Plaza Hotel, não ganhara tanto dinheiro, brincando. Ao contrário, tinha por ele muito respeito. Dele se contava que tomou uma vez, carro de praça no centro rumo da fábrica. Ao chegar, perguntou ao motorista qual o preço da corrida. Ao ouvir que custava  vinte e cinco cruzeiros, estrilou. O chofer, então, tentou desmontar sua choradeira, dizendo-lhe: – seu filho Chico Philomeno não acha caro. Porque me dá uma nota de cinquenta e me manda guardar o troco. Sem saber o que dizer, saiu-se com esta? “é que ele tem pai rico. Eu não”.

Residência de Pedro Philomeno Gomes, na esquina das Avenidas Francisco Sá e Coronel Philomeno Gomes. Este imóvel foi demolido.
 

Um dos seus operários encontrou, no pátio da fábrica, nota de quinhentos mil réis que, àquele tempo, equivalia a um bom dinheiro. Veio lhe entregar e ficou esperando a gorjeta. Nada. Despedindo-o rápido, Pedro disse: “Vá andar mais, para ver se o sô acha mais dinheiro. Isto é lá dinheiro que se ache. É muito pouco”.   

Um dos seus capatazes era chamado com frequência à Polícia, para  responder a acusações de defloramento. Pedro recriminou-o: “O sô está faltando muito. O sô está querendo mudar minha fábrica? Minha fábrica é de tecidos, não é de menino não”.

Doutra feita, para estimular os operários que trabalhavam numa obra de construção civil, na fábrica, disse-lhes naqueles tempos de guerra fria: “trabalhem direito, que quando o comunismo vier, tudo isto será de vocês”.

 Fábrica de tecidos São José na esquina das Avenidas  Philomeno Gomes com Tenente Lisboa

Viciado em trabalho, Pedro Philomeno Gomes tinha um genro, Acrisio Moreira da Rocha, duas vezes prefeito de Fortaleza, que não cultivava a mesma devoção. Até tentou sim, bem que tentou. Chegou mesmo a adquirir moderno consultório odontológico. Aconteceu-lhe comprar, ao mesmo tempo, possante motocicleta em que gastava os dias, passeando. Anos depois, feito alcaide, doou o consultório todo embalado à Casa do Estudante.

Mais tarde, Acrisio não deixava o fundo da rede quando ia à fazenda, por dinheiro nenhum do mundo. Adquirira moderno binóculo, através do qual observava o movimento do gado. Dizia-se que, com preguiça de contar as reses, negociava, vendia-as por minutos. Um comprador, certa vez, convidou-o a dar uma cavalgada para olhar as vacas, Acrisio recusou-se terminantemente a acompanha-lo: “se é você quem vai comprar, porque tenho de ver o gado?”.

Quando prefeito era acusado de passar meses, sem ir à sede da Prefeitura, sem despachar. Um secretário, Nilo Porfírio Sampaio, imitava, com perfeição, sua assinatura que deitava nos atos oficiais, poupando o prefeito do labor caligráfico. Voltemos, porém, a seu Pedro e ao folclore que inspirava. 

Praça Gustavo Barroso (Praça do Liceu)

Aquele tempo, a utopia comunista estava arrebanhando adeptos. Conta-se a propósito, que um botador d’água por ela se deixara seduzir e, nas folgas do seu trabalho de venda da mercadoria a domicilio, desenvolvia seu apostolado. Neste fim de tarde em que ocorreu a estória que ora conto, mais uma vez, tentava fazer a cabeça de um compadre, momentaneamente desempregado, enquanto seus três jumentos roíam a escassa grama das alamedas da Praça Fernandes Vieira. Olhando para a casa de Pedro Philomeno, dizia: “Seu Pedro possui centenas de casas. Pra quê? Pode morar em mais de uma? Quando o comunismo vier, fica com a sua e distribui as outras com os necessitados. O Oscar Pedreira iria aonde com tantos ônibus? Fica com o seu e dá os outros pros seus motoristas”.

Fez uma pausa. O compadre olhando cúpido, os três jegues que retouçavam a relva seca, pergunto de súbito: “E quem tem três jumentos? Distribui dois com os mais carecidos?”

O compadre teve bastante presença de espírito para liquidar, logo, a quimera distributivista do outro, dizendo-lhe: “compadre, nessa questão de comunismo, jumento não toma parte não...”


crônica de de Lustosa da Costa
extraída do livro "A Louvação de Fortaleza" (1995)
fotos do Arquivo Nirez, Marciano Lopes e Fortaleza em fotos

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O Outeiro da Prainha


vista do bairro do Outeiro da Prainha em 1900.
  
Subindo o Corredor do Bispo, hoje Rua Rufino de Alencar, entrava-se no bairro do Outeiro da Prainha, acompanhando o chamado Quintal do Bispo, uma grande área primitivamente pertencente à chácara do português Antônio Francisco da Silva, parente da família Albano.  Posteriormente ali habitou o comendador Joaquim Mendes da Cruz Guimarães, em cuja residência se instalou o Palácio do Bispo. Esta área estava compreendida entre as ruas Rufino de Alencar e a Costa Barros – a antiga Rua do Sol – e estendia-se para o nascente até as proximidades da Praça do Cristo Redentor, onde se localizava a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Prainha e seu velho Seminário.


 Chácara do português Antônio Francisco da Silva, depois sede do Bispado e atual Paço Municipal 

Em 1937, a Empresa de Terrenos Ltda., adquiriu do Patrimônio de São José, do Arcebispado de Fortaleza, a permissão para lotear essa grande área do antigo bairro do Outeiro da Prainha. Desse loteamento surgiram as ruas Afonso Viseu, Pedro Ângelo, Pereira Filgueiras e João Lopes. As duas primeiras foram nomeadas por indicação de Luiz Vieira – um dos sócios dessa empresa, que homenageava assim pessoas de sua amizade e admiração. 

 Igreja da Conceição da Prainha, construída em 1840, num local ermo e afastado da parte urbanizada da cidade.

Na parte mais alta do Outeiro, Luiz Vieira reservou um aprazível sitio com o objetivo de construir uma vila residencial para sua família. Ergueu seu casarão no canto formado pelas ruas Pedro Ângelo e Rufino de Alencar e, a seguir, edificou ao seu lado, as residências dos seus filhos Jaime e Mário Câmara Vieira, compondo a Vila Vieira. Contíguo a esta, na Rua Pedro Ângelo, residiu o comerciante e hoteleiro Pedro Lazar e depois, na mesma residência, Edmundo Rodrigues dos Santos, sócio da empresa Casa Quirino Rodrigues S/A. A residência de Luiz Vieira, no Outeiro da Prainha, foi inaugurada com festejos que se prolongaram por mais de uma semana, de 8 a 19 de outubro de 1946, quando foram realizados os casamentos de duas de suas filhas e a comemoração do aniversário de sua esposa. Sua construção fora entregue ao engenheiro Alberto Sá, que pela primeira vez utilizou em Fortaleza, o concreto armado na confecção dos seus forros.  


Ladeira da Prainha, ao lado a casa de Siá Pio, onde mais tarde residiu o Mister Hull
 
No alto da barranca do Outeiro, compondo a ladeira que nascia no adro da Igreja da Conceição da Prainha, residia a filha de Antônio de Oliveira Borges de Castro, a Sinhá Pio das crônicas antigas, matriarca dos Pio Borges. A casa culminava com um torreão, do qual se podia apreciar o mais belo panorama da cidade. voltado para o mar, esse mirante servia a José Pio Moraes de Castro, esposo de Sinhá Pio, para o controle do movimento portuário, função que lhe cabia como agente da empresa Lloyd de Navegação. Os quintais da casa, com pomares e roseirais, desciam, flanqueando o lado da sombra, até o término da ladeira que se chamava Ladeira do Seminário ou Ladeira da Prainha, hoje conhecida pelo nome de Rua Almirante Jaceguai. Nesta escarpa o bonde não alcançava a igreja, impedido de prosseguir por conta de um lance de escadas que antigamente ali existia. A casa dos Pio Borges foi adquirida por Mr. Francis Hull, cônsul inglês no Ceará, que viveu muitos anos em Fortaleza. O inglês fez um observatório da torre da residência, estudando o clima e prenunciando bons invernos para o Ceará. Na outra esquina da ladeira, morava o Barão de São Leonardo, Leonardo Ferreira Marques, agraciado com as comendas da Ordem da Rosa de Cristo por sua atuação na Guerra do Paraguai ao lado do futuro Duque de Caxias. 


 

Praça Cristo Redentor e sua torre, inaugurada em 1922 em comemoração ao centenário da Independência do Brasil 

Ainda na atual Praça do Cristo Redentor, com sua coluna inaugurada em 1922, que veio a se tornar um dos monumentos símbolos da cidade, residia a poucos metros de Siá Pio, sua filha Maria Pio Borges de Castro, casada com seu primo legítimo, Luiz Borges da Cunha, despachante das mercadorias da Alfândega. Sua residência, que Mozart Soriano Aderaldo, apontou como primeiro bangalô de Fortaleza, ocupava um vasto terreno que se estendia até abaixo do outeiro, terminando ao nível da praia, na antiga Rua do Chafariz. Mais tarde a residência de Maria Pia Borges seria propriedade dos ingleses ligados à Empresa de Navegação The Boot Streamship Line, com sede em Liverpool. 
 
 a antiga Rua do Seminário, hoje Avenida Monsenhor Tabosa, início do século XX 

Mais adiante, na Rua do Seminário – atual Avenida Monsenhor Tabosa – erguia-se a residência do imortal poeta José Albano e a Chácara de Vicente de Castro. Nesta, um córrego atravessava seus extensos quintais que alcançavam a Rua do Chafariz – atual Rua José Avelino. Proprietário da firma V. Castro e Filho, agente da Companhia de Seguros Anglo-Sul-Americana.
O Bairro Outeiro da Prainha desapareceu com a expansão daquela região, e hoje está inserido parte no Centro, parte no bairro Praia de Iracema.   


Extraído do livro Ideal Clube – história de uma sociedade
De Vanius Meton Gadelha Vieira
fotos: arquivo Nirez e IBGE

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Tombamentos Municipais 2/2


Aprovados na gestão Luizianne Lins em caráter provisório
 (7 imóveis e 1 pavimentação)

Ideal Club

Situado inicialmente no bairro Damas, localização privilegiada na época, o Ideal Clube, primeiro equipamento do gênero a se localizar longe do perímetro urbano, ou seja, no aconchegante e arrojado sítio de Luiz Gonzaga Flávio da Silva, corroborava os anseios da burguesia local. O Ideal Clube construiu uma segunda sede, em 1932, na Praia de Iracema, na Rua dos Tabajaras, continuando a funcionar a filial das Damas para os grandes eventos. No entanto, “a partir de 1935, com a inauguração do restaurante, a sede Iracema vai-se firmando cada vez mais como local de preferência, sendo assumida de forma definitiva”. E entre 1940 e 1946, a sede da Praia de Iracema passa a ser gradualmente substituída por outra com melhores instalações na Avenida Monsenhor Tabosa, nº 1331, Bairro Meireles (endereço atual) – o que só ocorrerá efetivamente em 1960 - , deixando em segundo plano o ingresso à praia, como era de bom tom, no intuito de oferecer mais conforto e sofisticação aos associados. O imóvel possui característica do “estilo Missões”, uma vertente da arquitetura neo-colonial. Endereço: localizado á Av. Monsenhor Tabosa, nº 1331 – Meireles - Decreto Municipal 11.959 de 11 de janeiro de 2006


Colégio Doroteias 

Endereço: Av. Visconde do Rio Branco, nº  2078 -  Joaquim  Távora. Decreto Municipal 11.966 de 11 de janeiro de 2006. 
O Colégio Doroteias foi fundado no ano de 1915, a convite do 1º Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, D. Manuel da Silva Gomes, e dirigido pelas irmãs da Congregação de Santa Doroteia. Foi construído de acordo com quatro referenciais importantes, naquela época, para a educação da elite feminina do Ceará: os ideais católicos; os pressupostos patrióticos baseados na República recém-instaurada; preparação para o casamento, à família e o lar e, por fim, estava condizente com o bem-estar saudável e civilizador oferecido pela arquitetura monumental do prédio que se estabelecera. A Capela existente foi construída alguns anos mais tarde, em 1940. O Colégio encerrou as atividades no início dos anos 2000, e atualmente o prédio abriga cursos de nível superior do Grupo Mauricio de Nassau.


Náutico Atlético Cearense

O Náutico Atlético Cearense, fundado em julho de 1929, com instalações simples – duas guaritas de madeira - em terreno alugado na Praia Formosa (área correspondente a ENCETUR e a Estação Ferroviária, centro de Fortaleza) foi uma agremiação criada, a princípio, para a prática de esportes náuticos. Constituiu-se num dos mais conhecidos cartões postais do Ceará, nos anos 1960, após construção de sua sede no bairro Meireles. A sede no bairro Meireles foi construída a partir de 1948 e inaugurada em 1952, projeto do arquiteto Emilio Hinko. Atualmente a sede do Náutico vive grande polêmica em razão da descaracterização da área, com a provável construção de torres empresariais dentro do terreno do clube. 
Endereço: Av. Abolição, nº 2727 – Meireles - Decreto Municipal 11.957 de 11 de janeiro de 2006.

 IMPARH
(imagem Google) 

O imóvel onde foi instalado o IMPARH é uma antiga edificação residencial, espécie de chácara, construída provavelmente na primeira metade do século XX, que pertenceu ao Dr. Manoel Sátiro, Deputado Constituinte Estadual entre 1934-1937 e falecido em 1945.
Em 1973 a Prefeitura de Fortaleza adquiriu o imóvel para abrigar a Fundação Educacional de Fortaleza (FUNEFOR), posteriormente a Fundação de Desenvolvimento de Pessoal (FUNDESP), entidades extintas, e o IMPARH, instituição ainda em exercício, que atua a partir das demandas e ações de três departamentos: o de pesquisas e projetos estratégicos; recursos humanos; e cursos e eventos, visando alcançar melhor capacitação gerencial do município de Fortaleza. 
Endereço: Av. João Pessoa, nº 5609 – Damas- Decreto Municipal 11.969 de 11 de janeiro de 2006 - Processo 21/2006

Santa Casa de Misericórdia 

O Local para instalação do Hospital da Caridade – o primeiro hospital de Fortaleza –  foi escolhido em 1847, na gestão do presidente da província Inácio Correa de Vasconcelos (1844-1847). Foi concluído em 1857 e posto em funcionamento com alguns índios enfermos, mas por falta de condições foi fechado pelo então presidente Dr. João Silveira de Sousa (1857-1859). Em 1860 foi criada a irmandade da Misericórdia para administrar o hospital, que a partir de sua instalação em 1861, passou a ser chamado de Santa Casa de Misericórdia. Em 1922 foram iniciadas as obras de reformas do prédio que passou a contar com dois pavimentos. 
Endereço: Rua Barão do Rio Branco, nº 20 – Centro - Decreto Municipal 11.970 de 11 de janeiro de 2006.


Pavimentação da Rua José Avelino

Segundo estudos do arquiteto Liberal de Castro para abertura do processo de tombamento do calçamento da antiga Rua do Chafariz, hoje denominada Rua José Avelino, em homenagem a José Avelino Gurgel do Amaral (1843-1901), advogado, jornalista e deputado, a cidade de Fortaleza, construída sobre imenso areal cercando pântanos, sempre apresentou muitas dificuldades à mobilidade urbana, seja de pessoas, animais e/ou veículos. A pavimentação reivindicada desde o século XVIII, só foi atendida na segunda metade do XIX, e num momento de crise, quando se foram realizadas algumas obras públicas para aproveitar a mão de obra de sertanejos que migraram para a cidade por ocasião da seca de 1877. As pedras da pavimentação, nesse período, vinham da pedreira do Mucuripe. No início do século XX, esta pavimentação foi ampliada e adaptada para receber os trilhos dos bondes da Light. A criação de uma linha de “auto-bonde” gerou muitos conflitos entre as empresas Light e Pedreira, levando inclusive a acontecer conflitos de rua. A pavimentação das ruas se foi uma exigência do passado, a instalação dos bondes foi um marco na modernização da cidade. Como se pode constatar “as pedras” da Rua José Avelino, mais do que pedras são vestígios materiais e signo dos movimentos das pessoas que fizeram e fazem a cidade de Fortaleza. Endereço: Rua José Avelino – Centro - Processo Nº 50524/08.


Igreja de São Pedro dos Pescadores 

A Capela de São Pedro dos pescadores, antes rodeada de um vasto areal de coqueiros, com o tempo foi sendo envolvida ao longo dos anos pelos efeitos da urbanização da área, e acabou confinada num espaço reduzido, mas permaneceu como lugar por excelência de encontro da comunidade do Mucuripe, hoje, bem mais diversificada e socialmente desigual do que foi no passado. Como podemos constatar, havia um constante interesse pela área do Mucuripe, considerada estratégica para o desenvolvimento da cidade. E este interesse não era somente econômico e político-administrativo. A construção da Igreja, iniciada em 1852 num lugarejo com alguns poucos barracos de palha que abrigavam famílias de pescadores, muito provavelmente constitui-se, por muitas décadas, a única instituição existente no lugar, que pudesse indicar a presença de uma autoridade, uma vez que é somente nas primeiras décadas do século XX que o poder público se faz presente com a criação da Colônia Z-8, que organiza e demarca a área de atuação dos pescadores. - Endereço: Av. Beira Mar, s/n – Mucuripe - Processo Nº 011/08 


Casa do Português 

A Vila Santo Antônio ou Casa do Português é uma antiga residência da família do comerciante português José Maria Cardoso, inaugurada dia 13 de junho de 1953. Imóvel todo em concreto armado, com três andares e subida de carro até o teto, caracterizando-se pela arquitetura residencial pouco convencional sendo, portanto, inovadora para os padrões sociais, arquitetônicos e urbanísticos da capital cearense à época.
Ao longo da década de 1960, a família de José Maria Cardoso passa a ocupar apenas um dos pavimentos da casa (especialmente a partir de 1966, quando Cardoso falece), alugando os demais pisos para a Boate Portuguesa, entre 1962 e 1968, do empresário Paulo de Tarso; para Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural (ANCAR) e para a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceara (EMATER/CE) , que realizou uma série de transformações, adaptações na estrutura interna da casa, resguardando os aspectos originais de sua parte externa. Atualmente a referida Casa é de propriedade privada, e nela residem algumas famílias. Endereço: Av. João Pessoa, 5094, Bairro Damas - Decreto Municipal 11.964 de 11 de janeiro de 2006 - Processo: 16/2006

Antiga Sede do Sport Club Maguary

O Maguary Esporte Clube foi fundado em 24 de junho de 1924, numa iniciativa dos irmãos José, Raimundo e João Freitas Barbosa e por Armando Guilherme da Silva e Hugo Sanders. Sua primeira sede ficava localizada no bairro do Alagadiço (atual São Gerardo), na Rua Bezerra de Menezes nº 25. A segunda era situada no então aristocrático bairro do Benfica, na Avenida Visconde de Cauípe, nº 2081, hoje avenida da Universidade. Posteriormente, um grupo de amigos, transformaram o antigo clube numa agremiação elegante, com sua nova e terceira sede social inaugurada em 20 de abril de 1946, em um amplo terreno, no número 2955 da rua Barão do Rio Branco, imóvel situado entre as ruas Padre Roma e Deputado João Pontes, no bairro de Fátima. Em 14 de agosto de 1975, o clube encerrou suas atividades e sua sede foi vendida para a Coelce, que a ocupa até os dias atuais. 
Endereço: Rua Barão do Rio Branco, nº 2955 – Fátima - Processo Nº 64038/2009

Farmácia Oswaldo Cruz 

A farmácia foi fundada em 1934 e até início dos anos 50 pertenceu ao médico Benjamin Hortêncio de Medeiros, clínico geral, com consultório montado nos altos da farmácia, onde também atendia o Dr. Ciro Leal. Fornecia artigos farmacêuticos de ótima procedência, trabalhava com a fabricação de remédios, inclusive as pílulas de matos – como concessionária da Farmácia de Joaquim e Alencar Matos. Em 1950 foi comprada pelo atual proprietário Edgar Rodrigues. Além da venda de medicamentos, produtos químicos e homeopatia, possui um ambulatório. O prédio construído em 1927 por Plácido de Carvalho é um exemplo de arquitetura eclética. Endereço: Rua Major Facundo, nº 576 – Centro - Processo Nº 126187/2011

Aguardando Instrução do processo para tombamento definitivo


 Escola de Música Luís Assunção 

Localizada à Rua Solon Pinheiro, nº 60 – Centro - Decreto Municipal 11.961 de 11 de janeiro de 2006.
O casarão foi construído em 1875 e está com tombamento provisório feito, através do decreto número 11.961, de 2006, pela Prefeitura de Fortaleza. Em setembro, o palacete completou 63 anos de portas abertas para a música. (desde 17 de setembro de 1950).  Bons tempos em que recebia a fina flor da burguesia fortalezense para celebrar a criação da Sociedade Musical Henrique Jorge, cuja finalidade principal era manter a primeira Orquestra Sinfônica do Ceará.

Bar Avião 

Foi no início dos anos 40, no período da guerra, por ocasião da transferência do campo de pouso do Pici para o Cocorote que, Antônio de Paulo Lemos, inspirado pela presença constante de aeronaves entre a Base do Pici e do Cocorote, teve a ideia de construir, em frente ao Asilo (Hospital São Vicente de Paulo), início da Rua 15 de Novembro, uma caixa d’água no formato de um avião bimotor, o que deu origem ao famoso Bar Avião, que foi ponto de encontros e hoje é referência entre Montese e Parangaba. A edificação, de essência arquitetônica pitoresca, compõe-se de um volume térreo maciço. Seu principal apelo consiste na cobertura, uma laje de concreto, a qual suporta uma estrutura em forma de aeronave, executada com o mesmo material. A estrutura passou por uma reforma em meados de 2014, mas permanece sem uso. Decreto Municipal 11.967 de 11 de janeiro de 2006 Endereço: Rua 15 de novembro, nº 09 – Parangaba.

Edifício Philomeno Gomes (Lord Hotel)
  
O Lord Hotel foi fundado em 1956, pela família Philomeno Gomes, num prédio de 8 andares, com cerca de 120 apartamentos e, por isso, é considerado um exemplar da arquitetura moderna cearense, fruto dos negócios do industrial Pedro Philomeno Gomes.O referido hotel logo entrou na lista dos melhores de Fortaleza, tendo sido arrendado a um casal de suíços até 1959. Hospedou personalidades e artistas ilustres, nas décadas de 1960-1970. Em 1992 é desativado, transformando-se em residência-hotel. Posteriormente torna-se pousada, abriga lojas comerciais e condomínio de apartamentos. Mais tarde foi desapropriado e atualmente passa por um processo de restauração. 
Endereço: Rua Liberato Barroso,  nº 555 – Centro- Decreto Municipal 11.968 de 11 de janeiro de 2006 - Processo 20/2006

Edifício São Pedro (Iracema Plaza Hotel)

Endereço: Rua dos Ararius, nº 09 - Praia Iracema. Decreto Municipal 11.960 de 11 de janeiro de 2006 - Processo 12/2006. 
O Edifício São Pedro foi a 1ª. edificação da Praia de Iracema com mais de 2 andares, com fachada inspirada em hotéis de Miami. No térreo funcionou o restaurante Panela, um dos mais sofisticados de sua época. O edifício não foi concebido para abrigar um hotel, a transformação decorreu de um encontro realizado em Fortaleza, promovido pela junta comercial, que não contava com uma rede hoteleira capaz de atender as necessidades. A pedido do governador Paulo Sarasate, o prédio foi transformado em hotel assim funcionou parcialmente. O Iracema Plaza Foi o primeiro hotel construído na Praia de Iracema numa época em que os hotéis eram no centro.
O hotel foi desativado na década de 1970, encerrando um ciclo de luxo e requinte nos tempos áureos da Praia de Iracema. Depois que o hotel fechou, os apartamentos foram alugados e no térreo foi ocupado por vários comércios. Situação atual: o edifício São Pedro está altamente deteriorado, necessitando de restauração. Está parcialmente ocupado por proprietários dos apartamentos. 
 
Casa da Câmara da Villa de Arronches e Intendência Municipal da Villa de Porangaba 

Na casa construída pelos índios da Aldeia Porangaba, sob trabalho forçado, provavelmente entre o fim do século XVII e primeira metade do século XVIII, funcionou a Câmara e Cadeia entre 1759-1835.  De 1889 até 1924, instalou-se nesse prédio a Intendência da Villa de Porangaba  que, ano seguinte, institui-se legalmente como Prefeitura e Subprefeitura responsável pelo distrito de Parangaba, condição administrativa abolida em 1987. A casa, com status imponente, simboliza o contexto histórico de efetivação dos poderes locais (da Capitania do Siará- Século XVIII/da Província do Ceará –Século XIX). 
Endereço: Avenida Carlos Amora, s/n - Parangaba. Decreto Municipal 12.098 de 21 de setembro de 2006  - Processo 430/2006

 Casa Frei Tito de Alencar 
(imagem do Google)

O tombamento do imóvel onde viveu o cearense Frei Tito de Alencar Lima, foi uma maneira de mostrar respeito à memória do religioso, conhecido por lutar durante o período da Ditadura Militar, pelo retorno da democracia no Brasil. Naquela época, Frei Tito foi submetido aos mais variados tipos de tortura física e psicológica.
Endereço: Rua Rodrigues Junior, nº 364 – Centro - Decreto Municipal 12843 de 22 de julho de 2011 - Processo 90594/2011  

fontes:
http://portal.iphan.gov.br
fotos do arquivo Nirez, IBGE e Fortaleza em Fotos