sábado, 19 de abril de 2014

Coca-Cola realiza em Fortaleza treinamento para gestão de resíduos nos estádios da Copa do Mundo da FIFA™


Catadores em treinamento na última quinta-feira (17/04) em Fortaleza-CE.
  • Fortaleza, uma das sedes da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, recebeu o treinamento que beneficiou 70 catadores de material reciclável;
  • Profissionais irão trabalhar no gerenciamento dos resíduos sólidos dos estádios da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014;
  • Todo o lixo sólido produzido no evento da FIFA será reciclado.

A Coca-Cola Brasil, em parceria com a FIFA, será a responsável pela ação de gerenciamento de resíduos sólidos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™. A ação, que teve como teste a Copa das Confederações da FIFA 2013, quando 70 toneladas de material foram destinadas à indústria de transformação, será realizada nas 12 cidades-sede do megaevento. Para garantir a excelência do projeto, a empresa irá treinar toda a equipe de catadores que trabalhará durante os jogos, realizando o Treinamento para Gestão de Resíduos nos Estádios da Copa do Mundo da FIFA™. Ao todo, serão 840 catadores capacitados. Fortaleza recebeu o treinamento na última quinta-feira, dia 17, no Confort Hotel.

Durante a Copa do Mundo todo o lixo sólido produzido nos estádios será coletado e encaminhado à reciclagem nas cooperativas apoiadas pela Coca-Cola Brasil participantes do projeto Coletivo Reciclagem, que oferece suporte para a gestão e capacitação em 300 cooperativas em 22 estados. Em Fortaleza, todo o material coletado no Castelão será destinado à Rede de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis do Estado do Ceará, formada por 16 cooperativas e associações. A estimativa é que sejam produzidas cinco toneladas de resíduos passíveis de reciclagem a cada partida da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™.

O curso teve uma carga horária de 4h e nas aulas os catadores aprenderam como manusear os equipamentos que serão utilizados durante o Mundial. Eles foram treinados também sobre a dinâmica de trabalho dentro do estádio, além de terem recebido informações sobre segurança e questões comportamentais.

“Avaliamos a experiência realizada na Copa das Confederações de forma bastante positiva e, em parceria com a FIFA, resolvemos levar a ação para as 12 cidades-sede. A participação dos catadores foi fundamental para o resultado. Pensando na Copa do Mundo, decidimos ir além e contribuir também para o crescimento profissional e pessoal desse grupo. Por isso, criamos o Treinamento para Gestão de Resíduos nos Estádios da Copa do Mundo da FIFA™”, explica Victor Bicca, Diretor de Assuntos Governamentais, Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™.

A iniciativa da Coca-Cola Brasil tem o objetivo de estimular a expansão da coleta seletiva de lixo urbano nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014™. A reciclagem de resíduos está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, que cria normas para a coleta, o destino final e o tratamento de lixo urbano e industrial, entre outros.

Todas as ações da Coca-Cola durante a Copa das Confederações da FIFA e da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™ serão baseadas nos três legados que a companhia pretende deixar para o País com o evento: reciclagem, comunidade e vida ativa.


Legados para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™

Comunidade
Presente em cerca de 150 comunidades de 13 estados brasileiros e no Distrito Federal, o Projeto Coletivo Coca-Cola terá um protagonismo na Copa do Mundo FIFA™. A companhia planeja capacitar cerca de 115 mil jovens até o fim de 2014, quando estarão preparados para atuar no mercado de trabalho. A Coca-Cola Brasil pretende utilizar parte desta mão de obra durante o evento.

Reciclagem
Pioneira em reciclagem no Brasil, a Coca-Cola apoia mais de 300 cooperativas através de incentivos para a coleta seletiva, como programas de gestão e equipamentos. Durante a Copa das Confederações da FIFA 2013, a Coca-Cola, em parceria com a FIFA, foi responsável pelo gerenciamento de todo o resíduo sólido produzido nos seis estádios. O material coletado foi encaminhado à reciclagem nas cooperativas apoiadas pela Coca-Cola Brasil, por meio do projeto Coletivo Reciclagem. Após a realização das 16 partidas da competição, 70 toneladas de resíduos sólidos foram enviadas para reciclagem. A iniciativa será ampliada para as 12 cidades-sede do Mundial de 2014.

Vida Ativa
O conceito de vida ativa tem como carro-chefe a Copa Coca-Cola, que desde 2011 vem estimulando a prática de exercício físicos em diversas comunidades de todo país através de um torneio de futebol que reúne mais de 10 mil jovens divididos em mais de 500 equipes. Os campeões de 2012 tiveram a honra de atuarem como os gandulas da Copa das Confederações Brasil 2013. Para 2014, a Coca-Cola Brasil vai novamente oferecer treinamento específico para todos os 750 meninos e meninas vencedores da Copa Coca-Cola 2013 estejam aptos a atuarem como gandulas na principal competição da FIFA.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Colégios de Fortaleza no Século XIX

Na Fortaleza do século XIX estudar além do curso primário era privilégio quase que exclusivo das elites.  Os colégios existentes à época, eram quase todos particulares e mesmo as poucas escolas públicas existentes - como o Liceu e a Escola Normal - eram inacessíveis aos mais pobres, dado o custo do material e da manutenção de um aluno em sala de aula. 

 escola pública de Fortaleza em foto de 1912
 
Havia 20 escolas públicas, sendo 4 para meninos, 7 para meninas e 11 mistas, todas dedicadas ao ensino das primeiras letras. A exceção eram  duas escolas públicas, dois pequenos prédios, atraentes pela forma elegante de suas construções e asseio, construídos, um no bairro do Outeiro da Prainha, na administração do governador Coronel Luís Antônio Ferraz, em 1890, e o outro no Boulevard Visconde do Rio Branco, na administração do Presidente Dr. José Freire Bezerril Fontenele, em 1893. As duas ministravam o curso primário. 
 
 O Bonde do Jacarecanga, repleto de alunos com a farda do Liceu do Ceará
 
Os filhos das famílias ricas eram educados nos melhores externatos da cidade, nos internatos religiosos da capital do país e muitas vezes, em instituições no exterior, como França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Bélgica. Algumas famílias optavam por matricular os filhos aqui mesmo, onde os pais podiam fazer um acompanhamento de perto; e a oferta de estabelecimentos de ensino era bem razoável. 

 prédio do Liceu na Praça dos Voluntários
 
Berço da instrução pública de Fortaleza, o Liceu do Ceará iniciou a sistematização do ensino neste Estado a partir de 1845. Foi instalado no casarão na Praça dos Voluntários, onde hoje se encontra a Secretaria de Polícia e Segurança Pública. O Liceu  instituiu um curso equivalente ao do Ginásio Nacional, com duração de 7 anos, compreendendo as seguintes disciplinas: álgebra, geometria, trigonometria, mecânica, astronomia, física, química, meteorologia, mineralogia, geologia, zoologia, botânica, biologia, geografia, história universal, sociologia e moral, letras e artes,  e línguas: portuguesa, francesa, alemã, latina e grega; literatura nacional, desenho, música, ginástica, evoluções militares e esgrima. Ao aluno que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o título de Bacharel em Letras e Ciências. 
Ainda no século XIX, destacava-se o Ateneu Cearense, fundado em 1863 por João de Araújo Costa Mendes. Auxiliado pro seu irmão Manuel Teófilo Costa Mendes, transformou esse educandário particular num dos melhores da capital. 

 Seminário da Prainha, em 1905, na antiga Rua do Seminário, atual Avenida Monsenhor Tabosa
 
O Seminário Episcopal instalou-se em 1864, no Outeiro da Prainha, abrigando por gerações o cenáculo da cultura cearense. Lá o ensino era dividido em dois cursos, o Teológico e o Preparatório. No Curso Teológico os alunos eram submetidos às seguintes disciplinas: teologia oral, teologia dogmática, direito canônico, história eclesiástica, liturgia, cantochão, eloquência sagrada e escritura sagrada. No Curso Prepatório, estudava-se filosofia, física, retórica, matemática, história geral e do Brasil, geografia, francês, latim, gramática portuguesa, catecismo, história sagrada, civilidade e música vocal.

  Colégio da Imaculada Conceição, com um pavimento em 1905. Ao lado, a Igreja do Pequeno Grande
 
Dirigido pelas freiras francesas da Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula, chegadas em Fortaleza em 1865, o Colégio da Imaculada Conceição funcionou a partir de 1867, num prédio construído para abrigar um hospital. Ocupava a área equivalente a um quarteirão quadrado, na parte setentrional da Praça Filgueiras de Melo. Ao longo do tempo, o Colégio Imaculada Conceição conquistou posição de destaque na educação das moças pertencentes a elite da cidade, que aprendiam as seguintes matérias: instrução religiosa, primeiras letras, gramática portuguesa, gramática francesa, aritmética, geografia, história sagrada, história do Brasil, civilidade. Além disso, aprendiam sobre costura, bordados, tecidos, flores, desenho, piano e música vocal. O colégio era dirigido por 19 irmãs de caridade, todas francesas. 
No início do século XX, nas dependências do Colégio da imaculada Conceição foi criado o externato São Rafael para meninos, onde estudou o futuro presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.
Em 1876, o cônego Ananias Correia Amaral fundou o Colégio São José. Suas irmãs Júlia e Judith Correia do Amaral, auxiliadas pela prima Elvira Correia Pinho, dirigiram a partir de 1881, o Colégio Santa Rosa de Lima.
Em 1870 o professor Pedro da Silva Sena fundou o Panteon Cearense; o padre Bruno Rodrigues da Silva Figueiredo iniciou em 1879, o Instituto Cearense de Humanidades. 

 Escola Normal Pedro II em 1902. O prédio situado na Praça José de Alencar, com algumas modificações, atualmente abriga  o IPHAN.

A Escola Normal Pedro II, inaugurada em 1884 na Praça Marquês de Herval destinava-se a formação de professores para as  escolas do Estado.  O surgimento da Escola Normal provocou uma grande polêmica na sociedade, por causa da proposta de formar professoras profissionais, numa época em que as mulheres eram destinadas ao casamento e a criação de filhos. Lá os alunos (a escola aceitava alunos de ambos os sexos) cumpriam o seguinte programa escolar: um curso preparatório de 1 ano; e um curso normal de 3 anos. No prepatório, ensinava-se português, francês, aritmética,  sistema métrico, caligrafia, desenho linear, música vocal e prendas domésticas. No Curso Normal ensinava-se pedagogia, português, francês, aritmética, álgebra elementar, geometria, geografia geral e corografia do Brasil, ciências físicas e naturais, caligrafia e desenho, música vocal e prendas domésticas. Aos alunos que concluíam o curso, era expedido o diploma de habilitação para o magistério.
Durante o mandato da Irmã Clemence Therese Gagné de Dion, falecida em 1917, o Colégio da Imaculada Conceição foi equiparado à Escola Normal do Ceará, passando também a formar professoras. 

 prédio da Escola Militar do Ceará, atual Colégio Militar, na Avenida Santos Dumont
 
A Escola Militar do Ceará fundada em maio de 1889, instalou-se, no início nas dependências do Quartel da Força de Linha, junto à Fortaleza de N. S. de Assunção. Seu ensino correspondia ao de seus congêneres do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Posteriormente a escola Militar se estabeleceria no atual prédio que, construído pelo Barão de Ibiapaba, sediou por algum tempo, o Asilo de Mendicidade.
Outros colégios antigos podem ser citados como o Colégio Parthenon Cearense, fundado em 1892 por Lino de Souza da Encarnação, na esquina das Ruas 24 de maio e Guilherme Rocha.
A Escola Cristã do Padre Liberato criada em 1882 educou muitas personalidades do cenário social da cidade; outro colégio, o Ginásio Cearense de Anacleto de Queiroz Lima, fundado em 1887, comumente chamado de Colégio Anacleto, possuía alto conceito na época, firmando-se como principal estabelecimento particular de ensino do Estado.
O Externato Santa Clotilde da professora Francisca Clotilde Barbosa Lima, poeta e romancista, foi inaugurado em 1891. O Instituto de Humanidades do Cônego Salazar da Cunha e Antônio Augusto de Vasconcelos, iniciou suas atividades em 1892, na Rua Sena Madureira, em frente a antiga Igreja Presbiteriana, local hoje ocupado pelo Edifício Clóvis Rolim. 

 Colégio N. S. de Lourdes, de propriedade de Ana Bilhar, na Avenida Santos Dumont
 
Ana  Bilhar estabeleceu em 1896 o Colégio Nossa Senhora de Lourdes. O Colégio N.S. das Vitórias foi propriedade de Maria Mendes  e Emma Adélia Ruedin Gonthier, a notável Madame Gonthier, que fundaria em 1916 o afamado Colégio La Ruche.
De grande conceito também o Colégio Castelo Branco, iniciado em 1900, por Odorico Castelo Branco. Com a primeira denominação de Instituto Miguel Borges, instalou-se na Praça Coração de Jesus e posteriormente, na Avenida Dom Manuel. Mais tarde passou a ser chamado Colégio Castelo Branco a partir de 1921, com o falecimento de seu fundador.

 Colégio Castelo Branco, na Avenida Dom Manuel
 
Muitos desses estabelecimentos de ensino tiveram vida longa e formaram diversas gerações de profissionais que se destacaram no cenário cearense em inúmeras atividades. Outros, perduram até hoje, como o Liceu, a Escola Normal, o Imaculada Conceição, o Seminário da Prainha e a Escola Militar, hoje Colégio Militar de Fortaleza.. 

pesquisa:
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
Ideal Clube, história de uma sociedade, de Vanius Meton Gadelha Vieira 
fotos do arquivo Nirez

 

domingo, 13 de abril de 2014

13 de Abril é o Dia da Cidade de Fortaleza




Conta o professor José Liberal de Castro que, um belo dia, foi procurado por Cláudio Pereira, então presidente da Fundação Cultural do Município, que dizia estar recebendo insistentes solicitações de um vereador, no sentido de que fosse escolhida uma data na qual Fortaleza pudesse usar como referencial para comemorar alguma data que fosse significativa do seu passado. Na solicitação do vereador havia uma incontestável reverência ao passado fortalezense, mas também resultava na promoção artificial  de celebrações com as quais a cidade jamais se preocupou.

Poucos dias depois, o professor apresentou ao presidente da Fundação Cultural, uma curta lista datas, acompanhadas de sucintas considerações pertinentes, a fim de que ele escolhesse a que melhor conviesse, com o alerta de que as datas não deveriam ser consideradas propriamente como referências históricas, mas como simples marcos simbólicos.

Nessa perspectiva, qualquer das datas sugeridas poderia ser escolhida, inclusive outras mais, lembradas por terceiros. Incontáveis datas poderiam ser aventadas, em particular aquelas alusivas a primazias, quer dizer, “data do primeiro este, à data do primeiro aquele”.

De qualquer modo, fossem quais fossem, deveria portar significados de ampla abrangência e constituir fontes geradoras de novas fontes retentoras de memórias. Por tais motivos, era aconselhável evitar datas desconhecidas ou propostas baseadas unicamente em propostas pessoais.

 segundo plano do Passeio Público, denominado Avenida Carapinima - 1908 

Após as devidas ponderações, foi escolhida a data de 13 de abril de 1726 – data em que o povoado do forte foi elevada à categoria de Vila – decisão que, juntamente com os argumentos justificativos da escolha, foram levados ao conhecimento do vereador Idalmir Feitosa, interessado na consulta, que aceitou sem relutância da data sugerida.

O consequente projeto apresentado e defendido por Idalmir Feitosa transformou-se na Lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que instituiu o dia 13 de abril como o Dia da Cidade. A lei aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade. 
Neste 13 de abril de 2014, Fortaleza completa 288 anos desde que se tornou Vila. O povoado, este nasceu bem antes. 

Fonte:

As Comemorações do 13 de Abril, de José Liberal de Castro, publicado no livro “Ah, Fortaleza!”.  

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Quartel do 11º Batalhão de Infantaria (Atual Quartel da 10ª Região Militar)

 

O antigo quartel do 11° Batalhão de Infantaria teve sua construção iniciada na administração do coronel Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca, governador da Capitania no período de 1765 a 1781, em terreno de propriedade do padre José Rodrigues, que o oferecera ao governo juntamente com a capela de Nossa Senhora da Assunção, edificada por ele. 

  
De acordo com o conselheiro Araripe, esse quartel não passava de um pequeno retângulo com as paredes laterais simples, sem portas interiores e janelas externas, com o teto muito baixo e com capacidade de aquartelamento para apenas 4 companhias. A prisão do crime ficava em frente.
Em carta de 2 de junho de 1802, o Governador Bernardo Manoel de Vasconcelos comunica ao Ministro da Marinha, ter feito alterações nos quartéis, uma vez que estes havia sido construídos  por conta e risco de um clérigo da capitania que fora encarregado da obra. Reconhecendo o presidente Inácio Correia de Vasconcelos o quanto era inadequado o quartel em que se achava abarracado o batalhão provisório de 1ª. Linha, por ato de 9 de outubro de 1846, lançou mão de pequenos recursos de que dispunha e mandou melhorar o referido quartel, que foi duplicado, passando a medir 54,66m com fundo de 80m.


Na administração do Dr. João Silveira de Sousa, em 27 de julho de 1857, continuaram as obras do quartel sob a direção de uma comissão de oficiais do Corpo, a qual mandou demolir a antiga capela de N.S. da  Assunção, que existia no meio do quadro e iniciar uma nova, maior que, ficou parada por falta de verba. Diante disso, a capela acabou abandonada ficando a área necessária para certos misteres do Corpo de Soldados.
Em 1859 foi encarregado da obra do quartel o engenheiro Adolfo Herbster. A fachada principal foi concluída em 1860; em 1862 o presidente Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior mandou que se abrissem dez janelas para ventilar o pavimento térreo e nelas se colocassem grades de ferro.  Requisição do mesmo presidente no ano de 1863, consignou um valor de 2:000$000 para a conclusão da capela, que há muito estava parada e fora mandada demolir por aviso do Ministério da Guerra de 14 de maio de 1861.
As obras chegaram até o ponto de receberem a cobertura, mas por falta de verbas ficaram paralisadas, até que em 1881, foi ela totalmente demolida. As obras no quartel foram melhorando e ampliando até o tornarem um grande edifício, com frentes para a Rua Sena Madureira, Rua da Misericórdia, Praça dos Mártires e o mar.


Pelo lado do mar, o quartel é anexo à fortaleza de N.S. da Assunção, a qual havia sido recuperada por provisão de 24 de setembro de 1745. Constando apenas de uma pequena bateria, o governador Manuel Inácio de Sampaio mandou reconstruir em alvenaria, no mesmo lugar, e foi ela concluída em 17 de agosto de 1822, sob o comando do engenheiro Silva Paulet.

 O forte de N.S. da Assunção foi incorporado ao quartel, e hoje, apenas os militares tem acesso às dependências internas dessa edificação histórica. 
 
Atualmente o antigo quartel e o forte de N. S. da Assunção constituem a área pertencente ao Quartel da 10ª. Região Militar. Nele estiveram alguns Batalhões do Exército, sendo o último a ocupa-lo o 23° Batalhão de Caçadores. A 10ª. Região mudou-se para lá no dia 17 de dezembro de 1948, tendo sido criada em 17 de dezembro de 1942, compreendendo os Estados do Ceará. Piauí e Maranhão. A parte do quartel que dá frente para o Passeio Público serviu de sede à Escola Militar do Ceará, instalada no dia 1° de maio de 1889, e extinta pela lei Geral 463, de 25 de novembro de 1897.

Extraído do livro Descrição da Cidade de Fortaleza
De Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
fotos do Arquivo Nirez
 

terça-feira, 8 de abril de 2014

A Vila Floresce no Forte

 fortaleza de N. S. da Assunção
 
Elevado à Vila em 1726, o antigo povoado do Pajeú, formado à sombra do Forte Schoonenborch, daria somente depois de um grande espaço de tempo, seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento.  A Vila cresceu circundando a Fortaleza de N. S. da Assunção, seguindo o roteiro das águas correntes do Pajeú e cuidando do florescente comércio algodoeiro. 
No lado nascente do Forte, situava-se o sítio do naturalista João da Silva Feijó, coronel de engenheiros que veio residir na Vila em 1799, com a incumbência de estudar a geografia da região, seus recursos e produções. Esse sítio era cortado pelo caminho ondulante do Pajeú que, sereno e silencioso deslizava por seus pomares antes e se lançar ao mar.
Na praia, formava um grande  maceió ou pocinho que, desde tempos idos recebia pequenas embarcações, servindo também de aguadas e banhos públicos. Nesse sossegado recanto, olhando para o forte sombreado de árvores, moraria posteriormente Manoel Franklin do Amaral, meio-irmão do Visconde de Jaguaribe e pai do Barão de Canindé. A partir de 1911 ali seria residência de João Eduardo Torres Câmara Filho, pai de Dom Helder Câmara, futuro arcebispo de Olinda e Recife. 

 Praça General Tibúrcio

O Pajeú animava no sítio do naturalista Feijó, uma nascente d’água que abastecia um chafariz público, inaugurado em 1813 e decantado em versos, por sua importância no progresso da vila. O deficiente abastecimento de água foi melhorando com o chafariz implantado na parte principal da cidade. Dia e noite o chafariz estava rodeado de gente, na maior parte escravos, conduzindo potes de barro. A população foi crescendo de maneira desordenada em volta dessa fonte de água potável, amontoando suas casas nas barrancas sinuosas do riacho.

 Prédio da Assembleia Provincial, na atual Rua Sobral, Praça Caio Prado (Praça da Sé)

O governador Sampaio tratou de reparar aquele desalinho. Assumindo o governo do estado em 1812, Manoel Inácio Sampaio contratou o engenheiro Silva Paulet para desenvolver um plano de urbanização para a Vila. Um dos melhores administradores do Ceará colonial, Sampaio deparou-se com uma pequena vila pobre e sem atrativos, com uma população que não ultrapassava os 3.000 habitantes, com um casario simples, em formato de caixotes e um só pavimento.

 Prédio da Tesouraria Provincial, que ficava ao lado da 10a. RM. Foi demolido para construção do Fórum Clóvis Beviláqua, que funcionou ali por quase 40 anos, até mudar-se para a Av. Washington Soares, em 1998. Hoje, no local existe a ampliação da Praça Caio Prado (Praça da Sé).

Governador por 8 anos reconstruiu em alvenaria a Fortaleza de N.S. da Assunção, criou a Alfândega, estabeleceu os Correios terrestres que serviam com regularidade e realizou o recenseamento da população de Fortaleza.
O progresso dos negócios do cotonifício, acompanhando essa boa administração, ia diminuindo o grau de pobreza da vila, propiciando o surgimento dos primeiros homens de posse do povoado.  Algumas residências eram levantadas com mais apuro, considerando valores decorativos. Cuidou-se da instrução, do interesse pelas artes e do bom trato nos hábitos sociais.

 Escola de Ensino Mútuo, construída em 1879, foi a primeira escola para meninos de Fortaleza. Ficava na atual Praça do Ferreira, na esquina onde hoje se encontra o Palacete Ceará/Caixa Econômica, à época, um local considerado ermo e longe da vila, que se concentrava no entorno do forte de N.S. da Assunção

Desses saraus participava o português José Pacheco Spinosa, morador nas vizinhanças do palácio, numa casa que posteriormente integraria o antigo Mercado Público. Associado ao proprietário de terras Antônio Maciel Alves, foi um dos primeiros a comercializar o algodão, diretamente do porto de Fortaleza para a Europa. 

Rua Perboyre Silva 
 
Essa exportação somente foi permitida após a Carta régia de 17 de janeiro de 1799, consignada por D. Maria I, determinando a separação administrativa do Ceará da capitania de Pernambuco. Antes, esse produto era encaminhado de Aracati ou Mossoró para Pernambuco, seguindo então para a Europa.
O navio "Felicidade",  o segundo a realizar em dezembro de 1808, a travessia direta de Portugal a Fortaleza, era de propriedade de Antônio Manoel Alves e José Pacheco Spinosa. Antes a escuna “Flor do Mar”, comandada por Antônio Nunes de Mello efetuara esta viagem.

extraído do livro Ideal Clube - História de uma Sociedade
de Vanius Meton Gadelha Vieira 
fotos do Arquivo Nirez