domingo, 13 de abril de 2014

13 de Abril é o Dia da Cidade de Fortaleza




Conta o professor José Liberal de Castro que, um belo dia, foi procurado por Cláudio Pereira, então presidente da Fundação Cultural do Município, que dizia estar recebendo insistentes solicitações de um vereador, no sentido de que fosse escolhida uma data na qual Fortaleza pudesse usar como referencial para comemorar alguma data que fosse significativa do seu passado. Na solicitação do vereador havia uma incontestável reverência ao passado fortalezense, mas também resultava na promoção artificial  de celebrações com as quais a cidade jamais se preocupou.

Poucos dias depois, o professor apresentou ao presidente da Fundação Cultural, uma curta lista datas, acompanhadas de sucintas considerações pertinentes, a fim de que ele escolhesse a que melhor conviesse, com o alerta de que as datas não deveriam ser consideradas propriamente como referências históricas, mas como simples marcos simbólicos.

Nessa perspectiva, qualquer das datas sugeridas poderia ser escolhida, inclusive outras mais, lembradas por terceiros. Incontáveis datas poderiam ser aventadas, em particular aquelas alusivas a primazias, quer dizer, “data do primeiro este, à data do primeiro aquele”.

De qualquer modo, fossem quais fossem, deveria portar significados de ampla abrangência e constituir fontes geradoras de novas fontes retentoras de memórias. Por tais motivos, era aconselhável evitar datas desconhecidas ou propostas baseadas unicamente em propostas pessoais.

 segundo plano do Passeio Público, denominado Avenida Carapinima - 1908 

Após as devidas ponderações, foi escolhida a data de 13 de abril de 1726 – data em que o povoado do forte foi elevada à categoria de Vila – decisão que, juntamente com os argumentos justificativos da escolha, foram levados ao conhecimento do vereador Idalmir Feitosa, interessado na consulta, que aceitou sem relutância da data sugerida.

O consequente projeto apresentado e defendido por Idalmir Feitosa transformou-se na Lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que instituiu o dia 13 de abril como o Dia da Cidade. A lei aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade. 
Neste 13 de abril de 2014, Fortaleza completa 288 anos desde que se tornou Vila. O povoado, este nasceu bem antes. 

Fonte:

As Comemorações do 13 de Abril, de José Liberal de Castro, publicado no livro “Ah, Fortaleza!”.  

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Quartel do 11º Batalhão de Infantaria (Atual Quartel da 10ª Região Militar)

 

O antigo quartel do 11° Batalhão de Infantaria teve sua construção iniciada na administração do coronel Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca, governador da Capitania no período de 1765 a 1781, em terreno de propriedade do padre José Rodrigues, que o oferecera ao governo juntamente com a capela de Nossa Senhora da Assunção, edificada por ele. 

  
De acordo com o conselheiro Araripe, esse quartel não passava de um pequeno retângulo com as paredes laterais simples, sem portas interiores e janelas externas, com o teto muito baixo e com capacidade de aquartelamento para apenas 4 companhias. A prisão do crime ficava em frente.
Em carta de 2 de junho de 1802, o Governador Bernardo Manoel de Vasconcelos comunica ao Ministro da Marinha, ter feito alterações nos quartéis, uma vez que estes havia sido construídos  por conta e risco de um clérigo da capitania que fora encarregado da obra. Reconhecendo o presidente Inácio Correia de Vasconcelos o quanto era inadequado o quartel em que se achava abarracado o batalhão provisório de 1ª. Linha, por ato de 9 de outubro de 1846, lançou mão de pequenos recursos de que dispunha e mandou melhorar o referido quartel, que foi duplicado, passando a medir 54,66m com fundo de 80m.


Na administração do Dr. João Silveira de Sousa, em 27 de julho de 1857, continuaram as obras do quartel sob a direção de uma comissão de oficiais do Corpo, a qual mandou demolir a antiga capela de N.S. da  Assunção, que existia no meio do quadro e iniciar uma nova, maior que, ficou parada por falta de verba. Diante disso, a capela acabou abandonada ficando a área necessária para certos misteres do Corpo de Soldados.
Em 1859 foi encarregado da obra do quartel o engenheiro Adolfo Herbster. A fachada principal foi concluída em 1860; em 1862 o presidente Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior mandou que se abrissem dez janelas para ventilar o pavimento térreo e nelas se colocassem grades de ferro.  Requisição do mesmo presidente no ano de 1863, consignou um valor de 2:000$000 para a conclusão da capela, que há muito estava parada e fora mandada demolir por aviso do Ministério da Guerra de 14 de maio de 1861.
As obras chegaram até o ponto de receberem a cobertura, mas por falta de verbas ficaram paralisadas, até que em 1881, foi ela totalmente demolida. As obras no quartel foram melhorando e ampliando até o tornarem um grande edifício, com frentes para a Rua Sena Madureira, Rua da Misericórdia, Praça dos Mártires e o mar.


Pelo lado do mar, o quartel é anexo à fortaleza de N.S. da Assunção, a qual havia sido recuperada por provisão de 24 de setembro de 1745. Constando apenas de uma pequena bateria, o governador Manuel Inácio de Sampaio mandou reconstruir em alvenaria, no mesmo lugar, e foi ela concluída em 17 de agosto de 1822, sob o comando do engenheiro Silva Paulet.

 O forte de N.S. da Assunção foi incorporado ao quartel, e hoje, apenas os militares tem acesso às dependências internas dessa edificação histórica. 
 
Atualmente o antigo quartel e o forte de N. S. da Assunção constituem a área pertencente ao Quartel da 10ª. Região Militar. Nele estiveram alguns Batalhões do Exército, sendo o último a ocupa-lo o 23° Batalhão de Caçadores. A 10ª. Região mudou-se para lá no dia 17 de dezembro de 1948, tendo sido criada em 17 de dezembro de 1942, compreendendo os Estados do Ceará. Piauí e Maranhão. A parte do quartel que dá frente para o Passeio Público serviu de sede à Escola Militar do Ceará, instalada no dia 1° de maio de 1889, e extinta pela lei Geral 463, de 25 de novembro de 1897.

Extraído do livro Descrição da Cidade de Fortaleza
De Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
fotos do Arquivo Nirez
 

terça-feira, 8 de abril de 2014

A Vila Floresce no Forte

 fortaleza de N. S. da Assunção
 
Elevado à Vila em 1726, o antigo povoado do Pajeú, formado à sombra do Forte Schoonenborch, daria somente depois de um grande espaço de tempo, seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento.  A Vila cresceu circundando a Fortaleza de N. S. da Assunção, seguindo o roteiro das águas correntes do Pajeú e cuidando do florescente comércio algodoeiro. 
No lado nascente do Forte, situava-se o sítio do naturalista João da Silva Feijó, coronel de engenheiros que veio residir na Vila em 1799, com a incumbência de estudar a geografia da região, seus recursos e produções. Esse sítio era cortado pelo caminho ondulante do Pajeú que, sereno e silencioso deslizava por seus pomares antes e se lançar ao mar.
Na praia, formava um grande  maceió ou pocinho que, desde tempos idos recebia pequenas embarcações, servindo também de aguadas e banhos públicos. Nesse sossegado recanto, olhando para o forte sombreado de árvores, moraria posteriormente Manoel Franklin do Amaral, meio-irmão do Visconde de Jaguaribe e pai do Barão de Canindé. A partir de 1911 ali seria residência de João Eduardo Torres Câmara Filho, pai de Dom Helder Câmara, futuro arcebispo de Olinda e Recife. 

 Praça General Tibúrcio

O Pajeú animava no sítio do naturalista Feijó, uma nascente d’água que abastecia um chafariz público, inaugurado em 1813 e decantado em versos, por sua importância no progresso da vila. O deficiente abastecimento de água foi melhorando com o chafariz implantado na parte principal da cidade. Dia e noite o chafariz estava rodeado de gente, na maior parte escravos, conduzindo potes de barro. A população foi crescendo de maneira desordenada em volta dessa fonte de água potável, amontoando suas casas nas barrancas sinuosas do riacho.

 Prédio da Assembleia Provincial, na atual Rua Sobral, Praça Caio Prado (Praça da Sé)

O governador Sampaio tratou de reparar aquele desalinho. Assumindo o governo do estado em 1812, Manoel Inácio Sampaio contratou o engenheiro Silva Paulet para desenvolver um plano de urbanização para a Vila. Um dos melhores administradores do Ceará colonial, Sampaio deparou-se com uma pequena vila pobre e sem atrativos, com uma população que não ultrapassava os 3.000 habitantes, com um casario simples, em formato de caixotes e um só pavimento.

 Prédio da Tesouraria Provincial, que ficava ao lado da 10a. RM. Foi demolido para construção do Fórum Clóvis Beviláqua, que funcionou ali por quase 40 anos, até mudar-se para a Av. Washington Soares, em 1998. Hoje, no local existe a ampliação da Praça Caio Prado (Praça da Sé).

Governador por 8 anos reconstruiu em alvenaria a Fortaleza de N.S. da Assunção, criou a Alfândega, estabeleceu os Correios terrestres que serviam com regularidade e realizou o recenseamento da população de Fortaleza.
O progresso dos negócios do cotonifício, acompanhando essa boa administração, ia diminuindo o grau de pobreza da vila, propiciando o surgimento dos primeiros homens de posse do povoado.  Algumas residências eram levantadas com mais apuro, considerando valores decorativos. Cuidou-se da instrução, do interesse pelas artes e do bom trato nos hábitos sociais.

 Escola de Ensino Mútuo, construída em 1879, foi a primeira escola para meninos de Fortaleza. Ficava na atual Praça do Ferreira, na esquina onde hoje se encontra o Palacete Ceará/Caixa Econômica, à época, um local considerado ermo e longe da vila, que se concentrava no entorno do forte de N.S. da Assunção

Desses saraus participava o português José Pacheco Spinosa, morador nas vizinhanças do palácio, numa casa que posteriormente integraria o antigo Mercado Público. Associado ao proprietário de terras Antônio Maciel Alves, foi um dos primeiros a comercializar o algodão, diretamente do porto de Fortaleza para a Europa. 

Rua Perboyre Silva 
 
Essa exportação somente foi permitida após a Carta régia de 17 de janeiro de 1799, consignada por D. Maria I, determinando a separação administrativa do Ceará da capitania de Pernambuco. Antes, esse produto era encaminhado de Aracati ou Mossoró para Pernambuco, seguindo então para a Europa.
O navio "Felicidade",  o segundo a realizar em dezembro de 1808, a travessia direta de Portugal a Fortaleza, era de propriedade de Antônio Manoel Alves e José Pacheco Spinosa. Antes a escuna “Flor do Mar”, comandada por Antônio Nunes de Mello efetuara esta viagem.

extraído do livro Ideal Clube - História de uma Sociedade
de Vanius Meton Gadelha Vieira 
fotos do Arquivo Nirez

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Nascimento de uma Cidade


No dia 10 de abril de 1649, os holandeses iniciaram a construção de um forte, que chamaram de Schoonenborch, às margens de um curso d’água permanente chamado por eles de Marajaik, e mais tarde também denominado Ipojuca, Telha e hoje, Pajeú.
Supôs Matias Beck que à sombra do seu forte e ao longo do riacho era possível crescer uma cidade. O Capitão-Mor Álvaro de Azevedo Barreto em 20 de maio de 1654 se apossa do forte dos holandeses e passa a chama-lo de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

 Mapa  de Fortaleza, atribuído ao capitão-mor Manuel Francês. O traço forte do Pajeú divide em duas a Vila da Fortaleza de N. S. da Assunção.

À época o Ceará estava subordinado à jurisdição de Pernambuco, passando a Vila do Ceará ou de São José de Ribamar em 1656 e a Vila de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção em 13 de abril de 1726, sob o comando do Capitão-mor Manuel Francês.
O forte se manteve por quase um século em estado bastante precário, sendo remendado diversas vezes, até que em 12 de outubro de 1812, em homenagem à data de aniversário do príncipe D. Pedro de Alcântara, inicia-se a construção da fortaleza, quando passa a ter o desenho que tem atualmente. Foi projetada originalmente com quatro baluartes, em estrela, dos quais somente dois foram executados, o baluarte norte, denominado Nossa Senhora da Assunção, e o nordeste, chamado de Dom João Príncipe Regente. 

 O que restou da fortaleza de N. S. da Assunção foi incorporado ao quartel da 10a. RM, e somente os militares tem acesso às dependências internas da edificação histórica.

Obsoleta desde sua construção, não somente pelo seu traçado renascentista, mas também por não obedecer a nenhuma regra de construção para obras de novas fortificações. O projeto foi do engenheiro Silva Paulet executado na administração do então Governador Manoel  Inácio de Sampaio.
São poucos os relatos sobre a Fortaleza do final do século XVIII. Henry Koster visitou a cidade em 1810 e focalizou como problema central a sua construção em terreno arenoso e a ausência de rios e cais, além de suas praias possuírem vagas violentas, tornando difícil o desembarque.  Suas residências eram térreas e as ruas e praças não eram calçadas. A então Vila de Fortaleza tinha 1.200 habitantes, quatro ruas centrais e um pequeno comércio.

 Praça General Tibúrcio, 1912

Visitando Fortaleza em 1865, chefiando a missão científica Thayer Expedition, Mr. João Luiz Rodolfo Agassiz, suíço, acompanhado da mulher e de um grupo de naturalistas, declara em “Voyage au Brésil” referindo-se a Fortaleza:  a manhã do dia seguinte foi chuvosa, mas a tarde o tempo levantou e durante a noite fizemos um longo passeio pela cidade em companhia do nosso anfitrião, Dr. Félix José de Souza. Amo a fisionomia do Ceará. Amo suas ruas largas, asseadas, bem calçadas, resplandecentes de toda a sorte de cores, porque as casas que as bordam são pintadas de tons os mais variados.

 rua Major Facundo, 1900

Nos domingos e dias santos, todas as janelas são guarnecidas de moças, que trajam alegres toaletes e grupos de rapazes enchem os passeios, conversam e fumam. O Ceará não tem este ar triste, sombrio que apresentam muitas cidades brasileiras; sente-se ali o movimento, vida e prosperidade.  Além da cidade continua o traçado das ruas através dos campos que fecham ao longe belas montanhas.
Em frente corre a larga praia de areias brancas, o murmúrio do mar batendo nos arrecifes, chega a ouvir-se até no centro da cidade. Parece que assim, colocado entre as montanhas e o mar, o Ceará deve ser uma cidade salubre, e é essa a reputação de que goza.

 Rua Floriano Peixoto, em 1910

A evolução urbana de Fortaleza foi lenta no século XIX e com baixo crescimento demográfico. A população que era de 12.195 habitantes em 1813 passa a 16.557 em 1837 e chega ao final do século com 50.000 habitantes.
Em 1800 havia um arruador para organizar o traçado das ruas e treze anos depois a Câmara Municipal possuía uma planta parcial da Vila elaborada pelo engenheiro Antônio José da Silva Paulet.



Extraído do artigo Patrimônio Edificado de Fortaleza, de José Capelo Filho, publicado no livro Ah, Fortaleza!
fotos do arquivo Nirez 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Praça da Bandeira

Localizada no Centro, a Praça da Bandeira é popularmente chamada de Praça do Cristo Rei, isso porque nela foi construída a Igreja, cuja inauguração se deu a 29 de maio de 1930. 

 Igreja do Cristo Rei, na Praça da bandeira

Até a década de 30 era um imenso areal. Demarcada em 1877, recebeu  a denominação de Barão de Ibiapaba em homenagem a Joaquim da Cunha Freire, que ali lançara as bases do Asilo de Mendicidade. O Barão de Ibiapaba nasceu em Caucaia, com notável atuação na política e na economia  cearense. Presidiu mais de uma vez a Província do Ceará.

 A praça quando ainda existia o coreto e onde se pode avistar os dois equipamentos que estão lá até hoje: o Colégio Militar, ainda sem a quadra, e a Igreja do Cristo-Rei.
A partir de Outubro de 1890 passou a ser a Praça do Asilo, em virtude da instalação do Asilo, pelo Barão de Ibiapaba, por Resolução do Conselho de Intendência Municipal, que tinha como presidente o major Manoel Nogueira Barros. Esta Resolução, no entanto, durou pouco, apenas 6 meses, pois em Sessão do Conselho de Intendência Municipal, datada de 26 de abril de 1891, os interventores Guilherme César Rocha, Olegário dos Santos, Antônio Costa Sousa, José Albano Filho e o Presidente do Conselho, Joaquim de Oliveira Catunda, voltaram à sua denominação anterior, ou seja, Barão de Ibiapaba. 
  
prédio do Colégio Militar em 1932, com a Avenida Santos Dumont e os trilhos do bonde do Outeiro

Mais tarde, sua denominação foi mudada para Praça do Colégio Militar, em razão da adaptação do prédio do Asilo para Quartel do Regimento Policial do Estado, em seguida para a sede do Colégio Militar.
Em 1921, em homenagem ao Gen. Dr. Benjamin Constant de Magalhães, professor da Escola Militar, da Escola Superior de Guerra, Diretor do Instituto dos Cegos, e fundador da Escola Normal do Rio de Janeiro, passou a ser chamada de Praça Benjamin Constant.
Por fim, recebeu o nome de Praça da Bandeira, através da Lei n° 1671/60, publicada no dia 26 de dezembro de 1960, na gestão do prefeito Manuel Cordeiro Neto. 

A então Praça Benjamin Constant, com uma caixa d'água de onde era retirada a água que era transportada em lombo de burros para ser vendida a população, em 1938 (foto do livro Praças de Fortaleza) 
Na praça havia um coreto onde uma banda de música animava a população. Também havia um poço que jorrava água potável de excelente qualidade, que era carregada em burrinhos para venda. O fato de tão pitoresco servia de diversão para a gurizada.
Em 1943, na gestão do Prefeito Raimundo de Alencar Araripe foi feita uma completa remodelação do logradouro. Ali pela primeira vez, a 7 de setembro do mesmo ano, celebrou-se no Ceará, a “Hora da Independência”.



 A avenida Santos Dumont no trecho da Praça da Bandeira em três momentos diferentes: década de 30, anos 60 e ano de 2013. 
 
Em 1947 teve sua área diminuída de acordo com o Decreto-lei n° 1 de 30 de dezembro daquele ano, quando a praça foi transformada em campo de esportes e cedida a título precário à Escola Preparatória de Fortaleza, que contribuiu com 50% das respectivas despesas de adaptação.
Esta quadra de esportes recebeu o nome de General Eudoro Correia. A redução da área, porém, não afetou muito porque beneficiou os alunos do Colégio Militar e a praça continuou muito grande. O nome atual é uma homenagem à Bandeira Brasileira.

Bandeira do Império do Brasil durante o primeiro reinado

A Bandeira Nacional é o símbolo oficial de um país e nela estão estampados seus emblemas e suas cores. Consta que o Brasil teve cinco bandeiras até 1889, porém, a primeira bandeira realmente brasileira foi a de 1822, ano da independência do Brasil.
Foi projetada por Debret, por ordem de Dom Pedro I e se constituía de um retângulo verde e um losango amarelo, com as armas do império ao centro. Com a Proclamação da República em 1889, a bandeira foi novamente substituída. Conservou-se o retângulo verde, que simboliza a pujança das florestas, e o losango amarelo, que representa a riqueza mineral do solo brasileiro.
Mas o escudo da Monarquia foi substituído por uma esfera azul, cortada por uma faixa branca ligeiramente inclinada, ostentando o dístico “Ordem e Progresso”. É a única bandeira nacional que ostenta um dístico. Na esfera estão colocadas estrelas brancas representando os Estados brasileiros e o Distrito Federal.

 primeira versão da atual Bandeira Brasileira inspirada na bandeira do Império

Bandeira atual 

A posição relativa dessas estrelas obedece ao instante do dia sideral da Proclamação da República, na qual a constelação do Cruzeiro do Sul se apresentava  verticalmente em relação ao horizonte da cidade do Rio de Janeiro. Por um lapso do desenho, as estrelas foram dispostas como se fossem vistas através de um espelho.
O uso da Bandeira Nacional é regulado por lei. Entre os dispositivos mais importantes  estão: obrigatoriedade, horário, forma, posição e altura  de hasteamento; como aparecer em salões, em enterros, estendidas, sem mastro. Há também regras para proibições.   
As Bandeiras em mau estado de conservação devem ser entregues ao comando das unidades militares para serem incineradas solenemente, a 19 de novembro de cada ano, no quartel de uma unidade militar ou local designado pelas autoridades. Segundo alguns historiadores, a nossa Bandeira foi desenhada por Décio Vilares. A bandeira republicana ficou pronta e foi hasteada pela primeira vez em 19 de novembro de 1889, que ficou marcado como o Dia da Bandeira.

Extraído do livro Praças de Fortaleza
De Maria Noélia Rodrigues da Cunha 
fotos do Arquivo Nirez