terça-feira, 3 de maio de 2016

Cococi - A Cidade Fantasma do Sertão do Ceará

Imagine viver num lugarejo com apenas 5 pessoas; o lugar tem outras casas, mas não tem moradores, ou seja, nada de vizinhos. Também não conta com serviços de fornecimento de água, energia elétrica, posto de saúde, nem internet. E todas as vezes que um dos cinco moradores necessita de alguma coisa, precisa se deslocar em torno de 40 quilômetros, por uma estrada de terra até Parambu, sede do Município.

Cococi - bico de pena de Tarcísio Garcia 
 imagem Panorâmio - fotógrafo Aragão

O Sertão dos Inhamuns fica na divisa Oeste do Ceará, em pleno semiárido, na faixa sub-equatorial que serve de intervalo entre a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica; é reduto da cobertura vegetal da caatinga, tanto arbórea quanto arbustiva. A região é geologicamente denominada de Depressão Sertaneja.  É formado pelos municípios de Aiuaba, Tauá, Arneiroz, Catarina, Saboeiro e Parambu.

Cococi é distrito de Parambu, distante 40 km da sede e cerca de 450 km de Fortaleza. Nasceu dentro de uma enorme fazenda familiar, obtida pelo sistema de sesmaria.  A obtenção de grandes latifúndios pelo regime de sesmarias na região dos Inhamuns, foi iniciada por membros da família Feitosa, que ocuparam a barra do rio Jucá. A distribuição de sesmarias, visava tornar a terra produtiva, o povoamento e o desenvolvimento do lugar, e o dono da sesmaria deveria ter recursos suficientes para atrair colonos e promover esse povoamento. O proprietário utilizava a terra para criação de gado, ao tempo que providenciava a abertura de caminhos entre a nova fazenda e outros povoados, e a fontes de água. Aos colonos que chegavam em busca de trabalho e pouso, eram oferecidos um lote de terreno e alguns insumos para que os mesmos se estabelecessem. (Alguns historiadores dizem que a prática de doar terrenos aos colonos era ilegal e contrariava as normas de concessão da Sesmaria.) 

A igreja é o único imóvel preservado de Cococi. De 29 de novembro a 8 de dezembro, o Distrito recebe cerca de 300 pessoas por dia que vem participar das novenas dedicadas a N. S. da Conceição. (foto Panorâmio - fotógrafo Aragão)

Segundo os historiadores, os coronéis Francisco Alves Feitosa e Lourenço Alves Feitosa chegaram ao sertão dos Inhamuns por volta de 1710 e ali estruturam a maior comunidade rural da Capitania do Ceará. O comissário Lourenço Alves Feitosa chegou a ter 22 sesmarias e com o seu irmão Francisco Alves Feitosa dominaram uma área de aproximadamente 30.000 quilômetros quadrados.

E foi nesse contexto que surgiu o povoado, mais tarde Vila de Cococi, fundada no início do século XVIII pelo citado Francisco Alves Feitosa, o primeiro coronel da família, transformando-se no reduto maior, marco principal do império dos Feitosas, a mais poderosa oligarquia da história da colonização cearense. Sua capela foi construída em 1740, pelo coronel fundador da vila, dedicada a N. S. da Conceição.

imagem: Diário do Nordeste 

Os enormes casarões que formam a larga e única rua da antiga cidade, pertencentes aos diversos ramos da família, guardam memória dos dramas e feitos daqueles que ao longo dos séculos dominaram os sertões quase selvagens dos Inhamuns. Histórias fantásticas de sinhazinhas, como Ana Feitosa, que morreu picada por uma das serpentes que criava. De Maria Alves Feitosa, cujo marido vivia embriagado e costumava agredi-la, a qualquer hora, em qualquer lugar. Consta que um dia Dona Maria Alves foi agredida pelo marido enquanto acompanhava uma procissão; ou de Francelina, amante do major Feitosa, o último chefe do clã, que ao morrer lhe destinou grande parte da herança. Episódios heroicos e tenebrosos da luta pela conquista de terra, guerras entre famílias pela posse de gado e gente, façanha dos capitães-mores, exterminando índios, escravizando negros e domesticando mestiços.

No recenseamento geral de 1950, promovido pelo IBGE, o atual município de Parambu e seu distrito Cococi, eram ambos distritos de Tauá, do qual foram posteriormente desmembrados e suas populações totalizavam 15.458 habitantes. No Censo demográfico realizado 10 anos depois, em 1960, Cococi já aparece como município, com 4.064 habitantes, 2.181 homens e 1.883 mulheres. 


 Parambu - Praça da Matriz nos anos 50 (IBGE)
 
Acontece que durante os anos 50, tanto Parambu quanto o Cococi foram elevados a condição de município, Parambu em 1956, e Cococi no dia 17 de outubro de 1957, pela Lei Estadual 3858.  Passados pouco mais de oito anos, uma nova lei estadual (n° 8339) de 14 de dezembro de 1965, extinguiu o município de Cococi que voltou a ser distrito subordinado a Parambu.

Os motivos nunca ficaram claros: a versão mais conhecida conta que o prefeito teria cometido irregularidades como desvio de verbas destinadas ao município, o que teria desagradado aos militares do Governo Federal, que teriam determinado a extinção.




 fotos Panorâmio - fotógrafo Aragão 
http://www.panoramio.com/user/7386634/tags/CIDADE%20DE%20PARAMBU%20-%20COCOCI

Revoltados com a perda de autonomia, os Feitosas começaram a se retirar de Cococi, que acabou se tornando economicamente inviável. Pouco a pouco foram seguidos pelos demais moradores, em razão da falta de oportunidade de trabalho e de fornecedores de gêneros e insumos, já que eram os membros do clã que moviam a economia local.

Na sua curta existência como município, Cococi contava com uma praça, hotel, cartório, posto fiscal, câmara municipal e amplas residências, além da matriz. A cidade nasceu com a chegada dos Feitosas e morreu aos poucos, à medida que eles se foram. Dos velhos tempos, restaram a igreja matriz, cinco habitantes, e quase nenhuma expectativa, a não ser a vinda de alguns curiosos, que de vez em quando visitam as ruínas e o velho cemitério, que paradoxalmente, são as maiores atrações do lugar.





Fontes:
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - IBGE - 1959
O Ceará dos Anos 90, censo cultural.
IBGE – censo demográfico de 1960
IBGE – Cidades – 2010


sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Bairro de Fátima já foi chamado de Redenção


No final dos anos 30/início dos 40, em um arrabalde de Fortaleza, no encontro da atual Avenida Visconde do Rio Branco (antiga Estrada de Messejana) com a Avenida Pontes Vieira, havia um ponto de parada de dezenas de comboieiros vindos do interior, que ficavam ali para descanso e organização das tropas. A este ponto de encontro os nativos deram o nome de Tauape, que significa “caminho de barro”. No local foi erguida uma capela por invocação a São João, surgindo o nome São João do Tauape.  
  
Avenida Visconde do Rio Branco, antigo Calçamento de Messejana

Os mercadores já se encontravam próximo ao centro da cidade, mas não podiam seguir adiante, pela Avenida Visconde do Rio Branco, com cargas em carros de bois e carroças conduzidas por cavalos e mulas. Dizia-se que a passagem das caravanas gerava tumulto e confusão entre os moradores, atrapalhava os carros e o bonde que percorria toda a avenida até o fim da linha, que ficava próximo de onde funcionou o Cine Atapu. O crescimento da cidade impunha uma nova ordem. Já não era permitido o ingresso de animais por vias principais, a sujar a avenida e o centro.

Avenida Treze de maio, década de 40 

Surgiu então a ideia de abrir uma nova via que unisse o São João do Tauape ao antigo Prado, mais tarde Benfica.  O caminho já existia, só que bastante precário. Planejaram então transformar esse caminho numa avenida que desse acesso aos mercados e a algumas ruas já existentes, facilitando o acesso entre os bairros.

Todos os meios de transporte seriam beneficiados, especialmente os comboieiros, que seguiriam com suas mercadorias por toda a avenida, sem impedimentos, até o Prado ou Benfica. Por essa época aquela região compreendida entre os atuais bairros de Fátima e Benfica, era cheia de bangalôs e chácaras com grandes jardins e amplos quintais.

Em 1948, o então prefeito Acrisio Moreira da Rocha (1948-1951) fez um acordo com o empresário Eugênio Porto, proprietário de terrenos na área, que se estendiam da atual Rua Joaquim Magalhães até a Avenida Treze de Maio. Teria sido discutida a criação de uma grande rua que beneficiasse toda a região.  A prefeitura demarcaria as demais vias de acesso com calçamento e fio de pedra, e em troca, o latifundiário venderia os terrenos. Estava aberto o caminho para a construção da via inicialmente chamada de Avenida Flor do Prado.

Quando abriram a avenida um cidadão identificado como Pergentino Ferreira, proprietário de um terreno na região, doou uma quadra para a construção da Igreja de Fátima e do Colégio Santo Tomás de Aquino. O templo foi construído no ponto mais alto de uma elevação de terra, do que talvez tenha sido uma extensa vegetação. O Colégio Santo Tomás de Aquino foi criado em 07 de março de 1963, pelo então pároco da Igreja de Fátima, Monsenhor Gerardo de Andrade Ponte, tendo como mantenedor o Conselho Paroquial de Nossa Senhora de Fátima.


A ideia de construção da igreja estava ligada a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorreu vários países da Europa e alguns Estados do Brasil.

Em 9 de outubro de 1952, a imagem chegou a Fortaleza. A recepção foi a maior demonstração de fé, jamais vista em terras cearenses. Faixas, ruas enfeitadas, casas ornamentadas com flores, para saudar a Virgem de Fátima em seu trajeto.  Baseado nessa manifestação de fé, Pergentino Ferreira doou o terreno para a construção da Igreja e do colégio. O doador também visava a valorização daquela parte da cidade. A partir daí, o bairro que era chamado de Redenção, ganhou o nome de Fátima. 

Campo do Prado em dia de clássico do futebol

Após a construção da igreja, a ocupação da área foi intensificada, com a construção de residências de alto padrão, e a chegada de novos moradores. No entanto, algumas áreas próximas já eram ocupadas, antes mesmo da construção da igreja de Fátima. Havia um grande espaço construído, conhecido por Campo do Prado, onde havia um estádio de futebol e uma pista de corrida de cavalos. Em 1938, o então interventor federal no Ceará Francisco Pimentel, cedeu parte do terreno do Prado para a instalação do 23° BC, que antes estava localizada na Avenida Alberto Nepomuceno, no local onde hoje se encontra a 10a. Região Militar. 

 visão panorâmica da área do 23° Batalhão de Caçadores
 (foto:http://www.legiaodainfantariadoceara.org)

Mais tarde, em 1940, o restante da área do Prado foi cedida para a construção da sede do atual IFCE, uma vez que o Campo do Prado estava desativado em razão da iminente inauguração do Estádio Presidente Vargas. 

A Avenida ganhou o nome de Treze de Maio em 1960, quando tinha pouco mais de três quilômetros de extensão e ainda não mantinha ligação com a Avenida Jovita Feitosa. Hoje ela começa na Rua José Jatahy e termina no viaduto da Avenida Pontes Vieira. 

Avenida Treze de Maio, trecho do atual IFCE
O Bairro de Fátima nasceu em consequência da abertura da Avenida Treze de Maio e em torno da igreja de Fátima. Localizado na zona sul de Fortaleza, limita-se ao Norte pelas Ruas Saldanha Marinho e Coronel Solon; a Leste pela Avenida Visconde do Rio Branco e a BR 116, ao Sul pela Via Férrea e Avenida Borges de Melo e a Oeste, pela Avenida dos Expedicionários e Rua Senador Pompeu. Fica entre os bairros do Benfica, Parreão, José Bonifácio, Joaquim Távora, e São João do Tauape. De acordo com o IBGE, censo demográfico de 2010, o bairro tem uma população de 23.309 habitantes: 10.091 são homens e 13.218 mulheres.

Fontes:
As Pouco lembradas Igrejas de Fortaleza, de Eduardo Fontes
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Nirez
Jornais O Povo, Diário do Nordeste
fotos do arquivo Nirez

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Palácio da Luz e o Imposto da Cachaça


foto: anuário de Fortaleza 2012/2013

O Palácio da Luz foi construído no final do Século XVIII, com auxilio de mão-de-obra indígena, para servir de residência ao capitão-mor Antonio de Castro Viana. No tempo da Fortaleza antiga, o atual palácio era um casarão situado fora dos limites do perímetro da ainda Vila da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que era compreendido, praticamente entre o velho Quartel da Força de Linha (atual 10ª RM) e as ruelas que, vindas da beira do mar, avançavam poucas quadras para o sul, entre o Campo da Pólvora (atual Passeio Público) e o Largo do Conselho (Praça da Sé). 

Praça General Tibúrcio -1900
O capitão-mor faleceu em 1801, em situação de débito para com os cofres públicos, razão pela qual a Junta da Fazenda penhorou o imóvel, vendendo-o à Câmara Municipal por Oitocentos Mil Réis.

Para pagar o prédio, a câmara cujos rendimentos eram diminutos, não chegando para quitar um edifício, criou um imposto que se chamava Subsídio das Aguardentes, o qual consistia em cobrar 4$000 (quatro mil réis) por cada pipa de cachaça importada que desembarcasse em qualquer porto do termo da vila, até finalizar aquele pagamento, não se aplicando de forma alguma esse rendimento, a qualquer outra despesa. O primeiro pagamento à Real Fazenda foi feito em 27 de novembro de 1802, e o último em 03 de novembro de 1807.


Em 1803 o terreno foi cercado  com uma paliçada de altas estacas juntas de pau-ferro, detalhe que  denota a pobreza dos cofres públicos.  Mais tarde, o governador Luis Barba Alardo de Menezes, sendo comunicado que algumas repartições estaduais vinham sendo furtadas e sofrendo arrombamentos, transferiu as  mesmas para o seu local de residência - Rua Sena Madureira, 42 - e escreveu à câmara pedindo para ocupar o prédio que lhe pertencia, onde poderia exercer separadamente suas funções. 

Em sessão realizada no dia 14 de janeiro de 1809, os vereadores acharam justa a argumentação do governador e concordaram com o empréstimo.  Em 1811 o governador Barba Alardo empreendeu pequenas obras de adaptação interna. 

Em 12 de março, 26 de abril e 30 de junho de 1810 a câmara enviou ofícios ao governador pedindo-lhe a devolução do prédio; como não obtivessem uma solução a respeito, os vereadores fizeram uma representação ao príncipe regente, se queixando que o governador se apossara da casa que lhes pertencia. 

A Câmara comprou, pagou, mas não levou: continuou a funcionar em prédio alheio até que em 1819 recebeu um ofício do então governador Manuel Inácio de Sampaio, com a Provisão Régia acerca da permuta feita pelo antecessor Luis Barba Alardo - o prédio da câmara pelas casas que eram de residência dos governadores - cuja permutação fora aprovada em provisão de junho de 1814.


situação em que ficou a sala de frente do Palácio da Luz depois da revolta de 1892, que culminou com a deposição do governador Clarindo de Queiroz  (foto cedida por Isabel Pires)

Depois da posse definitiva pelo governo do Estado, o prédio e seu entorno passaram por várias transformações até atingir a dimensão e a aparência que ostentou até início dos anos 60.  Em 1839, já império o Brasil, e Fortaleza já guindada à condição de cidade, o prédio ganhou ampliação que o levou até a Rua de Baixo, o que lhe deu o aspecto assobradado que tem até hoje.  É desse tempo o antigo salão de recepções, de janelas avarandadas que davam para o antigo Largo do Palácio (atual Praça General Tibúrcio).

Em 1856, na administração do presidente Francisco Paes Barreto,  fizeram-se grandes melhorias nas salas de frente, reconstruiram o terraço e fizeram o jardim e os aterros do quintal.

A última reforma por que passou foi em consequência da revolução de 16 de fevereiro de 1892, quando o lugar foi atacado pelas forças legalistas (alunos da Escola Militar, marinheiros e força federal) comandadas pelo major Bezerra de Albuquerque que exigiam a renúncia do governador Clarindo de Queiroz. O palácio foi atacado com tiros de canhões e de metralhadoras. 


 
aspectos do interior do palácio que passa por reformas

Na administração do governador Parsifal Barroso perdeu parte da área que ocupava o seu jardim interno para prolongamento da rua Guilherme Rocha, que tinha início na Rua do Rosário. A parte perdida foi demolida e vendida a terceiros. Esse prolongamento visava a continuação dessa rua ligando-a a Avenida Santos Dumont, projeto que nunca se concretizou. 

O lugar passou a ser chamado de Palácio da Luz a partir de 1º de março de 1975, quando nele se instalou a Casa de Cultura Raimundo Cela. Atualmente abriga a Academia Cearense de Letras. 

o palácio no início dos anos 60, antes da reforma que retirou parte de sua fachada. foto da Aba Film

O Palácio da Luz ainda funcionou como sede do Governo e residência do governador até 1963, quando a sede do poder foi transferida para a Avenida Barão de Studart. Fica na Rua do Rosário n° 1, centro de Fortaleza. Tombamento estadual de 1983.



fontes:
Crônicas da Fortaleza e do Siará Grande, de Otacílio Colares
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes. Introdução e notas de Raimundo Girão.
fotos do arquivo Nirez

 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A Fortaleza que eu vi


A Fortaleza Que Eu Vi - uma contribuição de imagens dos leitores do Fortaleza em Fotos para vídeo em homenagem aos 290 anos de Fortaleza. 
Trilha sonora - Música: Baião da Serra Grande. Intérprete: Mário Zan. 




13 de Abril é Dia de Fortaleza

Conta o professor José Liberal de Castro que, um dia, foi procurado por Cláudio Pereira, então presidente da Fundação Cultural do Município, que dizia estar recebendo insistentes solicitações de um vereador, no sentido de que fosse escolhida uma data na qual Fortaleza pudesse usar como referencial para comemorar alguma data que fosse significativa do seu passado. Na solicitação do vereador havia uma incontestável reverência ao passado fortalezense, mas também resultava na promoção artificial  de celebrações com as quais a cidade jamais se preocupou. 

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O forte de N.S.da Assunção foi construído pelos holandeses em 1649. Era uma edificação precária, construída em taipa e palha, sobre paus enterrados a espaços e outros atravessados por dentro em formato pentagonal. Só se tornou uma fortaleza de fato, com a aparência atual, a partir da reforma promovida pelo Governador Sampaio (1812-1820), que mandou reconstruir a edificação com tijolo, pedra e cal, com base num projeto de Silva Paulet. 

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Poucos dias depois, o professor apresentou ao presidente da Fundação Cultural, uma curta lista datas, acompanhadas de sucintas considerações pertinentes, a fim de que ele escolhesse a que melhor conviesse, com o alerta de que as datas não deveriam ser consideradas propriamente como referências históricas, mas como simples marcos simbólicos. 


Em 17 de março de 1823, o Imperador D. Pedro I “pela Graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”, elevou a Villa de Fortaleza à categoria de Cidade, com a denominação de Cidade da Fortaleza da Nova Bragança. Nessa época já existia o atual Paço Municipal. Construído no início do século XIX, o edifício da Rua São José era um armazém de alimentos de propriedade do sargento-mor Antônio Francisco da Silva. 

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Nessa perspectiva, qualquer das datas sugeridas poderia ser escolhida, inclusive outras mais, lembradas por terceiros. Incontáveis datas poderiam ser aventadas, em particular aquelas alusivas a primazias, quer dizer, “data do primeiro este, à data do primeiro aquele”.

De qualquer modo, fossem quais fossem, deveria portar significados de ampla abrangência e constituir fontes geradoras de novas fontes retentoras de memórias. Por tais motivos, era aconselhável evitar datas desconhecidas ou propostas baseadas unicamente em propostas pessoais.



Após as devidas ponderações, foi escolhida a data de 13 de abril de 1726 – data em que o povoado do forte foi elevada à categoria de Vila – decisão que, juntamente com os argumentos justificativos da escolha, foram levados ao conhecimento do vereador Idalmir Feitosa, interessado na consulta, que aceitou sem relutância a data sugerida.

O consequente projeto apresentado e defendido por Idalmir Feitosa transformou-se na Lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que instituiu o dia 13 de abril como o Dia da Cidade. A lei aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade. 

Neste 13 de abril de 2016, Fortaleza completa 290 anos desde que se tornou Vila. O povoado, este nasceu bem antes. 

Fonte:

As Comemorações do 13 de Abril, de José Liberal de Castro, publicado no livro “Ah, Fortaleza!”. 
fotos: arquivo Nirez e Fortaleza, 27 graus