domingo, 16 de novembro de 2014

Hotel Esplanada vai sair de Cena


Inaugurado em 1978, o Hotel Esplanada era naquela época o edifício mais alto da Praia de Iracema, com 18 andares, 2.724 metros quadrados de área e 230 apartamentos. Foi o primeiro hotel 5 estrelas de Fortaleza. Em 2004, os grupos Otoch e Jereissati, proprietários do hotel, venderem a edificação ao grupo português Dorisol Hotels.
Para modernizar o empreendimento, que custou R$ 52 milhões, o grupo português celebrou um contrato de financiamento com o Banco do Nordeste no valor de R$ 30 milhões.  O projeto previa a aquisição, soerguimento e modernização do hotel, para abrigar o Dorisol Grand Hotel Fortaleza. 
O hotel de Fortaleza quando estivesse em atividade, iria gerar  160 postos de trabalho diretos e 500 indiretos. Inicialmente com início de funcionamento previsto para setembro de 2005, o projeto teve o cronograma adiado por quatro vezes consecutivas. A data de inauguração passou para dezembro de 2005, dezembro de 2006, janeiro de 2007 e depois para início de 2008. 

 

O edifício foi dado em garantia do financiamento. Como os portugueses não pagaram a as parcelas do financiamento, o BNB hipotecou o empreendimento.Desde então, apareceram diversos grupos interessados, mas desistiram por conta do tamanho da conta a ser paga. A dívida cresceu a cerca de R$ 80 milhões, por conta dos juros ao longo de uma década.
Finalmente, em 2014, o empreendimento falido foi adquirido pelo grupo Dias Branco, que pretende construir no lugar um condomínio residencial.
Para tanto, foi anunciado que o prédio do Hotel Esplanada será implodido, no próximo dia 30, ao meio-dia. Os moradores do seu entorno já receberam o aviso de que duas horas antes do evento terão de deixar suas casas. 


O prédio enfrenta corrosão pela maresia ao longo do tempo. O Esplanada foi a principal referência hoteleira de Fortaleza e está localizado em uma das áreas mais nobres da cidade, entre as Avenida Beira Mar, Barão de Studart e Historiador Raimundo Girão. 

fotos de Rodrigo Paiva e Raquel Garcia
Novembro/2014 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Verdes Mares Bravios e um Porto Inseguro


Ao desembarcar em Fortaleza nos idos de 1837 e 1838, o missionário metodista norte-americano Daniel P. Kidder, fez uma observação sobre o porto: ... jamais constituiu ancoradouro seguro, mas agora o porto está sendo completamente atulhado pela areia do mar... e em ponto algum é fácil o desembarque devido as grandes vagas que constantemente vão quebrar na praia...


A Ponte Metálica começou a ser construída em 1902, ganhou esse nome porque o piso inicial de madeira precisou ser substituído por uma estrutura metálica.

Um porto seguro para o desembarque de mercadorias e pessoas sempre foi um problema para Fortaleza. O mar revolto comprometeu no início da colonização seu posto de cidade portuária, e quando a cidade se desenvolveu, dificultou o acesso às mercadorias. Este desembarque inseguro se localizava ao norte da cidade, nas imediações  de onde mais tarde seria construída a ponte Metálica, na tentativa de facilitar as transações marítimas. Para tentar conter a fúria do mar, foram construídos um píer e um muro de proteção para formar a enseada no Poço da Draga, e depois a Ponte dos Ingleses. 



Em 1870 foi apresentado o projeto de instalação do Porto do Mucuripe. A construção que se arrastou por alguns anos devido a seu alto custo, não vingou. A intensidade das marés aterrou o viaduto e o próprio ancoradouro, o que levou ao abandono do projeto.
Enquanto isso, o embarque e desembarque de  mercadorias  eram feitos de modo precário: os produtos eram levados em pequenas embarcações até os navios que ficavam a 900 metros da praia. Geralmente chegavam molhadas e quem desembarcava não deixava de tomar um banho salgado. 
Temendo o aumento dos custos com transporte, os comerciantes, através da Associação Comercial, se opunham à construção do terminal do Mucuripe, apesar de reconhecerem a precariedade do embarque no píer.
Depois a obra do porto do Mucuripe passou a ser uma exigência da sociedade. Em 1929 o jornalista Demócrito Rocha registrou: "se o problema do porto de Fortaleza tem a sua incógnita revelada de maneira tão simples, a insolubilidade em que até hoje se perdurou vem apenas atestar a curteza de vista de nossos administradores".
O banco de areia e o quebra-mar incompleto prejudicavam as transações comerciais reclamadas por uma cidade em crescimento. O próprio comandante do Lloyd Brasileiro declarou na Associação Comercial que reconhecia o agravamento da situação do comércio e da indústria do Ceará proveniente da deficiência do porto do Mucuripe, que não atendia as exigências dos transportes marítimos.
A morosidade das obras enriquecia o anedotário popular, segundo o qual Fortaleza tinha três sinfonias inacabadas: a catedral, o Cine São Luiz e o Porto do Mucuripe.


Armazéns do Porto do Mucuripe  

Mesmo depois da instalação do Porto do Mucuripe, continuava a existir certa dificuldade de abastecimento de Fortaleza. Em 1948 os jornais da cidade chegaram a noticiar a possibilidade de faltar gasolina na cidade, porque o navio não havia chegado devido ao entupimento do porto. 

extraído da Revista Fortaleza - fascículo 9 
 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Praia de Titanzinho - O Paraiso do Surfe


Escondida atrás do Porto do Mucuripe a praia do Titanzinho é o melhor local para a prática de surfe em Fortaleza. Uma pequena multidão de meninas e meninos está sempre por lá, tentando se manter em cima de suas pranchas, treinando e sonhando com o dia em que seus feitos se tornarão referências no esporte.
A praia fica no bairro Cais do Porto (ou seria no Serviluz?) e à direita, um espigão separa o mar do Titanzinho da Praia do Futuro. No final um farol alerta os navegantes para a presença do muro de pedras. O equipamento mais importante da comunidade é o farol do Mucuripe, localizado no lado esquerdo da praia, próximo do molhe que contorna o final do porto e dá acesso a Praia Mansa.
O nome da comunidade foi inspirado nas máquinas que trabalharam na construção do paredão no Porto do Mucuripe, chamadas de “Titan”. “Quando os moradores foram deslocados para a área, colocaram o nome de Titanzinho”. Antes de ocuparem a área atual, a comunidade habitava a região mais próxima à Praia Mansa, nas imediações do Porto do Mucuripe. Em meados dos anos 70, os moradores foram deslocados pela Companhia Docas para a área onde se encontram hoje. A área não tinha nada. O terreno foi aplainado e loteado pela Cia. Docas. As primeiras moradias eram barracos de taipa, só bem mais tarde surgiram casas de alvenaria.
  

Num passado recente a Praia do Titanzinho esteve sob ameaça de ver um estaleiro implantado em suas areias, um equipamento poluidor, indesejado e que foi prontamente rechaçado pela comunidade. O Estaleiro foi se instalar em outras plagas, deixando o Titanzinho para os seus moradores e para os meninos do surfe.

fotos de Rodrigo Paiva
nov/2014 
 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Parque Otacílio Teixeira Lima Neto (Parque Riacho Maceió)

 Área do parque antes da requalificação
 

Localizado na confluência da Rua Tereza Hinko com a Avenida Beira Mar, no bairro do Mucuripe, o parque possui 22 mil metros quadrados e foi recuperado a partir de uma Operação Urbana Consorciada (OUC) entre o Município, representado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente e a Nordeste Participação e Empreendimento (Norpar).


A água do riacho precisa ser tratada: a presença de plantas aquáticas, conhecidas como baronesas é um indicativo de poluição provocada por esgotos sem tratamento, que são lançados na água.

As Operações Urbanas Consorciadas (OUCs) estão previstas na Lei 8.503/2000 e são instrumentos para que a cidade se beneficie de parcerias entre o poder público municipal e empresas. Por meio delas, intervenções planejadas pela Prefeitura são executadas pela iniciativa privada, permitindo ações sociais nas comunidades atendidas, obras de mobilidade e a urbanização de áreas verdes e parques que passam a ser de uso de todos.
A área, que recebeu o nome de Parque Otacílio Teixeira Lima Neto (Bisão), em homenagem ao arquiteto e urbanista cearense, foi inaugurada no dia 1° de agosto desse ano.  A Operação Urbana Consorciada que revitalizou o espaço investiu cerca de R$ 7 milhões na recuperação do recurso hídrico e em obras de drenagem.



O nome do parque é uma homenagem ao arquiteto conhecido por Bisão, apelido herdado quando estudante e relacionado a uma espécie bovina grande e poderosa. Era assim que Otacílio Teixeira Lima Neto gostava de ser chamado. Foi servidor de carreira na Prefeitura de Fortaleza desde 1975, quando assumiu a extinta Coordenadoria de Desenvolvimento Urbano da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), até falecer em dezembro de 2013. Pela prancheta do arquiteto e urbanista, na Prefeitura de Fortaleza, passaram ações importantes, como a recuperação do Mercado dos Pinhões e urbanização do entorno, concepção dos parques Adahil Barreto e Alagadiço e o primeiro projeto de urbanização da Avenida Beira-mar e da Praia do Futuro. Foram 38 anos dedicados ao serviço público, projetando um novo desenho para a paisagem urbana de Fortaleza.



Site da Prefeitura de Fortaleza
fotos de Rodrigo Paiva
out/2014

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A chegada do Trem


 Praça da Lagoinha 

Na tarde de 3 de agosto de 1873, uma multidão em torno de oito mil pessoas, apinhou-se em volta da estrada de ferro. A cidade ouviu pela primeira vez, entre amedrontada e maravilhada, o surpreendente apito do primeiro trem que rodou por aqui.
O cenário do histórico evento foi o caminho que ia da Rua da Lagoinha à parada de Chico Manuel. Neste lugar ao longo do qual os trens estacionavam, o coronel Francisco Manoel Alves construiu, no quintal de sua residência, ao lado dos trilhos de ferro, extensos degraus de madeira para facilitar o embarque e desembarque dos passageiros. O povo agradecido batizou aquela parada com o nome de seu criador: a Parada de Chico Manoel.
Na sua viagem inaugural a locomotiva Fortaleza rodou cinco vezes entre a estação provisória e a parada do Chico Manoel, situada na esquina sudeste formada pela travessa das Trincheiras (atual Rua Liberato Barroso) e a Rua do Trilho de Ferro (hoje Avenida Tristão Gonçalves).
Nessa época a Via Férrea de Baturité deixava a cidade pela rua da Lagoinha: um estrito caminho que, depois de alargado com mais de 40 palmos para o poente, serviria à primitiva Estrada de Ferro. Esta rua que a partir de então seria conhecida como Rua do Trilho de Ferro, serviu de principal cenário para o romance “A Normalista”, de Adolfo Caminha. Era chamada de Lagoinha porque ladeava uma pequena lagoa que existia ao lado do Hospital César Cals. As águas dessa lagoa tributavam maior volume ao Pajeú e abasteciam a caixa d’água que servia aos trens, implantada ao lado dos trilhos de ferro.
No dia 14 de setembro daquele ano, abriu-se o tráfego da Estrada de Ferro, com a presença do escritor José de Alencar, que naquela oportunidade discursou sobre o passado e o futuro do Ceará. No dia 29 de novembro solenizou-se a inauguração do trem sob a direção do maquinista José da Rocha e Silva – mestre Rocha. Depois de concluído o serviço entre a Capital e a Vila de Arronches, o trem passou a trafegar  os 9,1 quilômetros detendo-se nas paradas: Chico Manoel, Capela São Benedito, Damas, Asilo de Alienados e Arronches. Neste mesmo dia foi lançada a pedra fundamental da Estação Central no Campo da Amélia, atual Praça Castro Carreira.
No dia 9 de julho de 1880 inaugurou-se a Estação João Felipe em sua magnífica arquitetura dórico-romana, realizada pelo engenheiro austríaco Henrique Folgare.
No século XIX o Brasil integrou-se à economia mundial, como grande fornecedor de matérias primas e gêneros alimentícios. De 1850 a 1860, iniciou-se o período de modernização do país, registrando o aparecimento das primeiras indústrias.
Quase vinte anos depois, ensaiava-se a modernidade no Ceará, estabelecendo o encontro com o progresso anunciado pela locomotiva Fortaleza que ocorreu nos primeiros trilhos da capital, acontecimento fundamental para o desenvolvimento de uma província dependente das exportações das matérias primas oriundas dos sertões.



Extraído do livro
Ideal Clube – história de uma sociedade: memórias, documentos, evocações.
de Vanius Meton Gadelha Vieira. 
foto do arquivo Nirez