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sexta-feira, 12 de julho de 2024

O Pajeú e a Lagoa do Garrote

 

A capital do Ceará nasceu em fins do século XVII, início do século XVIII à sombra dos muros do forte português fundado pelos holandeses, que defendia o grande maceió ou pocinho, formado na embocadura do riacho Pajeú. Os holandeses chamavam o riacho de Marajatiba e a fortaleza de Schoonemborch. Em memória desse pocinho, se chamava Beco do Maceió o prolongamento da antiga Rua do Chafariz, atual José Avelino.

Avenida Alberto Nepomuceno, por onde corria o riacho Pajeú

Entre as duas colinas em que se erguia a fortificação, corria o Pajeú, que vinha das matas da aldeota, divagando ao sabor do relevo. A cidade surgiu numa ala de pequenas casas perpendiculares à parte de trás do forte, a Rua do Quartel. Depois formou uma praça, a da Sé, localizada numa volta do riacho e se estendeu pelo seu tortuoso vale, acima e abaixo, formando a Rua Direita, que foi rua de Baixo, Conde D’Eu, e Sena Madureira. Mais tarde teve um trecho alargado, chamado de Alberto Nepomuceno.

Por esse tempo, dois córregos cortavam as colinas, cujo ponto culminante ficava na antiga Rua Formosa atual Barão do Rio Branco, onde se erguia o sobrado do Conselheiro Rodrigues Junior e hoje existe o Edifício Diogo. O primeiro desses córregos, vindo da parte norte da antiga Lagoinha, na avenida Tristão Gonçalves, fluía pelas ruas Senador Pompeu, Barão do Rio Branco,  Major Facundo e Floriano Peixoto, entre a travessa das Hortas, depois Senador Alencar e a Rua das Flores, atual Castro e Silva.

Praça da Lagoinha, já sem a lagoa que já havia sido aterrada

Justamente na sua passagem pela Rua Major Facundo, o negociante Pacheco construiu um grande sobrado, por volta de 1845 a 1847. Depois, empobrecido, suicidou-se em Paris. Depois, pertenceu ao Barão de Aquiraz. Esse imóvel foi vendido ao coronel José Gentil que o demoliu. Em frente a esse sobrado, ficavam as cocheiras e o quintal da residência do Dr. Rufino de Alencar, que dava para a Rua Floriano Peixoto. Descendo por esse quintal via-se a marca da continuação do leito. Esse ribeiro ia desaguar no Pajeú, na parte meridional da atual Praça da Sé.

Documentava o curso do segundo córrego o escoamento das águas pluviais no trecho da rua Barão do Rio Branco, além do sobrado do conselheiro Rodrigues Junior. Vinha do lado meridional da lagoinha, cruzava as ruas 24 de Maio, General Sampaio e Senador Pompeu, descia pela Pedro I e, na Major Facundo, na quadra que antecede a praça do Carmo, entrava por um bueiro no quintal da antiga residência do dr. Gil Amora, na rua Floriano Peixoto, e das residências da rua da Assunção, ajudado por uma nascente ali existente, ia formar a lagoa do Garrote, de onde sangrava para o Pajeú.

Lagoa do Garrote, antes da criação do parque 

Assim, esse curso d’água que foi vital para o surgimento da cidade, devia seu maior volume de águas ao tributo de duas lagoas, a Lagoinha e a do Garrote. Formavam-no sob os pés de cajueiros e jatobás do Outeiro e da Aldeota, vários ribeiros e as águas que corriam dos alagadiços e baixadas paralelos ao antigo calçamento de Messejana, atual avenida Visconde do Rio Branco.

Perto da lagoa do Garrote, e separado pelo calçamento de Messejana, o Pajeú foi represado num açude de alvenaria de tijolos com comportas, construído na seca de 1845, pelo presidente José Martiniano de Alencar, e restaurado mais tarde pelo Dr José Júlio de Albuquerque Barros, Barão de Sobral.

Dessa obra, que existiu até 1920, não existe mais nenhum vestígio. Por sua vez a Lagoa do Garrote também foi cercada para se tornar o lago central do jardim público que existia no local, no governo do coronel Luís Antônio Ferraz, com base em projeto do engenheiro Romualdo de Barros.

Parque da Liberdade/Cidade da Criança onde funcionou um jardim de infância 
 
Há duas versões para o nome Garrote, dado à lagoa, e por extensão, durante certo tempo, ao bairro compreendido entre o Pajeú e a Rua da Assunção, a praça do Coração de Jesus, e a dos Voluntários. Uma das versões é a seguinte:

Perto da praça, na Rua do Cajueiro, atual rua Coronel Bezerril, ficavam os açougues da cidade. A área era semideserta e cheia de mato, o gado era abatido debaixo das árvores. Havia pequenos currais, onde o gado ficava confinado. Certa vez um garrote destinado ao abate fugiu de um desses cercados e se perdeu nos matagais das proximidades. Durante um tempo foi perseguido sem que ninguém conseguisse capturá-lo, apesar das batidas e da espera a beira da lagoa. Um dia, o laçaram e o mataram. Desse episódio veio o nome da lagoa. A outra versão é de que ali era o local de descanso dos comboieiros que, que conduziam gado e outros produtos pelas estradas do Ceará.


Extraído do livro: À Margem da História do Ceará/Gustavo Barroso/Imprensa Universitária do Ceará/Fortaleza:1962/publicação FortalezaemFotos. Fotos do Arquivo Nirez 


    

quarta-feira, 24 de março de 2021

O Percurso dos Bondes da Light na Fortaleza dos Anos 40

 

Em tempos passados, o Jacarecanga enquadrava-se como um dos mais distintos bairros residenciais de Fortaleza, embora seu marco principal e seu endereço mais conhecido era o edifício do Liceu do Ceará, estabelecimento padrão do ensino, e o primeiro colégio de Fortaleza, fundado em 1845. O bairro ostentava diversas residências que se diferenciavam da modesta e antiquada linha arquitetônica da cidade mais antiga, com suas casinhas conjugadas, de porta e janelas de frente. No trajeto do bonde do Jacarecanga, todo o corredor constituído pela Rua Guilherme Rocha até a então Praça Fernandes Vieira (hoje Gustavo Barroso), apresentava um conjunto de luxuosas residências, quase todas em amplos terrenos e com dois pavimentos.



Casarão do empresário Oscar Pedreira no bairro Jacarecanga. Com três pavimentos, era uma das residências mais bonitas da área. Foto do acervo Marciano Lopes 

Nos outros bairros, como o Benfica, por exemplo, a então Avenida Visconde de Cauípe – atual Avenida da Universidade – também oferecia uma imagem modernizante. Ladeando os trilhos do bonde, muitas casas residenciais, dentre elas a da família Gentil, feita para acolher nos limites da mansão, implantada numa área equivalente a 2 hectares, todos os membros de sua numerosa descendência.

Pela orla marítima, Fortaleza daqueles dias ficava restrita ao pequeno trecho de moradias dos ricos da Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema, lugar aristocrático, onde se destacava a Vila Morena, da família Porto, mais tarde transformada em sede do clube de oficiais norte-americanos que aqui serviram ou transitaram em tempos de segunda guerra.

Depois da Rua dos Tabajaras havia apenas o “palacete” – uma construção de dois pavimentos, estilo bangalô, do empresário Fernando Pinto, sede do Jangada Clube, onde aconteciam grandes noitadas boêmias e a visita de artistas consagrados, como Orson Welles. Não por acaso denominava-se jangada Clube, porque ficava situada precisamente num “porto de jangadas”, onde à tardinha, centenas dessas embarcações atracavam trazendo o peixe fresquinho, apanhado na linha do horizonte.



O Jangada Clube funcionou de 1935 a 1950. Desativado, o prédio foi vendido ao empresário Ivens Dias Branco, que o mandou demolir em 1984 para construção do Edifício Jangada. imagem do Arquivo Nirez


Rumo ao nascente, acompanhando o trajeto da orla, a Avenida Santos Dumont acolhia os trilhos do bonde do Outeiro, primitiva denominação da Aldeota. O final da linha do bonde era na esquina com a Avenida Barão de Studart, onde após logo à esquerda, encontrava-se o Country Clube, instituição fechada onde a colônia britânica confraternizava-se com a alta sociedade local. Ali morria o Outeiro e começava uma mata fechada que se estendia até à altura do Mucuripe, então um distrito isolado e quase inteiramente ocupado por humildes pescadores.

A Avenida Santos Dumont adentrava mais algumas quadras além da Barão de Studart, com algumas edificações modernas, com especial relevo para o Palácio do Plácido de Carvalho, que viria a ser impiedosamente demolido alguns anos mais tarde. A área relativa à “mata da Aldeota”, era frequentemente denunciada por moradores pioneiros que consideravam o lugar como “coito de ladrões”.

A cidade dos anos 30/40 constituía-se principalmente do centro – Praça do Ferreira e sua vizinhança e ruas residenciais servidas pelas diversas linhas de bondes. A expansão era lenta a partir do término dos trilhos, como, por exemplo, o bairro do Alagadiço, onde havia uma concentração residencial até a altura da Igreja de São Gerardo, seguindo-se amplos espaços vazios e algumas chácaras de famílias mais abastadas.

O mesmo ocorria com o Benfica, os trilhos terminavam defronte ao Dispensário dos Pobres, instituição caritativa, mantida por religiosas. Daí em diante começava o Concreto da Parangaba, longa pista de cimento e pedra construída ao tempo do Governo Washington Luiz e que, com a Revolução de 30, ganhou a denominação de Avenida João Pessoa.

À margem da avenida João Pessoa, foram surgindo residências de classe média; um dos pioneiros da área era o empresário Oliveira Paula, proprietário da Empresa São José, cujos ônibus, bem modernos e confortáveis serviam às linhas do Benfica e de Parangaba e fizeram concorrência aos bondes. Os ônibus eram identificados por uma inscrição nos para-choques dianteiros, havia o “Rio de Janeiro”, o “Bandeirante”, o “Rio Grande do Sul”, e o mais famoso deles, o “Trevo da Felicidade”; motoristas e passageiros se conheciam e se tratavam pelo primeiro nome, nos bons tempos em que até os ônibus tinham sua própria identidade.

No velho Calçamento de Messejana, oficialmente Avenida Visconde do Rio Branco, mais conhecido por Joaquim Távora, havia uma uniformidade no casario, residências geminadas, algumas simples, outras nem tanto, que se derramavam de um lado e do outro dos trilhos de bondes até a chamada “terceira secção”, bem antes da confluência com a Avenida Pontes Vieira. O destaque arquitetônico do Joaquim Távora ficava por conta do Colégio das Doroteias, com sua bonita capela, junto à qual funcionava o Convento das Carmelitas.



Avenida Visconde do Rio Branco, antigo Calçamento de Messejana com o bonde do Joaquim Távora - imagem do Arquivo Nirez

Depois da “terceira secção” uma outra construção se diferenciava da maioria, a residência da família de Alberto Costa Sousa, casado com dona Iracema Gentil, filha do coronel José Gentil, fundador da Gentilândia.

Modesto era o José Bonifácio, outro bairro servido pelos bondes da Ceará Light, hoje incorporado à região central, mas que ainda guarda resquícios dos anos 40, com algumas casinhas baixas, de arquitetura simples. No período da guerra, a Polícia Militar, dona de um quartel naquela área, cedeu o imóvel ao Exército, que ali instalou o 29º Batalhão de Caçadores, o então famoso “vinte e nove” apelidado pelo povo de “terror das areias”, dadas as estripulias cometidas pelos seus soldados nas zonas mais afastadas do centro da cidade.



Quartel da PM que um dia abrigou o famoso "29, o terror das areias". Fica na Praça José Bonifácio - imagem site da PM 

Pobre também era a Prainha, um arruado de casebres nas vizinhanças do Seminário, moradias de pescadores afiliados às Colônias da Praia de Iracema e da Prainha. O bairro possuía um referencial bastante conhecido além do Seminário. Era o Ideal Clube, que construiu moderna sede naquela zona em meados dos anos 30, depois de deixar sua sede das Damas. O Seminário era uma espécie de prolongamento do bairro da prainha, servido por outra linha de bondes, cujo terminal ficava na então denominada Rua da Escadinha, hoje Almirante Jaceguay, em frente à Igreja da Conceição da Prainha.

Além, havia a periferia miserável, como o Morro do Moinho, território atualmente ocupado pelo bairro do Pirambu, a cujos limites pertencia o baixo meretrício da cidade, ponto final das prostitutas envelhecidas, o Arraial Moura Brasil, conhecido popularmente como Curral. A este se podia ter acesso pelo bonde da Linha Férrea, que saía da Praça do Ferreira até a Praça Castro Carreira, a Praça da Estação.



Bonde da linha Via Férrea, que terminava na Praça da Estação - imagem Arquivo Nirez

Paralela ao muro do cemitério São João Batista, corria a Rua Tijubana, típica viela dos bairros pobres, mas a qual também chegavam os bondes da velha Light, a linha Soares Moreno. A Tijubana interligava o bairro Soares Moreno ao Jacarecanga. As casas eram humildes e abrigavam pessoas modestas. 



Bonde Soares Moreno - Arquivo Nirez

Rua Tijubana, por onde corria o bonde da linha Soares Moreno (imagem google) 


Extraído do livro – O Liceu e o Bonde na paisagem sentimental da Fortaleza-província, de Blanchard Girão. Editora ABC - Fortaleza, 1997   

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Bairro Joaquim Távora


O bairro Joaquim Távora surgiu por volta da segunda metade dos anos 30, quando Fortaleza ainda estava dividida em 7 distritos: Fortaleza, Alto da Balança, Barro Vermelho, Messejana, Mondubim, Parangaba e Pajuçara. Em 1938 o distrito Alto da Balança foi extinto, sendo seu território anexado ao distrito sede de Fortaleza.  Mais tarde, este último foi subdividido entre o distrito de Porangaba e a sede de Fortaleza, onde a parte pertencente a Parangaba manteve o nome Alto da Balança e as pertencentes à Fortaleza viraram Piedade e Parque Pio XII, que tempos depois seriam os bairros chamados de Joaquim Távora e São João do Tauape.

O nome é uma homenagem a Joaquim do Nascimento Fernandes Távora, membro de tradicional família de políticos e militares do Ceará, engenheiro e militar, que participou de diversas revoltas nos anos 20 contra o governo federal. Faleceu em São Paulo, em 1924.

Estrada de Messejana - 1919 - Foto Brasiliana Fotográfica 

Quem apareceu primeiro e se constitui na via mais antiga do bairro é a Avenida Visconde do Rio Branco, que já foi chamada de Avenida Joaquim Távora e informalmente era a Estrada de Messejana ou Calçamento de Messejana. No passado, foi a via de interligação entre o seu centro fundacional e o então Município de Messejana. (Em 1921 por ato do governador Justiniano de Serpa (1920-1923), Messejana – assim como Parangaba – foi rebaixado de município para distrito, sendo ambos anexados à Fortaleza).

Estrada de Messejana trecho em construção - 1919 - foto Brasiliana Fotográfica

Durante a colonização portuguesa, o trajeto do qual resultaria a atual Avenida Visconde do Rio Branco, se delineou na trama de veredas que conectavam o Forte de Nossa Senhora de Assunção a Aquiraz, servindo o aldeamento Jesuítico da Paupina, atual Messejana, de entreposto entre os dois locais. Um importante fator da constituição da avenida como caminho de expansão, foi a ordem do presidente José Martiniano Pereira de Alencar (1834-1837), de abrir uma estrada de ligação entre Fortaleza e Aracati, passando por Messejana e Aquiraz. Esse deve ter sido o marco inicial da avenida com o perfil aproximado que conhecemos atualmente.

Estrada de Messejana - construção da ponte - 1919 - Foto Brasiliana Fotográfica

No entanto, somente em 1923 seria inaugurada a primeira ponte de material durável, com concreto, sobre o Rio Cocó, consolidando a ligação entre Messejana e Fortaleza. As obras de melhoramentos da interligação viária entre  Fortaleza e Messejana, constaram de retificação da estrada e implantação do calçamento, que teria sido iniciada em 1870 e concluído em 1936, quando chegou a Messejana. O trecho que formou o Boulevard Visconde do Rio Branco (o “Calçamento em si), foi concluído em 1925.

Mais tarde, em  25 de abril de 1880, o bairro foi beneficiado pela inauguração da primeira linha do bonde da Companhia Ferro Carril do Ceará, que cobria um percurso de 4.210 metros entre a Estação da Estrada de Messejana e a Rua São Bernardo (atual Rua Pedro Pereira), no Centro. A Estação de Bondes estava localizada onde depois fora construído o Mercado do Joaquim Távora

Este mercado foi construído em 1959 com a finalidade de abrigar os vendedores ambulantes que seriam retirados do centro da Cidade. Era composto de 5 galpões e além dos ambulantes acolheria pequenos comerciantes da área que se dedicariam a uma feira livre no meio do terreno. Para facilitar o acesso, foi feita uma ligação da Rua Rodrigues Junior com a Rua João Brígido. O referido mercado funcionou temporariamente sendo desativado alguns anos depois, porque não teve capacidade de absorver todo o comércio ambulante do Centro. 


Os bondes elétricos começaram a circular em Fortaleza em no dia 9 de outubro de 1913, em substituição aos bondes puxados por burros. A Concessionária do serviço era a Ceará Tramway Light & Power, com sede em Londres. O Bonde do Joaquim Távora cumpria um percurso de 2,4 km, o segundo mais extenso da cidade - 1930 - Foto Arquivo Nirez  

Na segunda metade do século XIX, a Avenida Visconde do Rio Branco já se constituía em um novo arrabalde da cidade, sem no entanto, apresentar um conjunto significativo de chácaras e sítios isolados em meio a áreas verdes, ao contrário de outros arrabaldes como o Benfica e o Jacarecanga. 

Terá, por outro lado, um aspecto similar às ruas mais centrais da capital, com terrenos estreitos e compridos, que acolhem casas hibridas, com fachada sobre o alinhamento da rua. Havia uma certa uniformidade no casario, formado por residências simples, geminadas, que se derramavam de um lado e do outro dos trilhos da linha de bonde, ao lado de residências de alto padrão, com jardins e áreas laterais e elementos decorativos na fachada.

Desse modo, a Visconde do Rio Branco se constituiria em um dos principais eixos estruturantes da expansão urbana da capital, permitindo o parcelamento de terrenos para fins imobiliários e formação de diversos bairros na direção de Messejana e do próprio bairro Joaquim Távora.

O destaque arquitetônico do Joaquim Távora ficava por conta do Colégio das Doroteias com sua bonita capela, junto a qual estava o Convento das Carmelitas. Hoje o prédio pertence a uma universidade e a capela foi desativada.


O bairro Joaquim Távora é delimitado pelas avenidas Antônio Sales, Pontes Vieira, Barão de Studart e Visconde do Rio Branco. Fica entre os bairros José Bonifácio, Fátima, São João do Tauape, Dionísio Torres e Aldeota. A localização central é um dos principais atrativos. 23.450 é o número de oradores do bairro, segundo o censo demográfico de 2010 do IBGE, dos quais 10.107 são homens e 13.343 são mulheres.

Equipamentos do bairro

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Foto Pinterest

Construção iniciada  em 08 de dezembro de 1926, com lançamento da pedra fundamental pelo arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes - Foto Pinterest

Parque Rio Branco

foto Prefeitura de Fortaleza

O Parque Ecológico Rio Branco tem a entrada principal voltada para a Avenida Pontes Vieira, com acessos pela Rua Capitão Gustavo, Avenida Visconde do Rio Branco, e Rua Castro Alves. Criado em 1992, com área de 75.825 m², a origem do parque remonta ao ano de 1976, quando foi considerada de utilidade pública para fins de desapropriação e destinada a Zona de Preservação Paisagística, o local da nascente do Riacho Rio Branco.  No entanto, só em 1992 a área foi considerada de utilidade pública para preservação e autorizada a construção do parque, a partir de projeto da EMLURB. 
No passado, o terreno correspondia a quintais de residências e sítios, onde eram desenvolvidas atividades de criação de gado e horticultura. Nesta área existiam três riachos que foram canalizados. Além de residências, existia no entorno do parque uma indústria de moagem e torrefação de café, além de pequenos estabelecimentos comerciais.

Mercado Público Joaquim Távora

foto: Emanoel Alencar Alencar

O Mercado Público era originalmente uma feira livre que vendia frutas, verduras e hortaliças. Ganhou uma estrutura física e passou por diversas ampliações e modificações ao longo do tempo. Fica na Praça Joaquim Távora com frentes para a Avenida Pontes Vieira e Rua Fiscal Vieira

Mercado das Flores

foto Diário do Nordeste

Inaugurado em janeiro de 2019, localizado na Praça Joaquim Távora na Avenida Pontes Vieira. O mercado possui estrutura coberta com 1.500 m2 de área, com 39 lojas, que irão abrigar os comerciantes locais e novos profissionais do ramo. Comercializa flores e plantas, jarros, adubos, ornamentos, e produtos para jardinagem

Fontes: 
                                                                    
Redescobrir a Visconde: a emergência da preservação da arquitetura histórica de um antigo caminho de expansão urbana de Fortaleza
Autores:
Isabelle de Lima Almeida - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - isabelle.almeida@edu.unifor.br
João Vitor Nascimento Alves - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - jvnalves31@gmail.com
Marcelo Mota Capasso - Universidade Federal do Ceará - UFC - mm.capasso@gmail.com
Ana Cecilia Serpa Braga Vasconcelos - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - anaceciliavas@unifor.br
Guia Turistico da Cidade – Prefeitura Municipal de Fortaleza – 1961
Verso e Reverso do Perfil Urbano de Fortaleza, de Gisafran Nazareno Mota Jucá
O Bonde e Outras recordações, de Zenilo Almada – 2005
História da Energia do Ceará, de Ary Bezerra Leite – 1996 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pelas Ruas Onde Andei (Nomes Antigos de Algumas Ruas)

Praça da Sé (antigas Praça do Conselho, Largo da Matriz e Praça Caio Prado)

As principais ruas da Vila de Fortaleza partiam da praça principal – chamada de Praça do Conselho, e posteriormente, Praça da Sé. Para a direita, acompanhando a margem esquerda do Pajeú, a atual Conde D’Eu, nome adotado em 06 de abril de 1870; antes disso, teve várias denominações, como Rua de Baixo, Nova dos Mercadores, da Matriz, e do Riacho Pajeú. Desde o início da colonização, fazia ligação com a Vila de Messejana, através da Estrada de Messejana, hoje Avenida Visconde do Rio Branco, aberta em 1796.

Av. Visconde do Rio Branco, antigos Calçamento de Messejana e Estrada de Messejana

Para a esquerda a atual Avenida Alberto Nepomuceno, chamada inicialmente de Caminho da Praia, por fazer ligação com a então Praia do Peixe (atual Iracema). Em 1856 mudou a denominação para Rua da Ponte, devido a existência de uma ponte sobre o riacho Pajeú que cortava a via; em 1889 passou a ser chamada de Rua Sena Madureira. Na gestão do Prefeito Ildefonso Albano, recebeu meio-fio e arborização. A atual denominação ocorreu após o falecimento do maestro Alberto Nepomuceno em 1920.

Para o lado Leste, encontra-se a Rua São José, antiga Rua das Almas – que ligava o Centro ao Outeiro, formado pela área que ficava entre a Heráclito Graça e a Rua do Seminário e entre a margem direita do Pajeú e a fronteira leste do Colégio Militar.

Rua Governador Sampaio, inicialmente Rua do Norte, Rua Nova do Outeiro. Em 1813 a ruela mudou para Rua do Sampaio; foi a primeira a utilizar tijolos na construção das casas. A Rua Governador Sampaio reverencia o português Manoel Inácio de Sampaio, governador da Província do Ceará (1812-1820)

Lado Oeste, sempre tendo como parâmetro a Praça da Sé, temos a Rua Dr. João Moreira, inicialmente uma ruela com o nome de Travessa da Fortaleza; depois Travessa da Misericórdia. Sofreu algumas mudanças de nomes como Rua Nova da Fortaleza, Travessa do Quartel, Rua da Misericórdia e General Tibúrcio. O nome atual se refere ao médico Dr. João Moreira, médico sanitarista, que prestava serviços na Santa Casa de Misericórdia.

Rua Castro e Silva – inicialmente Travessa da Matriz; em 1859 mudou para Rua das Flores e depois Rua Manuel Bezerra. Era a rua por onde seguiam os enterros, saídos da Sé em direção ao Cemitério de São João Batista. O nome atual homenageia o médico sanitarista José Lourenço de Castro e Silva.

Rua General Bezerril – denominação de 1888. Teve vários nomes – Rua do Quartel ou da Cadeia (a Cadeia do Crime ficava nos baixos do quartel de 1ª. Linha); rua do Oitizeiro, homenagem ao Oitizeiro do Rosário que ficava atrás da igreja. José Freire Bezerril Fontenele foi governador do Ceará no período de 1892 a 1896.

Rua Floriano Peixoto – possuía três nomes: da Travessa da Fortaleza até a atual Rua São Paulo, era Rua das Belas; da São Paulo até o sul da Praça do Ferreira, Rua da Pitombeira; e depois da praça, era a Rua da Alegria. As três formaram depois a Rua da Boa Vista, mudada para Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil no período republicano. Nunca esteve no Ceará, e nem há registro de qualquer benefício que tenha feito ao Estado.

Rua São Paulo – homenagem ao Estado de São Paulo; inicialmente Rua das Belas, começava na Rua dos Mercadores indo até a Rua das Belas, depois foi chamada de Travessa da Tesouraria e Rua da Assembleia.

Rua Guilherme Rocha – iniciava na Rua do Quartel com o nome de Travessa Municipal. Em 1912 foi denominada Rua 24 de janeiro devido a queda do governo Accioly. Foi a que teve seu primeiro trecho transformado em rua exclusiva para pedestre, entre a Praça José de Alencar e a Praça do Ferreira. Guilherme César da Rocha, foi vereador, coronel da Guarda Nacional, presidente da Câmara Municipal, vice-presidente do Estado e Intendente Municipal de 1892 a 1912.
  

Rua Major Facundo – aberta em 1814, pelo boticário Bernardo José Teixeira com o nome de Rua Nova Del Rei. Em 1842 teve o nome modificado para Rua da Palma, no trecho que ia até a Rua Guilherme Rocha e Rua do Fogo, o trecho seguinte. Em 1888 recebeu o nome de Major Facundo em homenagem ao ilustre morador da esquina noroeste com a Rua São Paulo, barbaramente assassinado no dia 8 de dezembro de 1841. 


Rua Barão do Rio Branco – antiga Rua Formosa; nome atual em homenagem ao intelectual, jurista, político e diplomata brasileiro, José Maria da Silva Paranhos Junior.

Rua Senador Pompeu, antiga Rua D’Amélia. No início do século XIX era o limite Oeste da parte edificada da cidade. Foi chamada informalmente de Rua dos Jornais, devido ao grande número de periódicos que tinha endereço na rua. Nome atual em memória de Thomaz Pompeu de Souza Brasil, fundador do Liceu do Ceará, escritor, político e professor.

Rua General Sampaio, antiga Rua da Cadeia, teve seu nome mudado a  partir de 1900, com a instalação do monumento ao General Antônio de Sampaio, herói da Guerra do Paraguai.

Rua 24 de maio

Rua 24 de Maio – até 1857 era chamada de Rua D. Afonso, filho de Dom Pedro II; depois virou Rua do Patrocínio, devido a proximidade com a Igreja do mesmo nome; a denominação atual é uma homenagem ao dia 24 de maio de 1866, data da batalha do Tuiuti, na Guerra do Paraguai, onde muitos cearenses fizeram parte e o General Sampaio foi ferido e morto.
  
Avenida Tristão Gonçalves – inicialmente, Rua da Lagoinha, devido a existência de uma lagoa que foi aterrada que ficava nas proximidades. Mais tarde, assou a ser chamada de Rua do Trilho de Ferro, por receber a linha férrea. O nome atual homenageia Tristão Gonçalves de Alencar, filho de Bárbara de Alencar, revolucionário que participou da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador, em 1824. Foi assassinado pelas forças imperiais no interior do Ceará em 1825. 
  
Rua Pedro Pereira – antigas Travessa Amélia e São Bernardo, por passar ao lado da Igreja de São Bernardo. O nome atual presta homenagem a Pedro Pereira da Silva Guimarães, promotor público, de Fortaleza, juiz de órfãos, professor, escritor e político.

Avenida Duque de Caxias – antigo Boulevard do Livramento devido a existência da capela do Livramento onde hoje se encontra a Igreja do Carmo. Homenagem a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro.

Rua Meton de Alencar antiga Rua São Sebastião, por passar próxima à Capela de São Sebastião. Parte da antiga rua passou a chamar-se Rocha Lima. Meton de Alencar foi um médico cearense, que participou como voluntário na Guerra do Paraguai. Foi diretor da Santa Casa de Misericórdia por longos anos.

Rua Solon Pinheiro antigas Rua da Trindade, e Rua da Alegria. Manoel Solon Rodrigues Pinheiro foi jornalista, advogado e político. Nascido em Cachoeira, no Estado do Ceará, o município teve seu nome mudado para Solonópole, em sua homenagem em 1943.

Rua Barão de Aratanha – antiga Rua do Lago, uma referência à Lagoa do Garrote; no início do século, chamava-se rua Pero Coelho. José Francisco da Silva Albano, o barão de Aratanha era Coronel da Guarda Nacional e comerciante.

Rua Jaime Benévolo – antiga Rua do Açude – referência ao Açude Pajeú, construído na 1ª. Administração do Senador Alencar na área onde hoje se encontra o Parque Pajeú; também foi chamada de Rua da Cruz, devido a ermida existente no local no século XIX. Jaime Benévolo era Militar e professor, nascido em Maranguape em 1854.

Rua Pedro Borges – Antiga Rua do Cajueiro. Pedro Augusto Borges foi governador do Ceará entre 1900 e 1904.

Rua Pereira Filgueiras antiga Rua do Paço devido a existência do palácio do Bispo. José Pereira Filgueiras foi um dos principais revolucionários da Confederação do Equador, movimento que tinha como proposta estabelecer a República do Brasil.

Rua Costa Barros – principal acesso da Aldeota ao Centro. Antiga Rua da Aurora e Rua do Sol. Pedro José da Costa Barros nasceu em Aracati, a 7 de outubro de 1770. Para o historiador R. Batista Aragão, Costa Barros pode ser considerado como o homem das realizações inacabadas: ainda estudante, aluno do curso de engenharia da Universidade de Coimbra, foi obrigado a abandonar os estudos por motivo superior; 

Eleito deputado à Constituinte Portuguesa, deixa de seguir para Lisboa, preferindo ficar no Rio de Janeiro; eleito em 1822, deputado para a Constituinte Brasileira, foi impedido de tomar posse. Por ocasião da abertura da sessão inicial, encontra-se processado, por envolvimento em processo sobre acontecimentos no ano anterior. Absolvido, assume o cargo, e vê a Assembleia ser dissolvida pelo Imperador. Foi nomeado Ministro da Marinha, mas não exerceu o cargo; guindado ao posto de governador do  Ceará, não pode cumprir o mandado em razão de dificuldades diversas.


Avenida Almirante Tamandaré – principal acesso à Ponte Metálica, antigo porto de Fortaleza, a construção da via só foi possível graças ao desmonte de uma duna existente próximo à alfândega. Foi inaugurada em 1916 com o nome de Avenida Atlântica; em 1920 mudou para Epitácio Pessoa; em 1932, foi chamada de Avenida Três de Outubro em homenagem à revolução de 1932. Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, foi um militar da Armada Imperial Brasileira que atingiu o posto de almirante. Herói nacional, é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil e o dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.
Rua 25 de Março -  antigas Ruas do Outeiro e do Pajeú. O nome da via corresponde a data da libertação dos escravos no Ceará.

Rua Coronel Ferraz – travessa do Colégio, por passar ao lado do Colégio da imaculada Conceição; depois Travessa São Luís e Figueiras de Melo. Luiz Antônio Ferraz foi o primeiro governador do Ceará no período republicano (1889-1891). Antes era comandante do 11° Batalhão de Infantaria de Fortaleza.

Avenida Santos Dumont - imagem Ítalo Sales

Avenida Santos Dumont antiga Rua do Colégio (da Imaculada Conceição). A partir de 1932, quando começou a expansão da parte leste da cidade, tornou-se Avenida Santos Dumont, homenagem ao pai da aviação, Alberto Santos Dumont.


Fontes:
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
A História do Ceará passa por esta rua, de Rogaciano Leite Filho
fotos Google, arquivo Nirez e postais antigos