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sábado, 25 de outubro de 2025

Liceu do Ceará – 180 anos

 

A palavra “liceu” tem suas origens na Grécia Antiga, e designava um local de ensino fundado por Aristóteles. O termo é a versão latina e depois francesa do nome grego e hoje designa instituições de ensino, especialmente o ensino médio.  

Liceu do Ceará 2011 - Praça Gustavo Barroso


O Liceu do Ceará foi criado pela Lei n° 304, de 15 de julho de 1845 e instalado oficialmente no dia 19 de julho daquele ano. Foi a primeira escola do Ceará a oferecer o curso secundário. Havia em Fortaleza muitas escolas primárias, públicas e privadas todas dedicadas ao ensino das primeiras letras; alguma ofereciam no máximo, o primário completo. Na época em que foi criado, estudar além do curso primário era um privilégio da elite, só continuava estudando quem tinha recursos, para sair da Província e ir para outra capital ou até outro País. 

Criado por iniciativa do Dr. Thomas Pompeu de Souza Brasil, teve sua aula inaugural no dia 19 de outubro de 1845, na sala do sobrado de Odorico Segismundo de Arnaut, localizado no Passeio Público, esquina das ruas Major Facundo e Dr. João Moreira, alugado pela quantia de 350 mil Réis anuais, conforme autorização da Presidência da Província ao diretor, Dr. Thomas Pompeu de Sousa Brasil.

Os candidatos a alunos do Liceu passavam por rigoroso teste de admissão, e uma vez aprovados, era imposto o currículo sugerido pelo então Instituição de Ensino Secundário do Império, mais tarde, Ginásio Nacional. A referência era o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. As disciplinas eram: Aritmética, Álgebra, Geometria, Trigonometria, Mecânica, Astronomia, Física, Química, Meteorologia, Mineralogia, Geologia, Zoologia, Botânica, Biologia, Geografia, História Universal, Sociologia e Moral, as letras e artes, línguas portuguesa, francesa, inglesa, alemã, latim, grega, literatura nacional, desenho, música, ginástica, evoluções militares e esgrima.

O curso tinha duração de 7 anos, e ao candidato que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o título de Bacharel em Letras e Ciências.

  

Sede do Liceu do Ceará na Praça dos Voluntários 
  

O colégio funcionou em diversos imóveis, até o dia 15 de março de 1894, quando passou para o edifício à Praça dos Voluntários, no Centro, construído especialmente para o funcionamento do Liceu. As aulas foram iniciadas em 15 de março, de conformidade com o regulamento do ensino público secundário.

Fachada original da sede da Praça Gustavo Barroso

Em 1934, na gestão do interventor Carneiro de Mendonça, começou a ser construída a sua nova sede, na então Praça Fernandes Vieira, no bairro Jacarecanga, com projeto elaborado pela Diretoria de Obras Públicas do Estado, sendo concluída no governo de Francisco de Menezes Pimentel. A inauguração ocorreu no dia 15 de novembro de 1935, tendo na sua diretoria o professor Otávio Terceiro de Farias. No governo de Paulo Sarasate o edifício foi reformado, ampliado e reinaugurado no dia 25 de março de 1957, quando era diretor o professor Odilon Braveza. 

colocação da estátua de Gustavo Barroso

O restante da praça recebeu ajardinamento, e no seu centro foi colocada a estátua do escritor Gustavo Barroso e tomou este nome.

No governo de Parsifal Barroso o Colégio Estadual do Ceará passou a ser chamado de Colégio Estadual Liceu do Ceará. Atualmente o Liceu é uma Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI). Funciona em horário estendido, das 7h às 17h50, com mais de 400 alunos. Fica na Praça Gustavo Barro, bairro Jacarecanga.

O Liceu do Ceará é o quarto mais antigo estabelecimento de ensino do País em atividade contínua. Os três que lhe antecederam foram: o Ginásio Pernambucano, em Recife, PE (1825); o Colégio Atheneu Norte-rio-grandense, em Natal, RN (1834); e o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, RJ (1837).   

 

Fontes:

Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes. Introdução e notas de Raimundo Girão/Fortaleza, UFC-1992

O Liceu e o Bonde, de Blanchard Girão. Fortaleza, Editora ABC, 1997

Wikipédia

Secult

Fotos: Arquivo Nirez e Fortaleza em Fotos

terça-feira, 22 de julho de 2025

A Criação do bairro Pirambu

 

O Pirambu está localizado no litoral oeste da cidade.  No passado, finais do séc. XIX, a região do Pirambu, era uma vasta zona de praia, formada por dunas, areias alvíssimas, algumas lagoas e um ou outro casebre de pescadores, que preferiam habitar a região do Mucuripe ou da Praia de Iracema.




A área começou a ser ocupada a partir de emigrantes que fugiam das secas, que periodicamente assolavam as cidades do interior do Estado,  e das calamidades que as estiagens traziam, fome, miséria, doenças, desemprego. Os governantes ficaram alerta pelos problemas que precisaram enfrentar em estiagens anteriores, decorrentes do aumento súbito da população, carente e faminta, e pensaram numa solução para situações vindouras: Os Campos de Concentração.

Os retirantes da seca de 1932, que chegaram nos trens, foram isolados num dos tais espaços; cerca de 1800 pessoas ficaram no lugar hoje conhecido por Pirambu. Depois que passou o período crítico da seca, muitos voltaram para seu lugar de origem, e muitos ficaram em Fortaleza, no Pirambu. Os que desistiram de voltar construíram barracos, conseguiram trabalho nas fábricas que se instalaram ao longo da Avenida Francisco Sá e na rede ferroviária, nas oficinas do urubu. A vizinhança de poder aquisitivo reduzido, incomodou os ricos moradores do Jacarecanga, que iniciaram busca por novos locais de moradia. 



As dunas foram ocupadas, as lagoas foram aterradas, os moradores se multiplicaram e o Pirambu se firmou como a maior favela de Fortaleza. O lugar não tinha nenhuma urbanização nem contava com infraestrutura, os terrenos tinham preços mais em conta para as famílias de migrantes. Haviam os que em muitas oportunidades os ocupavam clandestinamente, daí o crescimento irregular, com a propagação de lotes de tamanhos irregulares, casas modestas e favelas, becos e ruas estreitas, tortuosas e sem saída, e inexistência de espaços públicos e áreas de lazer. O bairro foi criado em 1932.  

Os ocupantes do Pirambu já contavam em torno de 5 mil pessoas, quando apareceram duas famílias alegando que eram donas da área, os Braga Torres e os Carvalho. Pressionavam os moradores para que desocupassem as terras ou vendessem os terrenos. Sentindo-se ameaçados, os moradores começaram a se organizar, a se reunir. Mas não tinham uma liderança, não queriam interferência política e não chegavam a um acordo sobre o que fazer.

Então convidaram o padre Hélio Campos, que havia pouco tempo tinha se formado capelão da Marinha, e atuava na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Corria o ano de 1958, quando descobriram que nem os Braga Torres e nem os Carvalho eram donos da área. E sob a liderança do padre, iniciaram um movimento pela manutenção da posse da terra, pela melhoria das condições sociais e de moradia e contra novas ameaças de expulsão. Por força do decreto nº 1058, de 25 de maio de 1962, que declara tais terras de utilidade pública para execução de plano habitacional em favor dos seus moradores, hoje, os terrenos são considerados de propriedade comunitária.


Com o aumento da ocupação da área, o Pirambu foi dividido em vários bairros, embora a região situada entre o bairro Moura Brasil e a Barra do Ceará continue sendo conhecido como o “Grande Pirambu”. Vários projetos, associações e ONG's atuam na área do Grande Pirambu, na busca de melhorar a qualidade de vida dos moradores, equacionar problemas estruturais e dessa forma, mudar a história daquela região, contada por anos e anos de pobreza, preconceito e exclusão social. De acordo com o IBGE (Censo de 2022), o Pirambu abriga a maior favela do Ceará.   


Consultados: 

https://www.ebc.com.br/especiais-agua/campos-de-concentracao

Verso e reverso do perfil urbano de Fortaleza, de Gisafran Nazareno Mota Jucá. 

Fotos G1/Jornal Diário do Nordeste/IBGE/


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

As Igrejas Católicas nos bairros

 

A igrejas católicas mais antigas da capital estão em sua maioria localizadas no Centro, não por acaso, a parte mais antiga da cidade. Mas, encontramos em diversos bairros, igrejas tão antigas quanto as do Centro, construídas com recursos dos fiéis, seguidores da fé católica, que não economizaram nem recursos nem trabalho para a concretização de seus objetivos, testemunhos de sua crença na igreja de Roma.

Igreja de Bom Jesus dos Aflitos – Parangaba  (1664)


A Igreja de Bom Jesus dos Aflitos foi sendo estabelecida a partir de 1664, durante o processo de instalação dos aldeamentos jesuítas e da ocupação indígena no Ceará, quando os padres deslocaram os índios Potiguaras, que se encontravam na região do rio Ceará, para Porangaba, formando o aldeamento homônimo.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Praia de Iracema (1841)


Em 26 de outubro de 1839, Antônio Joaquim Batista de Castro, morador no Outeiro da Prainha, requereu uma licença à Câmara Municipal, para que ele e outras pessoas pudessem construir uma capela de invocação a Nossa senhora da Conceição.  A licença foi concedida no dia 30 do mesmo mês. Os fiéis resolveram então, organizar uma irmandade e escolher o lugar onde seria edificado o templo. Concordaram que o local seria sobre a colina fronteira à praia, ficando a capela de frente para o oriente. A igreja foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1841.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Messejana (1873)

A Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luís Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que estabeleceram um aldeamento e no local ergueram uma capela, que serviu de base para a igreja atual. Localizada na Rua Joaquim Bezerra, em Messejana.

Igreja dos Remédios – Benfica (1910)


A Igreja de N. S. dos Remédios, uma das mais antigas da cidade, foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1910, nos arrabaldes do Benfica.  A iniciativa de sua construção partiu de João Antônio do Amaral, que desejava construir uma capela em terreno de sua propriedade, no Benfica, com a denominação de N.S. dos Remédios, de quem era devoto, e por ser a padroeira da Freguesia em que nascera, na ilha de S. Miguel, uma das Açores.

Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes – Jacarecanga (1913)


A capela foi mandada construir pelo abolicionista e empresário Alfredo Salgado, com benção e inauguração no dia 06 de abril de 1913, com missa rezada pelo Bispo Dom Xisto Albano. Com o tempo a antiga capela desapareceu dando lugar a igreja atual. 

Igreja Jesus Maria José – Antônio Bezerra (1915)


Fundada em 1915, a partir de uma capela privada construída em terras de Teófilo Rufino Bezerra de Menezes. O terreno onde seriam construídas a Igreja matriz, a pracinha, a casa paroquial e a quadra foi doado pelo Presidente, Sr. Antônio Bezerra de Menezes, mediante entrega do documento de doação à Cúria Metropolitana.

Igreja de São Gerardo Magela – São Gerardo (1925)

imagem: Facebook da Paróquia de São Gerardo 

A primeira capela dedicada a São Gerardo nasceu da iniciativa de um grupo de catequistas que conseguiram a doação de um terreno localizado na Avenida Bezerra de Menezes, por parte do casal Gaudioso e Donatila de Carvalho, no ano de 1924. Obtido o terreno, passaram a trabalhar para arrecadar recursos para a construção da capela, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 25 de agosto do mesmo ano. Em 18 de outubro de 1925 o templo foi inaugurado e recebeu a primeira benção. No dia 19 de julho de 1934, a pequena capela, reformada e ampliada, foi elevada ao status de Paróquia de São Gerardo Magela pelo Arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes.

Igreja do Cristo Rei – Aldeota (1930)

imagem: site da Paróquia do Cristo Rei

Construída entre 1928 e 1930, com plena participação da comunidade pastoral, que se engajou física e financeiramente na construção do templo. A princípio o a igreja teria como padroeiro São Luiz Gonzaga, mas a denominação foi mudada para Cristo Rei em face da da Encíclica de Cristo Rei, publicada em 1928, pelo Papa Pio XI. Com exceção da imagem do Cristo Rei que está no altar principal, as demais imagens dos santos são de origem portuguesa e especialmente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, confeccionada pelo arquiteto português Thetin, na década de 1920, a partir da descrição dos pastores que viram a aparição da virgem.

Igreja da Piedade – Joaquim Távora (1930)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Nos primórdios do século XX, havia no local uma capela sob sua invocação. No dia 08 de julho de 1928, a capelinha desabou, sendo construída em seu lugar a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, com a ajuda de paroquianos e do arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes. Em 1934 a Igreja foi doada pelo arcebispo aos padres Salesianos. A imagem da padroeira que encima o altar-mor veio da Espanha em 1953, doada pela família Gentil Barreira.

Igreja Nossa Senhora das Dores – Farias Brito (Otávio Bonfim) (1932)


Inaugurada em 1932, por meio de doações.  A construção da Igreja das Dores e do convento de São Francisco muito deve aos esforços de Dom Manoel da Silva Gomes, que se empenhou na vinda dos franciscanos menores para Fortaleza, inclusive fazendo a doação de um terreno para a construção da igreja e do convento dos franciscanos, anexo. A Igreja N.Sra. das Dores sucedeu à antiga capela de São Sebastião levantada na praça a que deu o nome, na antiga Estrada do Gado, hoje rua Justiniano de Serpa.

Igreja Nossa Senhora da Saúde – Mucuripe (1934)


A Igreja Nossa Senhora da Saúde foi fundada pela própria comunidade de pescadores do Mucuripe, inaugurada em 1934. O padre José Nilson influenciou a vida religiosa do bairro por causa da interação com os moradores, e lutou com eles pelas melhorias do local. Contam que, antes da chegada do antigo pároco, a comunidade do Mucuripe era esquecida e nenhum religioso ficava mais de dois anos no comando da paróquia. Em maio de 1950, padre Zé Nilson foi enviado ao Mucuripe por Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a previsão de ficar somente dois anos, como seus antecessores. No entanto, o religioso acabou ficando por 50 anos. A Imagem de N. Senhora da Saúde, na praça da matriz, é um trabalho do escultor Deoclécio Diniz, conhecido por "mestre Bibi" ou "Bibi Santeiro".

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré – Montese (1948)


Inaugurada em 1948, em terreno doado pelo casal Sindulfo Serafim Ferreira Chaves e sua mulher, Dulcinéia Gondim Chaves, donos de uma extensa propriedade denominada Sitio Bom Futuro, de onde o terreno foi apartado.  A arquitetura do templo reproduz a planta de uma igreja da Holanda.

Santuário Nossa Senhora de Fátima – Fátima (1953)

imagem: site do Santuário de Fátima/Paulo Vasconcelos

O templo foi construído no ponto mais alto de uma elevação de terra, onde antes havia uma extensa vegetação. Foi inaugurada em 1953, com variadas contribuições de fiéis, inclusive das classes mais abastadas. A ideia de construção da igreja está ligada a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorreu vários países da Europa e alguns Estados do Brasil, e iniciou uma visita a Fortaleza em 9 de outubro de 1952.

Igreja de São João Batista – Tauape (1957)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Até o dia 23 de dezembro de 1936, a Igreja de São João Batista era a sede da Matriz Santa Terezinha. A construção da Igreja Matriz de São João Batista foi iniciada em 09 de outubro de 1957, e segundo depoimento de moradores antigos, demorou quase 10 anos para ser concluída. O templo foi construído com o esforço dos padres e ajuda do povo. A antiga igrejinha hoje abriga o salão paroquial.

 

Igreja da Santíssima Trindade – bairro José Walter – 1970

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – bairro Mondubim – 1982

Igreja de São Francisco Xavier – Conjunto Esperança – 2015

Igreja Jesus Maria |José – bairro Vila União – 1968

Igreja Nossa Senhora das Graças – bairro Pirambu – 1958

Igreja de São Vicente de Paulo – bairro Dionísio Torres – 1971

Igreja de São Raimundo Nonato – bairro Rodolfo Teófilo – 1948

Igreja de Nossa Senhora da Glória – Cidade dos Funcionários – 1968

Igreja de Santa Luzia – bairro Meireles – 1957

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes – bairro Lourdes – 2000

Igreja São Francisco de Assis – bairro Dias Macedo – anos 60

Igreja de Santo Afonso Ligório (Igreja Redonda) – Parquelândia – 1978

Igreja de São José – Papicu – 2012

Igreja do Divino Espírito Santo – bairro Cidade 2000 – 1975

Igreja Nossa Senhora da Paz – bairro Aldeota – 1961

Igreja de Santo Antônio de Pádua – bairro Maraponga – 2006


Fontes: 

As pouco lembradas Igrejas de Fortaleza/Eduardo Fontes/Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto/1983/

https://www.fwa.org.br/livros/datas-e-factos-para-a-historia-do-ceara-tomo-iii.pdf

https://bairrosjtauape.blogspot.com/

https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/

Jornais O Povo, Diário do Nordeste 

 

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Quando Fortaleza andava de Bonde


A Empresa Ferro Carril do Ceará foi fundada no dia 3 de fevereiro de 1877, pelo comendador Francisco Coelho da Fonseca e Alfredo Henrique Garcia. Entre a instalação da empresa e o início das operações, três anos se passaram, somente em 1879 são concretizadas as obras de construção da estação e sede da companhia, e a partir de novembro, foi cumprida a etapa de assentamento dos trilhos.

Na manhã de domingo do dia 25 de abril de 1880, a Ferro Carril do Ceará inaugura sua primeira linha, com 4.210 metros, da Estação na Estrada de Messejana (Boulevard Visconde do Rio Branco) até a rua São Bernardo (atual Rua Pedro Pereira) e a partir desta, interligando a Praça da Assembleia ao Matadouro Modelo, bairro do Prado. Os veículos tinham 4 ou 5 bancos, eram pequenos, modestos, providos de cortinas que protegiam do sol e da chuva, e dirigidos por um boleeiro quase sempre vestido de fraque. Mesmo assim serviram a muitos usuários que pagavam passagens de 100 réis, que possibilitaram a melhoria do serviço, com bondes ampliados em sua capacidade para até para sete bancos, comportando 28 passageiros.



Do período de funcionamento dos bondes movidos a tração animal em Fortaleza, restaram muitas histórias. Uma delas, atribuída a Quintino Cunha, notório advogado e humorista da terra. Contam que em viagem a Belém do Pará, Quintino se deslocava ao lado de um indivíduo que reclamava do mal funcionamento dos bondes, comparando aos do Ceará, com ares de troça. Ao que Quintino lhe respondeu: - meu caro, o senhor está redondamente enganado, há uma grande diferença: no Ceará os burros puxam o bonde, mas aqui se dá o contrário, os burros é que as vezes andam de bonde.

Em 6 de junho de 1912, deu-se a transferência, por compra, da empresa Carril do Ceará à The Ceará Tramway Light and Power Ltd. Para administrar a empresa em Fortaleza, foi contratado Hugh Mackeen. Ele seria o primeiro gerente local e teve papel decisivo na realização das obras iniciadas naquele mesmo ano. O primeiro bonde elétrico circulou às 4:30 da tarde, no dia 9 de outubro de 1913, sendo beneficiado o bairro da Estação, continuando as outras linhas com os bondes de burros. No dia da inauguração, além das autoridades, inclusive o intendente Ildefonso Albano e convidados, uma multidão de curiosos foi conferir a novidade, com gente que embarcava, e só abandonava o veículo quando acabava o dinheiro.


Os demais bairros foram pouco a pouco sendo beneficiados pela tração elétrica, porém, enquanto se instalavam os cabos, se estabeleceu uma espécie de tráfego provisório. Como a linha do bairro Soares Moreno, hoje Jacarecanga, foi uma das últimas eletrificadas, os enterros que demandavam o Cemitério São João Batista eram feitos em bondes de burros, que iam buscá-los em qualquer bairro, mesmo os que já estavam eletrificados.

Os engenheiros ingleses, encarregados de dirigir os trabalhos em Fortaleza, pouco afeitos ao ambiente e ao idioma, sofreram alguns dissabores. Certa vez, uma turma de trabalhadores abria o mato no então final da linha do Outeiro, procurando levar os trilhos para mais além, quando se depararam com enormes moitas de urtiga-cansanção; enquanto viam uma maneira de prosseguir, foram advertidos pelo técnico britânico, que para mostrar como se fazia, se pôs a arrancar as plantas com as mãos, dizendo entredentes “não pode arrancar com a mão? Vejam como eu fazer”. Minutos depois, porém os braços e mãos do mister ficaram seriamente afetados e, em consequência, levou um mês inteiro de cama.  

Em outra oportunidade, o mesmo engenheiro fazia a condução de trilhos e gritava “push”. Mas os trabalhadores, sem entenderem o idioma, em vez de empurrar, como solicitava o engenheiro, faziam era puxar.


O último bonde de burro que rodou pelas ruas de Fortaleza foi o de número 25, guiado por um certo Sr. Fialho, na linha do Alagadiço, a última a ser eletrificada. Quase todos foram vendidos à Empresa Teixeira Leite, do Maranhão, sendo embarcados para a capital. Quando os velhos bondes iam ser desembarcados, os catraieiros, indignados com o mau serviço da empresa, deixaram cair no mar alguns veículos, como forma de protesto, que São Luís não era a rampa de lixo do Ceará.

Por muito tempo, a Light ainda conservou dois daqueles burros dos antigos bondes, que mesmo velhos, foram usados para puxar o carro torre de consertos da rede aérea.

 

Extraído dos livros “Coisas que o Tempo Levou, crônicas históricas da Fortaleza antiga”/Raimundo de Menezes/Edições Demócrito Rocha/Fortaleza:2000. “História da Energia do Ceará/Ary Bezerra Leite/Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha,1996/Publicação FortalezaemFotos/Imagens Arquivo Nirez e Instituto Moreira Sales  



segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Dez Bairros de Fortaleza, uma Breve História

 

No início do século XX, a cidade já apresentava uma divisão por bairros em nível social. O primeiro "bairro chique" a se configurar foi o Jacarecanga, formado em sua maioria pela elite que antes residia no Centro.


Foto Brasiliana Fotográfica ( O. Justa)

Alguns tiveram seus nomes modificados ao longo do tempo, e em épocas diversas, de modo que existiam bairros cujas denominações foram apagadas do mapa da cidade, como o bairro Antônio Diogo, localizado na região do Mucuripe, hoje Praia do Futuro II, Jardim Glória no Distrito de Messejana, Cachoeirinha, no distrito de Antônio Bezerra, hoje bairro Padre Andrade, e Marupiara, no distrito da Parangaba, hoje bairro Demócrito Rocha. Mas novos bairros foram criados em função do crescimento e da expansão dos horizontes de Fortaleza. Atualmente a cidade está dividida em 12 secretarias executivas regionais e 121 bairros. Esta é uma breve história de 10 bairros de Fortaleza.

1 – O São Gerardo ocupa uma parte do antigo Alagadiço (SER 3)


Bairro São Gerardo - Lagoa do Alagadiço 


A exemplo de muitos outros bairros, o São Gerardo se formou no entorno da igreja. A primeira capela dedicada a São Gerardo nasceu da iniciativa de um grupo de fiéis, que conseguiram a doação de um terreno localizado na Avenida Bezerra de Menezes, no ano de 1924, quando o lugar ainda era conhecido como Alagadiço Grande, e ficava no percurso do bonde do Alagadiço.

A capela, inaugurada em 18 de outubro de 1925, foi reformada e ampliada em 1934, e elevada ao status de Paróquia de São Gerardo Majella pelo Arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes. O bairro, nascido e criado a partir desse ponto, herdou o nome da igreja.

Hoje o São Gerardo é considerado de renda média, teve um período de alta valorização de imóveis e com forte perfil comercial, tendência que ficou acentuada a partir 1991 com a inauguração do North Shopping, o maior daquela região. A instalação do shopping atraiu grande número de novos comércios e prestadores de serviços dos mais variados, tendência que se reverteu em parte, devido a nova configuração da Avenida Bezerra de Menezes, que baniu estacionamentos e retornos, e dificultou o acesso aos estabelecimentos comerciais.

O São Gerardo está localizado entre os bairros Ellery, Monte Castelo, Farias Brito, Parquelândia e Presidente kennedy.


2 – O Bairro Autran Nunes era chamado de Alto do Bode (SER 11)

No início, era quase desabitado, com terrenos cobertos de mato e barro vermelho. A dona-de-casa Raimunda Sousa de Carvalho, conhece bem a história do lugar, porque foi uma das primeiras a chegar ao bairro. Moradora do Autran Nunes há mais de 40 anos, Raimunda mudou-se para a região com o marido Raimundo, e sete filhos pequenos.

Nos idos dos anos 1960, ela abriu um comércio que virou ponto de encontro. Nessa época, o bairro já era conhecido pela alcunha de Alto do Bode. Quem denominou, segundo Raimunda, foi o seu próprio marido - que morreu nos anos 1970. Pelo menos uns 50 anos antes, o casal morava ainda no bairro ao lado, o Antônio Bezerra. Nesse tempo, um vizinho, que criava bodes, sentiu falta de um par de caprinos. Deram conta de que os animais estavam amarrados no Alto do São Vicente, a região onde fica o atual Autran Nunes.

Os bodes não foram recuperados nem o ladrão localizado, mas a alcunha pegou. Mais tarde, arrependido, seu marido tentou de tudo para emplacar o nome Alto do São Vicente com placas e faixas. Foi em vão, todos conheciam por Alto do Bode. Depois, o bairro foi batizado com um novo nome: Autran Nunes, em homenagem a um juiz amigo, que promoveu algumas ações sociais em benefício dos moradores.

Localizado na zona Oeste, o Autran Nunes fica entre os bairros Antônio Bezerra, Dom Lustosa, Henrique Jorge e Genibaú.

3 – Bairro Vila União (SER 4)


Vila União - monumento ao vaqueiro

O bairro Vila União foi fundado pela prefeitura de Fortaleza em 23 de agosto de 1940. Antigamente o lugar era chamado de Barro Preto, terras de propriedade da Sra. Maria de Conceição Jacinto, natural da cidade de União, hoje Jaguaruana. Em 1938 as terras foram vendidas para o Dr. Manoel Sátiro, que loteou as terras e batizou o loteamento de Vila União.

O loteamento se expandiu rapidamente justificando a criação do bairro. Em 1942 foi criada a linha férrea que corta o bairro ligando a Parangaba ao Mucuripe; em 1965 foi inaugurada a Avenida Luciano Carneiro que se tornava o principal acesso ao Aeroporto Pinto Martins. A avenida atualmente dá acesso ao terminal de cargas do aeroporto.

O Vila União conta com vários equipamentos públicos, como parques, hospital infantil, clube social, e shoppings de revendedores. Fica entre os bairros Aeroporto, Parreão e Montese.

4 – Bairro Conjunto Ceará (SER 11)


Avenida no Conjunto Ceará

Na década de 1970, vários conjuntos habitacionais foram edificados em Fortaleza, com base na política do Banco Nacional de Habitação, que utilizava recursos do FGTS para financiar habitações populares a baixo custo. A maioria dos conjuntos foi implantada em terrenos baratos e distantes, na direção do Distrito Industrial de Maracanaú, e junto ao leito das linhas férreas – tronco Fortaleza – Maracanaú e tronco Fortaleza – Caucaia.

O Conjunto Ceará foi inaugurado em 1978, na área do bairro Granja Portugal. A exemplo de outros conjuntos habitacionais populares, o lugar era totalmente desprovido de infraestrutura, que foi sendo implantada aos poucos, mediante reivindicações dos primeiros moradores. 

As primeiras 996 casas do novo conjunto habitacional foram entregues em 1977, por meio de sorteios promovidos pelo sistema da COHAB (Companhia de Habitação), responsável pela política de construção dos conjuntos. O lugar cresceu tanto que virou bairro de Fortaleza.

O Bairro Conjunto Ceará foi criado em 11 de outubro de 1989, através da lei 6.504, que desmembrou o Conjunto Ceará da jurisdição do Bairro Granja Portugal. Segundo o Censo Demográfico de 2010, do IBGE, a população do Conjunto Ceará era de 42.894 habitantes, sendo 19.848 homens e 23.046 mulheres. Esse número de moradores era maior do que a de 141 dos 184 municípios cearenses. Depois o bairro foi dividido entre Conjunto Ceará I e Conjunto Ceará II.

5 – Bairro Pici (SER 11)

O nome Pici vem do antigo Sítio Pici, localizado às margens do Riacho Cachoeirinha, adquirido em 1927, pelo advogado Daniel Queiroz, pai da escritora Raquel de Queiroz. O bairro já teve área bem maior, com grandes sítios seguidos de grandes vazios urbanos, num tempo em que a Santa Casa de Misericórdia e a Legião Maçônica eram detentoras de grandes lotes de terrenos na região. 

A geografia do Pici mudou radicalmente no início dos anos 40 quando os extensos sítios ganharam uma vizinhança inusitada, com a instalação de uma base militar norte-americana, de onde partiam e chegavam aviões de bombardeios e dirigíveis, estranhos objetos voadores, desconhecidos do grande público, que monitoravam a costa cearense.

Depois que os americanos foram embora, chegou a universidade e ocupou parte das instalações da antiga base. Atualmente o campus da Universidade Federal ocupa a maior parte da área do Pici que abriga também importantes equipamentos esportivo e culturais, como a sede do Fortaleza Esporte Clube e do Maracatu Nação Pici.

O Pici está localizado a Oeste de Fortaleza, entre os bairros São Gerardo, Parquelândia, Amadeu Furtado, Bela Vista, Panamericano, Demócrito Rocha, Jóquei Clube, Henrique Jorge, Dom Lustosa, Padre Andrade e Presidente Kennedy.

6 – Bairro Presidente Kennedy, antigo Monte Picu (SER 3)




O Guia Turístico da Cidade, editado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza em 1961, não registra a existência de alguns bairros localizados na zona Oeste de Fortaleza. Assinala no lugar, uma área denominada Alagadiço, delimitada ao Norte pela Avenida Sargento Hermínio; a Leste Rua Padre Frota, Rua Prof. Castelo e Rua Prof. Anacleto; ao Sul, Avenida Jovita Feitosa e a Oeste pelos limites dos Distritos de Parangaba e Antônio Bezerra. O Presidente Kennedy surgiu nessa região, provavelmente pelo parcelamento do Alagadiço, cuja área era bem maior do que a correspondente ao atual bairro São Gerardo, tido como o antigo Alagadiço.

O bairro tem sua origem na ocupação por populações vindas do interior, ficando conhecido como Monte Picu. Lá foi construído um conjunto habitacional, durante os anos 60, nomeado Conjunto Castelo Branco, para abrigar essa população retirante. No entorno do conjunto, só havia áreas verdes virgens e algumas áreas alagadas. Atualmente, poucas casas sobraram desse habitacional. Com a inauguração de um grande shopping center na região, a abertura de novas avenidas, o lançamento de unidades residenciais direcionados à classe média e a conclusão do Parque Rachel de Queiroz, o Presidente kennedy vem sendo alvo de profunda especulação imobiliária.

Limita-se com os bairros Parquelândia, São Gerado, Ellery, Floresta, Padre Andrade e Pici.

7 – Bairro Eng. Luciano Cavalcante – antigos Santa Luzia do Cocó, Salineiro do Cocó (SER 7)

Antigamente o bairro era chamado de Salineiro do Cocó, e o que mais tinha naquela região, eram salinas. Em fins dos anos 60, início dos 70, foi construída no local, o Conjunto Habitacional Santa Luzia do Cocó, pela COHAB (Companhia de Habitação Popular), utilizando recursos do BNH (Banco Nacional de Habitação).  O habitacional, com 294 unidades residenciais, representou um redirecionamento das ações do BNH, que até então era voltado para construções de conjuntos habitacionais populares para pessoas de baixa renda. O Santa Luzia do Cocó atendia a uma faixa de renda mais elevada e de maior poder aquisitivo no caso os servidores públicos municipais e estaduais. 

O terreno onde foi erguido era distante e isolado, a infraestrutura era precária e não havia serviços regulares. A população precisava se deslocar para outros bairros ou para o Centro, sempre percorrendo grandes distâncias, em busca de serviços e gêneros de abastecimento. O acesso ao transporte público era difícil, pois não existiam vias de tráfego, apenas pequenas vielas de calçamento, cercadas de mato.

Essa realidade mudou quando, nos arredores do Rio Cocó, o engenheiro Luciano Cavalcante fundou uma fábrica de canos de PVC, e por seu intermédio, foi realizada a primeira obra de infraestrutura do bairro, a eletrificação da região, que também ganhou pavimentação, abertura de novas ruas e linhas regulares de ônibus. Com estas melhorias, e as que se seguiram, outras empresas se estabeleceram no local.

O lugar se desenvolveu rapidamente a partir dos anos 80, quando começaram a surgir os inúmeros edifícios de apartamentos, casas de alto padrão, faculdades, shoppings e supermercados. O bairro foi criado oficialmente, no dia 31 de maio de 1968, através da lei 3549/68, quando o bairro Salineiro do Cocó passou a chamar-se engenheiro Luciano Cavalcante.

Localizado na zona Leste, entre os bairros Jardim das Oliveira, Salinas, Guararapes, Edson Queiroz, Parque Manibura e Cidade dos Funcionários.

8 – Bairro De Lourdes (Ou Dunas) – SER 2


Bairro Dunas

O bairro surgiu a partir de um grande loteamento, lançado pelo ex-deputado Jeová Costa Lima, que ia da Avenida Trajano de Medeiros à Dolor Barreira, por trás da Igreja Nossa Senhora de Lourdes. O acesso ao loteamento, construído no alto das dunas remanescentes da Praia do Futuro, só era possível com a utilização de uma camionete Rural, que transportava combustível para os tratores que aplainavam o terreno.

Até o ano 2000 era praticamente deserto. A partir da inauguração do marco zero, a Cruz do Cruzeiro, o lugar começou a crescer demograficamente, levando o nome da paróquia local, Nossa Senhora de Lourdes.

O bairro, de baixa densidade demográfica (apenas 3.370 habitantes em 2010 segundo o IBGE), formado de mansões e condomínios de luxo, foi criado oficialmente pela lei Municipal 8945, de 2005, desmembrado da Praia do Futuro. Fica entre os bairros Praia do Futuro, Manuel Dias Branco, Papicu e Vicente Pinzon.

9 – Bairro Jacarecanga (SER 1)


Jacarecanga - Avenida Francisco Sá

Localizado na zona Oeste, próximo ao centro, o bairro surgiu nas proximidades do riacho do mesmo nome, onde se aglutinaram em sobrados, os representantes das elites comercial e agrária, tornando-se um local privilegiado, com mansões e chácaras com plantas e fachadas copiadas de revistas e publicações especializadas europeias. 

A partir do cruzamento com a Avenida Imperador, a Travessa Municipal formava um corredor diferenciado pelo seu conjunto de luxuosas residências. Era o início do bairro. Hoje, a maioria das residências construídas no período do apogeu, foi demolida,  descaracterizada ou se encontra em precário estado de conservação.

O Jacarecanga perdeu sua condição de área nobre a partir de meados do século passado, quando a sua avenida principal, a Avenida Francisco Sá, começou a ser ocupada por uma série de indústrias de transformação e com a instalação do ramal ferroviário e das oficinas da Rede Viação Cearense. Os novos equipamentos atraíram vizinhos de menor poder aquisitivo, que se alojaram em vilas operárias ou ocuparam irregularmente as terras situadas entre a principal avenida do bairro e a zona litorânea, dando origem ao que viria ser a maior favela de Fortaleza, o Pirambu.

Fica entre o Oceano Atlântico, e os bairros Moura Brasil, Centro, Farias Brito, Monte Castelo, Carlito Pamplona e Pirambu.


10 – Bairro Prefeito José Walter (SER 8)


Bairro Prefeito José Walter  

Concluído no início dos anos 1970, dentro da mesma ótica que norteou o lançamento de vários conjuntos habitacionais, financiados com recursos do Banco Nacional de Habitação (BNH), que utilizava valores do FGTS para financiar habitações populares. O Conjunto Habitacional Prefeito José Walter, foi primeiro deles, localizado na zona Oeste de Fortaleza, construído entre 1967 e 1970.

As propagandas referentes a esses Conjuntos Habitacionais se utilizavam do sonho da casa própria, que seria construída em um local distante da cidade, porém com toda a infraestrutura necessária, como água encanada, fornecimento de energia, saneamento básico, escolas, igrejas, parques, posto de saúde, transporte. Propagandas em grande parte enganosas que fizeram com que muitos se aventurassem e fossem morar num bairro isolado localizado no distrito de Mondubim. Na realidade, o conjunto foi entregue somente com as casas.

Estes conjuntos foram fundamentais para a expansão da cidade porque, os moradores, uma vez instalados, passaram a exigir infraestrutura e serviços, os quais favoreciam a valorização dos vazios urbanos.

O habitacional começou a ser habitado em 1970, numa área originalmente ocupada pelo antigo Núcleo Integrado Habitacional do Mondubim, que era habitada por inúmeras famílias pobres. Foi projetado pelo arquiteto Marrocos Aragão seguindo o modelo de cidade planejada. Possui 4 etapas tendo o modelo original projetado com 5500 casas. Em sua inauguração foi considerado o maior conjunto habitacional da América Latina.

O Conjunto está limitado ao Norte pelos bairros Passaré e Parque Dois Irmãos; Ao Sul, pelo Bairro Pajuçara (Maracanaú); a Leste pelo Conjunto Palmeiras; e a Oeste, pelos bairros Mondubim e Planalto Airton Sena.



Fotos: Fortaleza em Fotos feitas entre 2012 a 2015