terça-feira, 14 de julho de 2020

Porciúncula, Messejana, o antigo Lar do Lustosa da Costa


Em uma de suas inúmeras crônicas, o escritor, jornalista, poeta, editor, professor e membro da Academia Brasiliense de Letras, Francisco José Lustosa da Costa, conta que o sítio onde hoje se instala a Porciúncula – atual sede das irmãs Missionárias da Ordem das Capuchinhas, em Messejana, era de propriedade de sua família. Seu pai comprara o sítio quando ainda era solteiro, e o vendeu no início da década de 60.

terreno de várzeas em Messejana - 1928 (imagem MIS)

Messejana era então muito longe de Fortaleza. Era um lugarejo tranquilo, com uma poética igreja no meio de um largo, rodeada de frondosas mangueiras. Ainda não havia asfalto, a pavimentação era com pedra de calçamento. Os ônibus eram velhos, maltratados. Em suas reminiscências, o jornalista relembra de coisas e pessoas de quando residiam no local: quando vinham da capital, desciam do ônibus em frente ao sítio da Rosa, uma solteirona meio doida que tinha mania de limpeza, e que ocupava o tempo varrendo infatigavelmente o terreno, envolta em uma nuvem de pó, dizendo palavrões dirigidos às galinhas, que atrapalhavam seu trabalho.

Para chegar em casa passava pela bodega de um certo Seu Oliveira, e percorria cerca de um quilômetro de areal. O trecho era tido como perigoso, à noite. Nos seus tempos de criança, a grande aventura consistia em atingir o final do sítio, na atual BR-116, onde se situava a casa de um morador, um preto velho de nome José Pinto, que recebia com mimos e agrados, as visitas dos filhos dos patrões.

Uma grande tradição do sítio da família, era a comemoração ao 13 de maio, dia da aparição de Nossa Senhora de Fátima. As novenas organizadas pela tia do jornalista, eram concorridíssimas, geralmente apareciam os vizinhos, e os pobres da vizinhança vinham ver as sobrinhas e as protegidas da dona da casa, todas vestidas de anjos com asas de papelão. A avó do cronista era uma velha faladeira , destemida, amiga do general Eudoro Correia.

Praça da igreja imagem: Arquivo Nirez

À frente da paróquia de Messejana estava o padre Pereira, (Francisco Pereira da Silva, pároco de 1938 a 1980) que implicava, em vão, com os namorados mais acalorados, que escolhiam os fundos e a calçada da igreja, como local de encontro para troca de carinhos. No auge da indignação, o velho sacerdote sentenciava: “se peito de moça fosse buzina de carro, quem mora perto da igreja não ia poder dormir à noite, tamanho o barulho!”


Fundos da Igreja de Messejana imagem: acervo IPHAN

Nas águas transparentes da lagoa de Messejana, onde Iracema se banhava ao chegar do Ipu, o cronista se afogou e quase morreu ainda criança. Escapou por um triz, para usar uma das expressões da época.


Lustosa da Costa - Cajazeiras (PB) 1938 - Brasilia (DF) 2012







Hoje o belo e aprazível sítio – sede das Irmãs Missionarias Capuchinhas, funciona como lugar de retiro e acolhida de religiosos, promove eventos de cunho social e religioso e atua na área educacional. O terreno foi adquirido pela ordem religiosa e no dia 19 de março de 1961 foi lançada a pedra fundamental para a construção da Porciúncula.  No dia primeiro de maio de 1964, a Porciúncula acolheu o noviciado ocupando a terceira ala do prédio e dia 25 de maio chegou o Governo Geral e a partir daí, foi reconhecida como Sede Geral da Congregação. Em 1973, uma parte da casa foi cedida para encontros e cursos de maior e menor duração, em regime de internato.


Fontes:

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A Vida nos Bairros de Fortaleza nos anos 40


Na primeira metade da década de 1940, os distritos de Messejana, Mucuripe, Parangaba e Antônio Bezerra eram como pequenas cidades do interior, de difícil acesso, por causa das estradas ruins e dos transportes escassos. Ir a um desses distritos implicava numa viagem. O Mucuripe era então quase isolado da cidade, pois não havia acesso de veículos, com muitas dunas e outros entraves.


O Mucuripe era distante, isolado e quase desabitado - imagem:  Ah, Fortaleza!

No distrito de Antônio Bezerra, ficava o bairro Brasil Oiticica, nome que herdou da fábrica de beneficiamento de oleaginosas que se instalou na Avenida Francisco Sá, em 1934. O bairro começava na primeira linha de trem e terminava na altura da atual matriz da localidade. Ali os ônibus faziam sua parada final, pois a pista, que já era bastante estreita, era interrompida por um riacho que a atravessava. A partir, daí, era só mata, de cajueiros e muricizeiros. Para atingir a Barra do Ceará, então, pequeno povoado, só a pé ou em lombo de animal. Aos poucos o bairro foi sendo ampliando e urbanizado, teve o nome foi mudado para Carlito Pamplona.


prédio do Matadouro Modelo, hoje no local está o Colégio Paulo VI no bairro Jardim América. imagem: Arquivo Nirez

Logo após o Prado, ficava o Matadouro Modelo, pequeno aglomerado em volta do abatedouro oficial da cidade, que ficava no local onde hoje se encontra o Colégio Paulo VI. Mais tarde surgiu neste local o bairro Jardim América. Depois que o matadouro público foi desativado, os trabalhadores e suas famílias ocuparam uma grande área do entorno, formando a hoje denominada Comunidade Brasilia. Reúne cerca de 300 famílias, a maioria de baixa renda, que ocupam becos e vielas que desembocam na Avenida dos Expedicionários e formam a única área carente identificada como favela do bairro.

Não existiam o Montese, e o então Porangabuçu, atual Rodolfo Teófilo, estava começando a se formar em volta da Lagoa do Bessa. Em tempos anteriores ali existiu uma fazenda, e a matriz de São Raimundo era a capela da propriedade. A capela ficava sobre um verde gramado que circundava a lagoa de águas cristalinas.



A atual Paróquia de São Raimundo Nonato era em tempos passados, a capela de uma fazenda que existia no local. A paróquia foi criada em 1963, por padres redentoristas. imagem: O Povo

Entre o Porangabuçu, que surgia e o São Gerardo, existia o Campo do Pio, pequena comunidade sem ruas definidas. Foi engolido pela Parquelândia. Outro bairro que começava a tomar forma era o Monte Castelo, entre São Gerardo e Brasil Oiticica.

Sem favelas, sem bairros miseráveis, tinha o Morro do Moinho, entre a estação da RVC e o Cemitério São João Batista. O Morro do Ouro situava-se entre o Açude João Lopes e o nascente Monte Castelo.  Outro bairro bem próximo do centro e que foi totalmente tomado pelo comércio, era o Seminário, que compreendia a região em torno daquela casa de ensino religioso.

O São João do Tauape localizava-se no final do bairro Joaquim Távora e se estendia até os charcos do Lagamar. Mais além, margeando a BR-116, estava o Alto da Balança e a seguir, vinha Cajazeiras, antes de Messejana.

Pequena e tranquila, com seus 200 mil habitantes, Fortaleza era singela, com poucos bairros, que dependiam do Centro para praticamente tudo. Tirando as mercearias ou cinemas em alguns, tudo o mais só era encontrado no centro: lojas, bancos, correios, farmácias, mercearias finas.

No Joaquim Távora tinha a Casa Girão, armarinho sortido que vendia até tecidos, um cinema – o Joaquim Távora – e a Farmácia Carneiro, da família do repórter Luciano Carneiro. No Otávio Bonfim tinha os cinemas Nazaré, Familiar, a Farmácia São Sebastião e os jardins Japonês e São José, que vendiam flores e confeccionavam coroas fúnebres.

A Aldeota contava com dois cinemas, o Santos Dumont na Praça Cristo Rei e o Ventura, na Avenida Barão de Studart. Na Praça dos Pinhões, tinha a Casa Paranaense, outro armarinho sortido que vendia de tudo. No Jardim América, na Praça Presidente Roosevelt, tinha o Cine América.


As compras de gêneros alimentícios eram feitas nas bodegas, cujos bodegueiros conhecedores da sua clientela, formada quase que exclusivamente por moradores da vizinhança, vendiam fiado e à retalho – ½ barra de sabão, 300 gr de manteiga, ½ pacote de café - que não havia supermercado para lhes fazer concorrência; as contas de luz tinham de ser pagas na sede da Light, no Passeio Público; as de água e esgoto, na Secretaria de Viação e Obras Públicas, na Rua Dragão do Mar.



As famílias ainda guardavam o hábito das cadeiras na calçada. O Costume predominava mais entre as famílias que residiam para além da Rua General Sampaio, rumo do Oeste e para os lados norte e leste além da Senador Alencar e da Governador Sampaio.

Nas ruas mais centrais, onde residiam os mais endinheirados ou projetados socialmente, as casas eram de porões e sacadas avarandadas, o que não significa que naquelas ruas não houvesse os adeptos da velha prática. Mas, geralmente, na hora de pegar o frescor vespertino, damas e cavalheiros não precisavam ir para as calçadas, bastava abrir as portas por trás das varandas, de balaustrada de ferro ou alvenaria trabalhada.



Praça Clóvis Beviláqua (antiga Praça a Bandeira)/ Rua Senador Pompeu 
imagem Arquivo Nirez

Havia duas razões entre as classes mais modestas para o hábito das cadeiras na calçada: a primeira era as casas pegadas umas às outras, as chamadas paredes-meias, sem áreas de circulação interna, abafadas como clausuras.

A segunda razão devia-se a necessidade do trato social, já que os clubes eram exclusivos, poucos possuíam rádio, televisão nem sonhava em chegar. Tudo isso motivava as reuniões nas calçadas em frente as casas, com as cadeiras arrumadas de modo a estabelecer a conversa fácil entre vizinhos, tudo amenizado pela brisa, sempre corrente, após o rigor do sol.

A Fortaleza de hoje, com mais de 2,6 milhões de moradores, precisou crescer, de forma desordenada, ampliando bairros, fazendo surgir uns e sumindo com outros, modificando hábitos e costumes, distanciando pessoas. Alguns bairros são verdadeiras cidades dentro da cidade, com toda infraestrutura, como supermercados, bancos, colégios, restaurantes, hotéis, e tudo o mais que compõem uma comunidade. O velho Centro, em torno do qual a cidade gravitava, está esquecido e esvaziado.



Fontes:
"Royal Briar – a Fortaleza dos Anos 40” de Marciano Lopes
"Crônicas da fortaleza e do siará grande" de Otacílio Colares
Guia Turístico da Cidade - Prefeitura Municipal de Fortaleza - 1961


terça-feira, 30 de junho de 2020

O Estilo Eclético da Igreja do Coração de Jesus


Naquele começo de tarde do dia 15 de março de 1957, o Sr. Júlio Pinto se aproximara da janela do seu escritório localizado no 6º andar do edifício jangada, na Rua Major Facundo com Senador Alencar, para conferir as horas com o grande relógio existente na torre da Igreja do Coração de Jesus. Eram pouco mais de 13 horas. Nesse exato momento, viu a torre desaparecer e uma espessa nuvem de poeira ocultar tudo – teria sido uma visão, um sonho? Perguntou-se incrédulo. Era verdade o que seus olhos viram, caíra a torre da igreja do Coração de Jesus.

 A Igreja do Coração de Jesus na forma original - 1913 - imagem: Revista FonFon 
Na década de 50, a torre agulha foi substituída por uma grande torre quadrada
para abrigar um conjunto de sinos. - imagem: Arquivo Nirez

Seu primeiro ato foi pegar o telefone e ligar para o “O Povo”, para o jornalista José Raimundo Costa, o primeiro a saber do fato, pela informação segura de um amigo. Por esta razão, e devido a proximidade, pois àquela época a redação do jornal funcionava na Rua Senador Pompeu, “O Povo” foi o primeiro a documentar a tragédia.

Logo a notícia do desabamento se espalhou pela cidade, levada pelas edições extraordinárias do noticiário radiofônico. E uma multidão foi se formando, de homens, mulheres e crianças, em torno da praça do Coração de Jesus. Vinham de todas as partes, de todos os bairros, todos queriam ver de perto o desmoronamento. Temia-se pela existência de vítimas, o que felizmente, não se confirmou. A polícia precisou cercar a área.


As bases da torre primitiva não resistiram às toneladas de concreto e a construção desabou sobre o corpo do templo. Era o dia 15 de março de 1957 - imagens O Povo e Arquivo Nirez 

Imediatamente, após o impacto da notícia, o governador Paulo Sarasate juntamente com a primeira dama Dona Albanisa Sarasate, compareceram ao local, solidarizando-se com o povo católico de Fortaleza. Dois dias após o fato, no dia 17 de março de 1957, já havia uma campanha em andamento para construção de uma nova igreja, e uma missa campal celebrada sobre os escombros, por frei Silvério de Calvairate selou o compromisso. A campanha só terminaria com a inauguração oficial da nova igreja, no dia 26 de novembro de 1961.

Da palavra à ação. A cidade já estava motivada para entender a motivação de reerguer o antigo local de sua veneração. Ao invés de reconstruírem a igreja, pois apenas a torre e parte da fachada fora afetada, os capuchinhos optaram por derrubar toda a igreja para construírem uma bem maior, com rampas para subida dos carros, uma torre vazada e uma grande cúpula sobre a nave principal.


Altar mor e cúpula romana - imagens Fortaleza em Fotos - 2011

No dia 15 de janeiro do ano seguinte, foi lançada a pedra fundamental da nova igreja, para a qual foi designado como construtor frei Francisco de Chiaravalle, com projeto de Emilio Hinko. O novo templo foi construído em estilo moderno, amplo, com abóbada lembrando os templos bizantinos. Tinha por características a arquitetura eclética, cúpula romana, imitando a Basílica de São Pedro, no Vaticano, torre lembrando o gótico. Do antigo templo foram conservadas as estátuas dos apóstolos, colocadas nas marquises da  frente e dos fundos.

Matéria publicada no “ O Povo” em 15 de setembro de 1978, dá conta de que ao escavarem os alicerces para a nova construção, em vez da pedra fundamental da Igreja do Coração de Jesus, encontrou-se apenas a pedra fundamental da pequenina capela de Nossa Senhora das Dores, que ali funcionou em época passada.



Interior da Igreja do Coração de Jesus - imagens Fortaleza em Fotos - 2011

Segundo o autor de "As pouco lembradas igrejas de Fortaleza", Eduardo Fontes, o estilo da nova igreja do Coração de Jesus não agradou aos que preferiam a antiga igreja, de linhas sóbrias, tradicionais, de torre branca. Muitos não aprovaram sequer a reforma realizada na torre primitiva da Igreja dos Albanos. A igreja que hoje se ergue no lugar da primeira não possui linhas arquitetônicas definidas. É uma igreja enorme, espaçosa, mas sem beleza. As portas da frente, de ferro, sem nenhum trabalho de fundição, lembram portas de armazéns ou de garagens. Nada indica que sejam próprias à igreja, pois são destituídas de estética. A enorme abóbada, revestida externamente de alumínio – herança da arte bizantina – destoa do restante do conjunto, de linhas retas, característico de construções modernas, da era do cimento armado. 


O novo templo foi inaugurado no dia 26 de novembro de 1961, pelo arcebispo de Fortaleza Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a presença do governador Parsifal Barroso, do prefeito general Cordeiro Neto e do bispo de Carolina no Maranhão, Dom Cesário Minali.


fontes:
As pouco lembradas igrejas de Fortaleza, de Eduardo Fontes
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
Jornal O Povo 



sábado, 6 de junho de 2020

Capistrano de Abreu – O Sogro de Jesus


João Capistrano Honório de Abreu nasceu na cidade de Maranguape, em 25 de outubro de 1853. Fez seus primeiros estudos em rápidas passagens por várias escolas. Em 1869, viajou para Recife, onde cursou humanidades, retornando ao Ceará dois anos depois. Em Fortaleza, foi um dos fundadores da Academia Francesa, órgão de cultura e debates, progressista e anticlerical, que durou de 1872 a 1875.

Estátua de Capistrano de Abreu em Maranguape - foto IBGE

Neste último ano, viajou para o Rio de Janeiro e aí se fixou, tornando-se empregado da Editora Garnier. Em 1879, foi nomeado oficial da Biblioteca Nacional. Lecionou Corografia e História do Brasil no Colégio Pedro II, nomeado por concurso em que apresentou tese sobre O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, recusou-se a tomar posse.

Dedicou-se ao estudo da história colonial brasileira, elaborando uma teoria da literatura nacional, tendo por base os conceitos de clima, terra e raça, que reproduzia os clichês típicos do colonialismo europeu acerca dos trópicos, invertendo, todavia, o mito pré-romântico do “bom selvagem”. Morreu no Rio de Janeiro, aos 74 anos, em 13 de agosto de 1927.


Capistrano de Abreu era agnóstico de carteirinha, daqueles que não acreditava nas coisas do céu muito menos nas do inferno, mas também não negava, não era contra nem a favor, muito pelo contrário. Por uma dessas ironias do destino, sua filha Honorina, a mais velha dentre os cinco irmãos, optou por seguir a vida religiosa.

Honorina de Abreu nasceu no dia 18 de fevereiro de 1882, no Rio de Janeiro. Ficou órfã aos 9 anos de idade, quando perdeu a mãe, vítima de febre puerperal. Quanto estava na casa dos 20 anos,  passou pelo que o pai chamou de "crise religiosa", e decidiu entrar para o Convento de Santa Teresa, da Ordem das Carmelitas Descalças, localizado no bairro carioca de Santa Tereza. A decisão abalou o pai profundamente, comprovou-se inaceitável para ele e deixou-o amargurado para o resto da vida.

Honorina de Abreu

A partir de 10 de janeiro de 1911, quando Honorina aos 29 anos, vestida de noiva, foi admitida solenemente no convento, onde recebeu o nome de madre Maria José de Jesus, a comunicação entre pai e filha, rara, passou a ser feita exclusivamente por carta. No início, Capistrano revelava inconformidade, como escreveu ao amigo Mário de Alencar uma semana depois da consagração da nova serva de Deus:

Acho, porém, o caso dela pior que a morte:  a morte é fatal; chega a hora inadiável; em resoluções como a de agora há sempre a crença, certamente errônea, de que o desenlace podia ser outro, e é isto que dói. Só agora vejo como a queria. Passo os dias sem sair, pensando nela, joguete dos sentimentos mais contraditórios, desde a indignação até as lágrimas ".

No convento, as carmelitas descalças viviam em um ambiente de clausura estrita, distanciadas de contatos físicos com o mundo exterior e regidas por uma rigorosa normatização quanto as comunicações internas, com horários de absoluto isolamento, intercalados por momentos de pouca conversa. Não foi diferente para madre Maria José de Jesus.

Capistrano manteve-se inflexível: jamais iria ao convento no mesmo bairro de Santa Teresa onde Honorina nascera e viveria até a morte, em 1959. Foi ali, no Mosteiro que a monja se dedicou integralmente a Deus, sem jamais desistir de escrever ao pai na tentativa de convertê-lo. Inapelável e irônico na sua dor, desde o início ele prometia ao amigo Mário de Alencar em carta de 18 de março de 1910, quando ela já se recolhia às orações mas ainda não fizera os votos oficiais: “Não irei vê-la; as cartas suas só responderei se precisarem de resposta; correspondência não quero ter. Não pretendo repetir o herói da Encarnação”.

A família de Capistrano de Abreu em 1945: Madre Maria José de Jesus com a irmã Matilde, as sobrinhas Isa e Honorina, o irmão Adriano e a cunhada Amneris. 

Os anos se passaram sem que houvesse reconciliação entre pai e filha. Não se viam. Capistrano mantinha-se firme na decisão de não ir ao convento. Julgava-se traído. Para ele, a filha fora insensível e injusta ao deixá-los. Quanto a ela, não desistia de amá-lo, de lhe pedir perdão e de tentar convertê-lo: “Meu pai muito querido”, iniciava ela carta de 10 de janeiro de 1922, penitenciando-se sempre: “Foi hoje, há onze anos, que pela última vez lhe beijei as mãos pedindo-lhe perdão dos inumeráveis desgostos que lhe dei com minhas faltas”.

Não só em prosa, mas em versos a monja insistiu nos apelos. Por ocasião do último aniversário do historiador, em 23 de outubro de 1926, ela escreveu o soneto “A meu pai”, e depois soube que ele distribuíra cópias aos amigos. “Mas para quê?” – perguntava-lhe, em carta, a menos de um mês da morte dele. O importante, para ela, seria a conversão, e não a divulgação dos versos:

E, agora, dá-me a mão… É noite. Vem comigo!
Vem, que eu te levarei a Jesus, teu Amigo,
Que te espera saudoso… Oh! dize-me que sim!
Foste meu pai, e eu tua mãe serei agora…
Dar-te-ei a Eterna Luz de que me deste a aurora,
Dar-te-ei – por esta vida – a Vida que é sem fim…

A noite, anunciada no soneto, foi chegando. Quando o médico Felício dos Santos, católico fervoroso, ao constatar a fragilidade da saúde do amigo e paciente, teria lhe lembrado que chegava a hora da conversão, ele teria respondido: “Ora, Felício, eu sou mais amigo de Jesus do que você. Nós somos íntimos… pois se ele é meu genro…”.
Assim morreu o já velho historiador em 13 de agosto de 1927: agnóstico e inconformado com a separação da filha.


Honorina ingressou no Carmelo de Santa Teresa, aos 29 anos. Quatro anos após sua profissão solene, ela foi escolhida como mestra do noviciado. Já em 1917, com apenas 35 anos de idade e seis anos de vida religiosa, foi eleita priora por unanimidade de votos, função a qual exerceu durante 27 anos, durante nove mandatos, dentre os 48 anos que viveu no carmelo.

A religiosa que dominava sete idiomas, entre eles o latim, foi a responsável pela tradução das obras completas de Santa Teresa de Jesus, trabalho que realizou por 23 anos – desde maio de 1936 até o ano de sua morte, em 1959 –  sem deixar de cumprir suas obrigações quanto à regra, os ofícios comunitários e às exigências enquanto superiora e mestra.

imagem: O Globo

Tendo tido formação literária das melhores, deixou uma obra poética e escreveu livros. O nome de Madre Maria José de Jesus consta do Protocolo 1691, com Nihil Obstat datado de 26 de outubro de 1989, do Vaticano, como candidata a Beatificação.

O que diria o incrédulo Capistrano de Abreu sobre este assunto?


Fontes:




sábado, 23 de maio de 2020

O Atribulado Governo Franco Rabelo - 1912 - 1914


Depois da atribulada deposição de Antônio Pinto Nogueira Accioly, o maior de todos os nossos oligarcas que governou até 24 de fevereiro de 1912, quando teve de renunciar à presidência do Estado em razão de forte pressão popular, e para completa libertação do Ceará do domínio da oligarquia, foram buscar o coronel Marcos Franco Rabelo, ilustre militar cearense.

Praça Marquês de Herval (atual José de Alencar), reformada no governo de Accioly/Guilherme Rocha (foto arquivo Nirez)

Franco Rabelo sentou praça como segundo-cadete no 15º Batalhão de Infantaria na Escola Militar do Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1879. No Exército, além da carreira militar atuou como professor de várias escolas militares, e só deixou a instituição em 1912, para candidatar-se ao Governo do Ceará. Portanto, Rabelo não tinha nenhuma experiência política ou administrativa. Acrescente-se a isso as reservas feitas à sua indicação pelo Senador Pinheiro Machado, cuja influência alcançava todo o país.

Eleito por esmagadora votação, Franco Rabelo iria encontrar a primeira grande dificuldade no reconhecimento de sua eleição por parte da Assembleia Legislativa, onde a oposição era maioria. Superado o impasse, o novo governador haveria de enfrentar outros grandes obstáculos. 

Na Rua Barão do Rio Branco foi erguido um Arco do Triunfo para recepcionar o Coronel Franco Rabelo - 1912. Foto do livro Ah, Fortaleza!

O maior deles foi enfrentar a feroz oposição que vinha do interior do Estado, formado por correligionários do oligarca deposto, inconformados com a perda de poder e privilégios que há muito desfrutavam. O quartel general dessa oposição foi montado em Juazeiro do Norte, e seu comandante era ninguém menos que o famoso Padre Cícero, o santo venerado pelos romeiros, o coronel de batinas reconhecido em todo o Estado. Aos chefetes do interior, que se apoiavam em grupos de capangas armados que mantinham sob seu comando, juntaram-se os políticos descontentes da capital, formando um grupo antagonista de força considerável.

Uma multidão se concentrou em frente a Sede do Tiro de Guerra, na Rua General Sampaio, para recepcionar o coronel Franco Rabelo (foto do livro Ah, Fortaleza!)

Durante o governo de Franco Rabelo, Idelfonso Albano foi nomeado Intendente de Fortaleza.  Em sua gestão procurou continuar o processo modernizador da cidade e civilizatório da população, com a remodelação de praças e logradouros. A Praça General Tibúrcio foi uma das beneficiadas. Devido a sua localização, na vizinhança do Palácio do Governo, o novo intendente se indignava com o fato dela ter sido transformada em depósito de materiais e de pastagens para animais. O projeto exigiu a desapropriação de várias casas em redor da praça, formando o atual quadrilátero. Por ordem do Intendente, a praça foi ajardinada, recebeu coreto, bancos importados e 49 novos combustores, que tornaram a Praça General Tibúrcio, a mais iluminada da capital, além de novos gradis e as estátuas dos leões, esculpidos em bronze e importados de Paris.

Albano promoveu a reforma da Cadeia Pública e o novo sistema penitenciário com base na criminologia moderna e práticas humanitárias – nesse período, a cadeia passou por reforma interna – iluminação e reconstrução de oficinas – artefatos diversos, carpintaria e calçados como atividades regenerativas dos presos, além de aulas de catequese. A polícia passava por mudanças visando melhorar a imagem formada pela repressão da oligarquia aciolina. Discutia-se a reformulação do Sistema Penitenciário obsoleto.

Além disso foi criada a guarda cívica para disciplinar a população pobre, foram promovidas campanhas de combate à febre amarela, com a recuperação da salubridade pública e a instauração de uma polícia médica; foi criado o Instituto de Amparo à infância.  Dividiu a cidade em 4 distritos para viabilizar a limpeza, e promoveu a abertura da Avenida Sena Madureira, que é a atual Avenida Alberto Nepomuceno. 

Avenida Alberto Nepomuceno, antiga Rua Sena Madureira - foto Arquivo Nirez
chamada inicialmente de Caminho da Praia (por fazer a ligação com a Praia de Iracema).  Em 1856, passou a ser a Rua da Ponte, devido a existência de uma ponte sobre o Riacho Pajeú que cortava a rua. Na gestão do prefeito Ildefonso Albano,  (1912-1914), foi alargada e pavimentada com calçamento e recebeu a denominação de Rua Sena Madureira. Em 1921 recebeu meio-fio e arborização e ganhou a denominação atual – Avenida Alberto Nepomuceno – em homenagem ao músico falecido em 1920.

Além destas obras temos, também, a chegada dos bondes elétricos em 1913 e da energia elétrica em 1914, através da companhia Ceará Light and Power.
Tanto o governador Franco Rabelo como seu intendente, eram bem aceitos e contavam com a aprovação dos fortalezenses.  Mas a base de apoio ao governo era muito frágil. Afastado do Ceará há muito tempo, sem as malícias do cargo, sem jogo de cintura e desconhecendo os conchavos políticos locais, Rabelo cometeu vários equívocos. Um destes erros foi entregar o comando da base política de sua gestão a Francisco de Paula Rodrigues, homem despreparado para a função e que foi escolhido apenas por ser antigo correligionário do sogro de Rabelo, o general Clarindo de Queiroz, deposto da presidência do Estado em 1892, discriminando os demais grupos políticos que que se opuseram a Accioly.

Rabelo não cumpriu acordos assumidos, não entregou os cargos públicos prometidos e exonerou Padre Cícero – aliado fiel de Accioly e 3º vice-presidente do Estado – do cargo de prefeito de Juazeiro. Ao lado dos adversários do governador, estavam a força política opositora representada pelo presidente Hermes da Fonseca e Pinheiro Machado, senador gaúcho candidato à presidência da República. A administração de Franco Rabelo foi ficando isolada politicamente.

Ao aderir à coligação contra a candidatura do Senador Pinheiro Machado, estava selado o destino de Franco Rabelo. Como represália, iniciou-se no Rio de Janeiro, então sede do governo federal, um trabalho conspiratório contra o governador do Ceará.

A escolha de Juazeiro do Norte para deflagração do movimento, decorreu do enorme prestígio que desfrutava o Padre Cicero no seio das populações sertanejas, bem como da extraordinária habilidade que tinha o caudilho Floro Bartolomeu para comandar essas tropas formadas por jagunços e cabras, reunidas num poderoso exército ilegal.

Movimentação na porta da Intendência Municipal  - Revista O Careta 1914

Segundo Rodolfo Teófilo escreveu em “A Sedição de Juazeiro” de sua autoria, “mais de dois mil homens estavam em armas. Fortaleza era uma praça de guerra. A vida da cidade havia parado por completo. Os empregados da Estrada de Ferro Baturité deixaram o trabalho e pegaram em armas, fazendo o mesmo os homens do mar, trabalhadores da praia, empregados do comércio, o tiro 38, os carroceiros. Enfim, pode-se afirmar que todo homem válido estava defendendo a cidade. Com semelhante resistência, era impossível aos jagunços entrar na cidade”.

Trincheira aberta na Praça Figueira de Melo em Fortaleza, para aguardar a invasão de jagunços que vinha de Juazeiro do Norte. imagem do livro Ah, Fortaleza!

No início de março de 1914, os homens de Juazeiro cercaram a capital, baixando acampamentos em áreas próximas como Maracanaú, Maranguape e Caucaia. A possibilidade de Fortaleza ser invadida causou histeria nos fortalezenses. No dia 9 deste mês o presidente Hermes da Fonseca decretou Estado de Sítio no Ceará, sendo a população desarmada e suspensa a organização da policia estadual, de modo que o policiamento da capital passasse para o inspetor militar Setembrino de Carvalho.

Desmontava-se assim o esquema de defesa popular de Rabelo. Cinco dias depois, a 14 de março de 1914, foi decretada intervenção federal no Estado, levando o governador a renunciar. Uma multidão emocionada se despediu de Franco Rabelo na saída do Palácio do Governo. Receberia ainda muitas homenagens até embarcar para o Rio de Janeiro dias depois.


Fontes: 
História do Ceará, de Airton de Farias
Anuário do Ceará 79/80


sábado, 2 de maio de 2020

A Chegada das Igrejas Evangélicas (até 1970)


A Igreja Católica Apostólica Romana chegou ao Brasil logo após o descobrimento, junto com os primeiros colonizadores portugueses que aqui aportaram trazendo os padres da Companhia de Jesus – os Jesuítas – que se encarregaram de promover a substituição dos símbolos religiosos indígenas pelos preceitos da Igreja Católica. E o país cresceu e se desenvolveu como o maior país católico do mundo, tendo o catolicismo como religião oficial até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado Laico. Antes mesmo da instituição do Estado laico e da liberdade de crença, a primeira igreja evangélica já se instalava e conquistava fiéis no Ceará.

Igreja Presbiteriana


Ao casal de missionários De Lacy Wardiaw e sua mulher Mary Wardlaw, que aqui chegaram em 1881, é creditada a primeira incursão da igreja presbiteriana em terras cearenses. No mesmo dia da chegada, em um hotel da Praça dos Mártires (Passeio Público), o pastor apresentava o culto aos anfitriões: o capitão do porto e senhora, o chefe dos correios um jornalista recém convertido e alguns passantes. Em que pese o culto em língua estrangeira, o americano batizou 13 novos adeptos em julho de 1883, data que foi organizada a primeira igreja evangélica do Ceará – a segunda do Norte e Nordeste – e que por ocasião de sua instalação recebeu os primeiros missionários e a denominação de Igreja Presbiteriana de Fortaleza.  

Em 12 de outubro de 1898 foi assentada a pedra fundamental da primeira Igreja Presbiteriana de Fortaleza, à Rua Sena Madureira esquina com a Rua Pedro Borges. Hoje a igreja conta com mais de 50 templos em todo o Estado. Dentre as obras sociais mantidas pela igreja, estão um abrigo para senhoras idosas e carentes; um projeto no bairro Parque Santa Cecília, que oferece a 500 crianças cursos gratuitos que incluem escola de 1ª a 4ª Séries, esportes variados, balé, dança moderna, música teatro, informática, além de assistência médica, odontológica, e o Projeto Vila Mar, no bairro do Serviluz, que atende a 801 crianças, oferecendo creche e escola de 1ª a 4ª séries, e cursos gratuitos de balé, música, esportes variados, teatro e informática, além de assistência médica, dentária, psicológica. A sede da igreja fica na Avenida Visconde do Rio Branco.

Igreja Batista

O primeiro contato da Igreja Batista com os cearenses, aconteceu em 1908, através do pastor Eric Nelson. De 1923 a 1930 funcionou em estado embrionário, sendo criada a primeira igreja na Aldeota. Registra-se o ano de 1945 como o da chegada dos primeiros missionários residentes, o pastor Burton de Wolfe Davis e sua mulher Sarah Blanche Davis . Alguns anos mais tarde coube a outro casal – Robert Standley organizar a segunda igreja, a de Monte Castelo, época em que foi construído o Colégio Batista de Fortaleza. 


Colégio Batista Santos Dumont - inaugurado em 1950 
Hospital Batista - anos 60
Em 16 de junho de 1960 houve o lançamento da Pedra Fundamental. Com um projeto arrojado, o Hospital já foi concebido com a intenção de ser o mais moderno do Ceará, e o 1° Hospital Batista do Brasil. 

Ao fim dos anos 50 foram construídas cinco igrejas, sendo duas em Fortaleza e três em cidades do interior. A partir dos anos 60 os batistas concentrariam mais esforço em sua propagação, criando congregações e construindo o Hospital Batista Memorial. Ligados às atividades da Igreja Batista, além do Hospital e do Colégio, estão ações que visam a reabilitação de viciados em Drogas, a Livraria Batista Cearense, no Centro, além da Escola  Kerigma, que encerrou as atividades em 2016.

Igreja Pentecostal Assembleia de Deus

primeiro templo central em Fortaleza

No Ceará a Igreja Assembleia de Deus começou a operar a partir do interior, com a instalação de uma unidade num lugarejo conhecido como Alagoinha, em Itapajé, em 1914, sob a responsabilidade do pastor Adriano de Almeida Nobre. A abertura do primeiro núcleo em Fortaleza só seria possível em 1929, tendo como pastor Antônio Rego Barros, enviado pela igreja de Belém. A fundação da igreja em Fortaleza ocorreu   no dia 07 de setembro do mesmo ano, na Rua Santa Terezinha, nº 146, no bairro do Arraial Moura Brasil.

Por volta de 1933 a unidade de Fortaleza contava com apenas 42 membros, Em 1935 o novo pastor José Teixeira Rego transferiu o salão de cultos que funcionava no bairro Benfica para um prédio na Rua Tereza Cristina. Com o passar do tempo e o aumento no número de congregados, o templo passou por uma reforma, sendo reinaugurado em 1957 com uma solenidade que foi assinalada como “o maior acontecimento na história do povo pentecostal no Ceará”. Hoje são 110 mil igrejas no Brasil, frequentadas por 12 milhões de fiéis, e inúmeras obras sociais. A sede da Assembleia de Deus fica na Avenida dos Expedicionários.

Adventistas do Sétimo Dia

Os Adventistas são uma igreja cristã protestante organizada nos Estados Unidos em 1863. A primeira missão adventista do Sétimo Dia a incursionar no Ceará data de 1936, quando aqui chegou o missionário Leo Halliwel, a quem coube implantar um núcleo religioso compartilhado por 29 adeptos. Esse trabalho inicial foi impulsionado a partir de 1938, época em que a igreja já contava com cerca de 300 membros. O templo central foi inaugurado em 1947.

Católicos Melkitas

Templo Melkita Nossa Senhora do Líbano - no bairro Meireles

A instalação da primeira e até agora única paróquia do rito Melkita Bizantino no Ceará ocorreu em 1953, ocupando então a Igreja de São Pedro, na Praia de Iracema. Sua criação deve-se ao esforço da colônia libanesa residente em Fortaleza, de onde saíram os 15 membros que comporiam o Conselho Leigo do núcleo religioso em seu início.

Em 1963 a igreja transferiu suas instalações para a Rua República do Líbano, que recebeu o nome de igreja Melkita Nossa Senhora do Líbano. Os melkitas são católicos, estão ligados à Roma, mas diferem do restante por utilizarem o rito Oriental – mais precisamente o Bizantino e não o ocidental em suas liturgias.

Testemunhas de Jeová

O movimento que resultaria no surgimento das Testemunhas de Jeová foi iniciado em 1870, nos Estados Unidos. Todas as testemunhas de Jeová gastam em média 15 horas mensais no serviço de pregação das “Boas novas do Reino de Deus”, dirigindo estudos bíblicos domiciliares. Em Fortaleza, o primeiro local de reuniões funcionou na Rua Justiniano de Serpa, sendo transferida posteriormente para a Rua 24 de Maio e depois para a Avenida Duque de Caxias. 

Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, reinaugurado no Eusébio em 2020, com capacidade para 2.000 pessoas.

As Testemunhas de Jeová são avessos à Teologia da Prosperidade (doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. No Brasil, seu maior divulgador é o bispo Edir Macedo, da IURD), não fazem nenhum tipo de coleta nas reuniões, nem cobram entrada para qualquer que seja o evento. Os ministros não cobram para realizar batismos, funerais, casamentos ou outros serviços religiosos. Não arrecadam dinheiro em bazares, vendas de rifas, bingos, jantares beneficentes ou eventos semelhantes, nem pedem doações. Neutralidade política e recusa à transfusão de sangue também são características pelas quais os membros são conhecidos. A igreja tem atualmente 117 salões do Reino e 46.619 membros espalhados pelo Ceará.

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A Igreja dos Mórmons tem suas origens na cidade de Lago Salgado, no Estado norte-americano de Utah. A filosofia mórmon alcançou o Ceará na década de 60, quando o missionário Douglas J. Fenwick se instalou em Fortaleza como primeiro presidente em território cearense num imóvel na Aldeota. Os trabalhos da Igreja começaram em 1966, na Praça do Ferreira, onde os missionários encontraram os primeiros membros cearenses. Atualmente o número de membros no Brasil ultrapassa 1,4 milhão, segundo dados fornecidos pela entidade. Eles se reúnem em cerca de duas mil congregações espalhadas por todo o País.


A obra realizada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem 35 mil m², levou 30 meses para ficar pronta e envolveu mais de duas mil pessoas. O templo tem fachada revestida em mármore e estátuas de ouro. Inaugurado em 2019 na região da Praia do Futuro

Igreja Messiânica

A Igreja Messiânica surgiu no Japão em 1935, criada por Meishu Okada. Sua filosofia de ação se concentra em ensinar as pessoas a serem úteis à humanidade. No Ceará tem uma única igreja, estabelecida em Fortaleza na Avenida Desembargador Moreira

 Igreja Metodista

A primeira igreja Metodista foi implantada em Fortaleza no ano de 1968, pelo missionário Josias Terenzi Pinto, instalando-se em casa na Rua Barbosa de Freitas nº 1830, passando dois anos depois para sua sede própria na Avenida Visconde do Rio Branco nº 3543.

Em 1972 a igreja deu início a um trabalho de difusão, angariando novos membros. A igreja atua em dois segmentos, o religioso e o social, onde mantém cursos de alfabetização, realiza um projeto habitacional em Acaraú e opera um Centro Social na Avenida Leste-Oeste. No Brasil os metodistas contam com seis universidades e operam 42 cursos de nível superior. 


fontes:
Anuário do Ceará 79/80
Jornal o Povo
Sites das Igrejas