quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Jovita Feitosa a Heroína que (não) foi ao Paraguai


Antônia Alves Feitosa (Jovita era apelido caseiro) nasceu no Ceará, na localidade de Brejo Seco, região dos Inhamuns, em 8 de março de 1848. Aos 12 anos, ficou órfã de mãe, vítima de uma epidemia de cólera, e foi morar com um tio, na Vila de Jaicós, no Piauí. Aos 17 anos de idade, fugiu para Teresina, com o propósito de ir lutar na Guerra do Paraguai.


Ao tomar conhecimento da invasão de Mato Grosso, pelo exército de Solano López, Jovita decidiu se alistar no corpo de Voluntários da Pátria. Como ouviu dizer que mulheres não eram aceitas no Exército, cortou os cabelos, amarrou os seios com uma cinta, vestiu as roupas do tio e seguiu para se alistar em Teresina. Foi descoberta por uma feirante e denunciada.

Jovita foi presa e levada ao chefe de polícia. Interrogada, declarou que vestiu-se com roupas masculinas porque as pessoas a quem declarava sua intenção diziam-lhe que, como mulher não poderia se alistar no exército. E então, como fosse grande o desejo que tinha de lutar na guerra, cortou seus cabelos com uma faca, pedindo depois a uma mulher que os aparasse bem rente, tomou roupas de homem e foi assim apresentar-se ao Exmo. Sr. presidente da província, e rogou-lhe que a mandasse alistar como voluntária da pátria. Alegou ainda que sabia usar armas e estava disposta a aprender o que lhe fosse ensinado.  

Como não havia norma que proibisse, o comando militar piauiense não apenas a aceitou nos treinamentos, como lhe deu divisas de primeiro sargento. Passou a usar farda com saiote. O governo e o comando militar do Piauí logo perceberam que  a jovem poderia ser explorada como instrumento de propaganda pelo Império, como forma de incentivar a apresentação espontânea de voluntários. A notícia da jovem nordestina que havia se alistado no exército voluntariamente, logo se espalhou pelo país.

O navio que levava os novos combatentes do Piauí ao Rio de Janeiro, fez escala em Recife e Jovita foi recebida como hóspede de honra pelas autoridades locais, que organizaram um espetáculo de boas-vindas no teatro Santa Isabel. Por onde andava, ela arrastava atrás de si um cortejo de gente curiosa para vê-la. Os fotógrafos colocavam à venda retratos da voluntária, enquanto os jornais estampavam matérias sobre a jovem heroína. Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1865, Jovita já era uma celebridade.


Porém, em 16 de setembro de 1865, foi informada pelo Ministério da Guerra de que não poderia integrar o corpo de combatentes, mas sim, como qualquer outra mulher, poderia prestar os serviços compatíveis com a natureza do seu sexo. Jovita e seus apoiadores tentaram de todas as maneiras revogar a ordem. Em 18 de setembro de 1865, ela foi recebida pelo próprio imperador D. Pedro II. Mesmo assim, não conseguiu seu intento. O Secretário da Guerra sentiu-se obrigado a escrever a ela uma carta em que explicava que a sua compleição e o seu sexo eram o motivo para não poder suportar as fadigas de uma campanha.

Jovita recusou-se a ir para o Paraguai como enfermeira. Pouco a pouco, os jornais deixaram de se interessar por ela. Seus apoiadores organizaram um espetáculo beneficente para custear seu retorno ao Piauí. Meses depois, ao chegar à pequena vila de Jaicós, seu pai a recebeu friamente. Desgostosa, sem conseguir se encaixar novamente no mundo de onde viera, ela voltou ao Rio de Janeiro. Sozinha e sem trabalho.

Jovita caiu no anonimato e só voltou às páginas dos jornais dois anos depois. Em 9 de outubro de 1867, ela teria ido até a casa do engenheiro inglês William Noot, por quem era apaixonada, para confirmar a notícia de que ele havia voltado para a Inglaterra. No final da tarde, foi encontrada sem vida no quarto do amante; tinha "implantado obliquamente da esquerda para a direita e de cima para baixo, na região precordial, um canivete em forma de punhal, com cabo de madrepérola". No bolso do vestido de sarja preta que usava, havia um bilhete com esses dizeres: "Não culpem a minha morte a pessoa alguma. Fui eu quem me matei. A causa só Deus o sabe". Jovita contava 19 anos de idade.

Três dias depois, o Diário do Rio de Janeiro assim descrevia o enterro de Jovita: "Essa moça que tanto entusiasmo causou na província do Piauí e aqui na Corte, que tanto dinheiro deu a ganhar aos fotógrafos que com ela se empenharam para tirar-lhe o retrato e expô-lo à venda, ela que foi aclamada no teatro São Pedro de Alcântara, em uma noite quando apareceu em um dos camarotes vestida de vivandeira, seria ontem atirada na vala do cemitério do Caju, se uma mão benfazeja e caridosa não se estendesse a diversas pessoas implorando uma esmola para dar-lhe um enterro pobre em cova separada".

Mas existe outra versão: Jovita teria vivido um romance com o engenheiro Guilherme Noot, cuja casa pegou fogo em outubro de 1867. Dentro foi encontrado um corpo de mulher carbonizado, com um punhal encravado no peito. Jornais informaram que seria Jovita. Conforme as notícias, cometeu suicídio ao saber que Noot retornaria à Europa. Nunca ficou claro como reconheceram o corpo carbonizado e depois se soube que o engenheiro jamais tinha saído do Rio. Havia perguntas não respondidas, mas o assunto foi deixado para lá.

Há também quem garanta que o desfecho talvez tenha sido outro. Em outubro de 1865, Jovita escreveu carta publicada na imprensa na qual agradeceu ao carinho popular e informou que retornaria ao Piauí. Mas, tinha outros planos. Contou a Noot que pediria ao cabo Euzébio, que conhecera na viagem ao Rio, para levá-la ao front de batalha como sua mulher. Prestaria serviços de vivandeira, ajudaria com os feridos e cuidaria das coisas de Euzébio. Não há registros de que realmente tenha ido. Todavia, havia uma mulher combatente em campos paraguaios. Atirava bem, matava sem hesitar. Na maior parte do tempo, dedicava-se ao cuidado dos feridos, a quem levava para a brava enfermeira Ana Néri. Quando o cabo que a levou como companheira morreu, tomou a farda dele, manteve o cabelo cortado bem rente e passou a guerrear. Na batalha de Acosta Ñu, em agosto de 1869, a brava mulher morreu em um incêndio. Era chamada Maria ou, por vezes, Florisbela. Ou seria Jovita?

Sobre a Guerra do Paraguai

Solano López

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul no século XIX. Rivalidades platinas e a formação de Estados nacionais deflagraram o confronto, que destruiu a economia e a população paraguaias. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança.
A Guerra do Paraguai durou seis anos. Teve início  em dezembro de 1864 e só chegou ao fim no ano de 1870, com a morte de Francisco Solano Lopez em Cerro Corá. Desde sua independência, os governantes paraguaios afastaram o país dos conflitos armados na região Platina. A política isolacionista paraguaia, porém, chegou ao fim com o governo do ditador Francisco Solano López.
Em 1864, o Brasil estava envolvido num conflito armado com o Uruguai. Havia organizado tropas, invadido e deposto o governo uruguaio do ditador Aguirre, que era líder do Partido Blanco e aliado de Solano López. O ditador paraguaio se opôs à invasão brasileira do Uruguai, porque contrariava seus interesses.
Como retaliação, o governo paraguaio aprisionou no porto de Assunção o navio brasileiro Marquês de Olinda, e em seguida atacou a província de Mato Grosso. Foi o estopim da guerra. Em maio de 1865, o Paraguai também fez várias incursões armadas em território argentino, com objetivo de conquistar o Rio Grande do Sul. Contra as pretensões do governo paraguaio, o Brasil, a Argentina e o Uruguai reagiram, firmando o acordo militar chamado de Tríplice Aliança.

Não existindo mais homens adultos, crianças foram mandadas para a frente de batalha (Autor desconhecido. 1870). Estima-se que 4 mil crianças paraguaias perderam a vida durante a guerra. (Foto rede Brasil atual)

Antes da guerra, o Paraguai era uma potência econômica na América do Sul. Além disso, era um país independente das nações europeias. Para a Inglaterra, um exemplo que não deveria ser seguido pelos demais países latino-americanos, que eram totalmente dependentes do império inglês. Foi por isso, que os ingleses ficaram ao lado dos países da tríplice aliança, emprestando dinheiro e oferecendo apoio militar. Após este conflito, o Paraguai nunca mais voltou a ser um país com um bom índice de desenvolvimento econômico.

Sobre o Alistamento Militar Voluntário

No início do confronto o Brasil não tinha efetivos suficientes para a guerra, o Exército contava com 18 mil soldados, enquanto o Paraguai possuía perto de 100 mil combatentes. No primeiro ano de guerra teve um grande número de voluntários que se apresentaram espontaneamente, movidos pela chama nacionalista e as notícias sobre a invasão paraguaia, que estimulou a união e o amor ao país contra a agressão estrangeira.
Nos anos seguintes, com as notícias da dureza das batalhas, das baixas (mortos, feridos e mutilados), da alimentação precária, das baixas temperaturas, dos surtos de gripe e varíola, o número de voluntários foi drasticamente reduzido. O governo então iniciou uma verdadeira caça a pessoas para forçá-las a ir para a guerra. Esse recrutamento violento atingiu em cheio a população pobre, uma vez que a lei permitia que os recrutados pudessem ser substituídos (por escravos ou índios), ou dispensados mediante o pagamento de 400 mil réis, uma quantia acessível apenas à elite.
Estabeleceu-se um clima de terror na província. Acontecia um verdadeiro sequestro, no qual o sertanejo era algemado, preso e conduzido para Fortaleza e embarcado para o Sul, sob severa disciplina e castigos corporais. As convocações convulsionaram o Ceará, pois os recrutáveis fugiam e escondiam-se nas serras e matas. Senhores proprietários de escravos ocultavam seus negros e agregados para não perde-los para a guerra. Desorganizou-se a produção, pois as arregimentações tiraram os braços necessários à cafeicultura e à rentável lavoura de exportação do algodão (o ano de 1860 marcou o auge da cotonicultura cearense.)
A agricultura de subsistência foi igualmente atingida e em 1867 Fortaleza sofreu uma séria crise de abastecimento. Os trabalhadores ou estavam no Paragui, ou fugindo da caça governista. As autoridades cearenses eram pressionadas tanto pelo Império, que desejava cada vez mais soldados, como pelos latifundiários, que não aceitavam a perda de mão-de-obra.   

Fontes:
Farias, Airton. História do Ceará/Airton de Farias. Fortaleza: Edições Livro Técnico, 2009-5ª. Edição. 400p.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Bairro Joaquim Távora


O bairro Joaquim Távora surgiu por volta da segunda metade dos anos 30, quando Fortaleza ainda estava dividida em 7 distritos: Fortaleza, Alto da Balança, Barro Vermelho, Messejana, Mondubim, Parangaba e Pajuçara. Em 1938 o distrito Alto da Balança foi extinto, sendo seu território anexado ao distrito sede de Fortaleza.  Mais tarde, este último foi subdividido entre o distrito de Porangaba e a sede de Fortaleza, onde a parte pertencente a Parangaba manteve o nome Alto da Balança e as pertencentes à Fortaleza viraram Piedade e Parque Pio XII, que tempos depois seriam os bairros chamados de Joaquim Távora e São João do Tauape.

O nome é uma homenagem a Joaquim do Nascimento Fernandes Távora, membro de tradicional família de políticos e militares do Ceará, engenheiro e militar, que participou de diversas revoltas nos anos 20 contra o governo federal. Faleceu em São Paulo, em 1924.

Estrada de Messejana - 1919 - Foto Brasiliana Fotográfica 

Quem apareceu primeiro e se constitui na via mais antiga do bairro é a Avenida Visconde do Rio Branco, que já foi chamada de Avenida Joaquim Távora e informalmente era a Estrada de Messejana ou Calçamento de Messejana. No passado, foi a via de interligação entre o seu centro fundacional e o então Município de Messejana. (Em 1921 por ato do governador Justiniano de Serpa (1920-1923), Messejana – assim como Parangaba – foi rebaixado de município para distrito, sendo ambos anexados à Fortaleza).

Estrada de Messejana trecho em construção - 1919 - foto Brasiliana Fotográfica

Durante a colonização portuguesa, o trajeto do qual resultaria a atual Avenida Visconde do Rio Branco, se delineou na trama de veredas que conectavam o Forte de Nossa Senhora de Assunção a Aquiraz, servindo o aldeamento Jesuítico da Paupina, atual Messejana, de entreposto entre os dois locais. Um importante fator da constituição da avenida como caminho de expansão, foi a ordem do presidente José Martiniano Pereira de Alencar (1834-1837), de abrir uma estrada de ligação entre Fortaleza e Aracati, passando por Messejana e Aquiraz. Esse deve ter sido o marco inicial da avenida com o perfil aproximado que conhecemos atualmente.

Estrada de Messejana - construção da ponte - 1919 - Foto Brasiliana Fotográfica

No entanto, somente em 1923 seria inaugurada a primeira ponte de material durável, com concreto, sobre o Rio Cocó, consolidando a ligação entre Messejana e Fortaleza. As obras de melhoramentos da interligação viária entre  Fortaleza e Messejana, constaram de retificação da estrada e implantação do calçamento, que teria sido iniciada em 1870 e concluído em 1936, quando chegou a Messejana. O trecho que formou o Boulevard Visconde do Rio Branco (o “Calçamento em si), foi concluído em 1925.

Mais tarde, em  25 de abril de 1880, o bairro foi beneficiado pela inauguração da primeira linha do bonde da Companhia Ferro Carril do Ceará, que cobria um percurso de 4.210 metros entre a Estação da Estrada de Messejana e a Rua São Bernardo (atual Rua Pedro Pereira), no Centro. A Estação de Bondes estava localizada onde depois fora construído o Mercado do Joaquim Távora. 

Este mercado foi construído em 1959 com a finalidade de abrigar os vendedores ambulantes que seriam retirados do centro da Cidade. Era composto de 5 galpões e além dos ambulantes acolheria pequenos comerciantes da área que se dedicariam a uma feira livre no meio do terreno. Para facilitar o acesso, foi feita uma ligação da Rua Rodrigues Junior com a Rua João Brígido. O referido mercado funcionou temporariamente sendo desativado alguns anos depois, porque não teve capacidade de absorver todo o comércio ambulante do Centro. 


Os bondes elétricos começaram a circular em Fortaleza em no dia 9 de outubro de 1913, em substituição aos bondes puxados por burros. A Concessionária do serviço era a Ceará Tramway Light & Power, com sede em Londres. O Bonde do Joaquim Távora cumpria um percurso de 2,4 km, o segundo mais extenso da cidade - 1930 - Foto Arquivo Nirez  

Na segunda metade do século XIX, a Avenida Visconde do Rio Branco já se constituía em um novo arrabalde da cidade, sem no entanto, apresentar um conjunto significativo de chácaras e sítios isolados em meio a áreas verdes, ao contrário de outros arrabaldes como o Benfica e o Jacarecanga. 

Terá, por outro lado, um aspecto similar às ruas mais centrais da capital, com terrenos estreitos e compridos, que acolhem casas hibridas, com fachada sobre o alinhamento da rua. Havia uma certa uniformidade no casario, formado por residências simples, geminadas, que se derramavam de um lado e do outro dos trilhos da linha de bonde, ao lado de residências de alto padrão, com jardins e áreas laterais e elementos decorativos na fachada.

Desse modo, a Visconde do Rio Branco se constituiria em um dos principais eixos estruturantes da expansão urbana da capital, permitindo o parcelamento de terrenos para fins imobiliários e formação de diversos bairros na direção de Messejana e do próprio bairro Joaquim Távora.

O destaque arquitetônico do Joaquim Távora ficava por conta do Colégio das Doroteias com sua bonita capela, junto a qual estava o Convento das Carmelitas. Hoje o prédio pertence a uma universidade e a capela foi desativada.


O bairro Joaquim Távora é delimitado pelas avenidas Antônio Sales, Pontes Vieira, Barão de Studart e Visconde do Rio Branco. Fica entre os bairros José Bonifácio, Fátima, São João do Tauape, Dionísio Torres e Aldeota. A localização central é um dos principais atrativos. 23.450 é o número de oradores do bairro, segundo o censo demográfico de 2010 do IBGE, dos quais 10.107 são homens e 13.343 são mulheres.

Equipamentos do bairro

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Foto Pinterest

Construção iniciada  em 08 de dezembro de 1926, com lançamento da pedra fundamental pelo arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes - Foto Pinterest

Parque Rio Branco

foto Prefeitura de Fortaleza

O Parque Ecológico Rio Branco tem a entrada principal voltada para a Avenida Pontes Vieira, com acessos pela Rua Capitão Gustavo, Avenida Visconde do Rio Branco, e Rua Castro Alves. Criado em 1992, com área de 75.825 m², a origem do parque remonta ao ano de 1976, quando foi considerada de utilidade pública para fins de desapropriação e destinada a Zona de Preservação Paisagística, o local da nascente do Riacho Rio Branco.  No entanto, só em 1992 a área foi considerada de utilidade pública para preservação e autorizada a construção do parque, a partir de projeto da EMLURB. 
No passado, o terreno correspondia a quintais de residências e sítios, onde eram desenvolvidas atividades de criação de gado e horticultura. Nesta área existiam três riachos que foram canalizados. Além de residências, existia no entorno do parque uma indústria de moagem e torrefação de café, além de pequenos estabelecimentos comerciais.

Mercado Público Joaquim Távora

foto: Emanoel Alencar Alencar

O Mercado Público era originalmente uma feira livre que vendia frutas, verduras e hortaliças. Ganhou uma estrutura física e passou por diversas ampliações e modificações ao longo do tempo. Fica na Praça Joaquim Távora com frentes para a Avenida Pontes Vieira e Rua Fiscal Vieira

Mercado das Flores

foto Diário do Nordeste

Inaugurado em janeiro de 2019, localizado na Praça Joaquim Távora na Avenida Pontes Vieira. O mercado possui estrutura coberta com 1.500 m2 de área, com 39 lojas, que irão abrigar os comerciantes locais e novos profissionais do ramo. Comercializa flores e plantas, jarros, adubos, ornamentos, e produtos para jardinagem

Fontes: 
                                                                    
Redescobrir a Visconde: a emergência da preservação da arquitetura histórica de um antigo caminho de expansão urbana de Fortaleza
Autores:
Isabelle de Lima Almeida - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - isabelle.almeida@edu.unifor.br
João Vitor Nascimento Alves - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - jvnalves31@gmail.com
Marcelo Mota Capasso - Universidade Federal do Ceará - UFC - mm.capasso@gmail.com
Ana Cecilia Serpa Braga Vasconcelos - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - anaceciliavas@unifor.br
Guia Turistico da Cidade – Prefeitura Municipal de Fortaleza – 1961
Verso e Reverso do Perfil Urbano de Fortaleza, de Gisafran Nazareno Mota Jucá
O Bonde e Outras recordações, de Zenilo Almada – 2005
História da Energia do Ceará, de Ary Bezerra Leite – 1996 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O Naufrágio da Expedição Científica


Desembarcou em Fortaleza no dia 4 de fevereiro de 1859, vinda do sul pelo paquete “Tocantins”, a famosa Comissão Científica, nomeada pelo governo imperial para estudar as condições naturais das províncias do Norte, e colher material para o acervo do Museu Nacional. Sua criação foi proposta em sessão de 20 de maio de 1856 pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Dom Pedro II aceitou e o Instituto ficou encarregado de indicar pessoas habilitadas para a missão. Isto posto, a comissão ficou assim formada:

O Ceará foi o primeiro destino. A Comissão Científica atravessou o semiárido do Estado entre fevereiro de 1859 e julho de 1861

Para presidir a Comissão Científica foi nomeado o botânico, cirurgião pela antiga Escola Médico-Cirúrgica, doutor em Medicina pela Faculdade de Paris, professor de Botânica e Zoologia pela Universidade do Rio de Janeiro, médico da Imperial Câmara, do Conselho de Sua Majestade O Imperador, Comendador da Rosa, além de outros títulos e condecorações, Francisco Freire Alemão, natural de Campo Grande nascido em 24 de julho de 1797. Além de presidente da Comissão, tinha a seu cargo a seção de Botânica da mesma, tendo como ajudante seu irmão Manuel Freire Alemão.

Desenho da Villa de Pacatuba feito por Francisco Freire Alemão

A Casa da Baronesa é a casa mais antiga de Pacatuba. A construção do século XVIII  serviu de abrigo para os exploradores da Expedição Científica. Abarrotados de equipamentos, em caravana, os cientistas  levaram dias para chegar a Serra da Aratanha, domínios dos barões do café, Antônio Costa e Silva e Maria do Carmo Teófilo e Silva, pais do poeta Juvenal Galeno. 
A casa fica a meio caminho do ponto mais alto da Serra da Aratanha. 


A Seção de Zoologia foi entregue a Manuel Ferreira Lagos, natural do Rio de Janeiro, nascido em 1816. Fizera com distinção todo o curso médico, mas não quis defender tese para obter o grau de doutor. Condecorado com as ordens brasileiras da Rosa e de Cristo, com as estrangeiras da Legião de Honra e da Instrução Pública de França, era secretário perpétuo do Instituto Histórico, 1° Oficial da Secretaria de Negócios Estrangeiros, e diretor da Seção de Zoologia do Museu Nacional. Levou como seus auxiliares os irmãos João Pedro e Lucas Antônio Vila Real.

Sob a responsabilidade de Guilherme Schuch Capanema estava a Seção de Geologia e Mineralogia. Mineiro de origem alemã, nascido em 1824, foi um dos grandes cientistas do Brasil, doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela Escola Militar do Rio de Janeiro, engenheiro pela Escola Politécnica de Viena, professor conselheiro de Estado, Major honorário, Comendador da Rosa e de Cristo, membro do Instituto Histórico e de várias academias e sociedades culturais nacionais e estrangeiras. Por decreto de 26 de fevereiro de 1881, Barão de Capanema publicou muitos trabalhos especializados sobre Matemática, Geogologia e Mineralogia, inclsuive seus "Apontamentos sobre as Secas no Ceará", de 1878. Era seu auxiliar o Dr. Miguel da Silva Coutinho.

Giácomo Raja Gabaglia foi nomeado chefe da Seção de Astronomia e Geografia. O primeiro-tenente era filho de italianos, nascido no Uruguai em 1872, quando aquele país ainda estava anexado ao Brasil como Província Cisplatina. Bacharel em Matemática formado pela Escola Militar, professor catedrático da Academia da Marinha e membro do Instituto Histórico. Eram seus auxiliares o Dr. Agostinho Vitor de Borja Castro e os 1°s tenentes João Soares Pinto, Amado Caetano Brito de Sousa Gayoso, Basilio Antônio de Siqueira Barbedo e Antônio Alves dos Santos Sousa.

Participava da Comissão Científica como chefe da Seção de Etnografia e Narrativa o poeta Antônio Gonçalves Dias, que acabara de regressar da Europa, onde estudara a mando do governo, o desenvolvimento da instrução pública. Era seu auxiliar o Dr. Francisco de Assis Azevedo Guimarães. Terminados os trabalhos da Comissão, o poeta foi para o Amazonas, onde permaneceu por um semestre em sucessivas investigações, de onde voltou com a saúde abalada.

Integravam finalmente a Comissão o pintor José Reis Carvalho, seis artífices e 1 trabalhador especialista em metais. 

Representação de um acampamento da Comissão Científica. 
Gravura de José Reis de Carvalho

Apesar da excelente qualificação dos componentes que constituíram essa Comissão Científica, nenhum outro grupo de pesquisas e estudos no Brasil foi tão combatido e desmoralizado tanto no parlamento quanto na imprensa quanto essa Comissão. Tudo era pretexto para críticas e censuras. Ganhou um apelido que logo pegou devido à coleta de insetos para o Museu: Comissão das Borboletas.

Um episódio pitoresco serviu para mostrar o ponto a que chegara essa campanha de descrédito. Por volta de 1856 construiu-se em Fortaleza, num terreno baldio existente na esquina da Rua Amélia – atual Senador Pompeu – com a de São Bernardo – atual Pedro Pereira, fronteiro à fachada lateral da Igreja de São Bernardo, um barco à vela, que foi empurrado sobre rolos até o mar pela Cidade da Criança, Rua Sena Madureira e Avenida Alberto Nepomuceno. Armado em iate, fez o comércio de cabotagem dos pequenos portos costeiros, até que a Comissão Científica o alugou para trazer de Camocim a Fortaleza, o material geológico, mineralógico, zoológico e etnográfico colhidos pelas equipes no interior da província.

Na travessia da foz do Acaraú para Fortaleza, o barco “Palpite” foi a pique, perdendo-se toda essa custosa coleta. Logo começou a se espalhar que o naufrágio fora proposital, a fim de que se perdesse a papelada da Comissão das Borboletas e jamais se pudessem apurar os deslizes de seus membros.

Segundo o pesquisador Renato Braga, o iate foi a pique ao amanhecer do dia 13 de março de 1861, na altura da Barrinha, ao sul da foz do Acaraú, quando navegava de Granja para a Capital, carregado de madeira. Afundou-o um aguaceiro pesado, acompanhado de forte ventania. Com ele se foram os volumes embarcados por Capanema.

um dos modos de deslocamento da população
Fortaleza vista do mar com o Forte em primeiro plano, as torres da Sé, coqueiros e um casario escasso. É a iconografia mais antiga da capital. 
Gravura de José Reis de Carvalho

Era período chuvoso, Capanema seguia para Fortaleza por terra, mas escolhera mandar seu material pelo mar. Um mês após o ocorrido, ele descreve sua chateação ao amigo Dias: “Creio que o mais espantoso caiporismo persegue a Comissão. Ontem, recebi a notícia que 13 ou 15 volumes que eu tinha mandado embarcar na Granja foram a pique, entre eles os meus baús com roupas, aí vinham mais: geologia de toda parte percorrida da província, observações astronômicas feitas desde o princípio até ali, observações meteorológicas e determinações de alturas, 420 páginas com aquela minha letra; tradução do livro de Liebig as ciências naturais aplicadas à agricultura (…). Perderam o seu valor as minhas coleções geológicas.”

Villa de Arronches e a Igreja de Bom Jesus dos Aflitos - gravura de José Reis de Carvalho

Além dos contratempos políticos e financeiros, a Expedição enfrentou acusações de comportamentos inadequados por parte de membros como Capanema e Gonçalves Dias, e a fracassada aclimatação de 14 camelos importados da Argélia. Por fim, a perda do material coletado diante do naufrágio, comprometeu dos resultados e acirraram as críticas ao empreendimento.

Para o escritor Gustavo Barroso, aqueles homens de ciências e letras, indicados pelo Instituto Histórico, nomeados pelo governo Imperial, não eram capazes de malversações dessa natureza, nem se eles tivessem de fato existido, haveria necessidade de se afundar uma embarcação para encobri-las, pois isso poderia ser feito por processos mais simplificados, pelo simples manejo da papelada. E que o que de fato se perdeu, foi o resultado de pesquisas e coletas interessantes, que produziram trabalhos escritos e publicados de real valor para o estudo do homem e da terra nordestina.

Com o naufrágio do “Palpite” afundou de vez a boa fama da Expedição Científica do Império e, além disso, não foi possível publicar o resultado integral das explorações realizadas.


Pesquisa:

À Margem da História do Ceará, de Gustavo Barroso
Comissão Científica de Exploração: uma experiência de transição no fazer científico brasileiro. Disponível em https://bibliotecadigital.butantan.gov.br/
Um mergulho nos livros https://diariodonordeste.verdesmares.com.br
imagens da Internet



segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Carvalho Motta, o homem por trás do Palacete



Antônio Frederico de Carvalho Motta nasceu em Granja, em 26 de março de 1856 e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de fevereiro de 1927. Filho do coronel Francisco de Carvalho Motta, iniciou-se no comércio em sua terra natal gerenciando a firma Carvalho Motta e Irmão. Mudou-se para Fortaleza provavelmente em 1927, e já desligado comercialmente do irmão, transferiu a sociedade nos negócios de Granja para um antigo auxiliar. 

Casado com Dona Regina Ribeiro Motta, teve 8 filhos: Waldemar, Artur, Anésia, Cleonice, Carmen, Alaíde e mais outros dois, falecidos na infância. Na Capital, a princípio integrado no comércio de exportação, passou a dedicar-se ao setor bancário, tornando-se diretor e depois presidente do Banco do Ceará.

Carvalho Motta era considerado homem de fino trato, um capitalista, e não um coronel do interior. Em Granja, onde havia exercido o comando do batalhão de infantaria da Guarda Nacional, já era considerado um exemplo de requintado comportamento social. Participava com destaque na sociedade e política cearense, figurando como deputado estadual pertencente à poderosa facção comandada pelo comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly. Mantinha portanto, um relacionamento com a oligarquia, a qual, dominando o Ceará desde a proclamação da República, foi destituída pela rebelião popular de janeiro de 1912, ocasião em que Motta ocupou o cargo de 3° Presidente do Estado.
A construção original sem as ampliações  foto Revista do Instituto do Ceará

Em 1907, aos 50 anos de idade, se muda para o palacete que acabara de erguer no cruzamento das ruas General Sampaio com Pedro Pereira. A nova residência estava localizada no primeiro circuito periférico ao centro urbano, a dois passos da Praça Marquês de Herval, logradouro que havia sido ajardinado e urbanizado pelo intendente coronel Guilherme Rocha. Entre a praça e a casa, ocupando metade do quarteirão, localizava-se a sede do Batalhão de Segurança. Na outra metade da quadra, havia casas amplas, entre as quais a morada do poeta Juvenal Galeno.

Sede do Batalhão de Segurança - ao fundo, com janelas ovais, estava a residência do presidente Nogueira Accioly - foto Arquivo Nirez

É provável que antes de se mudar para o palacete, Carvalho Motta estivesse residindo numa casa térrea, na Rua Formosa, de sua propriedade. A então Rua Formosa, em particular nesse trecho no qual se levantavam os sobrados de maior porte, apresentava-se como a via mais elegante da cidade, embora alguns estabelecimentos comerciais já se misturassem as residências, prenunciando com grande antecipação o futuro tipo de ocupação da área. Carvalho Motta, ao procurar uma zona ainda não integrante do centro comercial da cidade para morar, percebia e prestigiava as alterações que estavam por vir no zoneamento urbano de Fortaleza.   

Inaugurado festivamente o palacete, no entanto, Carvalho Motta mal pôde desfrutá-lo, porque a 17 de fevereiro de 1908, faleceu sua filha caçula, a menina Alaíde, de 13 anos, vítima de apendicite. A menina faleceu às 10:30 horas e foi sepultada no mesmo dia às 17 horas, no Cemitério São João Batista. Tudo transcorrera com total surpresa, já que a doença acamara a menina por pouco tempo. Tendo em vista a elevada posição social de Carvalho Motta, pode-se avaliar a repercussão do desenlace, noticiado no órgão da imprensa governista, impregnado de referências sentimentais, tão ao gosto da época.

O duro golpe da perda da filha desnorteou Carvalho Motta que logo abandonou o palacete indo morar no Jacarecanga, na Rua Municipal (atual Guilherme Rocha). Após a deposição e renúncia de Nogueira Accioly, seguida renúncia de Graccho Cardoso, 1° vice-presidente do Estado e com a ausência de José Bastos, 2° vice-presidente, Carvalho Motta, na condição de 3° vice-presidente, assumiu a direção dos negócios do Estado, num dos momentos mais graves da história política cearense. Ficou à frente do governo do Ceará de 24 de janeiro a 12 de julho de 1912. 

Apesar de pertencer ao partido aciolino, o coronel Carvalho Motta era um espírito moderado, contra quem não havia animosidade pública. Pode assim, assumir o governo livremente, sem protestos ou manifestações contrárias. Com a eleição de Franco Rabello, empossado em 14 de julho de 1912, desmotivado e desiludido com a política, Carvalho Motta decidiu sair do Ceará. Pouco antes de se mudar, vendeu o palacete à Inspetoria de Obras contra as Secas que já o ocupava desde 1909.

O imóvel situado na Rua General Sampaio n° 94-B, foi vendido em 23 de maio de 1913 por 150 contos de réis, pagos a Carvalho Motta e sua mulher, pela Fazenda Nacional. De acordo com a respectiva escritura o terreno media 58 palmos por 250 palmos, isto é, 12,76 metros por 55 metros, medidas que não coincidiam exatamente com aquelas obtidas no levantamento gráfico executado pelo DNOCS.

No Rio de Janeiro onde passou a residir, Carvalho Motta construiu sua nova casa em Botafogo, na Rua Marquês de Olinda. Anos depois essa casa seria demolida e em seu lugar seriam erguidas as instalações da Editora José Olympio. Na Capital Federal, já idoso, Carvalho Motta foi atropelado por um automóvel, vindo a falecer em 3 de fevereiro de 1927.

O Palacete Carvalho Motta

O Palacete foi concluído em 1907 para abrigar a família do coronel Antônio Frederico de Carvalho Motta, situado na antiga Rua da Cadeia, atual General Sampaio, em terreno medindo cerca de 700 m². Possui estilo eclético, numa mistura de elementos neoclássicos e art nouveau. Tem dois andares com janelas e portas em arco batido.

foto dos anos 20, já ampliado pelo IFOCS - foto Revista do Instituto do Ceará

Erguido em gleba contígua ao centro urbano, voltava-se para uma rua valorizada pela passagem de uma linha de bondes à tração animal que demandava o arrabalde do Benfica. Distava apenas um quarteirão da Praça Marques do Herval. Em 1909 o solar foi alugado à Inspetoria de Obras Contra as Secas – IFOCS, à qual seria vendido em 1913. Reformado e ampliado por volta dos anos 1920, foram mantidos os seus traços gerais de forma a não transparecer as alterações a que foi submetido.

Anos 20 - Foto IPHAN

Ao longo dos anos o palacete abrigou as instalações da IFOCS, posteriormente DNOCS, vindo a ser desocupado, apenas, ao final da década de 70 com a construção da nova sede da Diretoria Regional do Ceará.

Em 1983, o imóvel foi restaurado com base em projeto elaborado pelo IPHAN, tendo por objetivo a instalação do Museu das Secas, o qual abrigaria o acervo da instituição. Sem a devida manutenção as instalações do denominado Museu das Secas que viria a ocupar uma área relativamente pequena do prédio, terminaria por não ter condições de atender ao público que buscava visitá-lo. O Museu das Secas sobreviveu entre 1985 e 2004.

Do tempo de funcionamento do Museu das Secas herdou todo o acervo do Dnocs. Lá, debaixo da poeira, servindo de pasto às traças e cupins, estão, por exemplo, os documentos do projeto e construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hídrica do Brasil, presente do imperador Pedro II ao Ceará.

Foto de 2014 - Fortaleza em Fotos

Com uma área construída total de 1.344,20 m², o Palacete Carvalho Motta está localizado no centro de Fortaleza no cruzamento das ruas General Sampaio e Pedro Pereira. Tombado pelo IPHAN em 19 de maio de 1983, o imóvel de 113 anos está fechado há quase 16 anos, sem utilidade, sem manutenção, sem nenhuma importância que justifique o investimento que a requalificação vai exigir.

Matéria publicada pelo jornal O Povo, em 2017, dá uma ideia da extensão da deterioração do imóvel nas dependências internas: prédio tem áreas sem eletricidade, alguns cômodos estão tomados por mal cheiro e as obras de arte que sobraram estão colocadas no chão. Revela ainda que as paredes têm manchas pretas e amarelas, marcas da deterioração. Em alguns pontos, a infiltração derrubou as camadas mais externas de tinta e reboco. 

Foto de 2014 - Fortaleza em Fotos

A falta de manutenção também enfraqueceu o teto de algumas salas. Há rombos pelos quais é possível ver a laje do primeiro andar. Devido à extensão dos cômodos, as lâmpadas são insuficientes para iluminar todo o Palacete. Do teto ao chão há teias de aranha que grudam naqueles que tentam caminhar pelo espaço. No centro do edifício, uma antiga cacimba foi tapada com restos de madeiras e pedaços de tábuas. Barras de ferro, tijolos e uma mesa quebrada impedem que as pessoas caiam no buraco.

O que se pode deduzir é que, como quase todos os tombamentos patrimoniais de Fortaleza, o Palacete Carvalho Motta é só mais um que está na fila do tombamento de fato, cujo processo, esse sim,  já se encontra bem adiantado. 


Fontes consultadas: 
O Palacete Carvalho Motta, de José Liberal de Castro. Disponível em https://www.institutodoceara.org.br/revista/Rev-apresentacao/RevPorAno/2013/03_art03.pdf

Degradado e fechado há 15 anos, Museu das Secas é candidato às chamas – disponível em https://www.focus.jor.br/

Fechado há 14 anos, Museu Das Secas padece com falta de manutenção. Disponível em https://www.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2017/08