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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Bairro Jangurussu

 

Até o final da década de 1970 a área que hoje corresponde ao bairro Jangurussu era o aterro sanitário da cidade.  A ocupação da área começou ao redor do aterro, por famílias migrantes em busca de moradia e trabalho, dando origem às primeiras comunidades do território. No entorno do lixão, várias comunidades foram se formando, dando origem à Favela do Jangurussu, conhecida por "Favela do Lixo".



Mas o processo de assentamento da população que mais tarde daria origem ao Jangurussu começou bem antes, quando o território recebeu as primeiras incursões organizadas para Messejana, de acordo com o historiador Paulino Nogueira. O nome se deve a um sítio de propriedade de Urbano de França Alencar que existiu no início da povoação, nos séculos XVIII e XIX, denominado Jangurussu, que se estendia da estrada Guarani, na antiga BR-116, ao Rio Cocó; e da entrada do Mondubim, atual avenida Perimetral, até o Sítio Ancuri.



A desativação do aterro em 1998, deu espaço para o surgimento de conjuntos habitacionais e a inúmeros projetos de urbanização.  O primeiro a ser construído no local, de acordo com registros históricos locais e estudos acadêmicos, foi o Conjunto Maria Tomásia, empreendimento de grande porte com 1.126 unidades habitacionais, implantado no processo de estruturação e urbanização oficial do bairro, com entregas iniciais no final da década de 2000 e início de 2010.

Outro grande habitacional da área, o Conjunto José Euclides foi concluído em duas etapas nos anos 2017 e 2018, com 2.992 unidades divididas em blocos com 16 apartamentos cada. Entregue inicialmente sem escolas, creches ou linhas de ônibus, os moradores se uniram para lutar por seus direitos.

O Residencial Luiz Gonzaga I e II, localizados na Rua Estrela de Ouro, o Luiz Gonzaga original foi inaugurado em novembro de 2019. Em novembro de 2025, foi autorizada a construção do Luiz Gonzaga II, vinculado ao programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, com 536 novas moradias e investimentos conjuntos da União, Estado e Município.


Atualmente o Jangurussu é o bairro mais populoso de Fortaleza com 70.651 habitantes, de acordo com o Censo do IBGE de 2022. Em termos percentuais, o Jangurussu concentra 2,9% da população da capital. Fica na Regional 9 e faz limites com Messejana, Passaré, Ancuri, Pedras e Conjunto Palmeiras. Tem muitos problemas na área de infraestrutura, apesar das muitas conquistas. 


Açude do Jangurussu


As obras do Açude Jangurussu foram concluídas em 1922. A barragem foi construída nas terras do Sítio Jangurussu, então pertencente a João Francisco Ribeiro Neto, numa área rural próxima a Messejana. 

Nesse período o IFOCS hoje DNOCS intensificava a construção de pequenos e médios açudes estratégicos no Ceará para combater os efeitos das secas. As águas do açude eram usadas para consumo, pesca, lavagem de roupa e lazer dos moradores. 

Muitos açudes desta fase eram pequenos reservatórios rurais, destinados mais ao suporte regional do que ao abastecimento urbano. Atualmente o açude Jangurussu apresenta altos índices de poluição, oferece risco de rompimento da barragem e armazena águas impróprias para consumo.  



Fontes: 

Tudo foi a gente indo atrás: histórias e memórias de uma moradora indígena sobre o Jangurussu. Autoras: Marília Duarte Guimarães e Laís Regina de Oliveira Alves. Disponível em <file:///C:/Users/mfati/Downloads/stephanie_ce,+Portugu%C3%AAs-PDF%20(2).pdf>

DO ESPAÇO CONCEBIDO À PRODUÇÃO DO COTIDIANO EM FORTALEZA-CEARÁ: a experiência do conjunto habitacional Maria Tomásia, no bairro Jangurussu. Dissertação de Mestrado de SHARON DARLING DE ARAÚJO DIAS. Disponível em 

< https://www.uece.br/wp-content/uploads/sites/60/2020/02/sharon_dias_dissertacao.pdf >

Jornal O Povo https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/cidade-

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/jangurussu

Diário do Nordeste https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/acude-do-jangurussu-tem-mais-de-100-anos




sábado, 6 de setembro de 2025

As Lagoas e seus Parques Urbanos

 

As lagoas exercem múltiplas funções no meio urbano, quando a quadra chuvosa é mais intensa, essas atribuições ganham mais relevância, é a de escoamento do excesso de água das precipitações. Nesse caso a lagoa funciona como armazenamento desse excesso.



Com a urbanização desordenada e a ocupação de áreas, muitos espelhos d’água foram aterradas, processo que continua e se verifica até em lagoas maiores, com a de Parangaba e Maraponga, em que partes delas são invadidas para fins imobiliários, e outras, em alguns casos, foram completamente aterradas.

Oficialmente, Fortaleza tem 43 corpos hídricos classificados como lagos ou lagoas, onde figura como maior delas em volume de água, a de Parangaba. Mas há na cidade inúmeras lagoas pequenas, localizadas em bairros. 

Os Parques são áreas verdes urbanas, consideradas como áreas de proteção especial, com predomínio de vegetação e de características naturais. Eles influenciam diretamente na qualidade de vida das cidades, proporcionando lazer, contato com a natureza e estimulam a prática de atividades físicas, trazendo benefícios psicológicos, sociais e fisiológicos para a população.

Fortaleza possui 14 parques urbanos criados visando a preservação de lagoas e espelhos d’águas, a maioria criados em 2014, na gestão do prefeito Roberto Claudio. 


Lagoa da Maraponga – Parque Urbano da Lagoa da Maraponga


A Lagoa da Maraponga é o principal equipamento de lazer do Bairro Maraponga além de ser um dos mais belos espelhos d’água da cidade de Fortaleza, com aproximadamente 95.000 m², e grande extensão de área verde ao seu redor. A lagoa era um antigo açude produzido pelo aterro da Avenida Godofredo Maciel sobre o córrego que alimenta o açude Uirapuru. Antes o local era denominado Parque Ecológico Lagoa da Maraponga, criado no início dos anos 1990.

O Parque urbano foi criado pelo Decreto nº 13.286, de 14/01/2014, limitado a leste pela Avenida Godofredo Maciel; e a oeste pela Rua Áustria (limítrofe à faixa de domínio da Via Férrea). A área do parque é de 193.697,72m².

Lagoa da Sapiranga (Coité) – Parque Urbano da Lagoa da Sapiranga

A Lagoa da Sapiranga faz parte da bacia hidrográfica do Rio Cocó e fica na região leste de Fortaleza, região essa que vem apresentando grande crescimento e desenvolvimento urbano nos últimos anos. Ainda não existe uma ocupação expressiva do entorno da lagoa, apenas algumas construções de tipo residencial. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa da Sapiranga nº 13.591, de 20/05/2015. Localização: Bairro Sapiranga. Área: 994.840,13m².

Lagoa da Messejana – Parque Urbano Jornalista Demócrito Dummar


A Lagoa de Messejana é importante marco físico e visual para quem mora no bairro que deu nome à lagoa, o bairro da Messejana. É a segunda maior lagoa do município, tendo importante papel no nascimento do bairro e no desenvolvimento histórico da cidade de Fortaleza. Atualmente é oficialmente denominado como Parque Urbano Jornalista Demócrito Dummar, possui uma área de mais de 380 mil metros quadrados e conta com equipamentos de lazer e feirinha nos fins de semana. Decreto de criação do Parque Urbano nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Messejana. Área Total: 388.060,80m².

Lagoa da Parangaba – Parque Urbano da Lagoa da Parangaba

É a maior lagoa de Fortaleza, tanto em profundidade (máxima de 4,92 metros, média de 2,77 m)) quanto em volume de água (1.190.000m³), faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ceará. A lagoa é frequentada por um público diverso, incluindo pescadores e pessoas que buscam lazer, sendo conhecida pela famosa feira que se realiza todos os domingos. No final de 2019 passou por uma obra de requalificação onde foram construídas novas calçadas, pista de cooper e vários equipamentos de esporte laser. Também contou com novo paisagismo com o plantio de árvores e criação de jardins. Decreto de criação e do Parques Urbano Lagoa da Parangaba: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Parangaba.  Área: 567.701,84m².

Lagoa do Mondubim – Parque Urbano da Lagoa do Mondubim


A Lagoa do Mondubim, que faz parte da bacia do Rio Ceará onde índios nativos da região pescavam e caçavam, possui uma história intrinsecamente ligada ao crescimento de Fortaleza. O nome “Mondubim” já podia ser encontrado em antigos mapas portugueses, mas somente depois da construção da “Estrada de Ferro Baturité” foi que as pessoas começaram a desembarcar vindo do interior e desenvolver a região. A Lagoa atualmente é um ponto central para lazer no bairro, pois está localizada ao lado do Cuca Mondubim e próxima a vários modais de mobilidade urbana. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Mondubim: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Novo Mondubim e Vila Manoel Sátiro. Área: 257.967,07m².

Lagoa do Papicu – Parque Urbano da Lagoa do Papicu

A Lagoa do Papicu é considerada uma lagoa totalmente urbana e de pequeno porte, com um espelho d’água de aproximadamente 43.000,00m², Faz parte da bacia hidrográfica da Vertente Marítima. Em 22 de dezembro de 2011, foi aprovada lei que estabelece diretrizes para a realização da Operação Urbana Consorciada Lagoa do Papicu, trazendo melhorias para o entorno da Lagoa do Papicu. Hoje a lagoa e seu entorno são frequentada pela população que busca um espaço de lazer, contando com um campo de futebol e uma pista de skate. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano da Lagoa do Papicu: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Papicu – Área: 210.305,61m².

Lagoa Redonda –  Parque Urbano da Lagoa Redonda

O Parque Urbano da Lagoa Redonda consiste em uma das maiores áreas regulamentadas dentre as lagoas urbanas do município. Além disto, mesmo estando inserida em um dos bairros de maior densidade populacional de Fortaleza, a Lagoa Redonda possui em seu entorno uma parcela de mata atlântica ainda preservada. Decreto de criação do Parque Urbano da Lagoa Redonda: Nº 14.026, de 30/05/2017.Localização: Bairro Lagoa Redonda. Área: 216.625,35m².

Lago Jacarey – Parque Urbano do Lago Jacarey


O Parque Urbano Lago Jacarey é um espaço de lazer bastante utilizado pela população de Fortaleza. A área contempla a área de preservação ambiental e a área de espaço de lazer onde acontecem atividades recreativas, feirinhas de comida, artesanato e há um restaurante. O espaço é adequado para a prática de atividades físicas, com rota de caminhada em toda sua extensão. Na área ao seu redor estão instalados vários pontos comerciais o que torna o lugar um polo gastronômico da cidade. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano do Lago Jacarey: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Cidades dos Funcionários – Área Total: 21.655,27m².

Lagoa do Opaia – Parque Urbano da Lagoa do Opaia

A Lagoa do Opaia é um local frequentado pela população do seu entorno desde a década de 1980, com seu espelho d’água de aproximadamente 116.970,74m². A construção da praça em seu entorno se deu em meados da década de 1970, período em que foi feita uma revitalização no Aeroporto Internacional de Fortaleza. Atualmente parte do seu entorno está urbanizado, sendo a maioria da ocupação por residências familiares. Seu espaço é utilizado praticantes de esportes e lazer. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Opaia: nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Aeroporto. Área: 310.748,17m².

Lagoa do Catão – Parque Urbano da Lagoa do Catão

Integrante da Bacia do Rio Cocó, a Lagoa do Catão é um ponto de encontro entre os moradores do bairro Mondubim e Prefeito José Walter. O espelho d’água, de aproximadamente 37.000m² (trinta e sete mil metros quadrados), é um ponto de atração para a população que busca um local para lazer e banho, além de amenizar o clima do ambiente do entorno do manancial. Em seu arredor existem uma série de pontos comerciais, sendo o principal de venda de alimentos. Também conta com uma estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), que contribui para a conservação do corpo hídrico. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Catão: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Mondubim –Área Total: 54.059,88m².

antes da criação do Parque 

Lagoa do Porangabussu – Parque Urbano da Lagoa do Porangabussu

A Lagoa do Porangabussu faz parte da bacia hidrográfica do Rio Cocó, com seu espelho d’água de aproximadamente 85.000,00m². A área do entorno da lagoa possui uma grande concentração de equipamentos públicos e de saúde. Hoje o espaço é urbanizado, e conta com áreas de lazer, anfiteatro, quiosques para educação ambiental, quadras de esporte, pista de skate, playground, área de ginástica, pista de cooper. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Porangabussu: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Rodolfo Teófilo. Área: 117.258,93m².

Lagoa Itaperaoba – Parque Urbano da Lagoa da Itaperaoba

A Lagoa da Itaperaoba localiza-se no Bairro da Serrinha, próximo ao campus da UECE, sendo delimitada ao sul pela Av. Dedé Brasil, a oeste pela Rua Dr. Justa Araújo, ao norte pela Rua Pe. Nóbrega e a leste pela Rua Benjamin Franklin. A lagoa faz parte do Loteamento Parque Itaperaoba, aprovado em 27 janeiro de 1956 pela Prefeitura Municipal de Fortaleza. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa da Itaperaoba: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Serrinha. Área Total: 42.411,06m².

Lagoa da Viúva – Parque Urbano Lagoa da Viúva

localizado no bairro Siqueira

A Lagoa da Viúva, também chamada de Açude da Viúva, está inserida na bacia do Maranguapinho, possui um espelho d´água de aproximadamente 50.000m² e com características de um corpo hídrico bem preservado, além de um grande campo de carnaúbas à jusante do açude. Tais aspectos motivaram a criação do Parque Urbano Lagoa da Viúva, regulamentado apenas no ano seguinte ao Decreto de Criação dos Parques urbanos das Lagoas de Fortaleza, mas que significou uma área de mais de 39 hectares protegidos e reservados para educação ambiental e lazer. Decreto de criação do Parque Urbano Lagoa da Viúva: N° 13.687, de 09/11/2015. Localização: Bairro Siqueira – Área Total: 398.564,50m².

Lagoa da Maria Vieira – Parque Urbano da Lagoa de Maria Vieira

Com um espelho d’água de aproximadamente 2,992h, uma profundidade média de 1m e um volume de 29,92m³, a Lagoa Maria Vieira é a “joia da coroa” do bairro Cajazeiras, contando inclusive com a presença ilustre de gansos em suas águas. A Lagoa integra a Sub-Bacia B-2 do rio Cocó e é alimentada por um riacho que aflui a este reservatório, através do canal de drenagem sob a Av. Paulino Rocha. Decreto de criação e regulamentação dos Parque Urbano da Lagoa de Maria Vieira: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Cajazeiras – Área: 50.298,20m².


Fontes: 

https://urbanismoemeioambiente.fortaleza.ce.gov.br/infocidade/696-parques-urbanos-fortaleza

Fotos - Diário do Nordeste - O Povo - G1








quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

As Igrejas Católicas nos bairros

 

A igrejas católicas mais antigas da capital estão em sua maioria localizadas no Centro, não por acaso, a parte mais antiga da cidade. Mas, encontramos em diversos bairros, igrejas tão antigas quanto as do Centro, construídas com recursos dos fiéis, seguidores da fé católica, que não economizaram nem recursos nem trabalho para a concretização de seus objetivos, testemunhos de sua crença na igreja de Roma.

Igreja de Bom Jesus dos Aflitos – Parangaba  (1664)


A Igreja de Bom Jesus dos Aflitos foi sendo estabelecida a partir de 1664, durante o processo de instalação dos aldeamentos jesuítas e da ocupação indígena no Ceará, quando os padres deslocaram os índios Potiguaras, que se encontravam na região do rio Ceará, para Porangaba, formando o aldeamento homônimo.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Praia de Iracema (1841)


Em 26 de outubro de 1839, Antônio Joaquim Batista de Castro, morador no Outeiro da Prainha, requereu uma licença à Câmara Municipal, para que ele e outras pessoas pudessem construir uma capela de invocação a Nossa senhora da Conceição.  A licença foi concedida no dia 30 do mesmo mês. Os fiéis resolveram então, organizar uma irmandade e escolher o lugar onde seria edificado o templo. Concordaram que o local seria sobre a colina fronteira à praia, ficando a capela de frente para o oriente. A igreja foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1841.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Messejana (1873)

A Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luís Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que estabeleceram um aldeamento e no local ergueram uma capela, que serviu de base para a igreja atual. Localizada na Rua Joaquim Bezerra, em Messejana.

Igreja dos Remédios – Benfica (1910)


A Igreja de N. S. dos Remédios, uma das mais antigas da cidade, foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1910, nos arrabaldes do Benfica.  A iniciativa de sua construção partiu de João Antônio do Amaral, que desejava construir uma capela em terreno de sua propriedade, no Benfica, com a denominação de N.S. dos Remédios, de quem era devoto, e por ser a padroeira da Freguesia em que nascera, na ilha de S. Miguel, uma das Açores.

Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes – Jacarecanga (1913)


A capela foi mandada construir pelo abolicionista e empresário Alfredo Salgado, com benção e inauguração no dia 06 de abril de 1913, com missa rezada pelo Bispo Dom Xisto Albano. Com o tempo a antiga capela desapareceu dando lugar a igreja atual. 

Igreja Jesus Maria José – Antônio Bezerra (1915)


Fundada em 1915, a partir de uma capela privada construída em terras de Teófilo Rufino Bezerra de Menezes. O terreno onde seriam construídas a Igreja matriz, a pracinha, a casa paroquial e a quadra foi doado pelo Presidente, Sr. Antônio Bezerra de Menezes, mediante entrega do documento de doação à Cúria Metropolitana.

Igreja de São Gerardo Magela – São Gerardo (1925)

imagem: Facebook da Paróquia de São Gerardo 

A primeira capela dedicada a São Gerardo nasceu da iniciativa de um grupo de catequistas que conseguiram a doação de um terreno localizado na Avenida Bezerra de Menezes, por parte do casal Gaudioso e Donatila de Carvalho, no ano de 1924. Obtido o terreno, passaram a trabalhar para arrecadar recursos para a construção da capela, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 25 de agosto do mesmo ano. Em 18 de outubro de 1925 o templo foi inaugurado e recebeu a primeira benção. No dia 19 de julho de 1934, a pequena capela, reformada e ampliada, foi elevada ao status de Paróquia de São Gerardo Magela pelo Arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes.

Igreja do Cristo Rei – Aldeota (1930)

imagem: site da Paróquia do Cristo Rei

Construída entre 1928 e 1930, com plena participação da comunidade pastoral, que se engajou física e financeiramente na construção do templo. A princípio o a igreja teria como padroeiro São Luiz Gonzaga, mas a denominação foi mudada para Cristo Rei em face da da Encíclica de Cristo Rei, publicada em 1928, pelo Papa Pio XI. Com exceção da imagem do Cristo Rei que está no altar principal, as demais imagens dos santos são de origem portuguesa e especialmente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, confeccionada pelo arquiteto português Thetin, na década de 1920, a partir da descrição dos pastores que viram a aparição da virgem.

Igreja da Piedade – Joaquim Távora (1930)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Nos primórdios do século XX, havia no local uma capela sob sua invocação. No dia 08 de julho de 1928, a capelinha desabou, sendo construída em seu lugar a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, com a ajuda de paroquianos e do arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes. Em 1934 a Igreja foi doada pelo arcebispo aos padres Salesianos. A imagem da padroeira que encima o altar-mor veio da Espanha em 1953, doada pela família Gentil Barreira.

Igreja Nossa Senhora das Dores – Farias Brito (Otávio Bonfim) (1932)


Inaugurada em 1932, por meio de doações.  A construção da Igreja das Dores e do convento de São Francisco muito deve aos esforços de Dom Manoel da Silva Gomes, que se empenhou na vinda dos franciscanos menores para Fortaleza, inclusive fazendo a doação de um terreno para a construção da igreja e do convento dos franciscanos, anexo. A Igreja N.Sra. das Dores sucedeu à antiga capela de São Sebastião levantada na praça a que deu o nome, na antiga Estrada do Gado, hoje rua Justiniano de Serpa.

Igreja Nossa Senhora da Saúde – Mucuripe (1934)


A Igreja Nossa Senhora da Saúde foi fundada pela própria comunidade de pescadores do Mucuripe, inaugurada em 1934. O padre José Nilson influenciou a vida religiosa do bairro por causa da interação com os moradores, e lutou com eles pelas melhorias do local. Contam que, antes da chegada do antigo pároco, a comunidade do Mucuripe era esquecida e nenhum religioso ficava mais de dois anos no comando da paróquia. Em maio de 1950, padre Zé Nilson foi enviado ao Mucuripe por Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a previsão de ficar somente dois anos, como seus antecessores. No entanto, o religioso acabou ficando por 50 anos. A Imagem de N. Senhora da Saúde, na praça da matriz, é um trabalho do escultor Deoclécio Diniz, conhecido por "mestre Bibi" ou "Bibi Santeiro".

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré – Montese (1948)


Inaugurada em 1948, em terreno doado pelo casal Sindulfo Serafim Ferreira Chaves e sua mulher, Dulcinéia Gondim Chaves, donos de uma extensa propriedade denominada Sitio Bom Futuro, de onde o terreno foi apartado.  A arquitetura do templo reproduz a planta de uma igreja da Holanda.

Santuário Nossa Senhora de Fátima – Fátima (1953)

imagem: site do Santuário de Fátima/Paulo Vasconcelos

O templo foi construído no ponto mais alto de uma elevação de terra, onde antes havia uma extensa vegetação. Foi inaugurada em 1953, com variadas contribuições de fiéis, inclusive das classes mais abastadas. A ideia de construção da igreja está ligada a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorreu vários países da Europa e alguns Estados do Brasil, e iniciou uma visita a Fortaleza em 9 de outubro de 1952.

Igreja de São João Batista – Tauape (1957)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Até o dia 23 de dezembro de 1936, a Igreja de São João Batista era a sede da Matriz Santa Terezinha. A construção da Igreja Matriz de São João Batista foi iniciada em 09 de outubro de 1957, e segundo depoimento de moradores antigos, demorou quase 10 anos para ser concluída. O templo foi construído com o esforço dos padres e ajuda do povo. A antiga igrejinha hoje abriga o salão paroquial.

 

Igreja da Santíssima Trindade – bairro José Walter – 1970

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – bairro Mondubim – 1982

Igreja de São Francisco Xavier – Conjunto Esperança – 2015

Igreja Jesus Maria |José – bairro Vila União – 1968

Igreja Nossa Senhora das Graças – bairro Pirambu – 1958

Igreja de São Vicente de Paulo – bairro Dionísio Torres – 1971

Igreja de São Raimundo Nonato – bairro Rodolfo Teófilo – 1948

Igreja de Nossa Senhora da Glória – Cidade dos Funcionários – 1968

Igreja de Santa Luzia – bairro Meireles – 1957

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes – bairro Lourdes – 2000

Igreja São Francisco de Assis – bairro Dias Macedo – anos 60

Igreja de Santo Afonso Ligório (Igreja Redonda) – Parquelândia – 1978

Igreja de São José – Papicu – 2012

Igreja do Divino Espírito Santo – bairro Cidade 2000 – 1975

Igreja Nossa Senhora da Paz – bairro Aldeota – 1961

Igreja de Santo Antônio de Pádua – bairro Maraponga – 2006


Fontes: 

As pouco lembradas Igrejas de Fortaleza/Eduardo Fontes/Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto/1983/

https://www.fwa.org.br/livros/datas-e-factos-para-a-historia-do-ceara-tomo-iii.pdf

https://bairrosjtauape.blogspot.com/

https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/

Jornais O Povo, Diário do Nordeste 

 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Porciúncula, Messejana, o antigo Lar do Lustosa da Costa


Em uma de suas inúmeras crônicas, o escritor, jornalista, poeta, editor, professor e membro da Academia Brasiliense de Letras, Francisco José Lustosa da Costa, conta que o sítio onde hoje se instala a Porciúncula – atual sede das irmãs Missionárias da Ordem das Capuchinhas, em Messejana, era de propriedade de sua família. Seu pai comprara o sítio quando ainda era solteiro, e o vendeu no início da década de 60.

terreno de várzeas em Messejana - 1928 (imagem MIS)

Messejana era então muito longe de Fortaleza. Era um lugarejo tranquilo, com uma poética igreja no meio de um largo, rodeada de frondosas mangueiras. Ainda não havia asfalto, a pavimentação era com pedra de calçamento. Os ônibus eram velhos, maltratados. Em suas reminiscências, o jornalista relembra de coisas e pessoas de quando residiam no local: quando vinham da capital, desciam do ônibus em frente ao sítio da Rosa, uma solteirona meio doida que tinha mania de limpeza, e que ocupava o tempo varrendo infatigavelmente o terreno, envolta em uma nuvem de pó, dizendo palavrões dirigidos às galinhas, que atrapalhavam seu trabalho.

Para chegar em casa passava pela bodega de um certo Seu Oliveira, e percorria cerca de um quilômetro de areal. O trecho era tido como perigoso, à noite. Nos seus tempos de criança, a grande aventura consistia em atingir o final do sítio, na atual BR-116, onde se situava a casa de um morador, um preto velho de nome José Pinto, que recebia com mimos e agrados, as visitas dos filhos dos patrões.

Uma grande tradição do sítio da família, era a comemoração ao 13 de maio, dia da aparição de Nossa Senhora de Fátima. As novenas organizadas pela tia do jornalista, eram concorridíssimas, geralmente apareciam os vizinhos, e os pobres da vizinhança vinham ver as sobrinhas e as protegidas da dona da casa, todas vestidas de anjos com asas de papelão. A avó do cronista era uma velha faladeira , destemida, amiga do general Eudoro Correia.

Praça da igreja imagem: Arquivo Nirez

À frente da paróquia de Messejana estava o padre Pereira, (Francisco Pereira da Silva, pároco de 1938 a 1980) que implicava, em vão, com os namorados mais acalorados, que escolhiam os fundos e a calçada da igreja, como local de encontro para troca de carinhos. No auge da indignação, o velho sacerdote sentenciava: “se peito de moça fosse buzina de carro, quem mora perto da igreja não ia poder dormir à noite, tamanho o barulho!”


Fundos da Igreja de Messejana imagem: acervo IPHAN

Nas águas transparentes da lagoa de Messejana, onde Iracema se banhava ao chegar do Ipu, o cronista se afogou e quase morreu ainda criança. Escapou por um triz, para usar uma das expressões da época.


Lustosa da Costa - Cajazeiras (PB) 1938 - Brasilia (DF) 2012







Hoje o belo e aprazível sítio – sede das Irmãs Missionarias Capuchinhas, funciona como lugar de retiro e acolhida de religiosos, promove eventos de cunho social e religioso e atua na área educacional. O terreno foi adquirido pela ordem religiosa e no dia 19 de março de 1961 foi lançada a pedra fundamental para a construção da Porciúncula.  No dia primeiro de maio de 1964, a Porciúncula acolheu o noviciado ocupando a terceira ala do prédio e dia 25 de maio chegou o Governo Geral e a partir daí, foi reconhecida como Sede Geral da Congregação. Em 1973, uma parte da casa foi cedida para encontros e cursos de maior e menor duração, em regime de internato.


Fontes: