terça-feira, 20 de outubro de 2026

Bairro Parque Araxá

 

Até por volta da década de 50, a região onde hoje se encontra o bairro era coberta de mata, com poucas casas e terrenos alagados devido a existência de algumas lagoas. A família Diogo era proprietária das terras, que eram administradas por um homem conhecido na região por Zé Catreús. 

Zé andava pelas terras de seu patrão montado em seu cavalo, Pingo de Ouro, e aproveitou o espaço para plantar e criar vacas holandesas. Era conhecido assim porque veio de uma localidade chamada Prateús, perto de Pindoretama. Isso confundia as pessoas que achavam que ele era procedente de Crateús.




 As cercas das terras passavam por onde passam hoje as avenidas que fazem a divisa do bairro. No local, havia ainda uma grande cacimba, com água de excelente qualidade e vinha gente de muito longe em busca do líquido, que tinha fama de poder curar doenças. Essa fama daria mais tarde origem ao nome do bairro. 

Até então a região toda era chamada de Otávio Bonfim. Então ainda nos anos 50 os terrenos foram loteados e começaram a ser vendidos. A Imobiliária chamou o loteamento de Araxá, em alusão a cidade mineira de águas termais e suas propriedades terapêuticas e em referência à velha cacimba de águas termais. 


Antiga Rua do Imbigo, 1962 (imagem: Facebook/Fortaleza Antiga)

Em tempos passados, antes do loteamento, o local continha uma lagoa, que ficava localizada na antiga rua do Imbigo, atual rua Coreaú, entre as atuais Azevedo Bolão e Gustavo Sampaio. Chamada pela população de lagoa da Onça, segundo contam, devido à presença ou avistamento de onças na região em tempos antigos, quando  Fortaleza ainda contava com matas nativas e a presença desses grandes felinos de forma mais comum na fauna local.

Ao longo dos anos, por meio de repetidos processos de drenagem e urbanização, a lagoa da Onça foi totalmente aterrada na década de 1950. No lugar onde esteve a lagoa, foram construídas várias residências, que até hoje sofrem com os alagamentos em dias de chuva. 


O Parque Araxá limita-se com os bairros Farias Brito (Otávio Bonfim), Parquelândia e Rodolfo Teófilo. Delimitado ao norte pela Rua Azevedo Bolão e Av. Bezerra de Menezes; a leste pela Av. José Bastos; ao sul pela Av. Jovita Feitosa; e a oeste pela Rua Professor Anacleto e Pedro Ferreira de Assis.

Área: 0,48km²   População: 6.100 moradores (censo 2022)

 

 Fontes:

Fortaleza em Bairros

Diário do Nordeste

domingo, 27 de setembro de 2026

Bairro Quintino Cunha


Localizado na parte Oeste de Fortaleza, o Quintino Cunha é um bairro com grande extensão territorial e o mais populoso da Regional 3, com 30,324 habitantes, de acordo com o Censo de 2022, do IBGE. O bairro é majoritariamente residencial, mas possui uma quantidade considerável de comércios e fábricas, principalmente na parte da indústria têxtil, na indústria de confecções (especialmente moda íntima e pijama) e comércio de distribuição local. 


  

O bairro se consolidou ao longo do século passado como território residencial de expansão urbana marcada por densidade populacional, presença de áreas naturais como a Lagoa Ilha Dourada e o Rio Maranguapinho, e pela vivência comunitária em mercados, escolas e praças;

Entre os equipamentos públicos importantes estão a Areninha Thauzer Parente, espaço de futebol e convivência, que funciona como ponto de encontro e prática esportiva.

Igreja de São Pedro e São Paulo, fundada em 17 de maio de 1970 (foto O Povo)

O bairro Quintino Cunha é vizinho aos bairros Antônio Bezerra e Olavo Oliveira, mas também faz divisa com o município de Caucaia, sendo separado pelo Rio Maranguapinho.

o nome é uma homenagem ao advogado, poeta e escritor cearense Quintino Cunha, nascido em Itapajé, mas viveu em Fortaleza. Foi deputado estadual, porém ficou conhecido por seu estilo irreverente e carismático, sendo lembrado pelas anedotas que contava e considerado por alguns o pai do humor cearense. Faleceu em 1943.

 


Não existe nenhum registro ou um documento oficial que indique a data exata do batismo do bairro com seu nome, registros da Câmara Municipal e mapas históricos indicam que, há cerca de 60 anos, o local já era conhecido pelo nome de Quintino.

Quintino Cunha é um bairro dividido em conjuntos habitacionais. Tem uma grande extensão territorial e separado do município de Caucaia pelo Rio Maranguapinho.


Fontes:

https://www.cmfor.ce.gov.br

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br


domingo, 13 de setembro de 2026

Bairro Cambeba

A partir da década de 1970, em razão da saturação da então área nobre – Aldeota, Meireles, Praia de Iracema, Benfica, Fátima e outras – novas áreas consideradas rurais, foram sendo incorporadas à cidade.  

Esse processo foi precedido pela ação de especuladores imobiliários, que se apropriaram de terrenos localizados na periferia da cidade e lotearam sítios, que se destinavam ao uso rural (Sítios Cocó, Tunga, Alagadiço, Cambeba, Estância, Colosso), localizados na zona Leste da cidade. 

O parcelamento e a posterior urbanização desses terrenos deu origem a diversos bairros da capital. Um dos bairros que surgiu desse movimento de transformação de áreas rurais em urbanas, é o Cambeba. 



O Sítio São José do Cambeba pertencia originalmente a José Barbosa da Silva Rosas, proprietário de uma área total de 552.600 m². Em agosto de 1965 o terreno foi adquirido dos herdeiros de José Rosas por meio de um formal de partilha judicial. No ano seguinte, em abril de 1966 o terreno foi transformado no loteamento Parque Cambeba.

Em 1968 a maior parte dessa área (477.110,50 m² foi desapropriada pelo Estado em favor da COHAB – Companhia de Habitação do Ceará, visando a construção de conjuntos habitacionais. Mas o projeto de habitação não avançou, e em fins da década de 1970 o local foi escolhido pelo governador Virgílio Távora para instalação do novo Centro Administrativo do Estado. 



Antes da criação do Centro Administrativo, o governo do Estado funcionava em instalações dispersas em vários bairros diferentes. O primeiro órgão estadual a se transferir para o Cambeba, foi a SEPLAN – Secretaria de Planejamento e Coordenação, saindo da antiga sede na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema, no início dos anos 1980. 

A sede do governo se instalou em 1987, no governo de Tasso Jereissati (1987–1991), que ficou no local entre 1987 e 2003, quando foi transferida para o Palácio Iracema no governo de Lúcio Alcântara (2003-2007). No governo de Cid Gomes (2007-2014) a sede do governo retornou ao Palácio da Abolição. 


A implantação do Centro Administrativo em terras do sítio São José do Cambeba deu impulso a urbanização e estabeleceu uma nova dinâmica na área, atraindo moradores e comerciantes, a construção de novas moradias, a abertura de vias de acesso e a consequente valorização da região. 

 


Atualmente o  Centro Administrativo abriga sete secretarias, entre elas a Secretaria das Cidades, da Educação, do Turismo, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), a Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado – CGE, além das sedes do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

O Centro Administrativo Governador Virgílio Távora fica na Avenida General Afonso Albuquerque Lima, s/n, no bairro Cambeba, em Fortaleza (CE)  

Limites do bairro: Norte: Parque Manibura Sul: Messejana Leste: José de Alencar e Sapiranga-Coité Oeste: Parque Iracema e Cidade dos Funcionários

População: 8.775 habitantes (Censo 2022)


Fontes: 

Repositório institucional disponível em https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/24609/1/2004_dis_fgpmoreira.pdf

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/cambeba

Wikipedia//Jornal O Povo// Globoplay  



quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Bairro Jangurussu

 

Até o final da década de 1970 a área que hoje corresponde ao bairro Jangurussu era o aterro sanitário da cidade.  A ocupação da área começou ao redor do aterro, por famílias migrantes em busca de moradia e trabalho, dando origem às primeiras comunidades do território. No entorno do lixão, várias comunidades foram se formando, dando origem à Favela do Jangurussu, conhecida por "Favela do Lixo".



Mas o processo de assentamento da população que mais tarde daria origem ao Jangurussu começou bem antes, quando o território recebeu as primeiras incursões organizadas para Messejana, de acordo com o historiador Paulino Nogueira. O nome se deve a um sítio de propriedade de Urbano de França Alencar que existiu no início da povoação, nos séculos XVIII e XIX, denominado Jangurussu, que se estendia da estrada Guarani, na antiga BR-116, ao Rio Cocó; e da entrada do Mondubim, atual avenida Perimetral, até o Sítio Ancuri.



A desativação do aterro em 1998, deu espaço para o surgimento de conjuntos habitacionais e a inúmeros projetos de urbanização.  O primeiro a ser construído no local, de acordo com registros históricos locais e estudos acadêmicos, foi o Conjunto Maria Tomásia, empreendimento de grande porte com 1.126 unidades habitacionais, implantado no processo de estruturação e urbanização oficial do bairro, com entregas iniciais no final da década de 2000 e início de 2010.

Outro grande habitacional da área, o Conjunto José Euclides foi concluído em duas etapas nos anos 2017 e 2018, com 2.992 unidades divididas em blocos com 16 apartamentos cada. Entregue inicialmente sem escolas, creches ou linhas de ônibus, os moradores se uniram para lutar por seus direitos.

O Residencial Luiz Gonzaga I e II, localizados na Rua Estrela de Ouro, o Luiz Gonzaga original foi inaugurado em novembro de 2019. Em novembro de 2025, foi autorizada a construção do Luiz Gonzaga II, vinculado ao programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, com 536 novas moradias e investimentos conjuntos da União, Estado e Município.


Atualmente o Jangurussu é o bairro mais populoso de Fortaleza com 70.651 habitantes, de acordo com o Censo do IBGE de 2022. Em termos percentuais, o Jangurussu concentra 2,9% da população da capital. Fica na Regional 9 e faz limites com Messejana, Passaré, Ancuri, Pedras e Conjunto Palmeiras. Tem muitos problemas na área de infraestrutura, apesar das muitas conquistas. 


Açude do Jangurussu


As obras do Açude Jangurussu foram concluídas em 1922. A barragem foi construída nas terras do Sítio Jangurussu, então pertencente a João Francisco Ribeiro Neto, numa área rural próxima a Messejana. 

Nesse período o IFOCS hoje DNOCS intensificava a construção de pequenos e médios açudes estratégicos no Ceará para combater os efeitos das secas. As águas do açude eram usadas para consumo, pesca, lavagem de roupa e lazer dos moradores. 

Muitos açudes desta fase eram pequenos reservatórios rurais, destinados mais ao suporte regional do que ao abastecimento urbano. Atualmente o açude Jangurussu apresenta altos índices de poluição, oferece risco de rompimento da barragem e armazena águas impróprias para consumo.  



Fontes: 

Tudo foi a gente indo atrás: histórias e memórias de uma moradora indígena sobre o Jangurussu. Autoras: Marília Duarte Guimarães e Laís Regina de Oliveira Alves. Disponível em <file:///C:/Users/mfati/Downloads/stephanie_ce,+Portugu%C3%AAs-PDF%20(2).pdf>

DO ESPAÇO CONCEBIDO À PRODUÇÃO DO COTIDIANO EM FORTALEZA-CEARÁ: a experiência do conjunto habitacional Maria Tomásia, no bairro Jangurussu. Dissertação de Mestrado de SHARON DARLING DE ARAÚJO DIAS. Disponível em 

< https://www.uece.br/wp-content/uploads/sites/60/2020/02/sharon_dias_dissertacao.pdf >

Jornal O Povo https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/cidade-

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/jangurussu

Diário do Nordeste https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/acude-do-jangurussu-tem-mais-de-100-anos




segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Bairro Vila Velha

 O bairro Vila Velha tem suas origens ligadas aos primeiros processos de ocupação da região às margens do rio Ceará, ainda no período colonial, quando ali foi instalada, no início do século XVII, uma das primeiras povoações da capitania, com o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa. Por longo tempo toda a região era conhecida por Barra do Ceará. O bairro Vila Velha só foi criado oficialmente em 1961, localizado na margem do Rio Ceará, zona Oeste de Fortaleza.


No início havia pouquíssimas casas, e o restante da área era ocupada por salinas. A ocupação começou de fato a partir da década de 1970 quando centenas de casas populares foram construídas em regime de mutirão pelos próprios moradores, às margens do estuário do Rio Ceará.

Sem planejamento estatal prévio na época, o bairro começou a crescer de forma desordenada com a ocupação ilegal de áreas que deveriam ser de preservação, com a construção de barracos em áreas alagadas, ao redor dos conjuntos habitacionais organizados por moradores e loteamentos informais. Alguns dos habitacionais dessa época são o Nova Assunção, Beira Rio e Bancários. 


A Igreja de Nossa Senhora da Assunção foi construída em regime de mutirão na década de 1980

Os conjuntos habitacionais governamentais chegaram a partir de 1991, cumprindo a tradição de ocupar áreas distantes onde os terrenos são mais baratos. Foram construídos e entregues entre 1992 e 1993, os residenciais Vila Velha I e II, com recursos da COHAB-CE, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza e financiamento da Caixa Econômica Federal. Depois foram erguidos o Vila Velha III e IV, este último concluído em 2002.

De acordo com o IBGE, em 1991 o bairro possuía uma população de 35.737 habitantes, já em 2000 contava com 49.468 habitantes, obtendo assim uma taxa de crescimento anual de 3,68%. Em 2022 a população já contava com 52.881 habitantes. O bairro figura entre os mais populosos da capital, ocupando a 7ª colocação geral no ranking municipal.

 

Em 2024, após anos de espera, a prefeitura legitimou a posse das casas construídas sob o regime de mutirão, concedendo registros dos imóveis aos seus proprietários originais.   

O Vila Velha limita-se com os bairros Barra do Ceará, Jardim Iracema, Jardim Guanabara e Quintino Cunha.

  

Fontes:

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/vila-velha

https://www.facebook.com/BairroVilaVelha/photos/

Jornal Diário do Nordeste 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Frei Tito

 

Tito de Alencar Lima nasceu em Fortaleza no dia 14 de setembro de 1945, filho de Ildefonso Rodrigues de Lima e Laura de Alencar Lima. Foi o último dos onze filhos do casal, que já estavam com idade avançada quando ele nasceu, e cresceu entre o afeto, e os cuidados das irmãs mais velhas.

Começou a mostrar interesse pela política a partir dos 12 anos de idade, participando da Juventude Estudantil Católica (JEC), movimento de Ação Católica voltado para estudantes secundaristas, que unia a fé cristã ao compromisso social e à transformação política, influenciado por uma de suas irmãs.

Entre 1961 e 1962, estudou no Liceu do Ceará, participando da União Cearense de Estudantes Secundaristas. Nessa época, também se tornou congregado mariano, atuando nas comunidades pobres de Fortaleza, atuando na favela do Dendê, em Fortaleza.

Casa onde nasceu em Fortaleza, à Rua Rodrigues Júnior, 364

Em 1963 assumiu a direção da JEC e foi morar no Recife. Em 1966, ingressou no noviciado dos dominicanos em Belo Horizonte, e sendo ordenado sacerdote em 1967. A vivência na JEC moldou a trajetória religiosa e militante de Tito, aproximando-o de pautas de direitos humanos e da resistência contra o regime militar instaurado em 1964.

Mudou-se para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em outubro de 1968, foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). A reunião foi interrompida por uma operação policial, e Tito foi um dos 719 estudantes detidos. Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição pela repressão militar.

Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infraestrutura a Carlos Marighella, político, escritor e guerrilheiro comunista, considerado um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Tito foi submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontrava em mãos da Justiça Militar, foi retirado do Presídio Tiradentes e levado para a sede da Operação Bandeirantes (Oban).


Durante três dias, bateram sua cabeça na parede, queimaram sua pele com brasa de cigarros e deram-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, “para receber a hóstia”. As autoridades queriam que Tito denunciasse quem o ajudara a conseguir o sítio em Ibiúna para o congresso da UNE e assinasse depoimento atestando que dominicanos haviam participado de assaltos a bancos. Tito tentou o suicídio e foi socorrido a tempo no hospital militar, no bairro do Cambuci.

Na prisão, escreveu sobre a sua tortura. O documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo da luta pelos direitos humanos. Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Tito foi banido do Brasil pelo governo Médici e seguiu para o Chile. Sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. De Roma, foi para Paris, onde recebeu apoio dos dominicanos. Traumatizado pela tortura, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Nas ruas da capital francesa, ele “viu” o espectro de seus torturadores e cometeu suicídio.

No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon encontrou o corpo de Frei Tito suspenso por uma corda pendurada em uma árvore. Foi enterrado no cemitério dominicano do Convento Sainte-Marie de La Tourette, em Éveux.


Convento dos Dominicanos, na França, onde Tito viveu seus últimos dias

Em 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Cercado por bispos e um numeroso grupo de sacerdotes, Dom Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente, acompanhada por mais de 4 mil pessoas. A atuação de Frei Tito, como padre dominicano, foi predominantemente de caráter político. 


Fontes: 

https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/frei-tito-de-alencar-lima/

https://mpce.mp.br/pagina-personalizada/especial-80-anos-de-frei-tito/   

jornal O Povo - Fotos Internet

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Museu da Imagem e do Som

 

O museu foi criado em 1980, instalado inicialmente no subsolo da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, sendo parte do antigo Departamento de Patrimônio de Bibliografia. Depois de alguns anos, o Museu da Imagem e do Som passou a integrar o Departamento de Audiovisual, tendo seu acervo ampliado. O espaço recebeu novos equipamentos, documentos variados e material audiovisual, e uma coleção de filmes da TV Educativa.


Em agosto de 1996 o MIS foi transferido para a Avenida Barão de Studart, 410, na casa projetada pelo arquiteto José Barros Maia, para servir de residência ao Senador Fausto Augusto Borges Cabral, inaugurada em novembro de 1951. Anos mais tarde, a casa foi desapropriada pelo governo estadual.

O museu é um equipamento cultural, de caráter virtual e físico, sendo responsável pela preservação, pesquisa e difusão da memória audiovisual de todo o Estado do Ceará, com foco na cultura, na política, na antropologia, na história e nas tradições populares, produzidas de forma variada, seja dentro do próprio Estado ou fora dele.

Em 2022 o museu passou por uma grande reforma, obras de restauro e ampliação de suas instalações, denominado Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque. O velho casarão do início dos anos 1850, sede da instituição, agora é parte de um complexo, um prédio de cinco andares, dois deles subterrâneos, além de uma praça com telão,   

O casarão dos anos 1940, que abrigava a instituição, agora faz parte de um complexo. Um prédio de cinco andares (dois deles subterrâneos), uma praça com telão externo, que promete ser ponto de encontro do público. De olho no futuro, o MIS-CE reabre as portas com outra proposta de funcionamento.




Atualmente o Museu da Imagem e do Sim é um equipamento cultural da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), gerido administrativamente pelo Instituto Mirante de Cultura e Arte. Localizado na Av. Barão de Studart, 410, Meireles o Museu fica aberto de quinta a domingo, das 13h às 21h. A Entrada é gratuita.


Critérios para uso e permanência no espaço: o MIS é um espaço de convivência, de diálogo, de troca de saberes, aprendizado, reflexão, conhecimento, fruição artística e lazer. Para que todos se sintam à vontade na ida ao Museu, são disponibilizadas as seguintes orientações: para acessar as exposições, é necessário apresentar documento de identificação com foto; menores de 12 anos devem estar acompanhados de pais ou responsáveis; nos espaços expositivos e auditório, o consumo de alimentos e bebidas não é permitido; a área externa do Museu é aberta a todos os animais. Já nos espaços internos do Museu, podem circular apenas cães-guias acompanhados de seus donos; você pode fotografar tudo o que quiser no MIS; o uso de telefones celulares e rádios de comunicação é permitido em todo o Museu. Em respeito aos demais visitantes, recomendamos evitar falar ao telefone nos espaços expositivos e manter seu telefone no modo silencioso.


foto/videos Ricardo Garcia



terça-feira, 26 de maio de 2026

A Vila Soterrada de Tatajuba


A Vila de Tatajuba, localizada no município de Camocim, a cerca de 350 km de distância da Capital, visitada por centenas de pessoas todos os dias, destino turístico daquela parte do litoral oeste do Ceará, não é a vila original. Sob as areias quentes da antiga Vila, distante algumas centenas de metros da atual, estão as ruínas de dezenas de casas de pescadores e de moradores de uma comunidade tradicional que foi soterrada por dunas móveis, abundantes naquela região. O fenômeno ocorreu entre os anos 1970 e 1980.


Igreja de São Francisco, na Velha Tatajuba, durante o soterramento

A vila foi construída no início do século XX, numa área de dunas móveis que se movimentam naturalmente. Foi soterrada paulatinamente, porque foi construída numa área de dunas, caracterizada pelo deslocamento da areia, devido ao vento forte e constante e a ausência de vegetação.

Quando o processo de soterramento teve início, a então Vila de Tatajuba era um lugarejo em franco desenvolvimento, com igreja, escola, posto policial, posto de saúde e alguns comércios. Não se sabe ao certo o número de moradores atingidos, mas sabe-se que à época a vila tinha mais moradores do que a antiga Vila Serrote, atual Jericoacoara.





A igreja foi a primeira a sentir os efeitos da ação do vento. Diariamente os fiéis retiravam do seu interior, uma fina camada de areia que cobria a nave e o altar. Depois o processo foi se acelerando e todos os objetos foram sendo retirados, imagens, bancos, sino e outros objetos. Em seguida, a escola, o posto de saúde e dezenas de casas também desapareceram, em uma das ocorrências naturais naquela região do Ceará, a exemplo do já ocorrera com a Igreja de Almofala, no ano de 1898, situada no município de Itarema, litoral Oeste.


A Igreja da Conceição, na Praia de Almofala em Itarema, foi soterrada por uma duna e passou 40 anos sob a areia. Depois que o vento a desenterrou, foi restaurada e tombada pelo IPHAN 

Após a antiga vila desaparecer sob a areia, os moradores buscaram abrigo em comunidades vizinhas, formando o que hoje intitula-se como distrito de Tatajuba, reconhecido em 12 de novembro de 2025, por Lei Municipal 1716/2025. Em 1978, as últimas famílias abandonaram a velha Tatajuba e partiram em busca de áreas nas proximidades.  

Aquela região está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA), determinada pela Lei Municipal Nº. 559/94 e que foi redefinida em abril deste ano. Marcada por dunas, lagoas e próxima ao mar, ela também faz parte da Rota das Emoções, famoso destino turístico que também inclui Jericoacoara e o Delta do Parnaíba. O território com mais de cinco mil hectares é composto por quatro vilas: Tatajuba, Baixa Tatajuba, Vila Nova e São Francisco.

O soterramento da vila de Tatajuba foi somente um capítulo dessa história. Após a ocorrência ambiental na década de 80, os moradores se depararam com outro problema. Em 2001, eles descobriram que o terreno onde estão as quatro vilas foi comprado por uma grande empresa de turismo e, na época, as terras não eram regularizadas.



Havia um projeto para construção de um condado ecológico para receber turistas, com resorts, piscinas e  com cinco campos de golfe. Isso significava que todas as pessoas que moravam nas quatro vilas, principalmente nas vilas mais próximas da praia, teriam que sair, ou seriam expulsas. Foi aí que a Associação dos Moradores entrou com dois processos na Justiça para interditar qualquer tipo de projeto de empresas e anular as matrículas.

A questão durou mais de 20 anos e ainda está em processo de resolução. O reconhecimento das terras ocorreu em setembro de 2023, quando o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará e a Defensoria Pública da União, fecharam acordo para que a maior parte da terra pleiteada fosse doada. Com isso, ficou sob a tutela do Estado o perímetro onde as comunidades vivem e trabalham. A propriedade, agora pertencente ao Estado, tem um total de 2.459.734 hectares.

Os moradores vivem da pesca e do turismo em grande escala, em razão dos atrativos naturais da paisagem e da proximidade com a Vila de Jericoacoara, um dos maiores destinos turísticos do Brasil. A atual Vila São Francisco foi construída em cima das ruínas da antiga Tatajuba.

Fonte G1 - Fotos G1, Diário do Nordeste e Fortaleza em Fotos

Publicação Fortaleza em Fotos


domingo, 12 de abril de 2026

Fortaleza 300 anos

 


Àquele tempo – oh, como eu conheço tão pouco tua história - - haveria já a praça que seria do Ferreira (teu coração palpitante), mas sem o boticário malicioso e enérgico, sentado à porta de sua farmácia, de dia “à sombra do frondoso cajueiro” e à noite – quem poderá dizer com certeza? – à luz da lua ou das estrelas, vá lá, contando casos ou ouvindo histórias que se passavam “naquelas ribeiras”, como é mesmo que diziam?  Vila e forte de Nossa Senhora da Assunção, como um marzão lindo botando pra bem longe os fantásticos brigues que jamais incomodaram os nossos avós que eram uma dureza, grandes na guerra e maiores ainda na paz... 

Extraído da Crônica “Fortaleza meu Amor” de Antônio Girão Barroso



A escolha do dia 13 de abril de 1726, como marco da criação da cidade de Fortaleza, foi decorrente de um projeto, apresentado e defendido pelo vereador Idalmir Feitosa, que foi transformado na lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que instituiu a data de 13 de abril como o Dia da Cidade.
A lei, aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade.

A data comemora o dia da instalação da Vila de Fortaleza de Nossa senhora da Assunção da Capitania do Siará Grande, ocorrida há 300 anos. Refere-se a data da emancipação política e administrativa do município, seu nascimento oficial. Lembra ainda a data da instalação da Câmara Municipal de Fortaleza e da assembleia diretiva dos destinos da Cidade.

Os Primeiros de Fortaleza 

Primeiro mapa – atribuído ao capitão mor Manuel Francês – 1726

Primeira Casa de Exportação e Importação – do irlandês William Wara – 1810

Instalação da Alfândega – 1812


Edifício da Alfândega

Instalação dos Correios – 1812

Primeiro Jornal – Diário do Governo do Ceará – 1824   

Primeira Farmácia – Farmácia Mamede – 1829

Farmácia Mamede
 
Primeiro teatro - Teatro da Concórdia – 1830

Primeiro colégio público – Liceu do Ceará – 1845 

Primeiro Farol – no Mucuripe – 1846

Primeiro trem – Estrada de Ferro Baturité – 1873

Primeiro espaço público urbanizado – Passeio Público – 1879

Primeiro Transporte Coletivo – Bondes de Burros – 1880

Primeiro telefone – na Casa Confúcio – 1883

Primeira Igreja Protestante – Igreja Presbiteriana de Fortaleza – 1883

Primeira foto da cidade – mostrando a região da Praia Formosa – 1892


ramal ferroviário trecho Praia Formosa 

Primeiro relógio público – na Intendência Municipal – final do Século XIX

Primeira Faculdade – Faculdade Livre de Direito do Ceará – 1903     

Primeiro Porto – Ponte Metálica – 1906  

Primeiro cinema – Cine Di Maio – 1908

Primeiro Automóvel – importado por Júlio Pinto e Meton de Alencar – 1909

Primeira concessionária de energia elétrica – Ceará Gaz Company Ltd– 1913


Usina Ceará Gaz no Passeio Público

Primeiro time de Futebol – Rio Branco Football Clube atual Ceará Sporting Clube – 1914

Primeiro edifício de Fortaleza – Excelsior Hotel – 1931

Primeira Estação de Rádio – Ceará Rádio Clube – 1934

Primeiro Canal de TV – TV Ceará Canal 2 – 1960

Primeiro Supermercado – Supermercado Sino da rua 24 de maio – 1960

Primeiro Shopping Center - Shopping Center Um – 1974

Primeira viagem do Metrô – Percurso Pacatuba/Parangaba – 2012