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domingo, 27 de setembro de 2026

Bairro Quintino Cunha


Localizado na parte Oeste de Fortaleza, o Quintino Cunha é um bairro com grande extensão territorial e o mais populoso da Regional 3, com 30,324 habitantes, de acordo com o Censo de 2022, do IBGE. O bairro é majoritariamente residencial, mas possui uma quantidade considerável de comércios e fábricas, principalmente na parte da indústria têxtil, na indústria de confecções (especialmente moda íntima e pijama) e comércio de distribuição local. 


  

O bairro se consolidou ao longo do século passado como território residencial de expansão urbana marcada por densidade populacional, presença de áreas naturais como a Lagoa Ilha Dourada e o Rio Maranguapinho, e pela vivência comunitária em mercados, escolas e praças;

Entre os equipamentos públicos importantes estão a Areninha Thauzer Parente, espaço de futebol e convivência, que funciona como ponto de encontro e prática esportiva.

Igreja de São Pedro e São Paulo, fundada em 17 de maio de 1970 (foto O Povo)

O bairro Quintino Cunha é vizinho aos bairros Antônio Bezerra e Olavo Oliveira, mas também faz divisa com o município de Caucaia, sendo separado pelo Rio Maranguapinho.

o nome é uma homenagem ao advogado, poeta e escritor cearense Quintino Cunha, nascido em Itapajé, mas viveu em Fortaleza. Foi deputado estadual, porém ficou conhecido por seu estilo irreverente e carismático, sendo lembrado pelas anedotas que contava e considerado por alguns o pai do humor cearense. Faleceu em 1943.

 


Não existe nenhum registro ou um documento oficial que indique a data exata do batismo do bairro com seu nome, registros da Câmara Municipal e mapas históricos indicam que, há cerca de 60 anos, o local já era conhecido pelo nome de Quintino.

Quintino Cunha é um bairro dividido em conjuntos habitacionais. Tem uma grande extensão territorial e separado do município de Caucaia pelo Rio Maranguapinho.


Fontes:

https://www.cmfor.ce.gov.br

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br


quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Os Conjuntos Habitacionais de Caucaia

 

A partir da década de 1970, vários conjuntos habitacionais foram edificados em Fortaleza e nas regiões metropolitanas, com base na política do BNH, que utilizava recursos do FGTS para financiar habitações populares a baixo custo. Para viabilizar os projetos, seriam utilizados recursos do Banco Nacional da Habitação (BNH) criado em 1964, com essa finalidade -- financiar empreendimentos imobiliários. A meta do governo, era reduzir o déficit habitacional, e a falta de moradias de uma expressiva parcela da população de baixa e média renda, que não dispunha de recursos para adquirir um imóvel, uma das grandes preocupações do regime militar que governava o País.

O conceito de conjunto habitacional envolve a ideia de um conjunto de unidades residenciais (casas ou apartamentos) construídas em um único empreendimento, geralmente destinado a famílias de baixa ou média renda, e que compartilha áreas comuns como playgrounds e infraestruturas básicas. Eles são uma forma de habitação de interesse social, muitas vezes com subsídios do governo, e podem incluir o parcelamento do terreno e a venda das unidades edificadas.

Caucaia, consolidada como a segunda cidade mais representativa no mercado imobiliário

Essa modalidade de política habitacional foi largamente utilizada, tanto em Fortaleza como nas regiões metropolitanas. A maioria dos conjuntos foi implantada em terrenos baratos e áreas distantes, sem infraestrutura urbana, sem saneamento e serviços básicos, na direção do Distrito Industrial de Maracanaú e junto ao leito das linhas férreas – tronco Fortaleza – Maracanaú e tronco Fortaleza – Caucaia.

Em 1971 foi criada a COHAB-CE (Companhia de Habitação do Ceará) pela Lei Estadual nº 9.557, de 14 de dezembro de 1971, com o propósito de construir e gerenciar conjuntos habitacionais. A companhia foi responsável por projetos como o Conjunto Ceará, atualmente um bairro de Fortaleza, inaugurado em 1977, e pelos demais conjuntos habitacionais construídos em Maracanaú e Caucaia. A politica habitacional seria integralmente cumprida por essas duas instituições: COHAB-BNH.

O primeiro conjunto habitacional construído em Caucaia foi o Tabapuá, inaugurado em 1968, localizado no limite dos municípios de Fortaleza e Caucaia. O projeto original era constituído de 259 unidades residenciais, destinadas aos associados do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Servidores do Estado – IPASE, com a utilização de recursos do Banco Nacional de habitação (BNH).

A Era dos habitacionais viu surgir mega empreendimentos como o Conjunto Araturi e o Nova Metrópole. O Conjunto Araturi, que teve suas primeiras etapas, Araturi I, entregue em 1985 com 1.413 unidades residenciais. Em seguida entregaram a segunda etapa com 871 casas, financiadas pelo (BNH) e administradas pela COHAB. 

Os moradores do Araturi aproveitaram muito bem o fato de estarem próximos à via férrea, ao se reuniram e darem início, por conta própria, a construção da uma nova estação. Depois de finalizada, as composições que por ali passavam, começaram a parar no local, dando início ao funcionamento da Estação Araturi, depois oficialmente incorporada ao então sistema de trens urbanos que atendia Fortaleza e alguns municípios da região metropolitana. Posteriormente foi incorporada ao sistema do Metrô de Fortaleza.

Conjunto Nova Metrópole (imagem youtube)

O Conjunto Nova Metrópole foi entregue através de várias etapas, sendo as etapas I e II entregues em 1983, com 2.996 unidades e a última em 1989. No total, o conjunto previa 5.537 unidades habitacionais, distribuídas nas diferentes etapas. Assim como outros conjuntos da época o Nova Metrópole apresentava além das habitações, alguns equipamentos como praças, posto de saúde, serviço social e posto policial. Divide-se em duas áreas com predominância do uso residencial e com características bem distintas definidas pela tipologia habitacional: uma parte composta por blocos residenciais multifamiliares de dois pavimentos e outra compreendida por unidades habitacionais térreas, unifamiliares e isoladas no lote. O Conjunto Nova Metrópole e Conjunto Araturi, são bairros pertencentes ao Distrito de Jurema, no Munícipio de Caucaia.

Conjunto Residencial Guadalajara, entregue em janeiro de 1991, com 402 unidades residenciais, localizado na Jurema.

Conjunto Residencial Jurupari I e II, entrega em janeiro de 1991, com 504 unidades familiares. Localização na Jurema.

Conjunto Mirante do Sol, entrega em junho de 1988, com 864 unidades. Localização Jurema.

Conjunto São Miguel, entrega março de 1980, com 167 unidades, construído em regime de mutirão pelo Programa de Desfavelamento (PROAFA), para receber moradores que foram removidos em razão da abertura da Avenida José Bastos. O São Miguel fica na Jurema. Situação também do Conjunto Marechal Rondon, para onde foram removidos os desalojados do bairro Moura Brasil por ocasião da construção da Avenida Leste Oeste, em Fortaleza.  

Conjunto Eldorado, 190 unidades, localizado na Jurema.

Conjunto Cabatan entregue em novembro de 1981, com 66 unidades, construído pelo Banco do estado do Ceará (BEC). Localizado na sede do Município.

Conjunto Planalto Caucaia, inaugurado em julho de 1985, com 1.264 unidades. Localizado na Sede.

Estes conjuntos habitacionais foram construções planejadas e que visavam a ocupação racional do espaço urbano. Mas ao longo do tempo, a área foi tomada por construções irregulares, e a implantação desordenada de novos conjuntos habitacionais, inclusive em regime de mutirão, quando os próprios moradores erguem seus imóveis financiados pelos recursos públicos, como o Conjunto Marechal Rondon e o Parque Potira.  

A luta dos moradores dos conjuntos habitacionais por serviços e infraestrutura, acabou por valorizar os terrenos vizinhos, que foram loteados a preços mais elevados, pois incorporavam em seu preço as melhorias conquistadas pelos movimentos sociais. 

Nota-se a maioria dos grandes conjuntos foram instalados no atual distrito de Jurema, provavelmente por se encontrar em melhores condições de acesso, em razão da proximidade de Fortaleza e maior disponibilidade transporte. A grande maioria dos moradores destes conjuntos, trabalham ou estudam em Fortaleza, o que requer deslocamentos diários.  Estes fatores justificaram a implantação de grandes conjuntos habitacionais, naquela região dentro do município de Caucaia.


Fontes:

A produção do espaço Urbano de Caucaia -CE: o Caso do Distrito de jurema. Ana Letícia Freitas Lima/Maria Clélia Lustosa Costa/Francisco Alexandre Coelho-Revista Casa da Geografia de Sobral

Influência das Políticas Habitacionais na Construção do Espaço Urbano Metropolitano de Fortaleza – História e Perspectivas.  Thêmis Amorim Aragão

Jornal Diário do Nordeste/G1. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Bairro da Paupina

Na memória de Fortaleza, três aldeamentos famosos: Parangaba, Paupina (atual Messejana) e Soure (Caucaia). Quando o Marquês de Pombal decretou o fechamento da Companhia de Jesus, em Ordem Régia de 14 de setembro de 1758, as missões foram convertidas em vilas. 

Estrada de acesso a Caucaia antiga Vila Nova de Soure (foto de 1919.)
 
Assim Caucaia se transformou em Vila Nova de Soure, guiada pelo vigário Antônio Carvalho da Silva; Parangaba mudou para Vila Nova de Arronches, sob o comando do padre Antônio Coelho Cabral; Paupina passou a Vila Nova de Messejana, dirigida pelo vigário Manuel Pegado de Siqueira Cortez. Os jesuítas da extinta Companhia de Jesus seguiram para Pernambuco, e de lá, para as masmorras de Portugal.

 Estrada de acesso a Messejana, antiga Aldeia da Paupina, em foto de 1919.

A colonização portuguesa no Ceará começa a florescer efetivamente com a incursão de Martim Soares Moreno. Um dos fatores para esse processo foi a construção do Forte de São Sebastião na região conhecida hoje como Barra do Ceará, com o auxílio de Jacaúna e de sua tribo, vindos da região do Jaguaribe, o que gerou uma aglomeração junto à fortaleza. Tempos depois, essa aglomeração foi destacada para as terras do Mondubim, onde foi formado o Arraial do Bom Jesus da Parangaba por solicitação dos jesuítas. 

 Estrada de acesso a Parangaba, antiga Vila Nova de Arronches, em foto de 1919

Apenas nos idos dos anos de 1690 é que é formada a aldeia de Paupina, povoada por parte da população que fazia parte da aldeia de Parangaba, criada por volta de 1662. Sobre a Paupina conta-se que havia uma aldeia indígena de nome Paranamirim, sob o comando espiritual do padre Luis Jacome. Um dia o padre aplicou um  castigo a um índio rebelde, o que causou grande revolta contra os padres por parte de toda a aldeia. Tal celeuma levou a Junta Missionária de Pernambuco a transferir essa aldeia para a Paupina. A nova aldeia formada em 1741, comandada pelos jesuítas, ficou assim dividida: de um lados, os índios de paranamirim; do outro, os índios da Paupina, com uma grande praça no meio separando os povos. 
Dizia-se que Paupina seria uma corruptela de Padre Pinto, nome escolhido pelos índios em memória do Padre Francisco Pinto  chefe da missão jesuítica, sacrificado pelos índios no sopé da Serra da Ibiapaba. Para os historiadores dificilmente se pode provar a procedência de tal nome, dada a distância de 152 anos que separam o mártir da Ibiapaba, morto em 1608, dos índios que viviam em 1760, em Paupina. Acreditam que os índios não teriam tanta memória nem tal preocupação. O nome Paupina é indígena, e significa, segundo o historiador Teodoro Sampaio, "lagoa limpa" ou "lagoa descoberta".
No Guia Turístico elaborado pela Prefeitura de Fortaleza em 1961, não figura um bairro chamado Paupina. Hoje, na Fortaleza do século XXI, o bairro Paupina, urbanizado a partir dos anos 70, já não se confunde com Messejana.



Localizado no limite entre os municípios de Fortaleza e Eusébio, Paupina conta com privilégios que muitos já perderam: uma extensa área verde, baixa densidade demográfica, ruas calmas, poucos automóveis, moradores que se conhecem desde sempre. As árvores ainda estão pelo bairro, especialmente nos sítios que resistem numa área que ganha cada vez mais condomínios fechados. Um dos sítios pertence a Manoel Bezerra da Silva, de 78 anos. Talvez mantendo vivo um hábito da meninice vivida ali, o portão do terreno amplo, cheio de pássaros, não se fecha. Casas vizinhas também mantêm portas abertas.

 foto de Macilio Gomes - site Panorâmio

O equipamento mais famoso do bairro é o Mosteiro de São Bento,  fundado há 19 anos e localizado numa parte elevada, no limite entre a Paupina e o Bairro São Bento. Os monges beneditinos rezam a missa, aos domingos, com cânticos gregorianos e orações em latim. É a única missa nesse estilo na Capital. O canto de entrada é em português, mas logo começam os cânticos gregorianos e as orações em latim como o Credo e o Pai Nosso.
Do alto do templo, a cidade se alarga. Do lado direito, vê-se o Eusébio. Do lado esquerdo, um paredão de prédios, também chamada de Fortaleza. Na vista da frente, a Lagoa da Precabura, limite entre os dois municípios. O Mosteiro, para os moradores, torna-se mais atrativo no último dia do ano. Como é muito alto. Muita gente vai para lá no dia do Réveillon. Dá para ver os fogos de artifício de toda a cidade.


O bairro sofre com graves problemas como acúmulo de lixo nas ruas, desabastecimento de água, escassez de postos de saúde, ruas sem pavimentação e falta de segurança.  
Limita-se com os bairros Messejana, São Bento, Coaçu, Ancuri e Pedras. De acordo com o IBGE (pelo Censo de 2010) o bairro contava com 14.665 habitantes, sendo 7.042 homens e 7.623 mulheres. 

fontes:
História do Ceará, Airton de Farias
Revista do Instituto do Ceará - A Aldeia de Paupina e Outras Aldeias, de Aires de Montalbo.
Guia Turístico da Cidade, 1961
fotos P&B do site Brasiliana Fotográfica 
demais fotos: Fortaleza em Fotos - jan/2016

segunda-feira, 31 de março de 2014

Na Força das Águas

Nascido de olhos d’água, a menos de 5 quilômetros da praia e despejando-se no mar,  o riacho Pajeú dividia a vila em dois bairros. Na sua margem direita e em direção ao nascente, elevava-se o planalto do Outeiro da Prainha, com seus sítios carregados de coqueiros, de onde se descortinava, do alto e ladeira abaixo, a orla ensolarada da vila banhada pelas águas do  Atlântico. 

 Forte Schoonenborch, construído pelos holandeses e transformado em N. s. da Assunção pelos portugueses

Do outro lado do riacho ficava a Colina da Misericórdia, onde foi levantada a fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Ao seu redor, em terras ligeiramente acidentadas e protegidas pelos bastiões do forte, crescia o comércio, o centro administrativo e o primeiro bairro residencial de Fortaleza que, a partir de 1823 adquiria foros de cidade. 
Partiam da vila em diversas direções as Estradas do Cocó e de Jacarecanga, assim como os antigos caminhos que levavam aos aldeamentos indígenas: o de Soure (Caucaia), o de Paupina (Messejana) e aquele que se voltava para os sertões dirigindo-se para o Caminho de Arronches (Parangaba).
Logradouros e casarões contam a história de Fortaleza, desvelando famílias que por ali viveram e marcaram a crônica da cidade em diferentes épocas, pelo seu destaque na vida econômica, política e social. Dirigindo-se ao caminho de Arronches, através de crônicas antigas, velhos casarões evocam um caleidoscópio de imagens de pessoas e fatos que promoveram a construção da cidade. Dominando logradouros com suas imponentes fachadas, essas antigas moradas – registro de uma época – alinharam e deram nomes ás ruas. Em seus festivos salões, iniciou-se o cultivo da sociabilidade requintada, antecedendo a formação dos grandes clubes e a história elegante de Fortaleza. 


Praça Clóvis Beviláqua - anos 20/30 

A colina da Praça de Pelotas, hoje Clóvis Beviláqua marcava o início do Benfica. As águas deste elevado desciam e, juntando-se às mais volumosas que vinham da Lagoinha, formavam na atual Praça do Coração de Jesus, a Lagoa do Garrote.
Pelas encostas do Outeiro, ocupadas depois de um grande espaço de tempo, pelo bairro da Aldeota, baixavam córregos que se juntavam ao Pajeú. Acrescido dessas águas, corria o riacho livremente, deslizando por seu vale tortuoso com seu movimento regulado pelas forças vivas das lagoas do Garrote e da Lagoinha. 



O bairro do Garrote nasceu de aterros e construções na Lagoa do Garrote. Em homenagem à abolição da escravatura, as últimas águas dessa lagoa foram represadas, criando ali o Parque da Liberdade. Construído pelo engenheiro Romualdo de Carvalho Barros e auxiliado por Isaac Correia do Amaral, o parque mudou de nome no tempo do centenário da Independência, passando a se chamar de Parque da Independência, para mais tarde ser reconhecido pelo seu primeiro nome. Popularmente, no entanto, é chamado de Cidade da Criança, desde que ali se instalou em 1937, uma escola dirigida pela professora Alba Frota. O Largo do Garrote, agora Praça dos Voluntários, comunicava-se livremente com o Parque da Liberdade até 1939, quando se formaram dois logradouros distintos, depois da construção nesta passagem, da sede própria do Clube Iracema.  

casa onde residiu Maximiano Leite Barbosa, na Rua Solom Pinheiro ao lado do Parque da Liberdade. Ali funcionou a Biblioteca Pública do Estado, hoje é a sede da Associação Beneficente Cearense de Reabilitação - ABCR
 
Maximiano Leite Barbosa, pai do fundador do ideal Clube, residiu em um palacete que ladeava o Parque da Liberdade. Herdado por sua filha Maria Luiza, o imóvel já abrigou a Biblioteca Pública do Estado, e é ocupado atualmente pela Associação Beneficente Cearense de Reabilitação.  Outros membros da família ocupavam os casarões vizinhos, e alinhado a estes, está a casa onde nasceu o ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. 
 casa na Rua Solon Pinheiro em frente ao Parque da Liberdade onde nasceu o ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco

No largo do garrote, circundado por  três alinhamentos de casas sombreadas por frondosas castanholeiras e mangueiras, encontrava-se uma das principais residências dos meados do século, o palacete de Vitoriano Augusto Borges. Em 1873 esta residência foi adquirida pelo Tesouro provincial para instalação do antigo Liceu do Ceará. Um pouco mais adiante, seguindo o movimento das águas, margeando o Pajeú na esquina do Beco do Pocinho, situava-se a chácara do português Manuel Caetano de Gouveia, que exerceu enorme influência econômica e social em Fortaleza. Nesta chácara localizava-se o famoso Cajueiro do Fagundes, que em tempos coloniais serviu de ponto de venda  do açougueiro Fagundes.  O Comendador Manuel Caetano de Gouveia deu origem á família Gouveia em Fortaleza.

 Igreja da Sé 1914

Descendo o riacho Pajeú, deparava-se com a cidade velha, sua Matriz no meio da Praça do Conselho, onde hoje se encontra a  Catedral Metropolitana, e em frente dessa, o pelourinho. Por ali passava a Rua da Matriz, que se seguia com o nome de Rua dos Mercadores, concentrando o comércio. Atualmente estas duas vias são as Ruas Conde D’Eu e Sena Madureira. 

Praça da Sé, 1915

Defronte a matriz havia um alinhamento de casas, antigas moradas dos capitães-mores. Com sua demolição surgiu o Largo da Matriz, hoje Praça da Sé, onde se ergue a estátua de bronze de Dom Pedro II, inaugurada em 1913. O traje envergado pela estátua, esculpida em Paris, pelo francês Mailard, utilizou como modelo a farda de gala do Almirante Alexandrino de Alencar, figura de relevo da Marinha Nacional, sobrinho-neto de Bárbara de Alencar.
Por trás desse monumento Pedro Augusto Borges ergueu sua residência, onde posteriormente seria instalada a Pensão Bitú. Nesta pensão se hospedariam os membros da Comissão da American Carnegie Institution, que vieram ao Ceará observar, na cidade de Sobral o eclipse solar de 29 de maio de 1919, de importância para o estudo da Teoria da Relatividade de Einstein. 


extraído do livro
 Ideal Clube, História de uma Sociedade, de Vanius Meton Gadelha Vieira
fotos antigas do Arquivo Nirez

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Atuação dos Padres Jesuitas no Ceará



A fé move montanhas e molda cidades. No Ceará, como na Bahia, Pernambuco e São Paulo, os padres jesuítas instalaram aldeamentos para facilitar a conversão dos índios. Essas missões eram aldeias artificiais militarizadas, tendo como chefe um missionário que usava de todos os métodos para domesticar os indígenas. No início, a catequese era frágil: pregações de aldeia em aldeia, de ano em ano. Depois perceberam que o modo mais eficaz de exercer um controle sobre essas populações, era retirá-las do espaço onde estavam. 

À força, em nome de Deus e da civilização, os índios eram afastados dos líderes religiosos, os pajés. O invasor oferecia-lhe três opções: a morte no combate, a fuga no mato ou a religião estrangeira.

O sino da igreja determinava o dia na aldeia artificial. Às cinco horas, despertava as mulheres para as orações e sermões. Pelas quatro da tarde, anunciava o jantar e o rosário. Entre um badalar e outro, o serviço doméstico, a agricultura, a pecuária. Para as crianças, as aulas de leitura, a escrita e religião. À noite eram os homens que eram convocados para a doutrinação. Nas missões, falavam também os instrumentos de tortura – o pelourinho e as mutilações físicas.


A evangelização era feita primordialmente pelos jesuítas, ainda que frades franciscanos tenham atuado. As reações iam desde a aceitação resignada até a rejeição irredutível, que acabava em morte do nativo. O mais comum foi a absorção dos princípios católicos sem abandono das crenças nativas, promovendo o surgimento de uma prática sincrética característica da religiosidade católica cearense.

Para os missionários a religião ancestral era ruim e pecaminosa, enquanto a religião europeia era legítima. Entre outras verdades feitas, pregava-se que os índios só se salvariam mediante o casamento abençoado pelos padres e insistia-se na confissão dos pecados.

Documentos jesuítas, encontrados em arquivos portugueses, guardam o resultado dessa colonização espiritual: os índios vêm à igreja de mãos postas e erguidas, adoram a Deus, que fez o céu e a terra, confessam ao senhor de tudo, assistem em silêncio o santo Ofício, ouvem os avisos e obedecem,  armados de arcos e flechas, mas com o arco em repouso.

Sobre os Padres Jesuítas



A ordem religiosa da Companhia de Jesus integra o clero regular da igreja colonial no Brasil, voltado para a catequese e educação de índios e colonos. É como parte do mundo da Contra- Reforma que o Ceará passará a fazer parte dos projetos jesuíticos de evangelização. Em 1695 este plano começará a ganhar forma com a fundação da aldeia de Nossa Senhora da Assunção da Ibiapaba – atual cidade de Viçosa do Ceará. 

A partir daí construíram uma rede de aldeamentos. Esta será a condição do Ceará até a expulsão da Companhia, governado politica e religiosamente pelos jesuítas, economicamente assentados na pecuária. Os jesuítas atuaram no Ceará entre 1609 e 1759. Os primeiros registros encontram os padres Francisco Pinto – o Paipina para os índios que acreditavam em seu poder de fazer chover – e Luis Filgueiras entre os tuxaua da Ibiapaba. No tempo dos sermões em latim, a língua sagrada, em que a alta divindade se expressa, os jesuítas ousaram fazer a catequese na língua do nativo.

Sobre as Aldeias Artificiais

 indios Tapebas, em Caucaia

Na memória de Fortaleza, três aldeamentos famosos Parangaba, Paupina (atual Messejana) e Soure (Caucaia). Quando o Marquês de Pombal decretou o fechamento da Companhia de Jesus, em Ordem Régia de 14 de setembro de 1758, as missões foram convertidas em vilas. 

Assim Caucaia se transformou em Vila Nova de Soure, guiada pelo vigário Antônio Carvalho da Silva; Parangaba mudou para Vila Nova de Arronches, sob o comando do padre Antônio Coelho Cabral; Paupina passou a Vila Nova de Messejana, dirigida pelo vigário Manuel Pegado de Siqueira Cortez. Os jesuítas da extinta Companhia de Jesus seguiram para Pernambuco, e de lá, para as masmorras de Portugal.


Fonte:
Artigo em Nome de Deus e da Civilização, publicado na Revista Fortaleza, fascículo 2 de 16 de abril de 2006 
  

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ponte José Martins Rodrigues, sobre o Rio Ceará



O tempo de espera para poder cruzar o Rio Ceará utilizando uma ponte foi de quatro anos, desde o anúncio em outubro de 1993, pelo então vice-prefeito de Fortaleza Marcelo Teixeira, até a inauguração pelo prefeito Juraci Magalhães, em 11 de outubro de 1997.
A construção da Ponte José Martins Rodrigues – nome oficial da ponte – causou polêmica e suspeitas e acusações de irregularidades. Para viabilizar as obras foram desapropriados 120 imóveis em Fortaleza e 50 em Caucaia.

Com ponto inicial localizado na Barra do Ceará, a ponte tem 633,75 metros de extensão e 20,2 metros de largura. Liga a faixa litorânea de Fortaleza às praias do litoral oeste. Custou aos cofres públicos o valor de R$17.039.381,35, gastos pela Prefeitura de Fortaleza. 



 Em junho de 1997, o ministério dos Transportes liberou mais recursos, no total de  R$ 3 milhões para a urbanização das imediações da ponte. E em agosto daquele ano, com a obra concluída, foi liberada a passagem para pedestres.

No ano da inauguração, a empresa que investiu na construção da ponte ganhou das prefeituras de Fortaleza e Caucaia o direito de cobrar pedágio para quem tivesse que fazer a travessia. 



A lei 8.061, sancionada pelo então prefeito Juraci Magalhães, estipulou, inclusive, o prazo para a cobrança do pedágio: 10 anos, sem prorrogação.
Passados os 10 anos, a cobrança da taxa continuou. Questionada a respeito, a construtora informou ao promotor de justiça de Caucaia que, em 2003, o contrato foi aditivado; mas segundo ele, o aditivo não tem força legal.

Depois de muitas marchas e contramarchas, de liminares concedidas e derrubadas, como soy acontece em nosso torrão natal a população levou a pior: a cobrança do  pedágio continua em pleno vigor. R$2,00 por carro pequeno, cada vez que passar pela ponte. 

Prejuízo Ambiental



Não sei se os danos ambientais que o ecossistema sofreu com a construção da ponte foram previstos no Estudo de Impacto Ambiental que deve ter sido apresentado pelos responsáveis pela construção, mas os danos são incontestáveis: 
estudos mostram que as colunas de sustentação instaladas no leito do rio impedem o fluxo normal da água.  



Como o rio é o maior transportador de areia e outros materiais orgânicos para o mar, os pilares acabam funcionando como obstáculos a esse transporte. 
Grande parte da areia acaba se acumulando no entorno das colunas, causando um desequilíbrio  no ecossistema. O prejuízo é distribuído entre o rio, as praias, as dunas e os peixes.  



No rio o desequilíbrio se reflete em primeiro lugar, na profundidade do leito. O aterramento de boa parte das margens e os bancos de areia que se formam devido a presença dos pilares da ponte, deixa o rio cada vez mais raso. Os barcos de pesca só conseguem navegar por  um canal, localizado exatamente no centro do leito.



A pouca profundidade prejudica a reprodução dos peixes, porque a água esquenta mais do que o normal, com isso os peixes acabam procurando outro local para se reproduzir, prejudicando os que vivem da atividade pesqueira.  


Fotos: Raquel Vianna
Fontes:
 Jornal Diário do Nordeste

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Novela do METROFOR

METROFOR: obra interminável (imagem Fortaleza em Fotos)


A lambança começou de fato em 1999. Era a maravilha para a cidade, um transporte integrado servindo aos municípios de Fortaleza, Caucaia e Maracanaú, em modernos trens rápidos e seguros, que daria uma nova qualidade aos usuários de transportes coletivos destas cidades. O projeto não foi concluído até hoje e nem tem data para terminar.

Enquanto não fica pronta sobra para a população o ônus da construção da obra:
Ruas interditadas, imóveis danificados com rachaduras, casas e estabelecimentos comerciais fechados, falta de segurança local, pequenos comércios falidos, dificuldade de acesso, além de problemas de saúde para os que moram no entorno (alergias, problemas respiratórios, stress).

Sempre que aparecem reclamações, os responsáveis desfiam uma lista interminável de benefícios para quando a obra estiver pronta: transporte rápido, tecnologia limpa, ganho de tempo, conforto para os passageiros, etc, etc. O atestado de incompetência já foi dado e passado, só não vê quem não quer.