terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Atuação dos Padres Jesuitas no Ceará



A fé move montanhas e molda cidades. No Ceará, como na Bahia, Pernambuco e São Paulo, os padres jesuítas instalaram aldeamentos para facilitar a conversão dos índios. Essas missões eram aldeias artificiais militarizadas, tendo como chefe um missionário que usava de todos os métodos para domesticar os indígenas. No início, a catequese era frágil: pregações de aldeia em aldeia, de ano em ano. Depois perceberam que o modo mais eficaz de exercer um controle sobre essas populações, era retirá-las do espaço onde estavam. 
À força, em nome de Deus e da civilização, os índios eram afastados dos líderes religiosos, os pajés. O invasor oferecia-lhe três opções: a morte no combate, a fuga no mato ou a religião estrangeira.
O sino da igreja determinava o dia na aldeia artificial. Às cinco horas, despertava as mulheres para as orações e sermões. Pelas quatro da tarde, anunciava o jantar e o rosário. Entre um badalar e outro, o serviço doméstico, a agricultura, a pecuária. Para as crianças, as aulas de leitura, a escrita e religião. À noite eram os homens que eram convocados para a doutrinação. Nas missões, falavam também os instrumentos de tortura – o pelourinho e as mutilações físicas.


A evangelização era feita primordialmente pelos jesuítas, ainda que frades franciscanos tenham atuado. As reações iam desde a aceitação resignada até a rejeição irredutível, que acabava em morte do nativo. O mais comum foi a absorção dos princípios católicos sem abandono das crenças nativas, promovendo o surgimento de uma prática sincrética característica da religiosidade católica cearense.
Para os missionários a religião ancestral era ruim e pecaminosa, enquanto a religião europeia era legítima. Entre outras verdades feitas, pregava-se que os índios só se salvariam mediante o casamento abençoado pelos padres e insistia-se na confissão dos pecados.
Documentos jesuítas, encontrados em arquivos portugueses, guardam o resultado dessa colonização espiritual: os índios vêm à igreja de mãos postas e erguidas, adoram a Deus, que fez o céu e a terra, confessam ao senhor de tudo, assistem em silêncio o santo Ofício, ouvem os avisos e obedecem,  armados de arcos e flechas, mas com o arco em repouso.

Sobre os Padres Jesuítas



A ordem religiosa da Companhia de Jesus integra o clero regular da igreja colonial no Brasil, voltado para a catequese e educação de índios e colonos. É como parte do mundo da Contra- Reforma que o Ceará passará a fazer parte dos projetos jesuíticos de evangelização. Em 1695 este plano começará a ganhar forma com a fundação da aldeia de Nossa Senhora da Assunção da Ibiapaba – atual cidade de Viçosa do Ceará. A partir daí construíram uma rede de aldeamentos. Esta será a condição do Ceará até a expulsão da Companhia, governado politica e religiosamente pelos jesuítas, economicamente assentados na pecuária. Os jesuítas atuaram no Ceará entre 1609 e 1759. Os primeiros registros encontram os padres Francisco Pinto – o Paipina para os índios que acreditavam em seu poder de fazer chover – e Luis Filgueiras entre os tuxaua da Ibiapaba. No tempo dos sermões em latim, a língua sagrada, em que a alta divindade se expressa, os jesuítas ousaram fazer a catequese na língua do nativo.

Sobre as Aldeias Artificiais

 indios Tapebas, em Caucaia
Na memória de Fortaleza, três aldeamentos famosos Parangaba, Paupina (atual Messejana) e Soure (Caucaia). Quando o Marquês de Pombal decretou o fechamento da Companhia de Jesus, em Ordem Régia de 14 de setembro de 1758, as missões foram convertidas em vilas. Assim Caucaia se transformou em Vila Nova de Soure, guiada pelo vigário Antônio Carvalho da Silva; Parangaba mudou para Vila Nova de Arronches, sob o comando do padre Antônio Coelho Cabral; Paupina passou a Vila Nova de Messejana, dirigida pelo vigário Manuel Pegado de Siqueira Cortez. Os jesuítas da extinta Companhia de Jesus seguiram para Pernambuco, e de lá, para as masmorras de Portugal.

Fonte:
Artigo em Nome de Deus e da Civilização, publicado na Revista Fortaleza, fascículo 2 de 16 de abril de 2006 
  

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