segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Uma visita ao acervo do Museu de Arte da UFC (MAUC)


 Barrica
abstração n° 2
óleo sobre tela
Estrigas
Silêncio ao Cair da tarde
1974 
óleo sobre tela 

 Jean-Pierre Chabloz
sem título
grafite sobre papel

 Aldemir Martins
Frutos
Acrílica sobre tela

 Aldemir Martins
Cangaceiro 1977/78
Rendeira 1979
Gato 1979
Acrílica sobre tela 

 Antônio Bandeira
Árvores em azul 
1956
óleo sobre tela

 Antônio Bandeira
Retrato de menino
1942
óleo sobre madeira

 Raimundo Cela
Retrato do pintor Gerson Farias
1940
óleo sobre madeira 

Raimundo Cela
Duas Épocas
1954
óleo sobre madeira
(último trabalho do artista) 

 Descartes Gadelha
As últimas flores para o Santo Conselheiro
óleo sobre tela

 Descartes Gadelha
Os Sobreviventes
óleo sobre tela

 Chico da Silva
O Coral e a Borboleta do Céu
1959
guache sobre cartão

 Nice
sem título
guache sobre papel

 Nearco Araújo
Cidade em Chamas
1963
guache sobre papel

 Zenon Barreto
Abstrações em torno de um barranco
1963
óleo sobre tela

 Jean-Pierre Chabloz
Après la lecture
óleo sobre madeira

 Barboza Leite
Companheiros
1972
óleo sobre tela

 José Fernandes
Rua Guilherme Rocha
1968
óleo sobre tela

 Barrica
Praça Seca
1971
óleo sobre tela

 Sérvulo Esmeraldo
sem título
1959
aquarela sobre papel

 José Fernandes
Cais do Porto II
1958
óleo sobre tela


Floriano Teixeira
O Dono da Noite
1969
óleo e colagem sobre tela

Sérgio Lima
sem título
acrílica sobre madeira

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Inauguração do Serviço de Abastecimento e Saneamento de Fortaleza

Em 21 de junho de 1911, o presidente Nogueira Accioly inicia as obras de abastecimento,  com a construção de duas caixas d’água de ferro, na Praça Visconde de Pelotas e a implantação dos canos para o fornecimento e distribuição de água, tendo à frente o Engenheiro João Felipe. O trabalho foi interrompido com a revolta de 1912.

   fotografia feita do alto das caixas d'águas da Praça Visconde de Pelotas (arquivo Nirez)

O serviço foi abandonado e ficou parado muitos anos. Tão abandonado que as caixas d’água criaram ferrugem e os canos ficaram expostos até se destruírem. Depois foi retomado, em meados da década de 1920, com um projeto inicial de Saturnino de Brito. Mais tarde  veio a firma americana Dwight P. Robinson e Co. Inc. fazer a fase de ampliação e terminar o serviço de água e esgoto, daí é que surgiu o projeto de tratamento de água do Acarape, similar ao que era usado em Castle, nos Estados Unidos.
No dia 3 de maio de 1926, foi oficialmente inaugurado o sistema de abastecimento de água e as caixas d’água da Praça de Pelotas. 


As caixas d'águas foram construídas no ínicio do século XX, no governo de Nogueira Accioly (arquivo Nirez)

Vitoriano Borges de Melo, que tinha executado o projeto, e fez a apresentação do sistema, explicou que não havia perigo de vir nenhum peixe na adutora, porque a estrutura do peixe não suportaria a pressão da água com três atmosferas, como era a tomada d’água. 
Depois de muito aplaudido na apresentação técnica do serviço, ele passa o controle do registro ao governador, José Moreira da Rocha (1924-1928), vulgo Moreirinha para a abertura das torneiras. 


Governador do Estado no período de 1924 a 1928, José Moreira da Rocha, mais conhecido como "Desembargador Moreira" (e pelos íntimos como "Moreirinha") fez um dos piores governos da história do Ceará 

Quando o Moreirinha deu a primeira volta do registro, salta um peixe no calçamento.  O povo gritava: pega o peixe! numa tremenda gozação.  
Borges de Melo não sabia como justificar a presença do peixe, já que ele havia demonstrado, tecnicamente,  que aquilo não podia acontecer.  Enquanto a meninada corria para pegar o peixe, Borges de Melo ficou num silêncio constrangido, sem perder a calma, até o fim da solenidade.
No dia seguinte foi que ele deduziu o que havia de fato acontecido:  na véspera da inauguração, tinha havido o rompimento de um cano na Lagoa de Porangabussu, e esse peixe deve ter vindo em uma bolha de ar na cabeceira do jato d’água, e aí, na inauguração, ele saltou. O peixe não foi esmagado porque estava dentro de uma ampola de ar. Então o Borges de Melo voltou ao local para explicar ao povo o que tinha acontecido.
O fornecimento de água na cidade voltou a ser alterado em 1975, com a inauguração em 30 de setembro, do primeiro reservatório do sistema Pacoti, o Açude Gavião. 


fontes:
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)
Roteiro Sentimental de Fortaleza - depoimento de José Barros Maia (Mainha)
http://www.enciclopedianordeste.com.br/biografia-desem.php

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Noites Boêmias, Zé Tatá e Raimundão

Evaldo Gouveia começou sua carreira de sucessos cantando na Pensão América, da conhecida Madame Nininha, em Fortaleza

Fortaleza dormia cedo. As famílias se recolhiam após a conversa na calçada ou depois de ouvir alguns programas de rádio. Os cantores locais dispunham de seus “quartos de hora”  apresentações de quinze minutos que era precedido pelo prefixo musical de cada um. Lury Santiago começava com as alegres notas do Trem, de Lauro Maia. Gilberto Milfont entrava com os versos da velha valsa Iracema. O elenco era numeroso e de alto nível, cantando os sucessos eternizados pelos cantores nacionalmente famosos daqueles dias, Orlando Silva, Silvio Caldas, Francisco Alves, Carlos Galhardo, Vicente Celestino Carmem e Aurora Miranda, Odete Amaral, Carmem Barbosa, Dalva de Oliveira, e outros.

compositor Lauro Maia (arquivo Nirez)

Se a maioria ia cedinho para a rede, havia o grupo de notívagos que resistia ao chamamento caseiro e optava por ficar pelos arredores da Praça do Ferreira, na boemia.  Os cabarés ficavam no centro, nos velhos casarões herdados de tempos mais antigos, dos quais as chamadas pensões alegres ocupavam o andar superior.
Na Praça, fazendo hora, os boêmios permaneciam até o último ônibus, que saía a meia noite.  Os bondes desativados em 1947, na administração do prefeito Leite Maranhão, também não iam além desse horário. E quando a Coluna da Hora emitia as doze badaladas, uma vaia corria o logradouro, acompanhada dos gritos de ”suburbanos! Suburbanos! “, saudação aos que morando distantes do centro, dependiam do transporte coletivo. 

Praça do Ferreira com a Coluna da Hora (arquivo Nirez)

Os que ficavam, pouco a pouco iam se dispersando, principalmente rumo às pensões. Numerosas e animadas, quase todas possuíam orquestras próprias com seus cantores. Na ”América”, por algum tempo podia-se ouvir o posteriormente famoso Evaldo Gouveia, cantando ao som de um violão. A “Buenos Aires” aos sábados apresentava soirées elegantes, com as mulheres usando vestidos longos em cores berrantes, às vezes em veludo ou lamê. 

prédio na esquina da Rua Barão do Rio Branco com a Guilherme Rocha. As pensões alegres funcionavam no andar superior (arquivo Nirez)

Havia a “Império”, a “City”, o “Bar da Alegria” de Madame Nena, espanhola antifascista, que sabia fazer relações públicas, conhecendo pelo nome a maioria dos fregueses. O cabaré se agitava, os pares dançando ao som de velhas melodias. Mas havia casos de amor verdadeiro entre aquelas mulheres de vida fácil, mas em muitos casos, trazendo no peito dolorosos dramas pessoais.

prédio que abrigava a pensão de D. Amélia Campos

Outro tipo popular da noite era o Zé Tatá, homossexual assumido, de impressionante poder de liderança sobre  o mulherio que comandava. Dizia-se que Zé Tatá escolhia com perfeição as inquilinas de sua casa de lenocínio aprovando-as em testes pessoais, o que servia para colocar em dúvida sua condição de homossexual, como ele mesmo se declarava. Sobre sua figura havia ainda a versão da valentia, homem com H, capaz de resolver qualquer parada no braço. Para tanto não lhe faltavam atributos físicos, dono de elevada estatura e de expressiva massa muscular.


Durante muito tempo foi visto pela cidade, com um cesto de frutas e outras compras que realizava pessoalmente para a última casa de prostituição que manteve na cidade, ali na área do Dragão do Mar, quase debaixo do primeiro viaduto construído em Fortaleza. 
O povo apelidou o referido viaduto de Tatazão em sua homenagem, o que teria provocado um enciumado comentário do prefeito que o construiu, Vicente Fialho: é isso ai, a gente consegue um melhoramento desse porte para a cidade e o povo presta homenagem ao Zé Tatá...
Outra figura identificada com a vida devassa da cidade era o Raimundão, pederasta que não apresentava sinais exteriores de suas preferências sexuais. Pelo contrário, o jeitão era de macho. Atlético, exímio nadador, podia ser visto aos domingos fazendo saltos acrobáticos dos guindastes desativados que se consumiam na Ponte Metálica, antigo embarcadouro de passageiros e cargas antes do advento do Cais do Mucuripe.  

Rua Major Facundo, com o prédio do Majestic em 1930 (arquivo Nirez)

Raimundão vivia no prédio do Majestic, nos altos, onde funcionavam repúblicas e aposentos para rapazes solteiros. Corria a lenda de que ele colocava uma toalha de banho na janela, indicativo de que naquele momento, ele estava acompanhado.
Raimundão exerceu seu oficio por largo tempo, iniciando nas artes do amor centenas ou milhares de adolescentes que não dispunham como agora, das facilidades que a liberação dos costumes permite aos jovens namorados.

Extraído do livro
O Liceu e o Bonde na paisagem sentimental da Fortaleza-Província
De Blanchard Girão

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval 2012 - 2a. feira - desfile de blocos











Até que estava boa a organização dos desfiles na Avenida Domingos Olímpio, observação válida para a segunda feira, dia que fui até lá, mas suponho que tenha se repetido nos outros dias de Carnaval, já que foi montada uma estrutura para o evento. Destaque para os bombeiros, ambulâncias, médicos e socorristas terceirizados, eficientes e tendo muito trabalho. Parabéns aos organizadores.  

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Incêndio do Hotel Avenida

Cruzamento da Rua Barão do Rio Branco com a Guilherme Rocha. O prédio de três andares à esquerda é provavelmente onde funcionou o Hotel Avenida, e que ocupava o mesmo lugar onde agora está a Loja A Esmeralda. Os dois sobrados a seguir estão no lugar que hoje é das Lojas Americanas (acervo Marciano Lopes) 

O Hotel Avenida funcionava na Rua Formosa (atual Barão do Rio Branco), esquina com a Rua da Municipalidade (atual Guilherme Rocha), de propriedade de um comerciante chamado Abílio, que morava lá com a mulher. 
Eram três andares: o térreo, mais dois, onde ficavam os quartos e um mirante.  Ao lado do hotel ficava o Café Poty.  Em setembro de 1929, irrompeu um grande incêndio a partir do térreo. O fogo começou de baixo para cima e rapidamente tomou conta de todo o prédio.
O prédio não tinha nada de hotel, era na verdade uma casa de cômodos. Na época não servia nem café, e os quartos que acolhia os hóspedes eram separados por tabiques de madeira. O incêndio começou de madrugada, enquanto todos dormiam e o proprietário saiu batendo de porta em porta, alertando os hóspedes.  Na época não havia luz elétrica nas ruas, a iluminação pública era a gás carbônico.

a mesma esquina (Barão do Rio Branco com Guilherme Rocha) em 1910 - arquivo Nirez

O poeta Antônio Girão, conta que havia chegado recentemente  de Iguatu, e foi ficar com o irmão mais velho, que era hóspede do hotel Avenida. Na noite do incêndio acordou com a confusão, no escuro, e desceram as escadas correndo (ele, o irmão e mais o Humberto Teixeira, que também morava no hotel e mais tarde tornou-se famoso e conhecido compositor).  Antônio Girão e o irmão Magdaleno, que ocupavam um quarto no terceiro andar, perderam tudo no incêndio.  Depois foram todos morar numa pensão na Rua Major Facundo, que pertencia ao pai de Humberto Teixeira, Sr. Euclides Teixeira, conhecido por João Ferrer.

      Quartel do pelotão de Bombeiros da Força Pública atual Corpo de Bombeiros na Rua Oto de Alencar na Praça do Liceu em 7 de setembro de 1934 - arquivo Nirez

O incêndio do hotel Avenida foi o maior incêndio que houve até então em Fortaleza, e não havia corpo de bombeiros na época, que só foi criado depois, e por causa desse incêndio.  Além do Hotel Avenida foram atingidos a Casa Primor, a Fascinadora, a Alfaiataria Job e a Relojoaria Cancão, deixando anda grandes prejuízos na Casa Zenith e em A Samaritana. O local é onde hoje funciona a Loja A Esmeralda.

Fonte:
Um Certo Contato com a Lua, depoimento de Antônio Girão Barroso

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Colégio Castelo Branco

O colégio Castelo Branco foi fundado no dia 1° de junho de 1900 com o nome de Instituto Miguel Borges, pelo professor Odorico Castelo Branco, na Rua Major Facundo, 156-B. Em 1910 mudou-se para a Rua Senador Pompeu, 24, depois mudou-se para a Praça Senador José Júlio (Praça do Coração de Jesus) onde permaneceu até a morte de Odorico, em 1921. Após o falecimento do seu fundador, o estabelecimento de ensino  recebeu a denominação de Colégio Castelo Branco, teve seu patrimônio alienado à Arquidiocese de Fortaleza e mudou-se para a Avenida Dom Manuel no final da década de 1930.

    foto do arquivo Nirez
O arquiteto autodidata José Barros Maia (Mainha),  aluno do estabelecimento quando este funcionava na Rua Senador Pompeu, conta que o professor Odorico Castelo Branco era um grande educador e disciplinador. No internato, eram oito ou dez alunos, onde havia um aluno chamado Paulo Sanford, um dos melhores do colégio. Todas as vezes que o professor Castelo saía, mandava que Sanford tomasse conta da secretaria.
Odorico Castelo Branco tinha uma filha Odorina, cuja mãe morreu no parto. O professor nunca consentiu que ninguém tomasse conta da filha, ele fazia isso sozinho.  Um dia, ele saiu e chegando na varanda posterior da casa, olhou e viu que o banheiro estava com a porta semiaberta. Perguntou quem era o “imoral” que estava usando o banheiro.  Disseram que era o Paulo Sanford. E então, à tarde, na hora que ele precisava, mandou chamá-lo e disse:  
- ô Paulo, vá tomar conta da secretaria.  O aluno respondeu: 
- não vou, porque um imoral não pode tomar conta da casa onde o senhor tem uma filha. O professor disse:  
- pois o senhor está expulso!
Aí o colégio todo ficou ao lado do Paulo Sanford. Ele pediu desculpas porque estava no meio do ano. No dia seguinte, estavam todos expulsos. Por causa de interferências externas, ele tornou sem efeito a expulsão. Mas expulsou todos os alunos solidários com a providência que ele tinha tomado.
As escolas funcionavam em casas antigas, adaptadas, raramente alguém construía um prédio especificamente para o funcionamento de uma escola. Geralmente o diretor-proprietário  botava a secretaria e algumas salas no corpo principal da casa, o restante era esse complemento de quintal. 
A relação professor/alunos era de muito respeito, o próprio arquiteto Mainha,  para não ser flagrado fumando,  pelo professor Castelo, apagou o cigarro na mão, o que lhe valeu uma marca que ele carregou para o resto da vida.      

Fonte:
Lembrar é Viver de Novo, depoimento de José Barros Maia (Mainha)
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez) 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Povo nas Ruas

A segunda guerra estourou a 1° de setembro de 1939, quando as tropas de Hitler invadiram a Polônia, rompendo os acordos pacifistas celebrados entre os governos da Alemanha nazista e os da Inglaterra e França, através dos  quais um pedaço do território tcheco foi sacrificado em favor das pretensões expansionistas da Alemanha.
Era um quadro que exigia definições políticas dos demais países. A Itália fascista, ideologicamente identificada com o nazismo, tomou posição ao lado de Hitler. O Japão, onde o militarismo controlava o poder simbolicamente exercido pelo imperador Hiroito, fez o mesmo.  Em sentido oposto, Inglaterra e Franca deram por encerrado o período de concessões e tolerância para com a disposição alemã de expandir suas fronteiras e dominar mercados.

Além de Estados Unidos e Canadá, o Brasil foi o único país das Américas a entrar na Segunda Guerra Mundial

No Brasil, dois anos antes de começar o conflito, Getúlio Vargas implantara o Estado Novo, apoiado pelo esquema militar direitista que prevalecia no organismo interno oficial, a tal ponto que o general Góes Monteiro, Ministro da Guerra (comandante das forças armadas do país) recebera um convite do Governo alemão, através do seu embaixador no Brasil, para participar de manobras do exército nazista.
O grande complexo industrial germânico, liderado pela Krupp, que conseguira transformar a máquina bélica de seu país e na maior e mais poderosa do mundo, enviava propostas tentadoras ao governo brasileiro, com vistas a construção de uma siderúrgica, sonho acalentado por Vargas.


Em 1943, o Presidente norte- americano Roosvelt visita a Base de Natal 

Já em 1940, num encontro com altos comandantes militares, a bordo do encouraçado Minas Gerais, Getúlio pronunciou um discurso francamente simpático à causa hitlerista, o que levou o escritor cearense Gustavo Barroso, pertencente às fileiras do Integralismo, a elogia-lo publicamente.  
O navio brasileiro Siqueira Campos, abarrotado de armas alemãs para o exército brasileiro, foi aprisionado pela marinha inglesa, gerando um incidente diplomático de grande repercussão, o que levou o general Eurico Dutra a sugerir a declaração de guerra à Grã-Bretanha, o que se tivesse se consumado, significaria o engajamento oficial do Brasil ao Eixo, integrado por Alemanha, Itália e Japão.


O Navio Baependi, afundado na noite do dia 15 de agosto de 1942, por um  submarino alemão que resultou na morte de 270 pessoas.

Pressentindo o perigoso rumo tomado pelo governo brasileiro, os Estados Unidos, ainda neutros , mas já colaborando com a Inglaterra, ofereceram um empréstimo de 20 milhões de dólares para Getúlio montar sua siderúrgica. A Usina de Volta Redonda começou a ser  construída em 1941.
O ano de 1941 reservaria dois eventos decisivos para os caminhos da guerra: a invasão da União Soviética pelo exército alemão, e o ataque japonês à base americana de Pearl Harbour, destruindo grande parte da esquadra dos Estados Unidos.
No âmbito do Governo Vargas começa um processo de desagregação por conta do posicionamento nacional face ao conflito. O grupo democrático, cujo principal destaque era o Ministro das Relações Exteriores Oswaldo Aranha, conseguiu se sobrepor aos simpatizantes do nazismo, resultando disso a demissão de Felinto Muller, Chefe de Polícia do Distrito Federal, do advogado Francisco Campos, responsável pela elaboração da Constituição do Estado Novo, e Lourival Fontes, o "Dr. Goebels" tupiniquim.


Navio brasileiro Alcântara, afundado na Baía de Guanabara pelos alemães 

Enquanto isso tinha inicio as manifestações populares contra a Alemanha, e a favor da entrada do Brasil na guerra ao lado das nações democráticas. Os protestos se acirraram a partir de 1942, quando submarinos alemães afundam o cargueiro Cabedelo, o primeiro de 36 navios nacionais destruídos pelos submarinos nazistas no Atlântico Sul.
A cada afundamento de nossos barcos - entre os quais alguns de passageiros como o transatlântico Buarque, o Baependi, o Siqueira Campos - crescia a fúria popular.


A Praça do Ferreira sempre foi o espaço das grandes manifestações populares (foto da década de 1960, antes da reforma. Arquivo Nirez) 

A Praça do Ferreira, era o espaço das grandes manifestações antifascistas. O clímax desse estado de ânimo das massas brasileiras ocorreu no dia 18 de agosto de 1942, quando manifestações violentas deixaram o campo dos discursos e slogans, para descambar numa incontrolável desordem da massa encolerizada, que investiu contra tudo o que tivesse alguma vinculação com os países do Eixo.


A multidão toma o centro de Fortaleza em agosto de 1942, e promove uma violenta manifestação contra os países do Eixo e a indefinição do governo brasileiro diante do conflito. 

Centenas de estabelecimentos, pertencentes a alemães, italianos e japoneses foram invadidos, depredados e incendiados em todas as grandes cidades brasileiras, inclusive Fortaleza.  A cidade naquela época não passava de um burgo de pequeno a médio porte, com seus 200 mil habitantes, concentrando o grosso de sua movimentação urbana no centro.


As Lojas Pernambucanas, da firma Lundgren Tecidos, foi uma das atingidas pelo quebra-quebra (foto Ah, Fortaleza!)

A polícia do Estado Novo,  com destaque para um grupo de quepes vermelhos, a temível Polícia Especial, foi impotente para conter a multidão revoltada. Uma a uma, as lojas de alemães e italianos – Sapataria Veneza, Laboratório Bayer, As Pernambucanas (cujos proprietários nem eram alemães, mas foi confundida como tal, por conta de um dirigente que se expressava em língua alemã) – foram destruídas em poucas horas de turbulência.


A Casa Veneza, localizada na esquina das Ruas Liberato Barroso e Major Facundo, foi destruída durante a manifestação, fechou e tornou a abrir na década de 1980. Tempos depois, fechou em definitivo. O prédio encontra-se desocupado e até hoje ostenta o nome do estabelecimento. (foto de 1983 de Nelson Bezerra). 

Naquela ocasião apareceram os aproveitadores que promoveram um saque jamais visto em Fortaleza. Caminhões e outros veículos encostavam às portas dos estabelecimentos atingidos e carregavam montanhas de artigos, peças de tecidos, sapatos, caixas de medicamentos.
Treze dias depois das manifestações – que em Fortaleza chamaram de quebra-quebra – o governo Getúlio Vargas declarava oficialmente guerra aos países do Eixo: Alemanha, Itália e Japão.  A segunda Guerra Mundial terminou no dia 2 de setembro de 1945.


manchete do Jornal O Povo anunciando o fim da guerra na Europa

Fonte:
O Liceu e o Bonde na paisagem sentimental da Fortaleza – Província, 
de Blanchard Girão