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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

As Igrejas Católicas nos bairros

 

A igrejas católicas mais antigas da capital estão em sua maioria localizadas no Centro, não por acaso, a parte mais antiga da cidade. Mas, encontramos em diversos bairros, igrejas tão antigas quanto as do Centro, construídas com recursos dos fiéis, seguidores da fé católica, que não economizaram nem recursos nem trabalho para a concretização de seus objetivos, testemunhos de sua crença na igreja de Roma.

Igreja de Bom Jesus dos Aflitos – Parangaba  (1664)


A Igreja de Bom Jesus dos Aflitos foi sendo estabelecida a partir de 1664, durante o processo de instalação dos aldeamentos jesuítas e da ocupação indígena no Ceará, quando os padres deslocaram os índios Potiguaras, que se encontravam na região do rio Ceará, para Porangaba, formando o aldeamento homônimo.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Praia de Iracema (1841)


Em 26 de outubro de 1839, Antônio Joaquim Batista de Castro, morador no Outeiro da Prainha, requereu uma licença à Câmara Municipal, para que ele e outras pessoas pudessem construir uma capela de invocação a Nossa senhora da Conceição.  A licença foi concedida no dia 30 do mesmo mês. Os fiéis resolveram então, organizar uma irmandade e escolher o lugar onde seria edificado o templo. Concordaram que o local seria sobre a colina fronteira à praia, ficando a capela de frente para o oriente. A igreja foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1841.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Messejana (1873)

A Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luís Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que estabeleceram um aldeamento e no local ergueram uma capela, que serviu de base para a igreja atual. Localizada na Rua Joaquim Bezerra, em Messejana.

Igreja dos Remédios – Benfica (1910)


A Igreja de N. S. dos Remédios, uma das mais antigas da cidade, foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1910, nos arrabaldes do Benfica.  A iniciativa de sua construção partiu de João Antônio do Amaral, que desejava construir uma capela em terreno de sua propriedade, no Benfica, com a denominação de N.S. dos Remédios, de quem era devoto, e por ser a padroeira da Freguesia em que nascera, na ilha de S. Miguel, uma das Açores.

Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes – Jacarecanga (1913)


A capela foi mandada construir pelo abolicionista e empresário Alfredo Salgado, com benção e inauguração no dia 06 de abril de 1913, com missa rezada pelo Bispo Dom Xisto Albano. Com o tempo a antiga capela desapareceu dando lugar a igreja atual. 

Igreja Jesus Maria José – Antônio Bezerra (1915)


Fundada em 1915, a partir de uma capela privada construída em terras de Teófilo Rufino Bezerra de Menezes. O terreno onde seriam construídas a Igreja matriz, a pracinha, a casa paroquial e a quadra foi doado pelo Presidente, Sr. Antônio Bezerra de Menezes, mediante entrega do documento de doação à Cúria Metropolitana.

Igreja de São Gerardo Magela – São Gerardo (1925)

imagem: Facebook da Paróquia de São Gerardo 

A primeira capela dedicada a São Gerardo nasceu da iniciativa de um grupo de catequistas que conseguiram a doação de um terreno localizado na Avenida Bezerra de Menezes, por parte do casal Gaudioso e Donatila de Carvalho, no ano de 1924. Obtido o terreno, passaram a trabalhar para arrecadar recursos para a construção da capela, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 25 de agosto do mesmo ano. Em 18 de outubro de 1925 o templo foi inaugurado e recebeu a primeira benção. No dia 19 de julho de 1934, a pequena capela, reformada e ampliada, foi elevada ao status de Paróquia de São Gerardo Magela pelo Arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes.

Igreja do Cristo Rei – Aldeota (1930)

imagem: site da Paróquia do Cristo Rei

Construída entre 1928 e 1930, com plena participação da comunidade pastoral, que se engajou física e financeiramente na construção do templo. A princípio o a igreja teria como padroeiro São Luiz Gonzaga, mas a denominação foi mudada para Cristo Rei em face da da Encíclica de Cristo Rei, publicada em 1928, pelo Papa Pio XI. Com exceção da imagem do Cristo Rei que está no altar principal, as demais imagens dos santos são de origem portuguesa e especialmente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, confeccionada pelo arquiteto português Thetin, na década de 1920, a partir da descrição dos pastores que viram a aparição da virgem.

Igreja da Piedade – Joaquim Távora (1930)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Nos primórdios do século XX, havia no local uma capela sob sua invocação. No dia 08 de julho de 1928, a capelinha desabou, sendo construída em seu lugar a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, com a ajuda de paroquianos e do arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes. Em 1934 a Igreja foi doada pelo arcebispo aos padres Salesianos. A imagem da padroeira que encima o altar-mor veio da Espanha em 1953, doada pela família Gentil Barreira.

Igreja Nossa Senhora das Dores – Farias Brito (Otávio Bonfim) (1932)


Inaugurada em 1932, por meio de doações.  A construção da Igreja das Dores e do convento de São Francisco muito deve aos esforços de Dom Manoel da Silva Gomes, que se empenhou na vinda dos franciscanos menores para Fortaleza, inclusive fazendo a doação de um terreno para a construção da igreja e do convento dos franciscanos, anexo. A Igreja N.Sra. das Dores sucedeu à antiga capela de São Sebastião levantada na praça a que deu o nome, na antiga Estrada do Gado, hoje rua Justiniano de Serpa.

Igreja Nossa Senhora da Saúde – Mucuripe (1934)


A Igreja Nossa Senhora da Saúde foi fundada pela própria comunidade de pescadores do Mucuripe, inaugurada em 1934. O padre José Nilson influenciou a vida religiosa do bairro por causa da interação com os moradores, e lutou com eles pelas melhorias do local. Contam que, antes da chegada do antigo pároco, a comunidade do Mucuripe era esquecida e nenhum religioso ficava mais de dois anos no comando da paróquia. Em maio de 1950, padre Zé Nilson foi enviado ao Mucuripe por Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a previsão de ficar somente dois anos, como seus antecessores. No entanto, o religioso acabou ficando por 50 anos. A Imagem de N. Senhora da Saúde, na praça da matriz, é um trabalho do escultor Deoclécio Diniz, conhecido por "mestre Bibi" ou "Bibi Santeiro".

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré – Montese (1948)


Inaugurada em 1948, em terreno doado pelo casal Sindulfo Serafim Ferreira Chaves e sua mulher, Dulcinéia Gondim Chaves, donos de uma extensa propriedade denominada Sitio Bom Futuro, de onde o terreno foi apartado.  A arquitetura do templo reproduz a planta de uma igreja da Holanda.

Santuário Nossa Senhora de Fátima – Fátima (1953)

imagem: site do Santuário de Fátima/Paulo Vasconcelos

O templo foi construído no ponto mais alto de uma elevação de terra, onde antes havia uma extensa vegetação. Foi inaugurada em 1953, com variadas contribuições de fiéis, inclusive das classes mais abastadas. A ideia de construção da igreja está ligada a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorreu vários países da Europa e alguns Estados do Brasil, e iniciou uma visita a Fortaleza em 9 de outubro de 1952.

Igreja de São João Batista – Tauape (1957)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Até o dia 23 de dezembro de 1936, a Igreja de São João Batista era a sede da Matriz Santa Terezinha. A construção da Igreja Matriz de São João Batista foi iniciada em 09 de outubro de 1957, e segundo depoimento de moradores antigos, demorou quase 10 anos para ser concluída. O templo foi construído com o esforço dos padres e ajuda do povo. A antiga igrejinha hoje abriga o salão paroquial.

 

Igreja da Santíssima Trindade – bairro José Walter – 1970

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – bairro Mondubim – 1982

Igreja de São Francisco Xavier – Conjunto Esperança – 2015

Igreja Jesus Maria |José – bairro Vila União – 1968

Igreja Nossa Senhora das Graças – bairro Pirambu – 1958

Igreja de São Vicente de Paulo – bairro Dionísio Torres – 1971

Igreja de São Raimundo Nonato – bairro Rodolfo Teófilo – 1948

Igreja de Nossa Senhora da Glória – Cidade dos Funcionários – 1968

Igreja de Santa Luzia – bairro Meireles – 1957

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes – bairro Lourdes – 2000

Igreja São Francisco de Assis – bairro Dias Macedo – anos 60

Igreja de Santo Afonso Ligório (Igreja Redonda) – Parquelândia – 1978

Igreja de São José – Papicu – 2012

Igreja do Divino Espírito Santo – bairro Cidade 2000 – 1975

Igreja Nossa Senhora da Paz – bairro Aldeota – 1961

Igreja de Santo Antônio de Pádua – bairro Maraponga – 2006


Fontes: 

As pouco lembradas Igrejas de Fortaleza/Eduardo Fontes/Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto/1983/

https://www.fwa.org.br/livros/datas-e-factos-para-a-historia-do-ceara-tomo-iii.pdf

https://bairrosjtauape.blogspot.com/

https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/

Jornais O Povo, Diário do Nordeste 

 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Os Bondes Elétricos da Ceara Tramway Light and Power Co. Ltd

 A substituição dos bondes de tração animal pelos tramways ou bondes elétricos envolveu transações que se prolongaram por quase cinco anos. Desde que Tomé Augusto da Mota adquiriu a antiga empresa Ferro-Carril do Ceará, e assumiu a concessão de transportes urbanos por força da lei n° 916, de 24 de agosto de 1907, a intenção era trazer para a cidade um sistema mais moderno. 

Assentamento dos trilhos de bondes elétricos na rua 24 de janeiro, atual Rua Guilherme Rocha - maio de 1913 (foto do livro A História da Energia no Ceará)

Com o estudo de viabilidade favorável e prévios acertos com os investidores britânicos, a operação final foi assegurada pela ampliação da concessão, no contrato firmado a 12 de maio de 1911, incluindo como atrativo, não só os bondes elétricos, mas os serviços de luz e força elétrica na região de Fortaleza. Este ato foi complementado pela venda formal de direitos ao grupo inglês, por 178 mil libras esterlinas, conforme registro em cartório em 24 de junho de 1912. 
Instalava-se dessa forma a The Ceará Tramway Light and Power Co. Ltd. na capital cearense com o objetivo imediato de promover os transportes urbanos com tramways, que no Brasil foram chamados de bondes elétricos. 

 circulação de bondes na Rua Major Facundo, trecho da Praça do Ferreira (arquivo Nirez)

A empresa inglesa constituída com o exclusivo objetivo de operar no Ceará, tinha sede em Londres, na New Broad Street, n° 42. Nos contratos a empresa indicava que o seu escritório em Londres, era o n° 4, no London Wall Buildings e sua diretoria era composta por C. Hunt, A.A. Campbel Swinton, E.B. Forbes e Sir Howland Roberts. Para administrar a empresa em Fortaleza, foi contratado Hugh Mackeen, nascido no Ceilão. Ele seria o primeiro gerente local e teve papel decisivo na realização das obras iniciadas a 9 de maio de 1912.
Em termos efetivos, a operação de transferência de concessão e compra da Ferro-Carril deu ao grupo inglês total responsabilidade de gestão dos transportes coletivos locais. Continuaram os bondes a burro, aguardando as obras que viabilizariam a substituição gradual por bondes elétricos. 

 Usina da Ceará Light no Passeio Público (foto do arquivo Nirez)

No dia 9 de maio de 1912, no local da futura usina elétrica, correspondendo ao terceiro plano do Passeio Público, em frente à Rua da Praia, realiza-se uma festividade para descerrar a pedra fundamental. Foram 18 meses de trabalho para montagem da usina, das linhas de transmissão, e para implantação dos serviços técnicos e de apoio. A equipe dirigente da Ceará Light, em Fortaleza, era formada quase que exclusivamente por cidadaõs ingleses. Foi representante local da diretoria inglesa o Engenheiro Francis Reginald Hull; como gerente geral, o Dr. E.M. Scott, manteve formalmente esse cargo até que a legislação federal, consequente da revolução de 30, tornou obrigatória a presença de brasileiros na gestão de empresas estrangeiras. 

 veículo utilizado para conserto das linhas do bonde (foto do memorial fotográfico do transporte do Ceará)

Numa primeira fase de funcionamento, voltada para os bondes elétricos, os geradores da companhia foram acionados por máquinas alternativas, a vapor; posteriormente, a empresa instalou uma turbina elétrica a vapor. Num período intermediário, a Ceará Tramway Light ficou operando simultaneamente  com máquinas alternativas e turbinas, até que as primeiras não fossem mais necessárias na geração de energia. 
Para o serviço de tramways foram adquiridos 30 bondes e um carroção para transporte de cargas, em 1912; essa frota foi acrescida de 10 bondes comprados em 1927 e mais 13, em 1938. Na operacionalização do sistema a energia em 500 V era destinada à tração dos bondes, enquanto a de 250 era utilizada para uso na iluminação residencial e comercial.

 veículo para transporte de cargas (Arquivo Nirez)

Em 1913, antes da estreia dos bondes, a empresa deu início ao esforço de atrair consumidores residenciais. Um empregado percorria as ruas com linhas elétricas e fazia ligações provisórias como demonstração, deixando uma lâmpada instalada durante 24 horas. Afinal, em 9 de outubro de 1913, com a presença do Intendente Municipal, ocorre a festividade de inauguração do tráfego de bondes elétricos na linha da Estação Joaquim Távora. No dia 12 de janeiro de 1914 é inaugurada a linha entre a Travessa Morada Nova e a Praia de Iracema, denominada de Linha da Praia. No mês seguinte, em 14 de fevereiro, começava a funcionar a Linha do Outeiro (Santos Dumont-Aldeota).

 Posto central da Ferro-Carril, na Praça do Ferreira, logo após sua transferência para a Ceará Tramway, ostentando placas com os nomes das duas empresas (foto do livro História da Energia no Ceará)

A Ceará Tramway Light procurava então desfazer-se do patrimônio da antiga Ferro-Carril. Por contrato, assumiu a responsabilidade pela manutenção e trato de 200 muares, o sr. Francisco Correia, a quem se conferia o direito preferencial de compra. Os veículos foram vendidos para a empresa Teixeira Mendes, de São Luís, Maranhão, constando que, na chegada, alguns veículos foram jogados ao mar pelos catraieiros que protestavam indignados pela aquisição de verdadeiras sucatas.

extraído do livro de Ary Bezerra Leite
História da Energia no Ceará.