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terça-feira, 21 de outubro de 2025

Personagens que Nomeiam as Ruas de Fortaleza


A história de Fortaleza está escrita em cada rua da cidade, nas placas que indicam nomes e feitos que influíram nos destinos da urbe. Por trás de cada uma vez delas, há uma trajetória que a maioria dos moradores desconhecem. Conheça alguns deles.

Rua Dragão do Mar – parte da antiga Rua da Praia e antiga Rua da Alfândega localização: Praia de Iracema – começa na Avenida Leste-Oeste termina na Avenida Beira Mar


Rua Dragão do Mar (imagem Fortaleza em Fotos-2010)

Homenagem a Francisco José do Nascimento, nascido em 1839 e falecido a 5 de março de 1914. Em 1859 trabalhou nas obras do Porto de Fortaleza e iniciou o trabalho de marinheiro numa embarcação que fazia linha Maranhão-Ceará. Como prático da Capitania dos Portos, convivendo com o drama do tráfico de escravos, e sendo mulato, se envolveu na luta pelo abolicionismo, uma das atitudes foi o fechamento do Porto de Fortaleza ao tráfico de escravos para outras províncias. Em 1889, foi reconduzido ao cargo na Capitania dos Portos, que havia perdido por envolvimento com as lutas abolicionistas. Em 1890 recebeu a patente de Major – Ajudante de ordens do Secretário Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado.  

Rua Nogueira Acioly – antiga Rua da Aldeota.  Localização: Centro – começa na Avenida Santos Dumont – termina na Rua Costa Barros. 


Rua Nogueira Accioly (foto Arquivo Nirez)

Antônio Pinto Nogueira Accioly foi presidente da Província do Ceará por três mandatos: 1896 a 1900; 1904 a 1908 e 1908 a 1912. Depois de 15 anos de liderança política, foi deposto numa conturbada revolta urbana que durou três dias. As principais ruas e praças de Fortaleza se transformaram em campos de batalha, na maior explosão de revolta que a capital já conheceu. Armada, a população ocupou vários pontos da cidade, inclusive o Palácio do Governo, onde estava Accioly. Formou barricadas, promoveu saques e destruiu símbolos do poder de então. Entre os alvos, a Praça Marquês de Herval, remodelada pelo intendente Guilherme Rocha, e onde estava localizada a residência de Accioly, na esquina das ruas Guilherme Rocha com 24 de maio. A revolta durou de 21 a 24 de janeiro de 1912, e só terminou com a deposição do presidente da província. O presidente Accioly juntamente com outros familiares, foram encaminhados para o Quartel do Exército onde no dia seguinte foram embarcados com destino ao Rio de Janeiro. O ex-presidente, que nunca mais retornou ao Ceará, fixou residência na então capital federal onde faleceu no dia 14 de janeiro de 1921.

Rua General Bezerril – antiga Rua do Quartel. localização: Centro – começa na Rua Assunção – termina na Rua do Rosário


Rua General Bezerril, anos 50 (foto Arquivo Nirez)

José Freire Bezerril Fontenele participou da deposição violenta do General Clarindo de Queirós, assumindo o governo do Ceará em 17 de fevereiro de 1892. No dia 18 passa as funções para o Vice-Presidente Benjamin Barroso que providencia a saída do poder de todos os elementos ligados ao governo deposto, inclusive uma nova eleição para a Assembleia e a dissolução da anterior.

Avenida Alberto Nepomuceno – antiga Rua da Ponte, e Sena Madureira. Localização: vai do Poço da Draga, até a Travessa Crato, na região do Centro.


Avenida Alberto Nepomuceno (imagem Fortaleza em Fotos-2013)

Maestro, compositor, pesquisador e intérprete, foi um dos primeiros a estudar profundamente o folclore brasileiro, entre suas conquistas está a criação de um idioma musical próprio e caracteristicamente nacional, com o emprego de instrumentos típicos da música regionalista. Em 1903, quando era diretor do Instituto Nacional de Música é convidado pelo historiador Barão de Studart para compor o Hino do Ceará. Compõe depois a ópera  “O Guarani” inspirada na obra de José de Alencar. Em 1907 faz uma reforma do Hino Nacional Brasileiro, regulamentando sua execução pública e oficializando a letra de Osório Duque Estrada. Alberto Nepomuceno nasceu em 1864, em Fortaleza e faleceu em 1920.  

Rua Meton de Alencar – antiga Rua São Sebastião. Localização: começa na Avenida Duque de Caxias e termina na Avenida Tristão Gonçalves, no Centro.

Meton de França Alencar nasceu em Messejana, em 1843. Médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, participou da Guerra do Paraguai onde adquiriu a prática necessária para exercer a profissão; no final do conflito, recebeu do Imperador a patente de Capitão, o título de Primeiro Cirurgião do Exército e a Medalha Comemorativa da Campanha. Em 1871 retornou a Fortaleza onde foi nomeado médico da Santa Casa. Ficou famoso pela caridade, habilidade no trabalho e pioneirismo. Foi o primeiro a realizar cirurgia nervosa e autor da primeira transfusão de sangue no Brasil. Na política, foi eleito Deputado Geral pelo Partido Liberal. Faleceu em 1893.

Avenida Historiador Raimundo Girão – antiga Avenida Aquidabã. Localização:  Praia de Iracema e Meireles. Começa na Avenida Rui Barbosa e vai até a Praia de Iracema, terminando na Avenida Beira-Mar.

Raimundo Girão nasceu na Fazenda Palestina, em Morada Nova em 3 de outubro de 1900. Foi prefeito de Fortaleza no período de 1932 a 1934; primeiro titular da Secretaria Municipal de Urbanismo; ministro do Tribunal de Contas do Ceará; secretário de Educação e Cultura; primeiro dirigente da Secretaria de Cultura do Ceará; presidente do Conselho Penitenciário do Ceará. Foi membro da Academia Cearense de Letras e seu presidente, no período de 1957/1958. Foi membro correspondente de várias instituições de estados do Brasil, detentor de vários títulos honoríficos e medalhas. Faleceu em Fortaleza, no dia 24 julho de 1988.

Rua Jaime Benévolo – antiga Rua do Açude, da Cruz e Dr. João Tomé. Localização: começa na Avenida da Universidade e termina na Rua Costa Barros. Bairro de Fátima.

Nasceu em Maranguape, em 27 de agosto de 1854. Oficial do Exército, teve participação decisiva no movimento que culminou com a Proclamação da República. Foi considerado por jornalista da época, “um dos mais denodados propagandistas da República”, observando que sem ele talvez não tivesse havido o 15 de novembro. Durante o governo provisório que se seguiu o 15 de novembro, Jaime Benévolo foi nomeado para compor o Conselho Municipal na Capital da República. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1905.

Avenida Dom Luís – antiga Rua Farias Brito. Começa na Avenida Santos Dumont e termina na Avenida Washington Soares


Avenida Dom Luís (imagem Fortaleza em Fotos-2014)

Luís Antônio dos Santos nasceu em 17 de março de 1817 e faleceu no dia 11 de março de 1891. Foi o primeiro bispo do Ceará, responsável pela instalação do Seminário da Prainha, que contribuiu para a divulgação do ensino religioso no Ceará. Inaugurou o Colégio dos Órfãos Pobres, o Colégio da Imaculada Conceição e o Seminário do Crato. Na grande seca de 1877, quando as epidemias matavam centenas de cearenses, Dom Luís não media esforços nas obras sociais, mesmo com o risco da própria vida.

Rua Isaac Amaral – começa na Rua José Villar termina na Rua Barbosa de Freitas

Isaac Correia do Amaral Nascido em Fortaleza, em 18 de setembro de 1859, falecido em abril de 1942, na Serra de Guaramiranga. Foi projetista e construtor, destacando-se entre seus trabalhos a Igreja do Pequeno Grande e o antigo Parque da Independência, atual Cidade da Criança. Mas foi no campo abolicionista que teve participação decisiva. Realizava furtos de escravos e contribuiu ao lado de companheiros da Sociedade Cearense Libertadora para impedir o tráfico de negros no Porto de Fortaleza. Participou ainda da memorável sessão de 24 de maio de 1883, quando se declarou a liberdade total dos escravos no Ceará.

Rua Dias da Rocha – começa na Avenida Senador Virgílio Távora e termina na Avenida Padre Antônio Tomás.

Francisco Dias da Rocha foi um dos pioneiros do estudo e reconhecimento dos recursos naturais do Ceará. Cofundador e um dos primeiros professores da Escola de Agronomia, publicou vários trabalhos sobre botânica, enumerando centenas de espécies nativas e cultivadas, de efeito terapêutico. É atribuída ainda a Dias da Rocha a descoberta da janaguba, indicada em importantes tratamentos médicos. Com muito esforço, reuniu peças representativas da antropologia, flora, fauna, mineralogia e geologia do Estado. Uma vida dedicada à pesquisa, ao ensino e à ciência.

Avenida Antônio Sales – começa na Avenida Visconde do Rio Branco e termina na Avenida Engenheiro Santana Junior. Atravessa os bairros Joaquim Távora, Dionísio Torres, e termina no bairro Água Fria.

O escritor Antônio Sales nasceu em 13 de junho de 1868, no distrito de Parazinho, próximo a Paracuru, lugar que foi soterrado pelo avanço das dunas. Participou de várias associações, como o Clube Literário, Clube de letras e Clube Americanista. Mas sua maior atuação foi na Padaria Espiritual, inspirador e principal animador dessa agremiação literária.

Rua Coronel Ferraz – antiga Travessa do Colégio, Travessa São Luís. começa na Rua Costa Barros termina na Rua Franklin Távora


Rua Coronel Ferraz com a escola Jesus Maria José (imagem Revista O Malho-1915) 

Luiz Antônio Ferraz foi o primeiro governador do Ceará no período republicano. No dia 16 de novembro tomou posse do governo provisório, nomeando uma comissão executiva. Permaneceu na chefia do poder Executivo até janeiro de 1891, quando foi substituído por João Cordeiro. No decorrer de sua administração, diversos fatos marcaram a vida política local, sua arregimentação partidária e suas ambições eleitorais. O coronel Ferraz precisou deixar o cargo no dia 9 de janeiro de 1892, por motivo de saúde. Licenciado, viajou para o Recife, onde faleceu no dia 1° de fevereiro.


Fontes: 

História Abreviada de Fortaleza e Cônicas sobre a Cidade Amada, de Mozart Soriano Aderaldo. Fortaleza, Programa editorial Casa José de Alencar,1998.

A História do Ceará Passa por Esta Rua, de Rogaciano Leite Filho. Fortaleza, Fundação Demócrito Rocha, 1988.

Guia Turístico da Cidade. Prefeitura Municipal de Fortaleza, 1961

Fortaleza Velha: crônicas. João Nogueira. Fortaleza, edições UFC/PMF, 1980

wikipédia

terça-feira, 22 de julho de 2025

A Criação do bairro Pirambu

 

O Pirambu está localizado no litoral oeste da cidade.  No passado, finais do séc. XIX, a região do Pirambu, era uma vasta zona de praia, formada por dunas, areias alvíssimas, algumas lagoas e um ou outro casebre de pescadores, que preferiam habitar a região do Mucuripe ou da Praia de Iracema.




A área começou a ser ocupada a partir de emigrantes que fugiam das secas, que periodicamente assolavam as cidades do interior do Estado,  e das calamidades que as estiagens traziam, fome, miséria, doenças, desemprego. Os governantes ficaram alerta pelos problemas que precisaram enfrentar em estiagens anteriores, decorrentes do aumento súbito da população, carente e faminta, e pensaram numa solução para situações vindouras: Os Campos de Concentração.

Os retirantes da seca de 1932, que chegaram nos trens, foram isolados num dos tais espaços; cerca de 1800 pessoas ficaram no lugar hoje conhecido por Pirambu. Depois que passou o período crítico da seca, muitos voltaram para seu lugar de origem, e muitos ficaram em Fortaleza, no Pirambu. Os que desistiram de voltar construíram barracos, conseguiram trabalho nas fábricas que se instalaram ao longo da Avenida Francisco Sá e na rede ferroviária, nas oficinas do urubu. A vizinhança de poder aquisitivo reduzido, incomodou os ricos moradores do Jacarecanga, que iniciaram busca por novos locais de moradia. 



As dunas foram ocupadas, as lagoas foram aterradas, os moradores se multiplicaram e o Pirambu se firmou como a maior favela de Fortaleza. O lugar não tinha nenhuma urbanização nem contava com infraestrutura, os terrenos tinham preços mais em conta para as famílias de migrantes. Haviam os que em muitas oportunidades os ocupavam clandestinamente, daí o crescimento irregular, com a propagação de lotes de tamanhos irregulares, casas modestas e favelas, becos e ruas estreitas, tortuosas e sem saída, e inexistência de espaços públicos e áreas de lazer. O bairro foi criado em 1932.  

Os ocupantes do Pirambu já contavam em torno de 5 mil pessoas, quando apareceram duas famílias alegando que eram donas da área, os Braga Torres e os Carvalho. Pressionavam os moradores para que desocupassem as terras ou vendessem os terrenos. Sentindo-se ameaçados, os moradores começaram a se organizar, a se reunir. Mas não tinham uma liderança, não queriam interferência política e não chegavam a um acordo sobre o que fazer.

Então convidaram o padre Hélio Campos, que havia pouco tempo tinha se formado capelão da Marinha, e atuava na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Corria o ano de 1958, quando descobriram que nem os Braga Torres e nem os Carvalho eram donos da área. E sob a liderança do padre, iniciaram um movimento pela manutenção da posse da terra, pela melhoria das condições sociais e de moradia e contra novas ameaças de expulsão. Por força do decreto nº 1058, de 25 de maio de 1962, que declara tais terras de utilidade pública para execução de plano habitacional em favor dos seus moradores, hoje, os terrenos são considerados de propriedade comunitária.


Com o aumento da ocupação da área, o Pirambu foi dividido em vários bairros, embora a região situada entre o bairro Moura Brasil e a Barra do Ceará continue sendo conhecido como o “Grande Pirambu”. Vários projetos, associações e ONG's atuam na área do Grande Pirambu, na busca de melhorar a qualidade de vida dos moradores, equacionar problemas estruturais e dessa forma, mudar a história daquela região, contada por anos e anos de pobreza, preconceito e exclusão social. De acordo com o IBGE (Censo de 2022), o Pirambu abriga a maior favela do Ceará.   


Consultados: 

https://www.ebc.com.br/especiais-agua/campos-de-concentracao

Verso e reverso do perfil urbano de Fortaleza, de Gisafran Nazareno Mota Jucá. 

Fotos G1/Jornal Diário do Nordeste/IBGE/


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Bairro Cidade dos Funcionários

Em razão do crescimento populacional de Fortaleza o núcleo central da cidade passou por um processo de adensamento, obrigando seus habitantes a se deslocarem gradativamente para áreas mais distantes. No centro permaneceram as atividades tipicamente comerciais. As classes mais abastadas dirigiram-se primeiro para o Benfica e Jacarecanga, depois para os bairros da zona leste, então com características residenciais de alto nível. 

Construção da Unifor e do Centro de Convenções na Avenida Washington Soares. A construção desses equipamentos representou grande impulso na expansão das regiões leste e sudeste de Fortaleza. Foto de Nelson Bezerra

Mas em razão da saturação da chamada área nobre (Aldeota, Meireles, Praia de Iracema, etc), novas áreas foram sendo incorporadas à cidade. Esse processo foi precedido pela ação de especuladores imobiliários, que se apropriaram de terrenos localizados na periferia da cidade e lotearam sítios, que se destinavam ao uso rural (Sítios Cocó, Tunga, Alagadiço, Cambeba, Estância, Colosso), localizados na zona Leste da cidade. O parcelamento e a posterior urbanização desses terrenos deu origem a diversos bairros da capital. 
A ocupação e a formação desses bairros foi acompanhada de ações do poder público para sua legitimação, com a construção de grandes obras, aberturas de vias, instalação de infraestrutura e de equipamentos urbanos, incorporando essas  novas áreas, onde antes era a zona rural da cidade ou áreas desocupadas. (segundo o IBGE o município de Fortaleza não mais possui zona rural, 100% do seu território se constitui em zona urbana).

Região de entorno do Iguatemi - 1981

Um dos bairros que surgiu desse movimento de transformação de áreas rurais em urbanas, é o Cidade dos Funcionários. Localizado no Distrito de Messejana, município de Fortaleza, o bairro surgiu nos anos 50. A região foi desmembrada, adquirida pelo governo do estado, loteada e vendida para funcionários públicos. Foram reservadas áreas para a construção de uma escola, uma igreja, o hospital do servidor e um clube.
Sua ocupação começou em 1952. Próximo a ele já existia algumas povoações, como o sítio Cajazeiras e a vila Cazumba (no Jardim das Oliveiras). Os lotes eram vendidos de início somente para funcionários públicos do Estado, mas a procura por terrenos no local intensificou-se a partir dos anos 70. A infraestrutura foi sendo vagarosamente implantada, devido aos custos relacionados à distância da região central de Fortaleza, e a despeito do bom nível social dos seus moradores. 

 Lago Jacarey 

O bairro está limitado ao Norte pelos bairros Jardim das Oliveiras e Luciano Cavalcante; ao Sul pelo Parque Iracema; a Leste pelo Cambeba e Parque Manibura e a Oeste pelo bairro Cajazeiras. 
A população residente passou de 16.893 habitantes e 4.171 domicílios em 2000, para 18.256 habitantes distribuídos em 5.338 domicílios em 2010.

Ultimamente o bairro cresceu tanto no número de moradores quanto na oferta de bens e serviços, e está localizado na região que mais cresce na cidade de Fortaleza. A cada ano, mais prédios, condomínios e casas são construídas. No bairro existem diversos comércios, restaurantes, padarias, shoppings, escolas, praças, farmácias, supermercados, igrejas, postos de combustível, entre outros. Também está localizado o Parque del Sol, um grande complexo de condomínios de alto nível e o Lago Jacarey, um complexo de lazer onde acontece feiras de artesanatos,além de uma agitada noite com diversos restaurantes, bares e lanchonetes. 

fontes:
Fortaleza: expansão urbana e organização do espaço, de Maria Clélia Lustosa da Costa
Aspectos Históricos da expansão urbana no sudeste do Município de Fortaleza, de 
Sérgio César de França Fuck Junior
http://www.uece.br/basededados/
wikipédia
IBGE

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Bairros de Fortaleza - Mondubim




O Mondubim é um bairro de Fortaleza, localizado a sudoeste da capital. O nome Mondubim já era citado no mapa da Expedição de Mathias Beck à Maranguape, quando os holandeses estiveram em no Ceará. Limita-se com os bairros Presidente Vargas, Parque Santa Rosa, Conjunto Esperança, Maraponga, Jardim Cearense, Parque Dois Irmãos e Prefeito José Walter.
É o bairro mais populoso de Fortaleza, com 80.303 habitantes de acordo com o censo de 2010 do IBGE. 


 a primeira estação do Mondubim foi demolida em 1980


A estação de Mondubim foi aberta em 1875, ao lado da lagoa. A chegada da ferrovia de Baturité, deu inicio ao bairro do mesmo nome e alavanca-se seu desenvolvimento. Rico em olarias, de lá saíam excelentes tijolos brancos, usados na construção da própria estação.  Esse prédio foi demolido em 1980. 


a 2a. estação foi demolida em 2009

Uma nova estação foi construída. Serviu também como estação de trens metropolitanos até sua nova demolição em 15 de março de 2009 para as obras do metrô de Fortaleza. Os trens agora passam ali direto sem parar.



no lugar da antiga estação, uma passarela para pedestres. Agora o trem já não para em Mondubim
 
O Mondubim tinha um desenho arquitetônico bem de cidade de interior, com um canteiro (praçinha) no centro e habitações ao redor deste. Este desenho foi alterado nos anos 1970 quando as duas ruas ao lado do canteiro foram usada como vias da Avenida Perimetral. 



Praça Venefrido Melo, dividindo em duas vias a estrada que cruza a linha de ferro, inaugurada juntamente com a luz elétrica no bairro. O chafariz localizado na pracinha, é o mesmo que aparece na foto acima, com a cobertura modificada,  na então Praça José de Alencar, hoje Waldemar Falcão. (arquivo Nirez)





A Igreja, construída em 1908, em foto atual. O chafariz e a pracinha sumiram. O lugar está cercado de escombros e entulhos, em razão das obras do Metrofor.   

Paróquia de Nossa senhora do Perpétuo Socorro, construída ao lado da antiga igreja com a  mesma invocação.  


A Capela de Santo Antônio foi construída em 1879, pelo Major Antônio Carneiro Monteiro,  para o santo da sua devoção. Por ocasião da inauguração, o major mandou buscar em Portugal uma imagem do padroeiro, feita em madeira, que foi posta no altar mor. Na Capela de Santo Antônio estão sepultadas duas irmãs,  Florência e Maria Monteiro Mamede, ambas falecidas ainda crianças, em 1888, vítimas de febre amarela.
Há uma grande preocupação com referência a preservação da capela, em razão das obras de porte no seu entorno, como o Cuca e o Metrofor.  







A Lagoa é a principal referência do bairro, onde os índios habitantes do local pescavam e caçavam. E é até hoje a maior opção de lazer e diversão para os moradores. Pertencente a bacia Hidrográfica do Rio Maranguapinho, a lagoa de Mondubim tem volume de água de 286.819 m³, profundidade média de 2,11 metros e máxima de 3,93 metros. 


   




Não há como desvincular o Mondubim, bairro encravado na área da Secretaria Executiva Regional (SER) V, de um reduto com forte influência rural. Além de estar localizado nas proximidades da estrada de acesso ao Maciço do Baturité, foi, durante décadas, lugar de moradores provenientes de municípios daquela região serrana, que procuravam se estabelecer na Capital. Apesar do apego às tradições rurais, que se manifestam ainda hoje pelo pelo grande número de sítios, o bairro sofreu mudanças violentas. A mais recente está relacionada às obras de construção do Metrô de Fortaleza (Metrofor), que modificou radicalmente o desenho de parte do bairro. No bairro ainda existe o Museu do Estrigas, um museu de pintura e escultura.


fotos: Rodrigo Paiva e Fátima Garcia
setembro/2011
pesquisa: 
Cogerh
http://www.estacoesferroviarias.com.br



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Uma Cidade em expansão

Conforme dados do Censo 2010, do IBGE, a população de Fortaleza é de 2.452.185 habitantes, distribuídos numa área de apenas 314,927 km². As zonas leste e sudeste são as mais bem dotadas de infraestrutura. Bairros como Aldeota, Meireles, Dionísio Torres e Fátima, verticalizam-se e são praticamente autônomos no que se refere à oferta bens, serviços e equipamentos de lazer. 

orla marítima da região leste, trecho Praia de Iracema

Nessa área, via de regra, a cidade se expande, respeitando uma determinada ordem que caracteriza a chamada cidade legal: traçado xadrez, quadras iguais, edificações com recuos definidos por lei, espaço para as calçadas, praças urbanizadas, ruas pavimentadas.
A orla marítima, na zona leste é praticamente toda ocupada por edifícios de residenciais de alto luxo, cadeias de grandes hotéis e restaurantes. 

construída na década de 1960, o planejamento da Avenida Beira Mar não considerou o crescimento da cidade. Hoje a via não dá vazão ao grande número de veículos em circulação, a as calçadas são estreitas e irregulares, e o trânsito é caótico.  

Com a construção do calçadão, recuperação da Ponte dos Ingleses e a implantação do Centro Cultural  Dragão do Mar, a Praia de Iracema recuperou em parte sua antiga importância como área de lazer noturno e eixo turístico da cidade.  O Centro Cultural Dragão do Mar, que reúne vários equipamentos de cultura e lazer passou a ser frequentado tanto pelos nativos de todas as classes sociais, como pelos turistas. Por outro lado surgiu o problema do seu entorno, que foi ocupado por bares, restaurantes, danceterias, com grande poluição sonora e visual, que acabam interferindo nas atividades do centro Cultural.

bares no entorno do Centro Cultural Dragão do Mar

No entorno do Porto do Mucuripe, ainda se encontram muitas indústrias de pesca, moinhos de trigo, fábrica de asfalto, etc, e vários bairros populares e favelas como Serviluz, Farol, Castelo Encantado e Vicente Pinzon.

Porto do Mucuripe

A Aldeota encontra-se totalmente loteada e construída, com prédios de alto valor e sem áreas disponíveis para novos empreendimentos. Diante da valorização da área, casas e prédios antigos foram demolidos para dar lugar a torres de apartamentos de luxo.

O posto de gasolina obteve autorização para se instalar em pleno canteiro central da Avenida da Abolição, no Meireles

A Água Fria, bairro para onde as elites se transferiam nos anos 1980 em busca de privacidade é uma das áreas mais dinâmicas e autônomas da cidade, concentrando muitos empreendimentos de bens e serviços. 

Parque do Cocó: a especulação imobiliária e a valorização da área são uma constante ameaça à sobrevivência da área verde.

Naquela região fica o Parque do Cocó, importante área verde da cidade, mas que tem os limites questionados por interesses privados, em razão do alto valor do solo no local.

orla marítima da região oeste, trecho Arraial Moura Brasil: o bairro dos pobres e dos excluídos, sem infraestrutura e sem serviços suficientes.

Já na orla marítima da zona oeste, a situação é totalmente inversa: os investimentos são de empreendimentos particulares e destinados a um público específico, a exemplo do Hotel Marina e o Mucuripe Clube.  A expansão ocorre num processo informal e espontâneo de ocupação urbana, sem qualquer intervenção do poder público ou de suas instâncias.   


fotos: Fátima Garcia
 Fonte:

Bruno, Artur. Fortaleza: uma breve história/Artur Bruno, Airton de Farias. Fortaleza: INESP, 2011.
Costa, Heloisa Soares de Moura. A Cidade Ilegal, notas sobre o senso comum e o significado atribuído à ilegalidade. In________As Cidades da Cidade/Carlos Antônio Leite Brandão (organizador) Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.