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terça-feira, 21 de outubro de 2025

Personagens que Nomeiam as Ruas de Fortaleza


A história de Fortaleza está escrita em cada rua da cidade, nas placas que indicam nomes e feitos que influíram nos destinos da urbe. Por trás de cada uma vez delas, há uma trajetória que a maioria dos moradores desconhecem. Conheça alguns deles.

Rua Dragão do Mar – parte da antiga Rua da Praia e antiga Rua da Alfândega localização: Praia de Iracema – começa na Avenida Leste-Oeste termina na Avenida Beira Mar


Rua Dragão do Mar (imagem Fortaleza em Fotos-2010)

Homenagem a Francisco José do Nascimento, nascido em 1839 e falecido a 5 de março de 1914. Em 1859 trabalhou nas obras do Porto de Fortaleza e iniciou o trabalho de marinheiro numa embarcação que fazia linha Maranhão-Ceará. Como prático da Capitania dos Portos, convivendo com o drama do tráfico de escravos, e sendo mulato, se envolveu na luta pelo abolicionismo, uma das atitudes foi o fechamento do Porto de Fortaleza ao tráfico de escravos para outras províncias. Em 1889, foi reconduzido ao cargo na Capitania dos Portos, que havia perdido por envolvimento com as lutas abolicionistas. Em 1890 recebeu a patente de Major – Ajudante de ordens do Secretário Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado.  

Rua Nogueira Acioly – antiga Rua da Aldeota.  Localização: Centro – começa na Avenida Santos Dumont – termina na Rua Costa Barros. 


Rua Nogueira Accioly (foto Arquivo Nirez)

Antônio Pinto Nogueira Accioly foi presidente da Província do Ceará por três mandatos: 1896 a 1900; 1904 a 1908 e 1908 a 1912. Depois de 15 anos de liderança política, foi deposto numa conturbada revolta urbana que durou três dias. As principais ruas e praças de Fortaleza se transformaram em campos de batalha, na maior explosão de revolta que a capital já conheceu. Armada, a população ocupou vários pontos da cidade, inclusive o Palácio do Governo, onde estava Accioly. Formou barricadas, promoveu saques e destruiu símbolos do poder de então. Entre os alvos, a Praça Marquês de Herval, remodelada pelo intendente Guilherme Rocha, e onde estava localizada a residência de Accioly, na esquina das ruas Guilherme Rocha com 24 de maio. A revolta durou de 21 a 24 de janeiro de 1912, e só terminou com a deposição do presidente da província. O presidente Accioly juntamente com outros familiares, foram encaminhados para o Quartel do Exército onde no dia seguinte foram embarcados com destino ao Rio de Janeiro. O ex-presidente, que nunca mais retornou ao Ceará, fixou residência na então capital federal onde faleceu no dia 14 de janeiro de 1921.

Rua General Bezerril – antiga Rua do Quartel. localização: Centro – começa na Rua Assunção – termina na Rua do Rosário


Rua General Bezerril, anos 50 (foto Arquivo Nirez)

José Freire Bezerril Fontenele participou da deposição violenta do General Clarindo de Queirós, assumindo o governo do Ceará em 17 de fevereiro de 1892. No dia 18 passa as funções para o Vice-Presidente Benjamin Barroso que providencia a saída do poder de todos os elementos ligados ao governo deposto, inclusive uma nova eleição para a Assembleia e a dissolução da anterior.

Avenida Alberto Nepomuceno – antiga Rua da Ponte, e Sena Madureira. Localização: vai do Poço da Draga, até a Travessa Crato, na região do Centro.


Avenida Alberto Nepomuceno (imagem Fortaleza em Fotos-2013)

Maestro, compositor, pesquisador e intérprete, foi um dos primeiros a estudar profundamente o folclore brasileiro, entre suas conquistas está a criação de um idioma musical próprio e caracteristicamente nacional, com o emprego de instrumentos típicos da música regionalista. Em 1903, quando era diretor do Instituto Nacional de Música é convidado pelo historiador Barão de Studart para compor o Hino do Ceará. Compõe depois a ópera  “O Guarani” inspirada na obra de José de Alencar. Em 1907 faz uma reforma do Hino Nacional Brasileiro, regulamentando sua execução pública e oficializando a letra de Osório Duque Estrada. Alberto Nepomuceno nasceu em 1864, em Fortaleza e faleceu em 1920.  

Rua Meton de Alencar – antiga Rua São Sebastião. Localização: começa na Avenida Duque de Caxias e termina na Avenida Tristão Gonçalves, no Centro.

Meton de França Alencar nasceu em Messejana, em 1843. Médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, participou da Guerra do Paraguai onde adquiriu a prática necessária para exercer a profissão; no final do conflito, recebeu do Imperador a patente de Capitão, o título de Primeiro Cirurgião do Exército e a Medalha Comemorativa da Campanha. Em 1871 retornou a Fortaleza onde foi nomeado médico da Santa Casa. Ficou famoso pela caridade, habilidade no trabalho e pioneirismo. Foi o primeiro a realizar cirurgia nervosa e autor da primeira transfusão de sangue no Brasil. Na política, foi eleito Deputado Geral pelo Partido Liberal. Faleceu em 1893.

Avenida Historiador Raimundo Girão – antiga Avenida Aquidabã. Localização:  Praia de Iracema e Meireles. Começa na Avenida Rui Barbosa e vai até a Praia de Iracema, terminando na Avenida Beira-Mar.

Raimundo Girão nasceu na Fazenda Palestina, em Morada Nova em 3 de outubro de 1900. Foi prefeito de Fortaleza no período de 1932 a 1934; primeiro titular da Secretaria Municipal de Urbanismo; ministro do Tribunal de Contas do Ceará; secretário de Educação e Cultura; primeiro dirigente da Secretaria de Cultura do Ceará; presidente do Conselho Penitenciário do Ceará. Foi membro da Academia Cearense de Letras e seu presidente, no período de 1957/1958. Foi membro correspondente de várias instituições de estados do Brasil, detentor de vários títulos honoríficos e medalhas. Faleceu em Fortaleza, no dia 24 julho de 1988.

Rua Jaime Benévolo – antiga Rua do Açude, da Cruz e Dr. João Tomé. Localização: começa na Avenida da Universidade e termina na Rua Costa Barros. Bairro de Fátima.

Nasceu em Maranguape, em 27 de agosto de 1854. Oficial do Exército, teve participação decisiva no movimento que culminou com a Proclamação da República. Foi considerado por jornalista da época, “um dos mais denodados propagandistas da República”, observando que sem ele talvez não tivesse havido o 15 de novembro. Durante o governo provisório que se seguiu o 15 de novembro, Jaime Benévolo foi nomeado para compor o Conselho Municipal na Capital da República. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1905.

Avenida Dom Luís – antiga Rua Farias Brito. Começa na Avenida Santos Dumont e termina na Avenida Washington Soares


Avenida Dom Luís (imagem Fortaleza em Fotos-2014)

Luís Antônio dos Santos nasceu em 17 de março de 1817 e faleceu no dia 11 de março de 1891. Foi o primeiro bispo do Ceará, responsável pela instalação do Seminário da Prainha, que contribuiu para a divulgação do ensino religioso no Ceará. Inaugurou o Colégio dos Órfãos Pobres, o Colégio da Imaculada Conceição e o Seminário do Crato. Na grande seca de 1877, quando as epidemias matavam centenas de cearenses, Dom Luís não media esforços nas obras sociais, mesmo com o risco da própria vida.

Rua Isaac Amaral – começa na Rua José Villar termina na Rua Barbosa de Freitas

Isaac Correia do Amaral Nascido em Fortaleza, em 18 de setembro de 1859, falecido em abril de 1942, na Serra de Guaramiranga. Foi projetista e construtor, destacando-se entre seus trabalhos a Igreja do Pequeno Grande e o antigo Parque da Independência, atual Cidade da Criança. Mas foi no campo abolicionista que teve participação decisiva. Realizava furtos de escravos e contribuiu ao lado de companheiros da Sociedade Cearense Libertadora para impedir o tráfico de negros no Porto de Fortaleza. Participou ainda da memorável sessão de 24 de maio de 1883, quando se declarou a liberdade total dos escravos no Ceará.

Rua Dias da Rocha – começa na Avenida Senador Virgílio Távora e termina na Avenida Padre Antônio Tomás.

Francisco Dias da Rocha foi um dos pioneiros do estudo e reconhecimento dos recursos naturais do Ceará. Cofundador e um dos primeiros professores da Escola de Agronomia, publicou vários trabalhos sobre botânica, enumerando centenas de espécies nativas e cultivadas, de efeito terapêutico. É atribuída ainda a Dias da Rocha a descoberta da janaguba, indicada em importantes tratamentos médicos. Com muito esforço, reuniu peças representativas da antropologia, flora, fauna, mineralogia e geologia do Estado. Uma vida dedicada à pesquisa, ao ensino e à ciência.

Avenida Antônio Sales – começa na Avenida Visconde do Rio Branco e termina na Avenida Engenheiro Santana Junior. Atravessa os bairros Joaquim Távora, Dionísio Torres, e termina no bairro Água Fria.

O escritor Antônio Sales nasceu em 13 de junho de 1868, no distrito de Parazinho, próximo a Paracuru, lugar que foi soterrado pelo avanço das dunas. Participou de várias associações, como o Clube Literário, Clube de letras e Clube Americanista. Mas sua maior atuação foi na Padaria Espiritual, inspirador e principal animador dessa agremiação literária.

Rua Coronel Ferraz – antiga Travessa do Colégio, Travessa São Luís. começa na Rua Costa Barros termina na Rua Franklin Távora


Rua Coronel Ferraz com a escola Jesus Maria José (imagem Revista O Malho-1915) 

Luiz Antônio Ferraz foi o primeiro governador do Ceará no período republicano. No dia 16 de novembro tomou posse do governo provisório, nomeando uma comissão executiva. Permaneceu na chefia do poder Executivo até janeiro de 1891, quando foi substituído por João Cordeiro. No decorrer de sua administração, diversos fatos marcaram a vida política local, sua arregimentação partidária e suas ambições eleitorais. O coronel Ferraz precisou deixar o cargo no dia 9 de janeiro de 1892, por motivo de saúde. Licenciado, viajou para o Recife, onde faleceu no dia 1° de fevereiro.


Fontes: 

História Abreviada de Fortaleza e Cônicas sobre a Cidade Amada, de Mozart Soriano Aderaldo. Fortaleza, Programa editorial Casa José de Alencar,1998.

A História do Ceará Passa por Esta Rua, de Rogaciano Leite Filho. Fortaleza, Fundação Demócrito Rocha, 1988.

Guia Turístico da Cidade. Prefeitura Municipal de Fortaleza, 1961

Fortaleza Velha: crônicas. João Nogueira. Fortaleza, edições UFC/PMF, 1980

wikipédia

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

As Ruas e Avenidas que Mudaram de Nome

Ultrapassado o estágio inicial do seu povoamento, quando Fortaleza ainda era uma  de vila de índios e alguns colonos, invadida por soldados holandeses e portugueses e cortada por riachos de águas límpidos, os nomes de travessas, ruelas e becos eram dados pelos moradores, de acordo com algum referencial que o lugar oferecia: assim, tivemos o Beco da Apertada Hora, supostamente utilizado nos apertos fisiológicos; o Beco das Almas, a Travessa da Municipalidade, da Misericórdia, a rua de Baixo, de Cima, da Direita, do Quartel, da Cacimba, do Gasômetro. 

 

Rua Major Facundo, início do século XX (original p&b do Arquivo Nirez)
    

Com o passar do tempo, os logradouros foram sendo disciplinados. A partir de 1800 a cidade já contava com um arruador, mas o disciplinamento começou realmente a partir de 1812, com a chegada do governador Sampaio que trouxe a Fortaleza, o tenente coronel de engenheiros Silva Paulet, que elaborou a “Planta do Porto e Villa da Fortaleza”, em 1813.

Com o crescimento e a consequente urbanização, ruas foram alinhadas, becos foram eliminados, as calçadas demarcadas e a identificação dos logradouros ganhou ares de modernidade, a identificação pela funcionalidade virou coisa do passado. Assim, muitas vias tiveram seus nomes modificados, algumas delas, várias vezes. As ruas e avenidas aqui citadas, estão entre os logradouros mais antigos de Fortaleza, motivo pelo qual não registram modificações recentes.

Apesar disso mudança de nomes de vias públicas, é coisa corriqueira em nossa cidade. A prática cria transtornos reais, não só aos moradores, que de repente, mudam de endereço sem sair do lugar, mas também aos prestadores de serviço que dependem de informações exatas, para bom desempenho de suas tarefas, como os motoristas de aplicativos, os estabelecimentos que atuam no sistema de entregas, e os funcionários do Correio. Vejam como se chamaram antes algumas avenidas e ruas de Fortaleza.



Avenida Bezerra de Menezes – antiga Rua do Alagadiço; (Teófilo Rufino Bezerra de Menezes, advogado, professor do Liceu, deputado provincial e jornalista, natural de Fortaleza)

Duque de Caxias – antigos Boulevard do Livramento e Travessa nº 1 (Luís Alves de Lima e Silva – o Duque de Caxias, Patrono do Exército Brasileiro, nascido no Rio de Janeiro). 

Dom Luís – antiga rua Farias Brito (Luís Antônio dos Santos – primeiro bispo do Ceará, nascido no Rio de Janeiro) 

Francisco Sá –  antiga Estrada do Urubu, avenida Demóstenes Rockert, avenida 6 de Julho; (Francisco Sá, Senador da República, Ministro de Estado, natural de Minas Gerais). 

Santos Dumont – antiga Rua do Colégio, Gustavo Sampaio, Boulevard Nogueira Accioly e Travessa 9-A; (Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação”. Nasceu em Minas Gerais).

Tristão Gonçalves – Rua da Lagoinha, 14 de Maio, Trilho de Ferro; (Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, famoso pelas lutas da independência no Ceará, revolucionário da Confederação do Equador. Nascido no Crato, Ceará). 



Almirante Tamandaré - antiga rua Três de Outubro, Avenida Epitácio Pessoa e Atlântica; (Joaquim Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré, Patrono da Marinha do Brasil, nascido no Rio Grande do Sul). 

Visconde do Rio Branco – antiga rua Joaquim Távora, Estrada de Messejana, Calçamento de Messejana e Rua 13; (José Maria da Silva Paranhos, conselheiro do Império, natural de Salvador, BA) 


Avenida da Universidade – antigo Boulevard Visconde de Cauípe, Rua do Benfica (nome antigo em homenagem a Severiano Ribeiro da Cunha, comendador e visconde , nascido em Caucaia, CE); nome atual em homenagem à universidade Federal).

Senador Virgílio Távora – antiga Avenida Estados Unidos; (Virgílio de Morais Fernandes Távora, político e militar, ex-governador do Ceará, natural d Jaguaribe – CE).

Historiador Raimundo Girão – antiga avenida Aquidabã (Raimundo Girão, escritor, político, historiador, ex-prefeito de Fortaleza, natural de Morada Nova, CE).

Avenida Domingos Olímpio – antiga Travessa dos Coelhos, Travessa nº 8. (Domingos Olímpio Braga Cavalcante, jornalista, cronista e romancista, nascido em Sobral, autor do romance "Luzia Homem", dentre outros).

Avenida Gomes de Matos – antiga Estrada do Gado, Boulevard 14 de Julho. (Raimundo Gomes de Matos, jurista e professor cearense nascido no Crato). 


Avenida Beira Mar

Avenida Beira Mar – antiga Avenida dos Jangadeiros, Getúlio Vargas, e Presidente Kennedy. 

As Ruas e seus nomes Antigos 

Adolfo Caminha – antiga Pessoa Anta; (Adolfo Ferreira Caminha, romancista, autor dentre outras obras, do famoso “A Normalista”. Natural de Aracati – CE.). 

Adolfo Herbster – antiga Rua Paraíba; (Adolfo Herbster era Pernambucano de nascimento, engenheiro, arquiteto, responsável pela urbanização e pelo desenho de ruas e avenidas de Fortaleza). 

Antônio Augusto – antiga Rua Monte Flor; (Antônio Augusto de Vasconcelos foi catedrático e um dos fundadores da Faculdade de Direito do Ceará. Natural de Maranguape).

Barão de Aracati – antiga Rua do Aracati; (José Pereira da Graça, Barão de Aracati, nascido em Fortaleza. Magistrado, deputado geral e provincial, membro do Supremo Tribunal de Justiça. Foi presidente da Província do Maranhão). 


Rua João Brígido

João Brígido – antiga Rua da Assunção, da Bomba, Conselheiro Liberato Barroso (João Brígido dos Santos foi a figura mais representativa do jornalismo de combate no Ceará; deputado provincial e geral; historiador e cronista. Natural de São João da Barra, RJ). 

Rua Justiniano de Serpa – antiga Estrada do Gado; (Justiniano de Serpa, jurisconsulto, parlamentar, orador. Deputado Federal pelo Ceará e pelo Pará. Presidente do Ceará entre 1920 e 1924, faleceu antes de completar o mandato. Nasceu em Aquiraz, CE). 

Dom Jerônimo – antigas Rua Alto Alegre e Major Rangel (Jerônimo Tomé da Silva, natural de Sobral, era doutor em filosofia e teologia. Bispo do Pará e Arcebispo Primaz do Brasil). 

José Avelino – antigas Ruas do Chafariz, Singlehurst, General Mesquita e Travessa19-B; (José Avelino Gurgel do Amaral, jornalista, advogado, deputado federal e poligrafo. Cearense de Aracati).

Marechal Deodoro – antiga Rua da Cachorra Magra; (Manuel Deodoro da Fonseca, líder da Proclamação da República, primeiro presidente republicano, nascido em Alagoas).

Pedro Borges – antiga Rua do Cajueiro e Travessa 7-B; (Pedro Augusto Borges, médico do Exército, deputado federal, senador e presidente do Ceará no período de 1900 a 1904. Natural de Fortaleza). 

Senador Alencar – antiga Rua das Hortas e Travessa nº 13; (Padre José Martiniano de Alencar, nascido em Barbalha, então Distrito do Crato-CE. Senador do Império, pai do escritor José de Alencar).
 

Rua Dr. João Moreira esquina com Barão do Rio Branco (Anuário do Ceará)

Dr. João Moreira – antiga Rua Nova da Fortaleza, Travessa do Quartel, da Misericórdia, General Tibúrcio e Travessa nº 17; (João da Rocha Moreira, natural de Fortaleza. Médico da Santa Casa de Misericórdia, Professor do Liceu e Inspetor de Saúde). 

Gustavo Sampaio – antiga Rua da Aratanha; (Gustavo Sampaio nasceu em Baturité. Tenente do Exército, morreu lutando na Revolta da Armada, em 1893). 

Conselheiro Tristão – antiga Rua da Cruz e Rua nº 16; (Tristão de Alencar Araripe, conselheiro do Estado, Ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Ministro de Estado, historiador e jurisconsulto. Presidiu as províncias do Rio Grande do Sul e do Pará. Natural de Icó, CE).


Rua Clarindo de Queiroz (Arquivo Nirez)

Clarindo de Queiroz – Antiga Rua do Livramento e Travessa nº 2 ; (José Clarindo de Queiroz, presidente das províncias do Amazonas e do Ceará. Natural de Fortaleza, foi deposto do Governo do Ceará em 1892). 

Padre Francisco Pinto – antiga Rua N. S. dos Remédios (Francisco Pinto, natural dos Açores, era um padre jesuíta que veio para o Ceará em 1607, em companhia de Luís Figueira, em missão de colonização. Foi atacado e sacrificado pelos índios Tacarijus). 


Rua Dona Isabel (Arquivo Nirez)

Rua Princesa Isabel – antiga Rua Santa Isabel e Dona Isabel (Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança, foi a segunda filha, a primeira menina, do imperador Pedro II. Na qualidade de regente assinou a Lei Áurea que aboliu a escravatura no Brasil em 13 de maio de 1888. A Princesa Isabel nasceu no Rio de Janeiro) 


Fontes: 
Coisas que o Tempo Levou – crônicas históricas da Fortaleza antiga, de Raimundo de Menezes
Guia Turístico da Cidade – Prefeitura Municipal de Fortaleza – 1961
Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão
Fotos: Fortaleza em Fotos, Google

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quem é quem nas Ruas de Fortaleza

Muito tempo se passou desde aquele dia em 1823, quando o Imperador D. Pedro I, “pela Graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”, elevou a Villa de Fortaleza à categoria de Cidade, com a denominação de Cidade da Fortaleza da Nova Bragança, numa “modesta” homenagem à sua família. Parece que começou aí, o gosto pelas homenagens a parentes, aderentes e amigos batizando logradouros públicos com seus ilustres e desconhecidos nomes.

Vista aérea de Fortaleza - década de 50

Nos primórdios os nomes das vias públicas eram colocados por iniciativa da população e adotados pelo poder público do município. Alguns nomes antigos eram tão evidentes e apropriados que, por si mesmos, indicavam sua origem, tais como  Assembleia, Municipalidade, Chafariz, Cajueiro, Ponte, Quartel.

 Avenida Santos Dumont, a antiga Rua do Colégio (da Imaculada Conceição)

Uma vez oficializados, os nomes dos logradouros passaram a mudar de acordo com as motivações políticas ou por modismo. Hoje muitas das denominações das ruas e praças de Fortaleza homenageiam pessoas que, em muitos casos, ninguém sabe quem é ou o que fez para merecer a homenagem.

Em 1994, foi aprovado um projeto de lei de autoria do vereador Francisco Lopes, que denominava uma rua de Fortaleza com o nome de Helena Petrovna Blavatsky. A justificativa é que a mulher, de nacionalidade russa, criou uma certa Sociedade Teosófica, em Nova Iorque, EUA, em 1875, e foi perseguida por isso. (Imaginem alguém ligando para o mercadinho e pedindo entrega em domicilio nessa rua; e o entregador parando para pedir informações sobre sua localização). Apesar da aprovação do projeto, não existe rua com essa denominação em Fortaleza.

No bairro Planalto Ayrton Sena existe a Rua Paulinho Paiakan, líder indígena Caiapó e ambientalista, que ganhou destaque durante a "ECO-92", Conferência sobre Meio Ambiente realizada pela ONU, no Rio de Janeiro, em 1992. Mas Paiakan ficou famoso mesmo, foi por ter cometido crime de estupro contra uma estudante de 18 anos, tendo sido condenado a 6 anos de reclusão.

Rua Visconde de Sabóia, antiga Travessa da Cacimba
Outros nomes de ruas foram escolhidos tendo por justificativa o grau de parentesco do homenageado com alguns vereadores, não necessariamente, os autores do projeto.É o caso da Rua Rúbia Sampaio, antigas Rua Cambirinhas e Rua Santo Antônio, no bairro Farias Brito, que tem por patrono Rúbia Ruivo Sampaio e a homenagem tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador Herval Sampaio”.

Mesma situação da Rua Dona Josefa Barros de Alencar, no bairro Messejana, que tem como justificativa o fato da homenageada ser a mãe do vereador José Barros de Alencar.

A Rua Rosinha Sampaio, no bairro Quintino Cunha, tem por patrono Maria Rosa Bastos Sampaio, e a homenagem, consolidada pela Lei nº 3.284, de 06.10.1966, tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador Antônio Bastos Sampaio” 

No bairro Guararapes, encontramos a Rua Atilano de Moura, cuja única informação disponível é que se trata de um parente (pai) do ex-prefeito Evandro Ayres de Moura;  

Já a Rua Dona Mendinha, que atravessa os bairros Cristo Redentor, Álvaro Weyne e Floresta, tem por patrono Maria Alves de Carvalho, que vem a ser a esposa do Coronel Carvalho – Coronel da Guarda Nacional Antônio Joaquim de Carvalho,  cearense de Redenção, nascido em 24.10.1866 e falecido em Fortaleza, em 1961, aos 94 anos de idade – que também foi agraciado com um nome de rua,  tomando a denominação da antiga Avenida Soares Moreno.

Apesar da proibição de se homenagear monumentos e locais públicos com  o nome de pessoas vivas, há em Fortaleza grande número de ruas que afrontam essa determinação; alguns exemplos dentre os muitos existentes:   

A Rua Moroni Torgan e a Travessa Aldo Pagoto ficam no bairro Lagoa Redonda; no Jangurussu estão as ruas Rua Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet; A Rua Maria Luiza Fontenele e a Travessa Ciro Gomes ficam no bairro da Bela Vista

Segundo trabalho do pesquisador Márlio Falcão, cerca de 1360 ruas de Fortaleza têm denominações repetidas; cerca de 325 ruas receberam nomes de santos e santas: 245 trazem nomes de santos e 80  trazem nomes de santas. 

 Rua São Francisco no bairro Bom Sucesso. Em Fortaleza existem outras 29 ruas com esse mesmo nome em bairros diversos. (foto google) 

Das 245 ruas com nome de santos, trinta  são chamadas de São Francisco; vinte e seis trazem o nome de São José; dezesseis chamam-se Santo Antônio; treze trazem o nome de São João; e  onze trazem o nome de São Raimundo. As demais 148 ruas trazem nomes de diversos outros santos. 

Das 80 ruas com nomes de santas onze trazem o nome de Santa Maria; oito chamam-se Santa Lúcia; sete ruas trazem o nome de Nossa Senhora de Fátima; sete trazem o nome de Santa Isabel; seis trazem o nome de Santa Luzia; seis trazem o nome de Santa Rita; seis trazem o nome de Santa Clara. As demais ruas – 40 – trazem nomes de diversas outras santas.

Ainda de acordo com a pesquisa, entre as ruas que receberam nomes diversos, as de maior incidência são: Rua Verde: 47 artérias; Contorno: 19 artérias; Pedestre: 18 artérias; Paz: 12 artérias; Esperança: 9 artérias; Paraíso: 8 artérias; Boa Vista: 8 artérias; Boa Esperança: 7 artérias.


Fontes:
Márlio Falcão. Fortaleza – Dicionário de Ruas. Disponível em
http://www.dicionarioderuasfortaleza.com.br  
 João Nogueira. Fortaleza Velha 
Airton de Farias. História do Ceará
fotos do arquivo Nirez 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Se Essa Rua fosse Minha


Noticia veiculada no portal GI, dá conta que os moradores do conjunto habitacional Tatumundé, localizado no Bairro Bom Jardim,  em Fortaleza, afirmam não ter endereços. Segundo eles, as residências foram entregues há quase 10 anos pela Prefeitura, mas as ruas estão sem nome e as casas, sem número.  (Vale lembrar que a denominação de logradouros públicos é responsabilidade da Câmara Municipal desde 2006, segundo a Lei Orgânica do Município. Antes, era competência da Prefeitura).
Sem endereço, os moradores não podem receber contas ou cartas. Eles têm de ir até a agência dos Correios do bairro vizinho, o Conjunto Ceará, para receber a correspondência.  Há algum tempo, uma das moradoras se dispôs a recolher toda a correspondência para a comunidade, mas o trabalho foi tanto, que ela desistiu.


Rua em Alsace, na França, considerada uma das ruas mais bonitas do mundo.

Pois se moradora do Tatumundé eu fosse – ou de outros conjuntos habitacionais com o mesmo problema – revisitaria uma velha prática adotada nos primórdios de nossa cidade e escolheria,  eu mesma,  nomes  para as anônimas vias onde inúmeras famílias já residem há 10 anos.  Procuraria alguma coisa, algum detalhe, que distinguisse uma via da outra: uma árvore, uma pedra, uma placa, qualquer coisa, e daria velhos e belos nomes às ruas do Tatumundé. 


 A antiga Rua da Palma, atual Major Facundo

Na Fortaleza antiga, os nomes dados aos logradouros públicos também eram escolhidos por iniciativa da população e adotados pelo poder público, e estavam geralmente, relacionados a alguma particularidade do local: Rua (da Igreja) do Rosário, da Bica, do Quartel, do Chafariz, da Palha, da Cadeia, de Cima, de Baixo, do Açougue, das Flores, do Monteiro, do Riacho, Nova da Boa Vista, do Pocinho, do Boticário, das Almas, da Cacimba dos Meirinhos, e outras.
Uma vez oficializados, os nomes dos logradouros passaram a mudar de acordo com as motivações políticas ou por modismo. Hoje quase todas as denominações das ruas e praças de Fortaleza homenageiam pessoas que, maioria dos casos, ninguém sabe quem é ou o quê  fez para merecer a homenagem.


A antiga Rua das Flores é a atual rua Castro e Silva  

Fortaleza possui mais de 11 mil ruas e avenidas e o que se observa é que há uma grande repetição de nomes, sobretudo os nomes de santos: São Pedro, São Francisco e Santo Antônio,  são os mais comuns.  Existem 83 logradouros em Fortaleza que se chamam São Francisco.

Rua do Fim, no bairro Serrinha (imagem google)

Mas algumas ruas escaparam da sanha “homenageadora” dos vereadores e também dos santos de devoção, ostentando nomes incomuns ou exóticos. No Planalto Aírton Sena tem a Rua do  Apocalipse; a Rua Unidos Venceremos, fica no bairro do Passaré; A Rua do Fim, na Serrinha; A Avenida Heróis do Acre, no Passaré; A Rua do Papoco, no bairro Vila Velha; A Rua Conefor, no bairro Cais do Porto, As Ruas do Labirinto e da Cioba, ficam no Vicente Pinzon, e existe até uma Travessa com o nome de "Sem Nome",  no bairro Manoel Sátiro.

fotos do arquivo Nirez

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Um Par de Becos e Meia Dúzia de Ruas

Segundo Mozart Soriano Aderaldo, nossa capital, a exemplo de Roma, é construída sobre colinas. As elevações repartiam os cursos d’água que iam ter com o mar, o Pajeú ou o Cocó. O riacho que partia da Praça do Ferreira em direção ao Pajeú, alcançando-o na altura do Mercado Central, era um eles. Outro curso d’água se dirigia da Praça Clóvis  Beviláqua em demanda da lagoa do Garrote, passando nas proximidades da Praça do Livramento (atual Praça do Carmo). Esses riachos serpenteavam entre os outeiros.


Lagoa do Garrote, hoje um lago canalizado dentro da Cidade da Criança (Parque da Liberdade)
  
O caminho das águas foi interrompido pelas ruas. O forte, contíguo ao quartel da Guarda Nacional, serviu de parâmetro, daí surgindo a rua do Quartel, hoje General Bezerril, e a rua de Baixo, à margem esquerda do Pajeú ou dos Mercadores, ou Rua Direita (atuais Avenida Alberto Nepomuceno, e ruas Sena Madureira e Conde D’Eu. Os bairros apareciam identificando a cidade: do Outeiro, da Prainha e do Comércio, este último representando a cidade propriamente dita.


estrada Fortaleza-Parangaba, em 1929 (foto O Povo)

Sendo Fortaleza meia dúzia de ruas, duas praças e um par de becos (o Beco das Almas, que cresceu Rua São José e o Beco da Apertada Hora, renomeado Rua Governador Sampaio). Distantes as estradas de Messejana, Parangaba e Jacarecanga. Até a metade do século XIX, a cidade se via nas ruas: era a Rua da Amélia, Praça do Ferreira, Praça Carolina, Rua das Flores (Castro e Silva), pelo rastro dos mortos. Travessa da Municipalidade (Rua Guilherme Rocha), por ladear o prédio da Intendência Municipal; da Misericórdia (Dr. João Moreira), por conta da Santa Casa; São Bernardo (Pedro Pereira), devido a Igreja de São Bernardo; Rua do Cajueiro (Pedro Borges). As travessas da Assembleia (São Paulo) do Gasômetro (Senador Jaguaribe) e do Chafariz (José Avelino) são autoexplicativas.


Ladeira do Gasômetro, sentido praia/sertão com o prédio da Santa Casa no alto 

Em 1817 os vereadores determinaram o uso de placas com o nome dos logradouros. Mas o povo continuava a se orientar pelos nomes conhecidos e pelo cotidiano de flores, almas, trincheiras e chafarizes. O costume era tão arraigado entre a população que até os responsáveis pelas procissões davam ciência dos itinerários através de publicações na imprensa, comunicando que a procissão passaria em frente à casa de pessoas conhecidas da população.


Igreja de São José, a antiga Catedral de Fortaleza

Um exemplo desse hábito corrente na Capital é o anúncio publicado no jornal “A Constituição” pelo vigário interino da catedral sobre o percurso da procissão de encerramento do mês mariano de 1864:
Hoje às 4h da tarde sairá em procissão a imagem da Santíssima Virgem conduzida pelos fiéis, cuja direção será a seguinte:
Sairá da Catedral pela Rua de Baixoentrará na Rua do Garrote pela travessa que existe diante da casa do Sr Cônsul Gouveia, e daí prosseguirá em direção à Praça da Municipalidade, passará na frente da casa do Sr. Feijó, em cuja travessa entrará em direção ao Palácio Episcopal, prolongando-se pela rua abaixo, voltará na quina do Senhor Cônsul Rocha Júnior, em procura da frente do Senhor Barbosa, e daí entrará na travessa mais próxima, que é a do Senhor Santos, encaminhando-se à casa da Carolina, passará na frente do Senhor Paes Pinto, onde voltará para a Catedral da Sé.
Assinado: João Leite de Oliveira – vigário interino.     

fontes:
Revista Fortaleza, fascículo 9
Fortaleza Velha, de João Nogueira
fotos do Arquivo Nirez