terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quem é quem nas Ruas de Fortaleza

Muito tempo se passou desde aquele dia em 1823, quando o Imperador D. Pedro I, “pela Graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”, elevou a Villa de Fortaleza à categoria de Cidade, com a denominação de Cidade da Fortaleza da Nova Bragança, numa “modesta” homenagem à sua família. Parece que começou aí, o gosto pelas homenagens a parentes, aderentes e amigos batizando logradouros públicos com seus ilustres e desconhecidos nomes.

Vista aérea de Fortaleza - década de 50

Nos primórdios os nomes das vias públicas eram colocados por iniciativa da população e adotados pelo poder público do município. Alguns nomes antigos eram tão evidentes e apropriados que, por si mesmos, indicavam sua origem, tais como  Assembleia, Municipalidade, Chafariz, Cajueiro, Ponte, Quartel.

 Avenida Santos Dumont, a antiga Rua do Colégio (da Imaculada Conceição)

Uma vez oficializados, os nomes dos logradouros passaram a mudar de acordo com as motivações políticas ou por modismo. Hoje muitas das denominações das ruas e praças de Fortaleza homenageiam pessoas que, em muitos casos, ninguém sabe quem é ou o que fez para merecer a homenagem.

Em 1994, foi aprovado um projeto de lei de autoria do vereador Francisco Lopes, que denominava uma rua de Fortaleza com o nome de Helena Petrovna Blavatsky. A justificativa é que a mulher, de nacionalidade russa, criou uma certa Sociedade Teosófica, em Nova Iorque, EUA, em 1875, e foi perseguida por isso. (Imaginem alguém ligando para o mercadinho e pedindo entrega em domicilio nessa rua; e o entregador parando para pedir informações sobre sua localização). Apesar da aprovação do projeto, não existe rua com essa denominação em Fortaleza.

No bairro Planalto Ayrton Sena existe a Rua Paulinho Paiakan, líder indígena Caiapó e ambientalista, que ganhou destaque durante a "ECO-92", Conferência sobre Meio Ambiente realizada pela ONU, no Rio de Janeiro, em 1992. Mas Paiakan ficou famoso mesmo, foi por ter cometido crime de estupro contra uma estudante de 18 anos, tendo sido condenado a 6 anos de reclusão.

Rua Visconde de Sabóia, antiga Travessa da Cacimba
Outros nomes de ruas foram escolhidos tendo por justificativa o grau de parentesco do homenageado com alguns vereadores, não necessariamente, os autores do projeto.É o caso da Rua Rúbia Sampaio, antigas Rua Cambirinhas e Rua Santo Antônio, no bairro Farias Brito, que tem por patrono Rúbia Ruivo Sampaio e a homenagem tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador Herval Sampaio”.

Mesma situação da Rua Dona Josefa Barros de Alencar, no bairro Messejana, que tem como justificativa o fato da homenageada ser a mãe do vereador José Barros de Alencar.

A Rua Rosinha Sampaio, no bairro Quintino Cunha, tem por patrono Maria Rosa Bastos Sampaio, e a homenagem, consolidada pela Lei nº 3.284, de 06.10.1966, tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador Antônio Bastos Sampaio” 

No bairro Guararapes, encontramos a Rua Atilano de Moura, cuja única informação disponível é que se trata de um parente (pai) do ex-prefeito Evandro Ayres de Moura;  

Já a Rua Dona Mendinha, que atravessa os bairros Cristo Redentor, Álvaro Weyne e Floresta, tem por patrono Maria Alves de Carvalho, que vem a ser a esposa do Coronel Carvalho – Coronel da Guarda Nacional Antônio Joaquim de Carvalho,  cearense de Redenção, nascido em 24.10.1866 e falecido em Fortaleza, em 1961, aos 94 anos de idade – que também foi agraciado com um nome de rua,  tomando a denominação da antiga Avenida Soares Moreno.

Rua Moroni Bing Torgan, no bairro Lagoa Redonda

Apesar da proibição de se homenagear monumentos e locais públicos com  o nome de pessoas vivas, há em Fortaleza grande número de ruas que afrontam essa determinação; alguns exemplos dentre os muitos existentes:   

A Rua Moroni Torgan e a Travessa Aldo Pagoto ficam no bairro Lagoa Redonda; no Jangurussu estão as ruas Rua Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet; A Rua Maria Luiza Fontenele e a Travessa Ciro Gomes ficam no bairro da Bela Vista. 

Segundo trabalho do pesquisador Márlio Falcão, cerca de 1360 ruas de Fortaleza têm denominações repetidas; cerca de 325 ruas receberam nomes de santos e santas: 245 trazem nomes de santos e 80  trazem nomes de santas. 

 Rua São Francisco no bairro Bom Sucesso. Em Fortaleza existem outras 29 ruas com esse mesmo nome em bairros diversos. (foto google) 

Das 245 ruas com nome de santos, trinta  são chamadas de São Francisco; vinte e seis trazem o nome de São José; dezesseis chamam-se Santo Antônio; treze trazem o nome de São João; e  onze trazem o nome de São Raimundo. As demais 148 ruas trazem nomes de diversos outros santos. 

Das 80 ruas com nomes de santas onze trazem o nome de Santa Maria; oito chamam-se Santa Lúcia; sete ruas trazem o nome de Nossa Senhora de Fátima; sete trazem o nome de Santa Isabel; seis trazem o nome de Santa Luzia; seis trazem o nome de Santa Rita; seis trazem o nome de Santa Clara. As demais ruas – 40 – trazem nomes de diversas outras santas.

Ainda de acordo com a pesquisa, entre as ruas que receberam nomes diversos, as de maior incidência são: Rua Verde: 47 artérias; Contorno: 19 artérias; Pedestre: 18 artérias; Paz: 12 artérias; Esperança: 9 artérias; Paraíso: 8 artérias; Boa Vista: 8 artérias; Boa Esperança: 7 artérias.


Fontes:
Márlio Falcão. Fortaleza – Dicionário de Ruas. Disponível em
http://www.dicionarioderuasfortaleza.com.br  
 João Nogueira. Fortaleza Velha 
Airton de Farias. História do Ceará
fotos do arquivo Nirez 

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