segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A Curiosa História da Igreja de Almofala

O lugar onde hoje se encontra o município de Itarema chamou-se primitivamente Tanque do Meio, situado em terras litorâneas entre os lugares denominados Tanque de Cima e Tanque de Baixo, reservatórios destinados ao abastecimento de água aos moradores das respectivas vizinhanças. Das atividades em torno desses reservatórios, nasceria a povoação. Com o progresso da região litorânea do Ceará, o então distrito de Acaraú foi elevado à categoria de cidade com a denominação de Itarema, instalada em 01 de janeiro de 1986. O município é constituído de 3 distritos: Itarema (sede), Almofala e Carvoeiro. 

Praia de Almofala (foto do site www.patrimôniodetodos.gov.br)

E é de Almofala que vem uma das histórias mais incríveis e curiosas da história do Ceará. Localizado no litoral norte do Ceará, a cerca de 220 km de Fortaleza,  Almofala é um pequeno povoado, inserido em uma belíssima paisagem de dunas e cajueiros. O início da ocupação dessa região remonta ao fim do século XVII, quando uma Carta-Régia do Governo de Portugal , de 08 de janeiro de 1697, deu de sesmaria aos índios Tremembés, as terras entre a barra do Rio Aracati-Açu e Aracati-Mirim. A doação da terra objetivou fixar os indígenas – que vagavam pela costa – em aldeias permanentes.  Os Tremembés acabaram aldeados por padres seculares no início do século XVIII, no aldeamento de Nossa Senhora da Conceição de Almofala, no atual município de Itarema.


A igreja do aldeamento  começou a ser construída em 1702, pelas antigas missões jesuítas, e de início seria apenas uma capela, de taipa. A partir de 1708, passou a ser erguida em alvenaria, ferro e concreto, e foi concluída em 1712. Segundo consta nos documentos, por ordem de D. Maria I, rainha de Portugal, a construção erguida seria dedicada à padroeira da nação Lusa, Nossa Senhora da Conceição.

O templo de bela arquitetura foi construído com material vindo da Bahia por via naval, trazido ao lugarejo através de longas viagens em carros-de-bois. O forro e o piso de madeira eram de cedro baiano. As telhas mediam 80 cm de comprimento e os tijolos pesavam de 8 a 9 quilos cada. A igreja de Almofala era de uma beleza única, criada em um estilo barroco raro. 

No início de 1898, em razão da  constante força dos ventos, as dunas avançaram sobre a povoação dos Tremembés. O leste da igreja começou a ruir, sofrendo com o peso da enorme duna que também avançava por toda vila. Visto como um fato sem solução na época, já que o avanço de areia se fazia constante, a vila passou a perder habitantes, enquanto a areia salgada transformava Almofala em aldeia fantasma. 

Os índios que ali permaneceram, desesperados por perderem a terra, chegaram a cavar com as próprias mãos, tentando desenterrar a Igreja. Tudo em vão. O templo esteve quase meio século inteiramente coberto pela areia. 



Um dia, no início dos anos 1940, começou a aflorar, vagarosamente, daquele imenso areal, sua única e bela torre setecentista, moçárabe, até descobrir-se por inteiro, com suas volutas, nichos, seu crucifixo de ferro,  para a luz. A igreja sepultada durante tanto tempo, resistira, apesar da madeira totalmente destruída e do ferro atacado pela ferrugem. 

Em compensação, o belo sino de bronze estava lá, esquecido. Limpo, voltou a badalar. Também foram preservadas várias imagens que antes da catástrofe foram transferidas voltando, quando a igreja foi totalmente restaurada.

  
Em 1943 foi celebrada a primeira missa em regozijo à sua ressurreição. Em 18 de abril de 1980, a igreja N.S. da Conceição de Almofala, foi reconhecida como Monumento Nacional e recuperada pelo IPHAN em 1984. 


Pesquisa:

História do Ceará – Airton de Farias
O Ceará dos Anos 90 - Censo Cultural
http://suaveolens.blogspot.com.br/2009/12/historia-da-igreja-de-almofala.html
fotos enviadas por Erikson Salomoni

2 comentários:

Lucas Jr disse...

Dra. Fátima. Interessante o primeiro livro a respeito da praia, que hoje concorre a município cearense.
ALMOFALA DOS TREMEMBÉS, de autoria do Professor José Silva Novo. O notável trairiense, amante da música e do folclore, esteve em 1964/65 em Almofala, retornando em 1976 para concluir os estudos sobre os índios tremembés de lá, expondo-os aos leitores no simples porém majestoso livreto.
Em suma, transcreveu em versos (e notas musicais) os cânticos usados nos rituais dançantes na linguagem daqueles indios, num trabalho inédito na antropologia cearense.
Esteve com uma india de 99 anos (Tia Chica), de quem ouviu revelações sobre um fantasma (Guajará), a Capela tomada pelas dunas, bem exposto pelo Professor Arton de Farias (fato que levou o pároco de Acaraú, Pe. Antonio Tomás, transferir as imagens para Itarema, gerando muita confusão) e um navio misterioso que, brilhoso, sumia e aparecia em pontos da linha do mar, velozmente.
A importância dos relatos de Silva Novo fez Nicodemos Araújo ("Almofala e os Tremembés) em seu livro publicado cinco anos depois, reportar-se a respeito, inclusive copiando linhas do livro do outro.
Para consultas, o mesmo se encontra na Biblioteca Pública do Ceará, Pca da Estação, em Fortaleza.
j. Lucas Jr. Escritor Fortaleza CE

J. Terto de Amorim disse...

Pelo amor de Deus que texto mais preconceituoso! Os Tremembé já viviam poe essas terras antes de qualquer poetuguês. Aré quando vamos escrever nossa história como se fossem os portugueses que salvaram o mundo e o Ceará?