quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Bairro Joaquim Távora


O bairro Joaquim Távora surgiu por volta da segunda metade dos anos 30, quando Fortaleza ainda estava dividida em 7 distritos: Fortaleza, Alto da Balança, Barro Vermelho, Messejana, Mondubim, Parangaba e Pajuçara. Em 1938 o distrito Alto da Balança foi extinto, sendo seu território anexado ao distrito sede de Fortaleza.  Mais tarde, este último foi subdividido entre o distrito de Porangaba e a sede de Fortaleza, onde a parte pertencente a Parangaba manteve o nome Alto da Balança e as pertencentes à Fortaleza viraram Piedade e Parque Pio XII, que tempos depois seriam os bairros chamados de Joaquim Távora e São João do Tauape.

O nome é uma homenagem a Joaquim do Nascimento Fernandes Távora, membro de tradicional família de políticos e militares do Ceará, engenheiro e militar, que participou de diversas revoltas nos anos 20 contra o governo federal. Faleceu em São Paulo, em 1924.

Estrada de Messejana - 1919 - Foto Brasiliana Fotográfica 

Quem apareceu primeiro e se constitui na via mais antiga do bairro é a Avenida Visconde do Rio Branco, que já foi chamada de Avenida Joaquim Távora e informalmente era a Estrada de Messejana ou Calçamento de Messejana. No passado, foi a via de interligação entre o seu centro fundacional e o então Município de Messejana. (Em 1921 por ato do governador Justiniano de Serpa (1920-1923), Messejana – assim como Parangaba – foi rebaixado de município para distrito, sendo ambos anexados à Fortaleza).

Estrada de Messejana trecho em construção - 1919 - foto Brasiliana Fotográfica

Durante a colonização portuguesa, o trajeto do qual resultaria a atual Avenida Visconde do Rio Branco, se delineou na trama de veredas que conectavam o Forte de Nossa Senhora de Assunção a Aquiraz, servindo o aldeamento Jesuítico da Paupina, atual Messejana, de entreposto entre os dois locais. Um importante fator da constituição da avenida como caminho de expansão, foi a ordem do presidente José Martiniano Pereira de Alencar (1834-1837), de abrir uma estrada de ligação entre Fortaleza e Aracati, passando por Messejana e Aquiraz. Esse deve ter sido o marco inicial da avenida com o perfil aproximado que conhecemos atualmente.

Estrada de Messejana - construção da ponte - 1919 - Foto Brasiliana Fotográfica

No entanto, somente em 1923 seria inaugurada a primeira ponte de material durável, com concreto, sobre o Rio Cocó, consolidando a ligação entre Messejana e Fortaleza. As obras de melhoramentos da interligação viária entre  Fortaleza e Messejana, constaram de retificação da estrada e implantação do calçamento, que teria sido iniciada em 1870 e concluído em 1936, quando chegou a Messejana. O trecho que formou o Boulevard Visconde do Rio Branco (o “Calçamento em si), foi concluído em 1925.

Mais tarde, em  25 de abril de 1880, o bairro foi beneficiado pela inauguração da primeira linha do bonde da Companhia Ferro Carril do Ceará, que cobria um percurso de 4.210 metros entre a Estação da Estrada de Messejana e a Rua São Bernardo (atual Rua Pedro Pereira), no Centro. A Estação de Bondes estava localizada onde depois fora construído o Mercado do Joaquim Távora. 

Este mercado foi construído em 1959 com a finalidade de abrigar os vendedores ambulantes que seriam retirados do centro da Cidade. Era composto de 5 galpões e além dos ambulantes acolheria pequenos comerciantes da área que se dedicariam a uma feira livre no meio do terreno. Para facilitar o acesso, foi feita uma ligação da Rua Rodrigues Junior com a Rua João Brígido. O referido mercado funcionou temporariamente sendo desativado alguns anos depois, porque não teve capacidade de absorver todo o comércio ambulante do Centro. 


Os bondes elétricos começaram a circular em Fortaleza em no dia 9 de outubro de 1913, em substituição aos bondes puxados por burros. A Concessionária do serviço era a Ceará Tramway Light & Power, com sede em Londres. O Bonde do Joaquim Távora cumpria um percurso de 2,4 km, o segundo mais extenso da cidade - 1930 - Foto Arquivo Nirez  

Na segunda metade do século XIX, a Avenida Visconde do Rio Branco já se constituía em um novo arrabalde da cidade, sem no entanto, apresentar um conjunto significativo de chácaras e sítios isolados em meio a áreas verdes, ao contrário de outros arrabaldes como o Benfica e o Jacarecanga. 

Terá, por outro lado, um aspecto similar às ruas mais centrais da capital, com terrenos estreitos e compridos, que acolhem casas hibridas, com fachada sobre o alinhamento da rua. Havia uma certa uniformidade no casario, formado por residências simples, geminadas, que se derramavam de um lado e do outro dos trilhos da linha de bonde, ao lado de residências de alto padrão, com jardins e áreas laterais e elementos decorativos na fachada.

Desse modo, a Visconde do Rio Branco se constituiria em um dos principais eixos estruturantes da expansão urbana da capital, permitindo o parcelamento de terrenos para fins imobiliários e formação de diversos bairros na direção de Messejana e do próprio bairro Joaquim Távora.

O destaque arquitetônico do Joaquim Távora ficava por conta do Colégio das Doroteias com sua bonita capela, junto a qual estava o Convento das Carmelitas. Hoje o prédio pertence a uma universidade e a capela foi desativada.


O bairro Joaquim Távora é delimitado pelas avenidas Antônio Sales, Pontes Vieira, Barão de Studart e Visconde do Rio Branco. Fica entre os bairros José Bonifácio, Fátima, São João do Tauape, Dionísio Torres e Aldeota. A localização central é um dos principais atrativos. 23.450 é o número de oradores do bairro, segundo o censo demográfico de 2010 do IBGE, dos quais 10.107 são homens e 13.343 são mulheres.

Equipamentos do bairro

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Foto Pinterest

Construção iniciada  em 08 de dezembro de 1926, com lançamento da pedra fundamental pelo arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes - Foto Pinterest

Parque Rio Branco

foto Prefeitura de Fortaleza

O Parque Ecológico Rio Branco tem a entrada principal voltada para a Avenida Pontes Vieira, com acessos pela Rua Capitão Gustavo, Avenida Visconde do Rio Branco, e Rua Castro Alves. Criado em 1992, com área de 75.825 m², a origem do parque remonta ao ano de 1976, quando foi considerada de utilidade pública para fins de desapropriação e destinada a Zona de Preservação Paisagística, o local da nascente do Riacho Rio Branco.  No entanto, só em 1992 a área foi considerada de utilidade pública para preservação e autorizada a construção do parque, a partir de projeto da EMLURB. 
No passado, o terreno correspondia a quintais de residências e sítios, onde eram desenvolvidas atividades de criação de gado e horticultura. Nesta área existiam três riachos que foram canalizados. Além de residências, existia no entorno do parque uma indústria de moagem e torrefação de café, além de pequenos estabelecimentos comerciais.

Mercado Público Joaquim Távora

foto: Emanoel Alencar Alencar

O Mercado Público era originalmente uma feira livre que vendia frutas, verduras e hortaliças. Ganhou uma estrutura física e passou por diversas ampliações e modificações ao longo do tempo. Fica na Praça Joaquim Távora com frentes para a Avenida Pontes Vieira e Rua Fiscal Vieira

Mercado das Flores

foto Diário do Nordeste

Inaugurado em janeiro de 2019, localizado na Praça Joaquim Távora na Avenida Pontes Vieira. O mercado possui estrutura coberta com 1.500 m2 de área, com 39 lojas, que irão abrigar os comerciantes locais e novos profissionais do ramo. Comercializa flores e plantas, jarros, adubos, ornamentos, e produtos para jardinagem

Fontes: 
                                                                    
Redescobrir a Visconde: a emergência da preservação da arquitetura histórica de um antigo caminho de expansão urbana de Fortaleza
Autores:
Isabelle de Lima Almeida - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - isabelle.almeida@edu.unifor.br
João Vitor Nascimento Alves - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - jvnalves31@gmail.com
Marcelo Mota Capasso - Universidade Federal do Ceará - UFC - mm.capasso@gmail.com
Ana Cecilia Serpa Braga Vasconcelos - Universidade de Fortaleza - UNIFOR - anaceciliavas@unifor.br
Guia Turistico da Cidade – Prefeitura Municipal de Fortaleza – 1961
Verso e Reverso do Perfil Urbano de Fortaleza, de Gisafran Nazareno Mota Jucá
O Bonde e Outras recordações, de Zenilo Almada – 2005
História da Energia do Ceará, de Ary Bezerra Leite – 1996 

6 comentários:

Gabriel Carneiro Avellar disse...

Muito bom! Parabéns pelo o Blog.

Unknown disse...

Como o Bairro da minha infancia tem um história incrivel e maravilhosa.Fico feliz em saber que fui criança em meu bairro e quanta gente legal mora lá.

João Pamplona disse...

Morei nesse bairro, na rua Meton de Alencar, até os meus 9 anos de idade, quando então meu pai, que era do Branco do Brasil, foi transferido para o Rio de Janeiro.

Anônimo disse...

Ao contrário do que diz o texto, não á a Avenida Antônio Sales que delimita o bairro ano Norte, mas sim a Rua Padre Valdevino.

Victor Lima disse...

A senhora por acaso tem algum material relacionado aos Integralistas? Estou estudando sobre o assunto e gostaria de algumas informações sobre a atuação do movimento no Ceará.

Fátima Garcia disse...

Victor Lima, no livro "A Praça e o Povo" de Alberto S. Galeno, o autor fala de alguns embates ocorridos contra os integralistas ocorridos em Fortaleza, principalmente na Praça do Ferreira.
Galeno, Alberto. A Praça e o Povo: homens e acontecimentos que fizeram História na Praça do Ferreira. Fortaleza: Multigraf, 2000 - 2a. edição 100p