Mostrando postagens com marcador Rua General Bezerril. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rua General Bezerril. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pelas Ruas Onde Andei (Nomes Antigos de Algumas Ruas)

Praça da Sé (antigas Praça do Conselho, Largo da Matriz e Praça Caio Prado)

As principais ruas da Vila de Fortaleza partiam da praça principal – chamada de Praça do Conselho, e posteriormente, Praça da Sé. Para a direita, acompanhando a margem esquerda do Pajeú, a atual Conde D’Eu, nome adotado em 06 de abril de 1870; antes disso, teve várias denominações, como Rua de Baixo, Nova dos Mercadores, da Matriz, e do Riacho Pajeú. Desde o início da colonização, fazia ligação com a Vila de Messejana, através da Estrada de Messejana, hoje Avenida Visconde do Rio Branco, aberta em 1796.

Av. Visconde do Rio Branco, antigos Calçamento de Messejana e Estrada de Messejana

Para a esquerda a atual Avenida Alberto Nepomuceno, chamada inicialmente de Caminho da Praia, por fazer ligação com a então Praia do Peixe (atual Iracema). Em 1856 mudou a denominação para Rua da Ponte, devido a existência de uma ponte sobre o riacho Pajeú que cortava a via; em 1889 passou a ser chamada de Rua Sena Madureira. Na gestão do Prefeito Ildefonso Albano, recebeu meio-fio e arborização. A atual denominação ocorreu após o falecimento do maestro Alberto Nepomuceno em 1920.

Para o lado Leste, encontra-se a Rua São José, antiga Rua das Almas – que ligava o Centro ao Outeiro, formado pela área que ficava entre a Heráclito Graça e a Rua do Seminário e entre a margem direita do Pajeú e a fronteira leste do Colégio Militar.

Rua Governador Sampaio, inicialmente Rua do Norte, Rua Nova do Outeiro. Em 1813 a ruela mudou para Rua do Sampaio; foi a primeira a utilizar tijolos na construção das casas. A Rua Governador Sampaio reverencia o português Manoel Inácio de Sampaio, governador da Província do Ceará (1812-1820)

Lado Oeste, sempre tendo como parâmetro a Praça da Sé, temos a Rua Dr. João Moreira, inicialmente uma ruela com o nome de Travessa da Fortaleza; depois Travessa da Misericórdia. Sofreu algumas mudanças de nomes como Rua Nova da Fortaleza, Travessa do Quartel, Rua da Misericórdia e General Tibúrcio. O nome atual se refere ao médico Dr. João Moreira, médico sanitarista, que prestava serviços na Santa Casa de Misericórdia.

Rua Castro e Silva – inicialmente Travessa da Matriz; em 1859 mudou para Rua das Flores e depois Rua Manuel Bezerra. Era a rua por onde seguiam os enterros, saídos da Sé em direção ao Cemitério de São João Batista. O nome atual homenageia o médico sanitarista José Lourenço de Castro e Silva.

Rua General Bezerril – denominação de 1888. Teve vários nomes – Rua do Quartel ou da Cadeia (a Cadeia do Crime ficava nos baixos do quartel de 1ª. Linha); rua do Oitizeiro, homenagem ao Oitizeiro do Rosário que ficava atrás da igreja. José Freire Bezerril Fontenele foi governador do Ceará no período de 1892 a 1896.

Rua Floriano Peixoto – possuía três nomes: da Travessa da Fortaleza até a atual Rua São Paulo, era Rua das Belas; da São Paulo até o sul da Praça do Ferreira, Rua da Pitombeira; e depois da praça, era a Rua da Alegria. As três formaram depois a Rua da Boa Vista, mudada para Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil no período republicano. Nunca esteve no Ceará, e nem há registro de qualquer benefício que tenha feito ao Estado.

Rua São Paulo – homenagem ao Estado de São Paulo; inicialmente Rua das Belas, começava na Rua dos Mercadores indo até a Rua das Belas, depois foi chamada de Travessa da Tesouraria e Rua da Assembleia.

Rua Guilherme Rocha – iniciava na Rua do Quartel com o nome de Travessa Municipal. Em 1912 foi denominada Rua 24 de janeiro devido a queda do governo Accioly. Foi a que teve seu primeiro trecho transformado em rua exclusiva para pedestre, entre a Praça José de Alencar e a Praça do Ferreira. Guilherme César da Rocha, foi vereador, coronel da Guarda Nacional, presidente da Câmara Municipal, vice-presidente do Estado e Intendente Municipal de 1892 a 1912.
  

Rua Major Facundo – aberta em 1814, pelo boticário Bernardo José Teixeira com o nome de Rua Nova Del Rei. Em 1842 teve o nome modificado para Rua da Palma, no trecho que ia até a Rua Guilherme Rocha e Rua do Fogo, o trecho seguinte. Em 1888 recebeu o nome de Major Facundo em homenagem ao ilustre morador da esquina noroeste com a Rua São Paulo, barbaramente assassinado no dia 8 de dezembro de 1841. 


Rua Barão do Rio Branco – antiga Rua Formosa; nome atual em homenagem ao intelectual, jurista, político e diplomata brasileiro, José Maria da Silva Paranhos Junior.

Rua Senador Pompeu, antiga Rua D’Amélia. No início do século XIX era o limite Oeste da parte edificada da cidade. Foi chamada informalmente de Rua dos Jornais, devido ao grande número de periódicos que tinha endereço na rua. Nome atual em memória de Thomaz Pompeu de Souza Brasil, fundador do Liceu do Ceará, escritor, político e professor.

Rua General Sampaio, antiga Rua da Cadeia, teve seu nome mudado a  partir de 1900, com a instalação do monumento ao General Antônio de Sampaio, herói da Guerra do Paraguai.

Rua 24 de maio

Rua 24 de Maio – até 1857 era chamada de Rua D. Afonso, filho de Dom Pedro II; depois virou Rua do Patrocínio, devido a proximidade com a Igreja do mesmo nome; a denominação atual é uma homenagem ao dia 24 de maio de 1866, data da batalha do Tuiuti, na Guerra do Paraguai, onde muitos cearenses fizeram parte e o General Sampaio foi ferido e morto.
  
Avenida Tristão Gonçalves – inicialmente, Rua da Lagoinha, devido a existência de uma lagoa que foi aterrada que ficava nas proximidades. Mais tarde, assou a ser chamada de Rua do Trilho de Ferro, por receber a linha férrea. O nome atual homenageia Tristão Gonçalves de Alencar, filho de Bárbara de Alencar, revolucionário que participou da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador, em 1824. Foi assassinado pelas forças imperiais no interior do Ceará em 1825. 
  
Rua Pedro Pereira – antigas Travessa Amélia e São Bernardo, por passar ao lado da Igreja de São Bernardo. O nome atual presta homenagem a Pedro Pereira da Silva Guimarães, promotor público, de Fortaleza, juiz de órfãos, professor, escritor e político.

Avenida Duque de Caxias – antigo Boulevard do Livramento devido a existência da capela do Livramento onde hoje se encontra a Igreja do Carmo. Homenagem a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro.

Rua Meton de Alencar antiga Rua São Sebastião, por passar próxima à Capela de São Sebastião. Parte da antiga rua passou a chamar-se Rocha Lima. Meton de Alencar foi um médico cearense, que participou como voluntário na Guerra do Paraguai. Foi diretor da Santa Casa de Misericórdia por longos anos.

Rua Solon Pinheiro antigas Rua da Trindade, e Rua da Alegria. Manoel Solon Rodrigues Pinheiro foi jornalista, advogado e político. Nascido em Cachoeira, no Estado do Ceará, o município teve seu nome mudado para Solonópole, em sua homenagem em 1943.

Rua Barão de Aratanha – antiga Rua do Lago, uma referência à Lagoa do Garrote; no início do século, chamava-se rua Pero Coelho. José Francisco da Silva Albano, o barão de Aratanha era Coronel da Guarda Nacional e comerciante.

Rua Jaime Benévolo – antiga Rua do Açude – referência ao Açude Pajeú, construído na 1ª. Administração do Senador Alencar na área onde hoje se encontra o Parque Pajeú; também foi chamada de Rua da Cruz, devido a ermida existente no local no século XIX. Jaime Benévolo era Militar e professor, nascido em Maranguape em 1854.

Rua Pedro Borges – Antiga Rua do Cajueiro. Pedro Augusto Borges foi governador do Ceará entre 1900 e 1904.

Rua Pereira Filgueiras antiga Rua do Paço devido a existência do palácio do Bispo. José Pereira Filgueiras foi um dos principais revolucionários da Confederação do Equador, movimento que tinha como proposta estabelecer a República do Brasil.

Rua Costa Barros – principal acesso da Aldeota ao Centro. Antiga Rua da Aurora e Rua do Sol. Pedro José da Costa Barros nasceu em Aracati, a 7 de outubro de 1770. Para o historiador R. Batista Aragão, Costa Barros pode ser considerado como o homem das realizações inacabadas: ainda estudante, aluno do curso de engenharia da Universidade de Coimbra, foi obrigado a abandonar os estudos por motivo superior; 

Eleito deputado à Constituinte Portuguesa, deixa de seguir para Lisboa, preferindo ficar no Rio de Janeiro; eleito em 1822, deputado para a Constituinte Brasileira, foi impedido de tomar posse. Por ocasião da abertura da sessão inicial, encontra-se processado, por envolvimento em processo sobre acontecimentos no ano anterior. Absolvido, assume o cargo, e vê a Assembleia ser dissolvida pelo Imperador. Foi nomeado Ministro da Marinha, mas não exerceu o cargo; guindado ao posto de governador do  Ceará, não pode cumprir o mandado em razão de dificuldades diversas.


Avenida Almirante Tamandaré – principal acesso à Ponte Metálica, antigo porto de Fortaleza, a construção da via só foi possível graças ao desmonte de uma duna existente próximo à alfândega. Foi inaugurada em 1916 com o nome de Avenida Atlântica; em 1920 mudou para Epitácio Pessoa; em 1932, foi chamada de Avenida Três de Outubro em homenagem à revolução de 1932. Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, foi um militar da Armada Imperial Brasileira que atingiu o posto de almirante. Herói nacional, é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil e o dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.
Rua 25 de Março -  antigas Ruas do Outeiro e do Pajeú. O nome da via corresponde a data da libertação dos escravos no Ceará.

Rua Coronel Ferraz – travessa do Colégio, por passar ao lado do Colégio da imaculada Conceição; depois Travessa São Luís e Figueiras de Melo. Luiz Antônio Ferraz foi o primeiro governador do Ceará no período republicano (1889-1891). Antes era comandante do 11° Batalhão de Infantaria de Fortaleza.

Avenida Santos Dumont - imagem Ítalo Sales

Avenida Santos Dumont antiga Rua do Colégio (da Imaculada Conceição). A partir de 1932, quando começou a expansão da parte leste da cidade, tornou-se Avenida Santos Dumont, homenagem ao pai da aviação, Alberto Santos Dumont.


Fontes:
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
A História do Ceará passa por esta rua, de Rogaciano Leite Filho
fotos Google, arquivo Nirez e postais antigos

terça-feira, 11 de março de 2014

O Oitizeiro da Capela do Rosário

Praça Portugal, que segundo projeto da prefeitura de Fortaleza, deverá desaparecer para dar lugar a  um cruzamento que possa facilitar o tráfego de veículos.

A retirada de árvores para facilitar o trânsito de veículos, não é propriamente uma novidade em Fortaleza.  Em 1929, na gestão do Prefeito Álvaro Weine (1928-1930), foi cortado um oitizeiro centenário, situado no cruzamento das Ruas Guilherme Rocha e General Bezerril, por trás da Igreja do Rosário. O corte da árvore provocou uma onda de indignação e revolta na população e nos cronistas que presenciaram o fato. O texto que se segue, é de autoria de João Nogueira, extraído do seu livro "Fortaleza Velha".  

O Oitizeiro do Rosário

Cruzamento das ruas Guilherme Rocha e General Bezerril, à esquerda da foto, o Oitizeiro do Rosário

O nosso estimado prefeito acaba de praticar um grande crime! Talvez, mesmo tenha feito coisa pior: cometido um pecado mortal, mandando matar o mais antigo dos seus munícipes, este inocente e querido oitizeiro da capela do Rosário.  Cortada a fronde e já reduzido ao tronco e a dois galhos principais, nos pareceu um supliciado a quem houvesse dilacerado o corpo e cortado as mãos e que, em um último arranco, levantasse os braços para o céu clamando vingança (talvez perdão) para os seus matadores.

Pobre oitizeiro! O teu crime foi teres vivido muito e te alimentado do passado, falando a língua antiga do Ceará que já não entende esta geração de calças largas e saias curtas. Que amargura não será viver-se tanto até ficar-se isolado, rodeado embora de uma multidão que não entendemos e que não nos entende!
Na Índia se acredita que quem planta uma árvore 
sobe um degrau para o céu; e que quem destrói outra desce outro tanto para o inferno. Não sabemos se os deuses da Índia se ocupam com o Ceará; mas, se assim for, o nosso amável Álvaro Weine estará mal visto por eles. 



O nosso Antônio Sales já declarou que “a mão que nunca plantou uma árvore deixou de fazer um dos mais úteis e belos gestos da vida.” Que dirá agora o poeta, da mão que matou uma árvore secular, em plena florescência da vida e que assistiu aos primórdios da Fortaleza?
É verdade que o nosso operoso prefeito há plantado inúmeros fícus benjamins, os quais, quando crescerem, não só arrebentarão as calçadas pelo desenvolvimento das raízes, mas também tornarão tenebrosas as nossas célebres “noites de escuro”.

Melhor fora que arborizasse somente as praças, como sempre se fez, e deixasse as ruas desentupidas; conservaríamos até a expressão muito nossa, “lado do sol, lado da sombra”.  Quer uma tradição muito antiga que o oitizeiro da capela do Rosário tenha servido de baliza às sumacas e jangadas que demandavam o nosso porto, ao tempo em que Fortaleza era uma aldeia pobrezinha espalhada pelas areias do mar.


Praça do Ferreira, com o oitizeiro ao lado do Palacete Ceará, ao fundo.

Não se sabe ao certo de quando datava aquele oitizeiro. Antônio Bezerra, diz que há ainda quem se lembre de tê-lo visto tal qual é hoje (30 de setembro de 1888), no começo do século XIX e que a ele se prendem lendas interessantes e a tradição é corrente acerca da veneração que lhe votaram os edificadores da capital.

Diz mais que, em 1862 a Câmara Municipal resolvera alinhar a rua e derrubar o oitizeiro. Mas o desembargador Jerônimo Martiniani Figueira de Melo, informado do caso, conseguiu da Câmara que se fizesse um muro em torno da árvore no qual se construíssem assentos. Assim se fez, e assim se salvou o oitizeiro.

João Brígido conta que, em outubro de 1912, dizia-se na cidade que o Intendente Municipal mandaria derrubar o oitizeiro ultrassecular que se encontra à entrada da Rua Bezerril. Foi um horror para muita gente que professa o culto das árvores e olha para aquela com a veneração que os anos soem incutir nos amigos das tradições.


O oitizeiro no dia do corte: alguns homens cortam os galhos, enquanto populares observam a cena. A foto foi mandada fazer pelo prefeito Álvaro Weine, que determinou a retirada da árvore.

Um cajueiro tivemos no começo do século XVIII, no extremo da rua ora chamada do Cajueiro, que testemunhara a entrada dos primeiros portugueses nesta terra e à sombra do qual se estabeleceu o primeiro açougue da povoação. O juiz almotacé o condenou a ser derrubado, o povo se opôs e correu uma demanda que foi julgada em última instância pelo Tribunal da Relação, que tinha sede na Bahia. O cajueiro em questão era o mais antigo morador do forte, alegava-se que por isto, deveria ser conservado, e o Tribunal julgou assim.
Entre nós a população ainda meio bárbara não respeitava as árvores; nos nossos sertões derrubam-se cedros seculares para, das suas cinzas, fazer grosseiro sabão. 

Rua Major Facundo
 
A árvore em questão estava no quintal de uma casa, extremo da Rua do Rosário. Em 1863, o desembargador Figueira de Melo, que viera aqui pleitear uma eleição senatorial, para mostrar-se amigo do povo, fez resguardá-la dizendo que seria sua filha de então por diante e concorreu com 500$000 para a compra do terreno que ela ocupava, e a construção de um gradil que existiu por muito tempo, de modo que tudo ficou sendo do Estado propriamente. 

Sobre a aquisição do oitizeiro e a construção da grade protetora há uma outra versão. O Dr. José Duarte Pimentel, em artigo no Diário do norte, de 1° de outubro de 1912, diz que lhe foi referido pelo falecido Dr. Francisco Cordeiro da Rocha Campelo, antigo inspetor do Tesouro provincial e pai do Dr. Adolfo Campelo, provecto e conhecido advogado no foro de Baturité, que o oitizeiro junto ao muro do palácio foi oferecido pelo finado senador Domingos José Nogueira Jaguaribe, que o comprara em 1878 por quinhentos mil réis, cuja escritura se acha depositada no Tesouro; e que o Dr. Paulino Nogueira Borges da Fonseca, estando na presidência da província, mandou cerca-lo  por meio de uma grade de ferro que existia até bem pouco tempo.


Publicada em 23 de maio de 1929
fotos do Arquivo Nirez
fotos da Praça Portugal de março/2014
 

sábado, 26 de novembro de 2011

Arquivo Nirez na Internet

O memorialista e escritor Miguel Ângelo de Azevedo, o conhecido Nirez, detentor do maior e mais fabuloso arquivo de imagens e fotos sobre Fortaleza, está compartilhando seu rico acervo pela rede social facebook.  Para ter acesso ao acervo, é preciso ter conta no facebook, e claro,  pedir ao Nirez  para ser adicionado.  O endereço é : 


eis uma pequena amostra:



Bar do Avião na Avenida João Pessoa, inaugurado, em 23/10/1949, na Parangaba

 Rua do Seminário, atual Avenida Monsenhor Tabosa

 Rua General Bezerril

Rua Major Facundo, com o belo edifício do Cine Majestic Palace

Avenida Epitácio Pessoa atual Almirante Tamandaré

Bairro Antônio Bezerra, antigo Barro Vermelho

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As Antigas Farmácias

Em meados da década de 1940 a maioria das farmácias de Fortaleza ficava no centro, muitas no trecho da Praça do Ferreira. Por essa época, as boticas já não existiam, exceto a Pharmácia Galeno, sucessora da famosa Botica do Ferreira.



Os estabelecimentos farmacêuticos costumavam ostentar em suas fachadas, tabuletas com o aviso de que faziam manipulações, o que significava que ali se aviavam receitas de remédios produzidos de acordo com as especificações do médico e as necessidades de cada paciente. Eram comprimidos, xaropes, poções, pós, banhas e pomadas para os diversos males. 
Mais eficazes do que os medicamentos industrializados de hoje, que não raro, causam efeitos colaterais, os remédios manipulados, produzido especialmente para cada paciente, eram seguros e eficientes. 

Na década de 1940, Fortaleza teria pouco mais de vinte farmácias, quase todas na área central que, monopolizava a quase totalidade do comércio da cidade. 
As exceções eram a Farmácia Arthur de Carvalho, no Benfica; a Farmácia Carneiro no Joaquim Távora, próximo ao Colégio das Dorotéias, e a Farmácia São Sebastião, à margem da linha férrea, no Otávio Bonfim. 



Na Praça do Ferreira ficavam a Pharmácia Galeno, de Joaquim Studart da Fonseca,  no local onde funciona atualmente a Loja Riachuelo, entre a Pharmácia Oswaldo Cruz e a antiga Loja 4.400, hoje Edifício Lobrás; 

a Pharmácia e Drogaria Pasteur, fundada em 19 de setembro de 1894, na Rua Major Facundo, 16 (atual 538), pelo Dr. Leopoldo Domingues, que após 9 anos vendeu ao farmacêutico Francisco Linhares Filho, que por sua vez, em 1905, vendeu a Eduardo de Castro Bezerra. 



A Pasteur era a mais famosa, a mais acreditada e a maior em instalações dentre todos os estabelecimentos farmacêuticos do Ceará, tendo, inclusive, fundo correspondente com a Rua Barão do Rio Branco – não havia galeria de correspondência entre os dois imóveis, era como se fossem dois estabelecimentos. Só mais tarde, no final da década foi aberta a circulação ao público. 
 
Da mesma forma que a Pasteur, a Oswaldo Cruz, estabelecida na Rua Major Facundo, 576 também tinha fundos para a Rua Barão do Rio Branco. A Oswaldo Cruz funciona até hoje, no mesmo endereço.

interior da Farmácia Oswaldo Cruz em fotos de 1950 (Arquivo Nirez)

Ainda na Praça, tinha a Farmácia Francesa, na esquina do Excelsior Hotel, a Farmácia Belém, no extremo sul e as Farmácias Globo e Santo Antonio, na parte leste (Rua Floriano Peixoto).

Na Rua Guilherme Rocha, entre a loja Broadway e a Sapataria Granito estava a Farmácia Santa Helena; na esquina com a Barão do Rio Branco, ficava a Farmácia Conceição, num velho sobrado verde.

A Farmácia São José localizava-se nos baixos do edifício Vitória. A Farmácia São Francisco, ficava na esquina com a Avenida do Imperador, na Praça da Lagoinha.

A farmácia mais antiga da cidade, a Mamede, ficava na Rua Major Facundo, entre as Ruas Liberato Barroso e Pedro Pereira.

Prédio onde funcionou a Farmácia Theodorico, na Rua Major Facundo (arquivo Nirez)

A tradicional Farmácia Theodorico estava localizada também na Major Facundo, vizinho à Casa Villar, logo após a Rua São Paulo.

Na esquina da Floriano Peixoto e Castro e Silva tinha a Pharmácia Santa Maria, que vendia os “Productos Cathedral”. 



Na Rua Rua General Bezerril, ao lado do Palácio do Comércio situava-se a Farmácia Juliana e na mesma rua, já próximo à Praça dos Voluntários estava a Farmácia Motta. Na esquina das Ruas Major Facundo e Liberato Barroso estava a Farmácia Modelo e na mesma rua Liberato Barroso, tinha a Pharmácia Homeopática Frota. Havia também a Farmácia São João.



Sem muitas opções para divulgação de seus produtos, os laboratórios promoviam suas mercadorias, através de displays, que tinham que tinham formas atraentes, como os do Sal de fructa Eno, da Emulsão de Scott, do Sapalt, Produtos Ross, Instantina, Cibalena, Sal de frutas Piccot.  



Todas as farmácias possuíam uma sala de espera, com cadeiras, mesinhas com revistas e cinzeiros, onde as pessoas aguardavam que os remédios solicitados fossem aviados. 
E ali surgiam as amizades. 

Por conta dessa proximidade é que naqueles tempos, a exemplo das barbearias, as farmácias também eram espaços de socialização, onde se formavam rodas de conversas, que reuniam pessoas de todas as classes sociais.

Fonte:
anúncio de produtos farmacêuticos da década de 1940 
Disponivel em 
http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/propag.htm
Lopes, Marciano. Royal Briar: a Fortaleza dos anos 40. Fortaleza: ABC, Coleção Nostalgia, 1996.