Mostrando postagens com marcador farmacia oswaldo cruz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador farmacia oswaldo cruz. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Os Mais Antigos da Praça do Ferreira

 

A Praça do Ferreira é um dos logradouros mais antigos da cidade, planejada pelo Boticário Ferreira – Antônio Rodrigues Ferreira, vereador, eleito e reconduzido à presidência da Câmara Municipal por 18 anos consecutivos. Ferreira tomou a si a responsabilidade de cumprir o Plano Diretor da Cidade elaborado por Silva Paulet, com base na Lei municipal de 06 de dezembro de 1842, que previa a construção de uma praça, que receberia o nome de Pedro II. Foi responsável ainda pela urbanização e alinhamento de várias ruas do Centro. O Boticário Ferreira faleceu em 1859, ainda no cargo. Em 1871, a antiga Praça Pedro II recebeu nova denominação: Praça do Ferreira, justa homenagem ao boticário.


fins do século XIX

A Praça fica no quadrilátero entre as ruas Major Facundo, Pedro Borges, Floriano Peixoto e Travessa Pará. Se atualmente não tem novas edificações, tampouco tem construções que remontem ao tempo do Boticário, exceto a velha cacimba que ocupa o centro e atravessou décadas invisível, sepultada sob os escombros de injustificadas e sucessivas reformas. Seus imóveis mais antigos são:



Sobrado do Pastor – construção de 1914 – erguido por Eduardo Pastor e projetado por José Moreira, o prédio conhecido por Sobrado do Pastor domina a cena da Praça do Ferreira desde 1914, ano de sua inauguração. Está localizado na Rua Floriano Peixoto, esquina com a Travessa Pará. O térreo é ocupado por alguns comércios, o andar superior encontra-se fechado. 

  


Palacete Ceará – Inaugurado em 1914 – propriedade do banqueiro José Gentil Alves de Carvalho, projeto de João Sabóia Barbosa. Atualmente funciona a agência Centro da Caixa Econômica Federal. Fica na Rua Floriano Peixoto, esquina com a Rua Guilherme Rocha, em frente ao Sobrado do Pastor.



Farmácia Oswaldo Cruz – prédio construído em 1927, por Plácido de Carvalho, exemplar da arquitetura eclética. A farmácia ocupa o local desde 1934. Fica na Rua Major Facundo.

Excelsior Hotel – construção iniciada em 1927, inaugurado em 1931, por Plácido de Carvalho, rico comerciante, mentor de vários empreendimentos. Os 7 andares do prédio não têm uso específico, apenas o térreo é ocupado por diversas lojas. Fica na Rua Major Facundo, esquina com a Rua Guilherme Rocha.

Edifício Granito – Inaugurado no dia 19 de maio de 1934, na Rua Major Facundo esquina com a Rua Guilherme Rocha, erguido no lugar onde antes funcionara dentre outros estabelecimentos, a Maison Art-Nouveau.  

Edifício Sul América - Inaugurado no dia 15 de janeiro de 1953 na Travessa Pará.

Edifício Jereissati – inaugurado em 1964, abrigou o Hotel Savanah. No térreo funciona uma grande loja de eletrodomésticos.

Edifício São Luiz com sua principal atração, o cine São Luiz, foi inaugurado 26 de março de 1958



Prédio da Farmácia Pasteur – é um dos mais dos edifícios mais antigos da praça, a farmácia foi fundada em 1894, pelo Dr. Leopoldo Domingues. Pela fachada, dá para concluir que foi construído especificamente para o estabelecimento. Até os anos 70, quando encerrou as atividades, a Pasteur era a maior e mais famosa drogaria de Fortaleza. Vários estabelecimentos funcionaram no local depois do encerramento da Pasteur. Hoje tem uma loja.

Edifício Lobrás – antigo espaço onde funcionou o histórico cine Teatro Majestic Palace, hoje domínio de escritórios, consultórios médicos. Ao lado do Edifício Lobrás está a lanchonete Romana, onde antes existiu a Casa Almeida

Alguns prédios localizados na praça são bastante antigos, a exemplo do Edifício localizado na esquina da Rua Pedro Borges com Major Facundo e o pequeno prédio que abriga a Pastelaria Leão do Sul, que segundo o site da empresa, funciona desde 1926. Não localizamos os dados relativos à construção ou inauguração destes.  

No livro Fortaleza Descalça, o autor Otacílio Azevedo assina uma crônica intitulada “Rodeando a Praça do Ferreira”, onde descreve os comércios e estabelecimentos que tinham como endereço a velha praça. Desta lista, identificados pelo velho poeta, só restou a Farmácia Oswaldo Cruz, e a cacimba, que era gradeada e acompanhada de catavento e caixa d’água.

Hoje, a Praça do Ferreira é uma pálida lembrança do que foi, muito distante de seu velho charme. É um logradouro abandonado, invadido por moradores de rua, sem paisagismo, sem manutenção, tomada de pombos, bancos e piso quebrados, com a coluna da hora esquecida e fonte desligada. A Praça do Ferreira, patrimônio da cidade, tem um aspecto decadente: é uma das maiores vítimas da incompetência, da falta de compromisso com o centro da cidade, da ignorância cultural e patrimonial de sucessivos governos, que só se preocupam com determinados bairros da cidade. 

anos 1920

anos 1930

anos 1940

anos 1960

reinauguração em 1991
     
2013

2023



Fotos: Arquivo Nirez, Diário do Nordeste e Fortaleza em Fotos

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Prédios Históricos na Praça do Ferreira

Praça do Ferreira em 1908 (Arquivo Nirez)

Na primeira metade do século XIX a Praça do Ferreira era um imenso largo com uma ruela denominada Beco do Cotovelo atravessando-a de Nordeste a Sudoeste. Em 6 de dezembro de 1842, o intendente Manuel Teófilo Gaspar de Oliveira mediante lei municipal, autorizou a reforma do plano da cidade na qual incluía a reforma do largo, eliminando o Beco do Cotovelo. Quem executaria o plano seria o presidente eleito da câmara, Antônio Rodrigues Ferreira, chamado o boticário Ferreira.

Praça do Ferreira, década de 1920 (Arquivo Nirez) 

Desde o início de sua existência muitos imóveis foram construídos ao redor da praça; uns sucumbiram aos apelos da modernidade e foram demolidos, outros estão lá até hoje. Eis alguns dos sobreviventes:

Escola do Ensino Mútuo/Palacete Ceará

Prédio do Ensino Mútuo de Fortaleza, construído em 1879 (Arquivo Nirez)

Antes da construção do Palacete Ceará havia um prédio antigo construído para abrigar a Escola de Ensino Mútuo, primeira escola para meninos de Fortaleza. Na época da construção, o local era considerado subúrbio.

Palacete Ceará, atual Agência centro da Caixa Econômica Federal (foto Tarcísio Garcia)
 
Inaugurado em 1914, projeto do arquiteto João Sabóia Barbosa, construído por Eduardo Pastor, da firma Rodolfo F. da Silva e Filhos. O prédio era de propriedade do Coronel José Gentil Alves de Carvalho, banqueiro e um dos homens mais ricos da cidade.
O prédio foi ocupado pela Rotisserie Sportman, restaurante e casa de chá de Júlio Pinto, frequentado pela alta sociedade fortalezense.  O ambiente lembrava o requinte parisiense e tinha como destaque uma orquestra.
De 1922 a 1936 foi instalado o Clube Iracema, também reduto da alta sociedade.  Ainda em 1922 foi ampliado, constituindo dois blocos com 3 pavimentos e um com pavimento térreo, onde foi instalada uma  sala de bilhar. Em 1955 foi adquirido pela Caixa Econômica Federal, onde funciona até hoje a agência Centro daquele estabelecimento de crédito. 

Sobrado do Comendador Machado/Excelsior Hotel

Sobrado do Comendador Machdo, na esquina das Ruas da Palma e Municipal (Major Facundo com Guilherme Rocha), no local onde hoje está o prédio do Excelsior (foto do livro de Raimundo Girão)

No local onde hoje está o prédio do Excelsior havia o sobrado do comendador José Antônio Machado, construído em 1825, pelo engenheiro coronel Conrad Jacob de Niemeyer com o auxílio dos presos da cadeia do crime. No sobrado funcionou o antigo Hotel Central e o Café Riche. Foi vendido a Plácido de Carvalho, que o mandou demolir no ano seguinte. 

Prédio do Excelsior Hotel, atualmente sem uso definido. O Hotel encerrou as atividades em 1964 (foto do blog)

O projeto do hotel, de autor desconhecido, foi inspirado num edifício de Milão. Foi construído por Natali Rossi, irmão de Pierina Rossi, esposa de Plácido Carvalho.  A decoração interna foi feita por Pierina Rossi, utilizando material de primeira linha, importado da Europa. Em estilo eclético, foi o primeiro arranha-céu da cidade construído em alvenaria – pilares, vigas e lajes feitos com a utilização de trilhos de trem comprados da Santa Casa de Misericórdia. 

Saguão do Excelsior Hotel, decorado por Pierina Rossi (foto do blog)

Após a morte de Plácido de Carvalho, a viúva casou-se com o arquiteto Emílio Hinko em 1938. Pierina faleceu em 1957 e o Hotel passou para Emílio Hinko. O Excelsior Hotel encerrou suas atividades em 1964.

Palacete Iracema (Sobrado do Pastor)

 Casa na esquina da Guilherme Rocha com Floriano Peixoto, onde hoje está o Sobrado do Pastor (Arquivo Nirez)

No início do século XIX havia no local uma casa de arquitetura simples. Em 1826 a casa foi arrematada pelo comerciante José Antônio Machado, demolida e construído um outro imóvel, mais recuado, devido a formação da Rua da Pitombeira (atual Floriano Peixoto). Em 1847 o prédio foi reconstruído para servir de quartel do Corpo Policial. 

  Fachada do Palacete Iracema, conhecido como Sobrado do Pastor, na esquina das Ruas Guilherme Rocha e Floriano Peixoto (foto do blog)


Interior do Sobrado do Pastor, onde funciona o restaurante L"Escale

O edifício atual foi construído em 1914. O proprietário Eduardo Pastor, proveniente do Pará, investiu na obra como uma alternativa de negócio, uma vez que a borracha estava em decadência. Em estilo art-nouveau, o edifício teve ao longo dos anos vários usos, sendo ocupado por órgãos públicos e casas comerciais, perdendo parte das características arquitetônicas, principalmente na parte térrea da fachada. 
Farmácia Oswaldo Cruz em 1952 
Fundada em 1934 de Hortêncio Mota e Cia. até 1950 pertenceu ao médico Benjamin Hortêncio de Medeiros, clínico geral, com consultório montado nos altos da farmácia, onde também atendia o Dr. Ciro Leal. Fornecia artigos farmacêuticos de ótima procedência, trabalhava com a fabricação de remédios, inclusive as pílulas de matos – como concessionária da Farmácia de Joaquim e Alencar Matos. 


Farmácia Oswaldo Cruz, um dos mais tradicionais estabelecimentos da Praça do Ferreira (fotos do blog) 
Em 1950 foi comprada pelo atual proprietário Edgar Rodrigues. Além da venda de medicamentos, produtos químicos e homeopatia, possui um ambulatório. O prédio construído em 1927 por Plácido de Carvalho é um exemplo de arquitetura eclética.

Farmácia Pasteur

 Prédio da antiga Farmácia Pasteur, hoje ocupado pela Farmácia Avenida (foto do blog)

Era uma das farmácia mais tradicionais de Fortaleza, criada em 1° de novembro de 1922. Fundada por Eduardo de Castro Bezerra, Tertuliano Viana e Sá e Raimundo Freitas Ramos. 

fonte:

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Fortaleza dos Velhos Tempos

Avenida Pessoa Anta 

Da Fortaleza de outrora ficou a imagem da beleza das antigas ruas e avenidas: os canteiros centrais, divididos por frondosos oitizeiros, que nos abrigavam, com suas sombras, amenizadas pelos ventos que sopravam enfurecidos, com luar prateado nas noites, penetrando por entre os arvoredos, projetando estrelas que tapetavam o chão chapiscado de luz da lua, até o amanhecer do dia, despertando os pássaros, nos ninhos de tenra plumagem. Assim, Fortaleza acordava, risonha, embalada pelos maviosos cantos dos pássaros e do repetido do trinado gorjeio no alto das frondosas árvores.

Cruzamento da Rua Guilherme Rocha com a Major Facundo 1911

A Praça do Ferreira é uma quadra a começar pelo lado poente da rua Major Facundo, com rua Guilherme Rocha, em direção da rua Liberato Barroso. Bem na esquina, ficava o Café Riche, depois a Loja Broadway, do Sr. Alberto Bardawil, depois loja Tok Discos. Vizinho, com uma porta estreita, funcionou um armarinho, para venda de gravatas, camisas, lenços, canetas e relógio, depois Rei das Canetas. 

Praça do Ferreira década de 80

A seguir as Lojas Sloper (filial do Rio de Janeiro), depois Banco Mercantil do Brasil. Depois, vinha o Cine Polytheama, dos irmãos Rola, hoje Cine São Luís, geminado ao prédio que serviu de escritório da Empresa Ribeiro, de propriedade do Sr. Luis Severiano Ribeiro, hoje com rua lateral dando acesso à rua Barão do Rio Branco.


Praça do Ferreira em 1934. Ao fundo os cinemas Pholiteama, Majestic, Moderno
 
A Praça do Ferreira atual

Mais adiante a Pharmacia Pasteur - Estabelecimento Eduardo Bezerra, hoje lojas Marisa e Farmácia Avenida; ainda o antigo Cine Majestic e Bar, com cadeira de pés de ferro e pequena mesa de mármore, com música ao vivo a cargo do pianista e compositor Mozart Gondim Ribeiro, tio dos estimados amigos Humberto, Heitor Filho, Haroldo e Heloisa Diogo Ribeiro, frequentado por expoentes da cidade, como Prof. Raimundo Gomes de Matos, Quintino Cunha, Dolor Barreira, Olinto Oliveira, Heribaldo Costa, Álvaro Costa, Desembargador Leite Albuquerque, Lauro Maia, Desembargador Ubirajara Carneiro, boêmio e poeta Cid Neto. 


Era um imponente edifício de quatro pavimentos que pegou fogo na década de 40; após a demolição, funcionou a Loja de Variedades, Lojas 4.400, hoje Lojas Riachuelo e Duda´S Burger; Farmácia Oswaldo Cruz - de propriedade de Edgar Rodrigues; no andar superior da Farmácia Oswaldo Cruz - o escritório por mais de 50 (cinquenta) anos, de um dos mais brilhantes e atuantes advogados do Ceará, Olinto Oliveira. 

Farmácia Oswaldo Cruz em foto de 1952

Com ele trabalhavam, os ilustres causídicos - Professor Walmir Pontes, Professor Álvaro Costa, e os advogados Oscar Pacheco Passos e Moacir Oliveira, esse imóvel pertencia à D.ª Pierina Hinko; vizinho, uma casa térrea de 2 (duas) portas - O Foto Sales, de propriedade do Sr. Tertuliano Sales, mais tarde de seus sucessores.
Em imóvel de igual formato de rótula - a famosa Garapeira "Mundico", com refresco de pega-pinto, aluá, e, capim- santo, murici, jenipapo, cajá-imbu, cajá, caldo de cana, cajuína, tamarindo, coco babão, refresco de ervas "quebra pedra" e "vassourinha", muito procurado pelos visitantes da nossa cidade por ser medicinal. 

Desfile de 7 de Setembro na Rua Major Facundo. Ao fundo a Alfaiataria Amâncio, o Restaurante Frota, o Foto Salles e o Cine Moderno.
  
Em tempos mais recuados, a mais famosa garapeira do "Bem-Bem", especialista na excelente bebida conhecida por "jinjibirra" ou "gengibirra", muito apreciada por todos os fortalezenses, fermentada, feita de frutos, gengibre, açúcar, ácido tartárico, fermento de pão e água, conhecido no nordeste como champanhe-de-cordão, cerveja-de-barbante. Talvez fosse melhor escrita gengibirra, e que celebrizou o extrovertido "Bem-Bem". Vizinho ao Mundico, estava o Armarinho do Orion, com vendas de meias, gravatas, lenços, suspensórios, cintos, dentre inúmeros objetos masculinos.
Ainda no mesmo quarteirão da rua Major Facundo - a mais célebre farmácia da cidade a antiga Farmácia do Boticário Ferreira assomava.


Rua Major Facundo com a Farmácia Galeno. Antes funcionava no endereço a botica do Ferreira.
Rua Major Facundo no trecho onde antigamente estiveram o Cine Majestic, e a Farmácia Pasteur

Destacava-se ainda, o Cine Moderno, da Empresa Severiano Ribeiro, com sua rica e esplendorosa marquise variegada, com cristal colorido das mais vivas cores, no formato de meia concha ou cauda de pavão, dava toque de elegância e imponência à entrada daquele cinema, depois lojas Samasa, de propriedade de Sebastião Arrais; depois Sapataria Nova e Clínica de Olhos Rosângela Francesco.


Cine Moderno, demolido em 1968

Na esquina da rua Major Facundo, com a rua Liberato Barroso de um lado, existiu, nas décadas de 40/60, o Café Sport, dos irmãos gêmeos José e Estevam Emygdio de Castro, muito estimados por todos que os conheciam, foram meus patrões na firma Emygdio e Irmãos, hoje a Lojas Esquisita, do Sr. Pio Rodrigues. Eis apenas o início de um longo caminhar pelo passado de nossa cidade. 


fotos do Arquivo Nirez
extraído do ensaio Fortaleza: uma cidade e suas praças 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fortaleza de Outrora Parte 2/2 - Final

Rescaldo – O que sobrou da Guerra do Progresso (por Marciano Lopes)
continuação ...


Cadê a querida PRE-9 e a sua sobriedade de grande estação de rádio, com seus excelentes locutores, seu “regional”, seu radio teatro e suas novelas tão palpitantes? Cadê Tânia Maria, Vera Lúcia, Terezinha Holanda, as irmãs Sousa Moura? O que foi feito de Tereza Moura e do Magalhães que selecionavam os discos de cera para as programações musicais? Parece que tudo virou silêncio.


Discoteca da Ceará Rádio Clube, no Edifício Diogo. Milhares de discos de cera, cuidadosamente guardados em estantes envidraçadas. Parecia um santuário, sob os cuidados de Gerardo Barbosa e Tereza Moura (foto Marciano Lopes)
  
Não se escuta mais o vozeirão de Cabral de Araújo, nem a sonoríssima voz de Manuelito Eduardo, nem a notícia na voz de Aderson Brás, nem a voz pautada de Mozart Marinho. Por que João Ramos não voltará a “amar” Laura Santos? Talvez porque José Limaverde passou a fazer parte das “Coisas que o Tempo Levou”...

Por que retiraram das portas das casas as tabuletas anunciando que ali se faziam “ponto a jour”, “passa-se ponto cairel”, “cobrem-se botões” porque as roupinhas das crianças não tem mais “ponto picot”?

 Irmas vocalistas Cleide e Adamir Sousa Moura, do cast da Ceará Rádio Clube (acervo Marciano Lopes) 
                                                                                                                                             
Por que as famílias não mais se visitam, como antigamente faziam? E era tão bonito, tão humano, tão família. Eram aquelas visitas de tantas saudades, os pontos de união entre as pessoas. Já se sabia: em determinado dia, melhor dizendo, em determinada noite da semana, era a vez de fulano e sua família. E todos eram bem recebidos, as mulheres formavam um grupo onde as conversas giravam sobre as amenidades do dia a dia no lar, os estudos das crianças, a moda, algum disse-que-disse. 

Os homens formavam outro grupo, falavam de política, da Constituição, do governo Vargas, da guerra e suas sequelas. As crianças brincavam, corriam, cantavam, formavam rodas de ciranda nas calçadas, as meninas mostravam as novas bonecas, “arrumavam a casa para receber as visitas”. Depois, todos em volta da mesa comiam bolos e sequilhos, tomavam café ou licores. 

A televisão e o crescimento da cidade aumentaram as distâncias e separaram as pessoas. Ninguém mais se visita, até mesmo entre familiares o isolamento aconteceu. Todos vivem suas próprias vidas. Cada casa é um gueto.

Por que não mais se escutam os “cantos” dos vendedores de ruas? Por que os supermercados acabaram com as mercearias e bodegas, pontos de aproximação das donas-de-casa, de aconchego entre as pessoas, de momentos de humor entre os merceeiros e os fregueses? Cadê o sorveteiro, o aguadeiro, o padeiro, o leiteiro, o gazeteiro, o figueiro, o verdureiro? Os pregões silenciaram e deixaram com seu silêncio uma lacuna e uma grande nostalgia. No balanço final, a gente constata entristecido que, pouco restou.

de todas as farmácias citadas, a única que permanece no centro é a Oswaldo Cruz (foto Fátima Garcia)

Das tantas farmácias, só ficaram a Pharmácia e Drogaria Oswaldo Cruz, a Farmácia Theodorico, a mais antiga de Fortaleza, a Farmácia Motta, a Farmácia Arthur de Carvalho, na esquina da Avenida Visconde de Cauípe com a Rua Padre Francisco Pinto, no Benfica, e a Farmácia e Drogaria Pasteur, esta última, ocupando prédio pequeno e sem “it”, bem diferente da bonita sede da Praça do Ferreira. 

Na Rua Liberato Barroso, entre as Ruas Barão do Rio Branco e Floriano Peixoto, pululavam os armarinhos. Restaram apenas “A Samaritana”, “A Rendeira” e a “Casa Osmar”.

Das tantas garapeiras do centro, só ficou a Leão do Sul e o Engenho Coração de Jesus. Das sapatarias, só restaram a “Sapataria Belém”, agora compreendendo uma cadeia de bonitas lojas. “Esquisita”, também com cadeia de lojas, inclusive em outras capitais do Nordeste; “Casa Pio”, também dinamizada com diversas lojas muito bem instaladas.


de todas as garapeiras do centro, a única que continua funcionando é a Leão do Sul (foto Fátima Garcia)

Das lojas de fazendas, só ficou a Casa Blanca, que cresceu e instalou outras unidades, construiu moderno shopping center e explora outras atividades comerciais. Das grandes lojas só a Casa Parente sobreviveu, com sua sede melhorada e ampliada, ocupando todo o edifício Parente e instalando lojas em shoppings. De tantas camisarias e lojas de moda masculina, apenas a Casa Bicho e a Casa Americana restaram...


A casa Bicho e a casa Americana ainda estão do centro. A Casa Parente só existe em shoppings (foto da portaria do antigo Excelsior Hotel por Fátima Garcia)

Dos estabelecimentos fotográficos, só restou a sofisticada Aba-Film, que a gente se orgulhava de ser o maior estabelecimento fotográfico da América do sul. Também se desenvolveu e conta várias unidades em Fortaleza e outras cidades.

foto do arquivo Nirez
A Aba Film, o estabelecimento fotográfico que possuía filiais em várias cidades, também não resistiu e encerrou suas atividades. (foto de Fátima Garcia) 

De tantas alfaiatarias que tinham seu foco na Rua Guilherme Rocha, entre as Ruas Barão do Rio Branco e General Sampaio, só restou a Casa Belo Horizonte, que sempre manteve um aspecto diferente. De sua antiga sede, na Rua Floriano Peixoto, mudou-se para a Rua Major Facundo, com seus mostruários de tecidos finos e s o seu serviço impecável.

Das vidraçarias e casas de molduras, só tem agora, O Epitácio e a Moldura Elegante. Das tantas livrarias, pontos de intelectuais da cidade, nada restou.

Destruíram quase tudo. Nos espaços que ficaram vazios, uma grande e imorredoura saudade. Nos espaços ocupados pela irreverência, pelo desamor, pelo descaso, pelo atentado à estética, a minha revolta pelo desrespeito àqueles que, décadas atrás, tiveram visão para querer fazer de Fortaleza, uma cidade aristocrática e bela.

       
fontes:
Cronologia lustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo
Wikipédia

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As Antigas Farmácias

Em meados da década de 1940 a maioria das farmácias de Fortaleza ficava no centro, muitas no trecho da Praça do Ferreira. Por essa época, as boticas já não existiam, exceto a Pharmácia Galeno, sucessora da famosa Botica do Ferreira.



Os estabelecimentos farmacêuticos costumavam ostentar em suas fachadas, tabuletas com o aviso de que faziam manipulações, o que significava que ali se aviavam receitas de remédios produzidos de acordo com as especificações do médico e as necessidades de cada paciente. Eram comprimidos, xaropes, poções, pós, banhas e pomadas para os diversos males. 
Mais eficazes do que os medicamentos industrializados de hoje, que não raro, causam efeitos colaterais, os remédios manipulados, produzido especialmente para cada paciente, eram seguros e eficientes. 

Na década de 1940, Fortaleza teria pouco mais de vinte farmácias, quase todas na área central que, monopolizava a quase totalidade do comércio da cidade. 
As exceções eram a Farmácia Arthur de Carvalho, no Benfica; a Farmácia Carneiro no Joaquim Távora, próximo ao Colégio das Dorotéias, e a Farmácia São Sebastião, à margem da linha férrea, no Otávio Bonfim. 



Na Praça do Ferreira ficavam a Pharmácia Galeno, de Joaquim Studart da Fonseca,  no local onde funciona atualmente a Loja Riachuelo, entre a Pharmácia Oswaldo Cruz e a antiga Loja 4.400, hoje Edifício Lobrás; 

a Pharmácia e Drogaria Pasteur, fundada em 19 de setembro de 1894, na Rua Major Facundo, 16 (atual 538), pelo Dr. Leopoldo Domingues, que após 9 anos vendeu ao farmacêutico Francisco Linhares Filho, que por sua vez, em 1905, vendeu a Eduardo de Castro Bezerra. 



A Pasteur era a mais famosa, a mais acreditada e a maior em instalações dentre todos os estabelecimentos farmacêuticos do Ceará, tendo, inclusive, fundo correspondente com a Rua Barão do Rio Branco – não havia galeria de correspondência entre os dois imóveis, era como se fossem dois estabelecimentos. Só mais tarde, no final da década foi aberta a circulação ao público. 
 
Da mesma forma que a Pasteur, a Oswaldo Cruz, estabelecida na Rua Major Facundo, 576 também tinha fundos para a Rua Barão do Rio Branco. A Oswaldo Cruz funciona até hoje, no mesmo endereço.

interior da Farmácia Oswaldo Cruz em fotos de 1950 (Arquivo Nirez)

Ainda na Praça, tinha a Farmácia Francesa, na esquina do Excelsior Hotel, a Farmácia Belém, no extremo sul e as Farmácias Globo e Santo Antonio, na parte leste (Rua Floriano Peixoto).

Na Rua Guilherme Rocha, entre a loja Broadway e a Sapataria Granito estava a Farmácia Santa Helena; na esquina com a Barão do Rio Branco, ficava a Farmácia Conceição, num velho sobrado verde.

A Farmácia São José localizava-se nos baixos do edifício Vitória. A Farmácia São Francisco, ficava na esquina com a Avenida do Imperador, na Praça da Lagoinha.

A farmácia mais antiga da cidade, a Mamede, ficava na Rua Major Facundo, entre as Ruas Liberato Barroso e Pedro Pereira.

Prédio onde funcionou a Farmácia Theodorico, na Rua Major Facundo (arquivo Nirez)

A tradicional Farmácia Theodorico estava localizada também na Major Facundo, vizinho à Casa Villar, logo após a Rua São Paulo.

Na esquina da Floriano Peixoto e Castro e Silva tinha a Pharmácia Santa Maria, que vendia os “Productos Cathedral”. 



Na Rua Rua General Bezerril, ao lado do Palácio do Comércio situava-se a Farmácia Juliana e na mesma rua, já próximo à Praça dos Voluntários estava a Farmácia Motta. Na esquina das Ruas Major Facundo e Liberato Barroso estava a Farmácia Modelo e na mesma rua Liberato Barroso, tinha a Pharmácia Homeopática Frota. Havia também a Farmácia São João.



Sem muitas opções para divulgação de seus produtos, os laboratórios promoviam suas mercadorias, através de displays, que tinham que tinham formas atraentes, como os do Sal de fructa Eno, da Emulsão de Scott, do Sapalt, Produtos Ross, Instantina, Cibalena, Sal de frutas Piccot.  



Todas as farmácias possuíam uma sala de espera, com cadeiras, mesinhas com revistas e cinzeiros, onde as pessoas aguardavam que os remédios solicitados fossem aviados. 
E ali surgiam as amizades. 

Por conta dessa proximidade é que naqueles tempos, a exemplo das barbearias, as farmácias também eram espaços de socialização, onde se formavam rodas de conversas, que reuniam pessoas de todas as classes sociais.

Fonte:
anúncio de produtos farmacêuticos da década de 1940 
Disponivel em 
http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/propag.htm
Lopes, Marciano. Royal Briar: a Fortaleza dos anos 40. Fortaleza: ABC, Coleção Nostalgia, 1996.