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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Os Mais Antigos da Praça do Ferreira

 

A Praça do Ferreira é um dos logradouros mais antigos da cidade, planejada pelo Boticário Ferreira – Antônio Rodrigues Ferreira, vereador, eleito e reconduzido à presidência da Câmara Municipal por 18 anos consecutivos. Ferreira tomou a si a responsabilidade de cumprir o Plano Diretor da Cidade elaborado por Silva Paulet, com base na Lei municipal de 06 de dezembro de 1842, que previa a construção de uma praça, que receberia o nome de Pedro II. Foi responsável ainda pela urbanização e alinhamento de várias ruas do Centro. O Boticário Ferreira faleceu em 1859, ainda no cargo. Em 1871, a antiga Praça Pedro II recebeu nova denominação: Praça do Ferreira, justa homenagem ao boticário.


fins do século XIX

A Praça fica no quadrilátero entre as ruas Major Facundo, Pedro Borges, Floriano Peixoto e Travessa Pará. Se atualmente não tem novas edificações, tampouco tem construções que remontem ao tempo do Boticário, exceto a velha cacimba que ocupa o centro e atravessou décadas invisível, sepultada sob os escombros de injustificadas e sucessivas reformas. Seus imóveis mais antigos são:



Sobrado do Pastor – construção de 1914 – erguido por Eduardo Pastor e projetado por José Moreira, o prédio conhecido por Sobrado do Pastor domina a cena da Praça do Ferreira desde 1914, ano de sua inauguração. Está localizado na Rua Floriano Peixoto, esquina com a Travessa Pará. O térreo é ocupado por alguns comércios, o andar superior encontra-se fechado. 

  


Palacete Ceará – Inaugurado em 1914 – propriedade do banqueiro José Gentil Alves de Carvalho, projeto de João Sabóia Barbosa. Atualmente funciona a agência Centro da Caixa Econômica Federal. Fica na Rua Floriano Peixoto, esquina com a Rua Guilherme Rocha, em frente ao Sobrado do Pastor.



Farmácia Oswaldo Cruz – prédio construído em 1927, por Plácido de Carvalho, exemplar da arquitetura eclética. A farmácia ocupa o local desde 1934. Fica na Rua Major Facundo.

Excelsior Hotel – construção iniciada em 1927, inaugurado em 1931, por Plácido de Carvalho, rico comerciante, mentor de vários empreendimentos. Os 7 andares do prédio não têm uso específico, apenas o térreo é ocupado por diversas lojas. Fica na Rua Major Facundo, esquina com a Rua Guilherme Rocha.

Edifício Granito – Inaugurado no dia 19 de maio de 1934, na Rua Major Facundo esquina com a Rua Guilherme Rocha, erguido no lugar onde antes funcionara dentre outros estabelecimentos, a Maison Art-Nouveau.  

Edifício Sul América - Inaugurado no dia 15 de janeiro de 1953 na Travessa Pará.

Edifício Jereissati – inaugurado em 1964, abrigou o Hotel Savanah. No térreo funciona uma grande loja de eletrodomésticos.

Edifício São Luiz com sua principal atração, o cine São Luiz, foi inaugurado 26 de março de 1958



Prédio da Farmácia Pasteur – é um dos mais dos edifícios mais antigos da praça, a farmácia foi fundada em 1894, pelo Dr. Leopoldo Domingues. Pela fachada, dá para concluir que foi construído especificamente para o estabelecimento. Até os anos 70, quando encerrou as atividades, a Pasteur era a maior e mais famosa drogaria de Fortaleza. Vários estabelecimentos funcionaram no local depois do encerramento da Pasteur. Hoje tem uma loja.

Edifício Lobrás – antigo espaço onde funcionou o histórico cine Teatro Majestic Palace, hoje domínio de escritórios, consultórios médicos. Ao lado do Edifício Lobrás está a lanchonete Romana, onde antes existiu a Casa Almeida

Alguns prédios localizados na praça são bastante antigos, a exemplo do Edifício localizado na esquina da Rua Pedro Borges com Major Facundo e o pequeno prédio que abriga a Pastelaria Leão do Sul, que segundo o site da empresa, funciona desde 1926. Não localizamos os dados relativos à construção ou inauguração destes.  

No livro Fortaleza Descalça, o autor Otacílio Azevedo assina uma crônica intitulada “Rodeando a Praça do Ferreira”, onde descreve os comércios e estabelecimentos que tinham como endereço a velha praça. Desta lista, identificados pelo velho poeta, só restou a Farmácia Oswaldo Cruz, e a cacimba, que era gradeada e acompanhada de catavento e caixa d’água.

Hoje, a Praça do Ferreira é uma pálida lembrança do que foi, muito distante de seu velho charme. É um logradouro abandonado, invadido por moradores de rua, sem paisagismo, sem manutenção, tomada de pombos, bancos e piso quebrados, com a coluna da hora esquecida e fonte desligada. A Praça do Ferreira, patrimônio da cidade, tem um aspecto decadente: é uma das maiores vítimas da incompetência, da falta de compromisso com o centro da cidade, da ignorância cultural e patrimonial de sucessivos governos, que só se preocupam com determinados bairros da cidade. 

anos 1920

anos 1930

anos 1940

anos 1960

reinauguração em 1991
     
2013

2023



Fotos: Arquivo Nirez, Diário do Nordeste e Fortaleza em Fotos

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Bens Relevantes e Desprotegidos


Fortaleza é uma cidade sem memória, que não preserva, não sente saudades nem faz questão de conservar sua história.  Oficialmente completou em 2015, 289 anos, desde a sua elevação à categoria de Vila, em 13 de abril de 1726. Mas o povoado, nascido à sombra do forte, é muito mais antigo. 

Mas, ao se analisar as construções ou monumentos da cidade, constata-se que há no máximo, duas edificações que atestam esse passar dos anos: O Forte de Nossa Senhora de Assunção (1649), e a Igreja do Rosário (1730).  No mais, se depender do testemunho do seu patrimônio edificado, Fortaleza tem pouco  mais de cem anos. O  resto foi destruído. 


De acordo com definição da SECULT, "tombamento é o reconhecimento de um bem material, de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e/ou simbólico para uma comunidade, protegendo-o de descaracterização ou de destruição através da aplicação de legislação específica. Finalizado o processo de Tombamento, o bem é inscrito no Livro de Tombo". 

O processo não garante a preservação – é só olhar os casos da Escola Jesus, Maria, José, o Teatro São José, e outros, que são tombados, mas estão em ruínas. Não garante nem mesmo a sua sobrevivência, haja vista o que aconteceu com o prédio do Centro Artístico Cearense, na Avenida Tristão Gonçalves, que era tombado, mas foi demolido em razão do péssimo estado de conservação. E Essa vem sendo a tática empregada: deixar arruinar até que a recuperação fique inviável, quer pelo alto custo, quer pela ausência de prioridade. O Teatro São José está passando por esse processo. 


E é considerando essa cultura da demolição, que várias edificações e equipamentos deveriam ser protegidos por meio de tombamento, por serem de reconhecida  relevância no aspecto arquitetônico, histórico, artístico e cultural. Esses bens correm sérios riscos de desaparecerem de cena, de forma sumaria, arbitrária e definitiva.  Apesar de assinalado, o número de anos não é primordial para o tombamento.

Ponte Metálica – Localizada na Praia de Iracema – 109 anos.


Inaugurada em 1906, a ponte serviu como porto de Fortaleza por mais de vinte anos. Era dotada de escada móvel para subida e descida de passageiros – que não oferecia a menor segurança – e de guindastes para as cargas. Os navios ficavam ao largo, enquanto botes e lanchas faziam o percurso entre as embarcações e a ponte. Desgastada pelo uso e pela ação da maresia, foi reconstruída na década de 1920, sendo inaugurada em 1928, com o nome de Viaduto Moreira da Rocha, já em concreto armado. Atualmente, encontra-se em péssimo estado de conservação e corre sério risco de desabamento.

Castelinhos da Avenida Santos Dumont - localizados na Praça Luiza Távora, na Aldeota  – 77 anos 


Os castelinhos, em número de seis, foram construídos em 1938, pelo arquiteto Emilio Hinko, em estilo eclético, a pedido de sua mulher Pierina, viúva do comerciante Plácido de Carvalho. Pierina e Plácido ficaram casados até a morte deste, em 1935.  Mais tarde Pierina contraiu núpcias com o arquiteto húngaro Emilio Hinko, que construiu uma série de casas para aluguel em torno do palacete principal. O casal Pierina e Hinko morou em diversas casas em Fortaleza, inclusive em duas das que compunham o complexo do castelo, sem jamais ocuparem a edificação central, demolido na primeira metade dos anos 70. Atualmente os castelinhos abrigam alguns órgãos da Administração Estadual.

Sobrado do Pastor - Localização: Praça do Ferreira esquina das ruas Floriano Peixoto e Guilherme Rocha – 101 anos


Projeto do desenhista José Moreira concluído em 1914. Dois anos mais tarde passou a ser ocupado pela Chefatura de Polícia. Desde 1993 funciona no local o restaurante L’ Escale. O proprietário Eduardo Pastor, proveniente do Pará, investiu na obra como uma alternativa de negócio, uma vez que a borracha estava em decadência. Em estilo art-nouveau, o edifício teve ao longo dos anos vários usos, sendo ocupado por órgãos públicos e casas comerciais, perdendo parte das características arquitetônicas, principalmente na parte térrea da fachada.

Palacete Guarani – localização: esquina das Ruas Barão do Rio Branco com Senador Alencar – 107 anos


Erguido em terreno adquirido pelo Barão de Camocim, que construiu o palácio, em 1908. Foi ocupado sucessivamente pelo Bank of London, (1910) Banco dos Importadores (1925) a Boate Guarani, o Clube dos Diários, o Banco do Estado do Ceará, e uma empresa de telecomunicações. Cópia de um imóvel europeu, passou por diversas reformas, inclusive no telhado de ardósia original, que era fortemente inclinado, que servia para escorrer neve. 

Prédio da Escola Pio X – localização: Avenida Duque de Caxias com a Rua Barão de Aratanha – 107 anos


Fundada por Frei Mansueto em 1908. O prédio foi construído em terreno doado pelo padre João Augusto da Frota, na esquina sudeste do Boulevard do Livramento (atual Avenida Duque de Caxias) com a Rua Pero Coelho (atual Barão de Aratanha). Na outra esquina estava o convento dos capuchinhos. Os recursos para construção foram obtidos através de campanhas movidas pelas várias confrarias religiosas. Foi inaugurado em 5 de julho de 1908, mantido e dirigido pelos frades capuchinhos; era uma obra das vocações missionárias, mista e gratuita.  O prédio passou por reforma e ampliação em 1924, quando foi construído o segundo pavimento. Atualmente o imóvel está alugado a uma faculdade. Lá funcionou o Cinema Pio X, instalado no prédio da Escola em 3 de fevereiro de 1923, era frequentado pelos moradores das redondezas e exibia filmes lançados no Cine Moderno. Cinema mudo, instalado graças aos esforços dos capuchinhos, funcionou no andar térreo até 1937, enquanto no andar superior funcionava a escola para meninos pobres. 

Praça Portugal – localização: confluências das avenidas Dom Luiz e Desembargador Moreira, na Aldeota – 47 anos


foto de Muhammad Said

A criação da Praça Portugal foi autorizada na administração do procurador fiscal Jorge Moreira da Rocha à frente da Prefeitura de Fortaleza entre abril e dezembro de 1947. A oficialização do ato se deu pelo Decreto-lei n° 202, de 23 de maio de 1947. Mas a Praça Portugal só foi inaugurada no dia 6 de abril de 1968, na gestão do prefeito José Walter Cavalcante, ocupando uma área de 13.440m². Foi construída pela SUMOV (Superintendência Municipal de Obras e Viação), ostentando um lago artificial e um grande obelisco. A praça contava ainda com uma fonte, uma ponte, postes e bancos. Durante a construção, empresários portugueses aqui estabelecidos doaram material para a obra e contribuíram financeiramente para sua construção. Atualmente corre grande risco de demolição porque a prefeitura de Fortaleza tem novos projetos para a área, e deseja suprimir a Praça Portugal com a alegação de que o espaço atrapalha o trânsito de veículos da região. 


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Prédios Históricos na Praça do Ferreira

Praça do Ferreira em 1908 (Arquivo Nirez)

Na primeira metade do século XIX a Praça do Ferreira era um imenso largo com uma ruela denominada Beco do Cotovelo atravessando-a de Nordeste a Sudoeste. Em 6 de dezembro de 1842, o intendente Manuel Teófilo Gaspar de Oliveira mediante lei municipal, autorizou a reforma do plano da cidade na qual incluía a reforma do largo, eliminando o Beco do Cotovelo. Quem executaria o plano seria o presidente eleito da câmara, Antônio Rodrigues Ferreira, chamado o boticário Ferreira.

Praça do Ferreira, década de 1920 (Arquivo Nirez) 

Desde o início de sua existência muitos imóveis foram construídos ao redor da praça; uns sucumbiram aos apelos da modernidade e foram demolidos, outros estão lá até hoje. Eis alguns dos sobreviventes:

Escola do Ensino Mútuo/Palacete Ceará

Prédio do Ensino Mútuo de Fortaleza, construído em 1879 (Arquivo Nirez)

Antes da construção do Palacete Ceará havia um prédio antigo construído para abrigar a Escola de Ensino Mútuo, primeira escola para meninos de Fortaleza. Na época da construção, o local era considerado subúrbio.

Palacete Ceará, atual Agência centro da Caixa Econômica Federal (foto Tarcísio Garcia)
 
Inaugurado em 1914, projeto do arquiteto João Sabóia Barbosa, construído por Eduardo Pastor, da firma Rodolfo F. da Silva e Filhos. O prédio era de propriedade do Coronel José Gentil Alves de Carvalho, banqueiro e um dos homens mais ricos da cidade.
O prédio foi ocupado pela Rotisserie Sportman, restaurante e casa de chá de Júlio Pinto, frequentado pela alta sociedade fortalezense.  O ambiente lembrava o requinte parisiense e tinha como destaque uma orquestra.
De 1922 a 1936 foi instalado o Clube Iracema, também reduto da alta sociedade.  Ainda em 1922 foi ampliado, constituindo dois blocos com 3 pavimentos e um com pavimento térreo, onde foi instalada uma  sala de bilhar. Em 1955 foi adquirido pela Caixa Econômica Federal, onde funciona até hoje a agência Centro daquele estabelecimento de crédito. 

Sobrado do Comendador Machado/Excelsior Hotel

Sobrado do Comendador Machdo, na esquina das Ruas da Palma e Municipal (Major Facundo com Guilherme Rocha), no local onde hoje está o prédio do Excelsior (foto do livro de Raimundo Girão)

No local onde hoje está o prédio do Excelsior havia o sobrado do comendador José Antônio Machado, construído em 1825, pelo engenheiro coronel Conrad Jacob de Niemeyer com o auxílio dos presos da cadeia do crime. No sobrado funcionou o antigo Hotel Central e o Café Riche. Foi vendido a Plácido de Carvalho, que o mandou demolir no ano seguinte. 

Prédio do Excelsior Hotel, atualmente sem uso definido. O Hotel encerrou as atividades em 1964 (foto do blog)

O projeto do hotel, de autor desconhecido, foi inspirado num edifício de Milão. Foi construído por Natali Rossi, irmão de Pierina Rossi, esposa de Plácido Carvalho.  A decoração interna foi feita por Pierina Rossi, utilizando material de primeira linha, importado da Europa. Em estilo eclético, foi o primeiro arranha-céu da cidade construído em alvenaria – pilares, vigas e lajes feitos com a utilização de trilhos de trem comprados da Santa Casa de Misericórdia. 

Saguão do Excelsior Hotel, decorado por Pierina Rossi (foto do blog)

Após a morte de Plácido de Carvalho, a viúva casou-se com o arquiteto Emílio Hinko em 1938. Pierina faleceu em 1957 e o Hotel passou para Emílio Hinko. O Excelsior Hotel encerrou suas atividades em 1964.

Palacete Iracema (Sobrado do Pastor)

 Casa na esquina da Guilherme Rocha com Floriano Peixoto, onde hoje está o Sobrado do Pastor (Arquivo Nirez)

No início do século XIX havia no local uma casa de arquitetura simples. Em 1826 a casa foi arrematada pelo comerciante José Antônio Machado, demolida e construído um outro imóvel, mais recuado, devido a formação da Rua da Pitombeira (atual Floriano Peixoto). Em 1847 o prédio foi reconstruído para servir de quartel do Corpo Policial. 

  Fachada do Palacete Iracema, conhecido como Sobrado do Pastor, na esquina das Ruas Guilherme Rocha e Floriano Peixoto (foto do blog)


Interior do Sobrado do Pastor, onde funciona o restaurante L"Escale

O edifício atual foi construído em 1914. O proprietário Eduardo Pastor, proveniente do Pará, investiu na obra como uma alternativa de negócio, uma vez que a borracha estava em decadência. Em estilo art-nouveau, o edifício teve ao longo dos anos vários usos, sendo ocupado por órgãos públicos e casas comerciais, perdendo parte das características arquitetônicas, principalmente na parte térrea da fachada. 
Farmácia Oswaldo Cruz em 1952 
Fundada em 1934 de Hortêncio Mota e Cia. até 1950 pertenceu ao médico Benjamin Hortêncio de Medeiros, clínico geral, com consultório montado nos altos da farmácia, onde também atendia o Dr. Ciro Leal. Fornecia artigos farmacêuticos de ótima procedência, trabalhava com a fabricação de remédios, inclusive as pílulas de matos – como concessionária da Farmácia de Joaquim e Alencar Matos. 


Farmácia Oswaldo Cruz, um dos mais tradicionais estabelecimentos da Praça do Ferreira (fotos do blog) 
Em 1950 foi comprada pelo atual proprietário Edgar Rodrigues. Além da venda de medicamentos, produtos químicos e homeopatia, possui um ambulatório. O prédio construído em 1927 por Plácido de Carvalho é um exemplo de arquitetura eclética.

Farmácia Pasteur

 Prédio da antiga Farmácia Pasteur, hoje ocupado pela Farmácia Avenida (foto do blog)

Era uma das farmácia mais tradicionais de Fortaleza, criada em 1° de novembro de 1922. Fundada por Eduardo de Castro Bezerra, Tertuliano Viana e Sá e Raimundo Freitas Ramos. 

fonte:

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os Correios e Telégrafos no Ceará

Os Correios foram criados no Ceará durante a gestão de Manoel Inácio de Sampaio, governador da Capitania do Ceará entre 19 de março de 1812 e 12 de janeiro de 1820. A primeira agência foi instalada em 1° de maio de 1812, administrada pelos escrivães da Junta de Fazenda e funcionando no prédio da Tesouraria da Fazenda  e no prédio de n° 12, na Praça General Tibúrcio.

 A casa que pertenceu a José Antônio Machado e onde estiveram diversos órgãos públicos, foi a primeira sede dos Correios. Foi demolida para a construção do Fórum Clóvis Beviláqua.


Após a inauguração da agência de Fortaleza, a qual se ligava com as principais vilas do Ceará, Sampaio enviou à Corte projeto do Correio ligando as principais capitanias com a Corte, assim as correspondências particulares e oficiais poderiam chegar às Capitanias do Sul e à Corte. A proposta foi aprovada. Em abril de 1820 o governador Francisco Alberto Rubim foi incumbido de estabelecer o serviço de correios entre o Ceará, e Pará, Maranhão, Paraíba, Minas Gerais e Goiás.  Em 1828 o Correio foi reformado,  sendo estabelecido Correios Marítimos e Terrestres nas Províncias. 
No Ceará os comerciantes das primeiras vilas servidas pelos Correios pagavam taxas para complementar as despesas com as correspondências, uma vez que a arrecadação não era suficiente.

 Palacete Iracema, na esquina das Ruas Floriano Peixoto e Guilherme Rocha, onde no primeiro andar,funcionou o Telégrafo antes de unir-se aos Correios (foto do arquivo Nirez)


O telégrafo foi inaugurado em 17 de fevereiro de 1878 com a instalação da linha entre Fortaleza e Aracati com 141 km de extensão, inicialmente a estação funcionou na Praça da Sé, indo depois para a Rua Senador Pompeu n° 80, prédio da Delegacia Fiscal, Palacete Fênix da Praça José de Alencar e no Palacete Iracema (Sobrado do Pastor), na Praça do Ferreira onde funcionou até o início de 1934. A unificação do Correio com o Telégrafo ocorreu na gestão de Bernardo Café Filho.

 Rua Floriano Peixoto, com a lateral do prédio dos Correios em primeiro plano (arquivo Nirez)


A partir de setembro de 1851, instalou-se no térreo da Câmara Municipal, na Rua Floriano Peixoto, prédio da Intendência Municipal, saindo dali para o n° 56 da Rua Formosa (atual Barão do Rio Branco) e passando depois para o térreo da Assembleia Legislativa, de onde saiu para o edifício da Praça dos Mártires – antiga sede do Clube Cearense, do qual saiu para a sede atual. 

 O novo prédio dos Correios e Telégrafos foi inaugurado em 1934, projeto dos engenheiros Humberto Menescal e Santos Maia. (foto do arquivo Nirez)


Em 14 de fevereiro de 1934, o Correio mudou-se para o novo edifício na Rua Floriano Peixoto, inaugurado pelo interventor Carneiro de Mendonça, e com a presença de cerca de 10 mil pessoas. O belo e amplo edifício de 3 pavimentos, no estilo art-dèco ocupa uma área de 1440 m² e atingia 17,55 metros de altura no centro das fachadas (partes mais altas da edificação).   

extraído do livro de Francisco Benedito
Caminhando por Fortaleza