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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As Antigas Farmácias

Em meados da década de 1940 a maioria das farmácias de Fortaleza ficava no centro, muitas no trecho da Praça do Ferreira. Por essa época, as boticas já não existiam, exceto a Pharmácia Galeno, sucessora da famosa Botica do Ferreira.



Os estabelecimentos farmacêuticos costumavam ostentar em suas fachadas, tabuletas com o aviso de que faziam manipulações, o que significava que ali se aviavam receitas de remédios produzidos de acordo com as especificações do médico e as necessidades de cada paciente. Eram comprimidos, xaropes, poções, pós, banhas e pomadas para os diversos males. 
Mais eficazes do que os medicamentos industrializados de hoje, que não raro, causam efeitos colaterais, os remédios manipulados, produzido especialmente para cada paciente, eram seguros e eficientes. 

Na década de 1940, Fortaleza teria pouco mais de vinte farmácias, quase todas na área central que, monopolizava a quase totalidade do comércio da cidade. 
As exceções eram a Farmácia Arthur de Carvalho, no Benfica; a Farmácia Carneiro no Joaquim Távora, próximo ao Colégio das Dorotéias, e a Farmácia São Sebastião, à margem da linha férrea, no Otávio Bonfim. 



Na Praça do Ferreira ficavam a Pharmácia Galeno, de Joaquim Studart da Fonseca,  no local onde funciona atualmente a Loja Riachuelo, entre a Pharmácia Oswaldo Cruz e a antiga Loja 4.400, hoje Edifício Lobrás; 

a Pharmácia e Drogaria Pasteur, fundada em 19 de setembro de 1894, na Rua Major Facundo, 16 (atual 538), pelo Dr. Leopoldo Domingues, que após 9 anos vendeu ao farmacêutico Francisco Linhares Filho, que por sua vez, em 1905, vendeu a Eduardo de Castro Bezerra. 



A Pasteur era a mais famosa, a mais acreditada e a maior em instalações dentre todos os estabelecimentos farmacêuticos do Ceará, tendo, inclusive, fundo correspondente com a Rua Barão do Rio Branco – não havia galeria de correspondência entre os dois imóveis, era como se fossem dois estabelecimentos. Só mais tarde, no final da década foi aberta a circulação ao público. 
 
Da mesma forma que a Pasteur, a Oswaldo Cruz, estabelecida na Rua Major Facundo, 576 também tinha fundos para a Rua Barão do Rio Branco. A Oswaldo Cruz funciona até hoje, no mesmo endereço.

interior da Farmácia Oswaldo Cruz em fotos de 1950 (Arquivo Nirez)

Ainda na Praça, tinha a Farmácia Francesa, na esquina do Excelsior Hotel, a Farmácia Belém, no extremo sul e as Farmácias Globo e Santo Antonio, na parte leste (Rua Floriano Peixoto).

Na Rua Guilherme Rocha, entre a loja Broadway e a Sapataria Granito estava a Farmácia Santa Helena; na esquina com a Barão do Rio Branco, ficava a Farmácia Conceição, num velho sobrado verde.

A Farmácia São José localizava-se nos baixos do edifício Vitória. A Farmácia São Francisco, ficava na esquina com a Avenida do Imperador, na Praça da Lagoinha.

A farmácia mais antiga da cidade, a Mamede, ficava na Rua Major Facundo, entre as Ruas Liberato Barroso e Pedro Pereira.

Prédio onde funcionou a Farmácia Theodorico, na Rua Major Facundo (arquivo Nirez)

A tradicional Farmácia Theodorico estava localizada também na Major Facundo, vizinho à Casa Villar, logo após a Rua São Paulo.

Na esquina da Floriano Peixoto e Castro e Silva tinha a Pharmácia Santa Maria, que vendia os “Productos Cathedral”. 



Na Rua Rua General Bezerril, ao lado do Palácio do Comércio situava-se a Farmácia Juliana e na mesma rua, já próximo à Praça dos Voluntários estava a Farmácia Motta. Na esquina das Ruas Major Facundo e Liberato Barroso estava a Farmácia Modelo e na mesma rua Liberato Barroso, tinha a Pharmácia Homeopática Frota. Havia também a Farmácia São João.



Sem muitas opções para divulgação de seus produtos, os laboratórios promoviam suas mercadorias, através de displays, que tinham que tinham formas atraentes, como os do Sal de fructa Eno, da Emulsão de Scott, do Sapalt, Produtos Ross, Instantina, Cibalena, Sal de frutas Piccot.  



Todas as farmácias possuíam uma sala de espera, com cadeiras, mesinhas com revistas e cinzeiros, onde as pessoas aguardavam que os remédios solicitados fossem aviados. 
E ali surgiam as amizades. 

Por conta dessa proximidade é que naqueles tempos, a exemplo das barbearias, as farmácias também eram espaços de socialização, onde se formavam rodas de conversas, que reuniam pessoas de todas as classes sociais.

Fonte:
anúncio de produtos farmacêuticos da década de 1940 
Disponivel em 
http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/propag.htm
Lopes, Marciano. Royal Briar: a Fortaleza dos anos 40. Fortaleza: ABC, Coleção Nostalgia, 1996.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Cine Majestic

 O Edificio do Cine Majestic dominava a cena na Praça do Ferreira (foto Diário do Nordeste)

O dia 14 de julho de 1917, marca a a inauguração do Cine Teatro Majestic Palace, sendo o dia 14, a inauguração do palco, com a apresentação da transformista italiana Fátima Miris e dia 20 do cinema, com a película "L`Amica".


 cartaz de inauguração do Majestic (Arquivo NIREZ)

O fato é que o Cine Teatro Majestic causou furor na cidade, um equipamento moderno, e muito sofisticado,  construído pelo comerciante Plácido de Carvalho. O Majestic foi instalado num imponente edificio de quatro andares, na Rua Major Facundo, na Praça do Ferreira.

A sala de projeção que também era teatro, era toda em ferro como no Teatro José de Alencar. Tinha 650 cadeiras no térreo e nos dois andares onde ficavam os camarotes e na geral. No bar com cadeiras de pés de ferro e pequena mesa e mármore, tinha música ao vivo a cargo do pianista Mozart Gondim Ribeiro. O lugar era frequentado por personalidades da cidade como Quintino Cunha, Dolor Barreira, Professor Raimundo Gomes de Matos, Lauro Maia, e outros


 O incêndio que destruiu o Cine Majestic, atingiu também as Lojas Brasileiras, também conhecidas  por 4 e 400 (Arquivo NIREZ).

No dia 04/04/1955,  irrompeu um incêndio no edifício Majestic fechando provisoriamente o cinema, que passou a ter sua entrada pela Rua Barão do Rio Branco e atingiu as Lojas Brasileiras de preços limitados a 4 e 400.
Em 01/01/1968 outro incêndio fecha o Cine Majestic, desta vez para sempre, pois destruiu a sala de projeção. No local do Edifício Majestic foi levantado o Edifício Lobrás.



De acordo com João Nogueira, em Fortaleza Velha, a artista Fátima Miris, era obscura transformista no Rio de janeiro, que aqui virou artista de grande valor. Trouxe com ela o pai e a irmã, que tocava rabeca, sobre cujos méritos se travavam ácidas discussões entre os especialistas em música.

A transformista causou furor em Fortaleza. Dela diziam que possuía grande fortuna e morava num castelo na Itália, que só andava por essas "brenhas" por puro desfastio.
Tanto entusiasmo despertou aquela figura que, entre mimos e flores em profusão que lhe ofereceram na despedida, houve quem a presenteasse com um cartão de ouro com um brilhante ao centro. Mas, segundo línguas ferinas, o cúmulo de seu talento era transformar-se dia e noite em mulher, quando de fato, era homem.

Nunca se soube se alguém verificou "in loco", se os faladores estavam certos ou errados, de modo que o mistério perdura até hoje.


Fonte:
AZEVEDO, Miguel Angelo. Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Roteiro para um Turismo Histórico e Cultural. Fortaleza: BNB, 2001.
NOGUEIRA, João. Fortaleza Velha; crônicas. Fortaleza: edições UFC/PMF, 1980.