segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Cine Majestic

 O Edificio do Cine Majestic dominava a cena na Praça do Ferreira (foto Diário do Nordeste)

O dia 14 de julho de 1917, marca a a inauguração do Cine Teatro Majestic Palace, sendo o dia 14, a inauguração do palco, com a apresentação da transformista italiana Fátima Miris e dia 20 do cinema, com a película "L`Amica".

 cartaz de inauguração do Majestic (Arquivo NIREZ)
O fato é que o Cine Teatro Majestic causou furor na cidade, um equipamento moderno,e muito sofisticado,  construído pelo comerciante Plácido de Carvalho. O Majestic foi instalado num imponente edificio de quatro andares, na Rua Major Facundo, na Praça do Ferreira.
A sala de projeção que também era teatro, era toda em ferro como no Teatro José de Alencar. Tinha 650 cadeiras no térreo e nos dois andares onde ficavam os camarotes e na geral.
No bar com cadeiras de pés de ferro e pequena mesa e mármore, tinha música ao vivo a cargo do pianista Mozart Gondim Ribeiro. O lugar era frequentado por personalidades da cidade como Quintino Cunha, Dolor Barreira, Professor Raimundo Gomes de Matos, Lauro Maia, e outros

 O incêndio que destruiu o Cine Majestic, atingiu também as Lojas Brasileiras, também conhecidas
 por 4 e 400 (Arquivo NIREZ).
No dia 04/04/1955,  irrompeu um incêndio no edifício Majestic fechando provisoriamente o cinema, que passou a ter sua entrada pela Rua Barão do Rio Branco e atingiu as Lojas Brasileiras de preços limitados a 4 e 400.
Em 01/01/1968 outro incêndio fecha o Cine Majestic, desta vez para sempre, pois destruiu a sala de projeção.
No local do Edifício Majestic foi levantado o Edifício Lobrás.

De acordo com João Nogueira, em Fortaleza Velha, a artista Fátima Miris, era obscura transformista no Rio de janeiro, que aqui virou artista de grande valor. Trouxe com ela o pai e a irmã, que tocava rabeca, sobre cujos méritos se travavam ácidas discussões entre os especialistas em música.
A transformista causou furor em Fortaleza. Dela diziam que possuia grande fortuna e morava num castelo na Itália, que só andava por essas "brenhas" por puro desfastio.
Tanto entusiamo despertou aquela figura que, entre mimos e flores em profusão que lhe ofereceram na despedida, houve quem a presenteasse com um cartão de ouro com um brilhante ao centro. Mas, segundo linguas ferinas, o cúmulo de seu talento era transformar-se dia e noite em mulher, quando de fato, era homem.
Nunca se soube se alguém verificou "in loco", se os faladores estavam certos ou errados, de modo que o mistério perdura até hoje.

pesquisa:
AZEVEDO, Miguel Angelo. Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Roteiro para um Turismo Histórico e Cultural. Fortaleza: BNB, 2001.
NOGUEIRA, João. Fortaleza Velha; cronicas. Fortaleza: edições UFC/PMF, 1980.

4 comentários:

Lucilene disse...

gostei de rever o majestic...tenho uma boa lembrança das matinés que iamos no começo dos anos 60.aquelas series infantis era o nosso vicio aos domingos.Eu sempre ia com minhas irmãs...Foi uma pena ter acabado!!!!parabéns pela postagem!!!!

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Frequentei muito pouco o Majestic.Lembro que era lindo,por fora.Era belíssimo, internamente, um teatro. Frequentei mais o Cine Moderno, no mesmo quarteirão da pç.do Ferreira.

Das Lojas Brasileiras, a 4 e 400, lembro-me perfeitamete,bem popular!
O edifício Lobrás, continua lá....a maioria dos fortalezenses nem sabe a razão do nome!
Nada conhecia, sobre Fátima Miris, vc traz cada informação interessante,Fátima!

Muito legal!
Beijos!

Ary Bezerra Leite disse...

No meu recente livro "Memória do Cinema: os Ambulantes no Brasil" (Cinema Itinerante no Brasil, 1895-1914), lançado agora simultâneamente com "A Tela Prateada", dedico um capítulo em que biografo a grande estrela do transformismo Fátima Miris. No capítulo ressalto os equívocos do respeitável memorialista João Nogueira quando fala a respeito da artista italiana. Mostro com dados indiscutíveis que o comentário do autor foi duplamente injusto, porque nem Fátima era 'obscura transformista do Rio', nem o público de Fortaleza revelou baixo nível cultural, como sugere o memorialista. É interessante ver esse capítulo, ilustrado, com a cronologia de sua vida de 1882 a 1954. Dou como exemplo do fascínio exercido pela estrela, a sua apresentação em 1916, em Montevidéu, a caminho do Brasil, despertando o entusiasmo do jovem Nicolás Messuti,amigo de Gardel, que fez então o seu primeiro tango com o título "Fátima Miris". Assim, creio contribuir para uma correção de informação equivocada originada em obra admirável como a de João Nogueira, para que se restaure a verdeira personalidade e o invulgar talento de uma artista que deixou seu nome na história dos espetáculos nas maiores cidades do mundo. - Fico à disposição dos interessados no assunto. - Ary Bezerra Leite

Fátima Garcia disse...

Olá Ary
Ao contrário de Otacílio de Azevedo em "Fortaleza Descalça" que descreve o show de inauguração do Majestic, como um "delírio, um espetáculo excepcional", os comentários de João Nogueira não são favoráveis à artista Fátima Miris. Ambos estiveram naquele evento e registraram suas impressões, bem divergentes, por sinal. Vou ler seu livro,tenho interesse em conhecer o trabalho dos nossos antigos artistas, que ficavam famosos devido ao seu talento, bem diferente dos "famosos" de hoje.