segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Raimundo Cela

cabeça de homem óleo sobre madeira (1931)
rendeira óleo sobre madeira (1931)
jangadeiros entrando no mar (1940)

Raimundo Brandão Cela nasceu em Sobral em julho de 1890, filho mais velho de José Maria Cela e Maria Carolina Brandão Cela.  Estudou no Liceu do Ceará, depois, em 1910,  mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola Politécnica  no curso de engenharia, para satisfazer a vontade de seu pai. 
Ao mesmo tempo,  foi aluno livre da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro estuda com consagrados pintores, entre eles,  Zeferino da Costa, Eliseu Visconti e Batista da Costa.
Conquistou uma medalha de prata no Salão Nacional de 1916. No ano seguinte, no mesmo salão, conquistou a Medalha de Ouro. 
Com seu quadro O Último Diálogo de Sócrates, ganhou o prêmio de Viagem ao Exterior
Demorou-se cinco anos na Franca, visitando ainda outros países. Em Paris participou do Salão dos Artistas Franceses, em 1922. 
Quando retornou ao Brasil fixou residência em Camocim, no desempenho de sua profissão de engenheiro. Mais tarde embarcou de volta  para o Rio de Janeiro, tornando-se professor da Escola Nacional de Belas Artes.
Foi premiado no Salão Paulista, em 1943, no Salão Fluminense, no Rio de Janeiro em 1947 e no Salão Nacional de Belas Artes, 1947. Raimundo Cela é considerado o maior pintor do Ceará e um dos maiores do Brasil. A critica nacional tece-lhe os maiores elogios, principalmente quando se refere às suas gravuras. Durante muito tempo utilizou-se dos vários procedimentos técnicos da gravura em metal.
Foi Raimundo Cela talvez o único pintor cearense que aliou aos seu sentimento estético ao aprendizado acadêmico, o qual, longe de despersonalizá-lo, deu-lhe as condições necessárias ao seu completo desenvolvimento.
De uma modéstia impar, Raimundo Cela manteve-se sempre afastado dos movimentos artisticos. Pintar era para ele uma coisa natural, pintava porque tinha que pintar.
Os quadros de Raimundo Cela apresentam e traduzem sua personalidade. 
Sua obra marcada pelo regionalismo, consagra tipos e paisagens nordestinas: pescadores, rendeiras, jangadeiros, beiras de praias com coqueiros. Sente-se nessas figuras tostadas de sol, a alma insatisfeita do cearense anônimo, do herói obscuro, na eterna luta contra o destino e os elementos adversos, tratados com grande realismo, com o auxilio de um desenho correto e de um colorido compativel com a realidade.
Certo expressionismo rústico se evola dessas obras sólidas, que estilisticamente se situam à margem do modernismo, mas que ainda assim conseguem convencer pelo que possuem de íntima energia, de sinceridade e de emoção. 
Em sua homenagem foi criada em 25 de março de 1967 a Casa de Cultura Raimundo Cela, onde há exposições permanentes de pintura, além de exposições organizadas com o intuito de divulgar e promover as artes plásticas dos artistas cearenses.



 água forte sobre papel (acervo do Museu de Arte da UFC)
cabeça de jangadeiro - óleo sobre madeira 1933

Sua obra pode ser vista em grande parte no MAUC - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, na Avenidada Universidade, 2854, Bairro Benfica.

fonte: AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza Descalça; reminiscências. Fortaleza:  

5 comentários:

Danielle disse...

no ano de 2007 estudava nos Estados Unidos quando um aluno canadense, um certo dia, me perguntou alguma coisa acerca da obra de Raimundo Cela. Respondi com outra pergunta: Raimundo quem?
Enquanto ele me esclarecia sobre a obra do pintor, entre constrangida e envergonhada, fiquei pensando porque nós não valorizamos nosso patrimonio. Tenho absoluta certeza que nunca ouvi falar de Raimundo Cela nem nas escolas que frequentei, nem nos livros didáticos que eu li. As coisas não mudaram, os alunos de hoje também não saberão dos nossos artistas. nem visitarão suas obras num museu, simplesmente porque nunca ouviram falar dele. Post como esse que voce fez, são rarissimos.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Gostei, viu, amiga!
Sou fã desse artista! É bom demais!
É cearense,como poucos, nas Artes Plásticas!
Realmente, é pena que a escola não nos apresente aos nossos valores. Tanta "baboseira" ensinada e o que importa mesmo, "neca de catibiriba" rsrs.

No meu acervo particular, do orkut,
tenho algumas obras dele e de outros artistas.

Agora faça uma série!
Seus seguidores agradecem!!!
Boa noite!

Fatima Garcia disse...

vcs tem razão, a rigor só quem toma conhecimento dos nossos talentos, em cursos formais, são os estudantes de belas artes. Os demais passam "batidos". O que é uma pena, porque é uma obra que deveria merece muito ser conhecida de todos.

Agmar disse...

Onde posso ver as fotos de todas as obras de Raimundo Cela? Sou camocinence, conheço a família desse artista e algumas telas dele que estava expostas na estação ferroviária de Camocim. Essas telas desapareceram. Foram levadas de lá e gostaria de saber onde estão. Agmar

agmarrioscampos62@hotmail.com

Fátima Garcia disse...

Olá Agmar
uma boa parte da obra de Raimundo Cela está exposta no Museu de Arte da UFC, localizado na Av. da Universidade, 2854, bairro Benfica. Não sei se existem fotos de todas as telas.