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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Registros da Violência no Centro da Fortaleza Antiga

 

Como lugar antigo da cidade, a Praça do Ferreira e sua vizinhança vivenciaram inúmeros acontecimentos que ficaram registrados na memória da cidade. Nem todos os acontecimentos foram felizes, muitos foram negativos, com triste repercussão naqueles que participaram. Os fatos registrados em épocas diversas, mostram que a violência exercida em locais públicos de nossa cidade, não é exclusividade dos agressivos tempos atuais. 


esquina Rua Guilherme Rocha/Major Facundo

Em 1904 o tenente Heitor Ferrás foi assassinado no Café Fênix, no local, durante algum tempo designação do Café Elegante. O assassinato ocorreu durante agitações políticas ocorridas no governo do Dr .Pedro Borges.

Em 1912, na última fase do governo do Comendador Nogueira Accioly, morreram duas crianças que participavam na Praça do Ferreira, da passeata cívica em prol da candidatura do Coronel Franco Rabelo. Os tiros que atingiram as crianças partiram de policiais que se encontravam nas imediações do Café Iracema. A passeata infantil tinha à sua frente a jovem Eloá de Paula Pessoa, e esse episódio desencadeou a revolta urbana que destituiu o governador Accioly e aboliu a sua oligarquia.

Outro assassinato que abalou Fortaleza ocorrido na Praça do Ferreira, foi o de Alda Osório Sampaio, bela moça de família de classe média; seu namorado pertencia a família residente na rua Barão do Rio Branco, quarteirão entre as ruas Liberato Barroso e Pedro Pereira. Corria o ano de 1913, quando a moça foi assassinada a tiros pelo namorado de nome Newton, motivado por ciúmes, em plena batalha de confetes no jardim 7 de setembro, que era cercado de gradis de ferro, o que acarretou enormes dificuldades na fuga desordenada do povo em pânico.


jardim 7 de setembro - Praça do Ferreira

No ano de1914 na Praça do Ferreira teve início o incidente que resultou no assassinato de José Nogueira, à noite em sereno de festa que acontecia no Clube dos Diários, na esquina das ruas Barão do Rio Branco e Senador Alencar. O autor do crime foi Xisto Bivar.

Na noite de 22 de julho de 1921, Olavo Rego tirou a vida do poeta Mário da Silveira por motivos passionais. A antiga namorada do morto havia rompido seu relacionamento com ele, por pressão da família, e passara a gostar do futuro assassino. Uma pilhéria dita pelo rejeitado, ao passar em sua frente o novo par, determinara a ação de desagravo. A praça dispunha então do gradil central, com  quatro portões, cada um voltado para os lados do logradouro. O assassinato ocorreu precisamente nas proximidades do portão virado para a face norte da praça. 

Apesar do prestígio político e do cargo de deputado estadual que ocupava, o coronel Gustavo Augusto Lima, líder politico de Lavras da Mangabeira, filho da poderosa Fideralina Augusto Lima, foi alvejado a tiros de revólver, na Praça do Ferreira em Fortaleza, a 28 de janeiro de 1923. Na ocasião o coronel Gustavo achava-se em companhia de duas filhas, Luisinha e Maria Luísa, e tomava assento no bonde do Outeiro para se deslocar à sua residência na Avenida Dom Manuel, quando tombou vítima de disparos deflagrados por Raimundo de Eusébio, vindo a falecer quatro dias depois, a 1º de fevereiro, na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza. Foi sepultado no cemitério São João Batista desta cidade.  

No Cine Polytheama, em 1928, ocorreria a agressão de Raimundo Cordeiro de Almeida ao comandante do 23º Batalhão de Caçadores, coronel Luís Sombra, revidada a afronta a 21 de abril do mesmo ano por guardas civis, sob o pretexto de que o agressor ofendera um colega de farda.


Cine Polyteama

Em 26 de agosto de 1930, nos arredores da praça em frente à Casa Parente, esquina das ruas Guilherme Rocha e Barão do Rio Branco, Mário Róseo de Oliveira, apaixonado e não correspondido por uma das balconistas da loja, desfecha um tiro de revolver no próprio ouvido, morrendo algumas horas depois.

As 13 horas do dia 8 de outubro de 1930, data em que caía o governo de Matos Peixoto e assumia a interventoria federal o Dr. Manuel do Nascimento Fernandes Távora , durante um rápido tiroteio entre o coronel José dos Santos Carneiro e o Capitão Francisco Barbosa Gondim, um tiro perdido atingiu um aluno do Colégio Militar do Ceará, que se achava postado na soleira de uma das portas do Café Emidgio, localizado na esquina das ruas Guilherme Rocha e Major Facundo. O jovem filho do médico Dr. Carlos Ribeiro, faleceu no dia seguinte.


Café Emidgio

Em 29 de julho de 1940, em tempos de 2ª. guerra mundial o professor Domingos Brasileiro foi assassinado após violenta discussão com Moura Amazonas, em pleno Café Sport, localizado nos baixos do sobrado da esquina noroeste das ruas Major Facundo e Liberato Barroso.

 

Fonte: A Praça/Mozart Soriano Aderaldo/Tiprogresso/Fortaleza:1989. Fotos Arquivo Nirez/Postais de época. Publicação FortalezaemFotos.



terça-feira, 23 de julho de 2024

Tipos de Rua da Fortaleza de Outrora


Na Fortaleza de antigamente sempre eram encontrados alguns tipos de ruas, pessoas geralmente desprovidas de recursos e cuidados, sem suporte familiar, alguns viciados em bebidas alcoólicas, outros simplesmente abandonados à própria sorte, que apresentavam sintomas de deficiências mentais. 



Um dos mais conhecidos era o Antônio Galo Chinês, que perseguia e mostrava grande agressividade, quando os moleques, para irritá-lo, imitavam o canto de galo. A perseguição era certa, e munido de um pedaço de pau, o pobre do mendigo muitas vezes conseguia se vingar do autor da ofensa. Mas o Galo Chinês não estava sozinho, havia muitos outros: Papai-abre-o-olho; Mocó-Tinindo, Sabão-mole; Romão; Casaca-de- Urubu; Palheta.  

Não havia esgotos ou fossas, os despejos domésticos ficavam acumulados durante semanas, em barris especiais, de forma cônica, chamados de quimoas, ou cambrones, que eram retirados das casas e lançados ao mar pelo Romão e pelo Sabão-Mole. O Romão era um antigo escravo, brutalizado pela miséria. Imundo, andava meio curvado, apoiado numa bengala improvisada, rosnando palavrões por qualquer motivo. Sustenta-se de cachaça, come vísceras cruas que lhe dão na feira, misturadas com farinha. Quando pega no sono, em qualquer vão de porta, a mulher e as filhas, três negras igualmente miseráveis, que o seguem à distância, vasculham seus bolsos atrás das moedas que sobraram da aguardente.


Uma tarde ia o Romão com sua carga mau cheirosa, pela calçada da Santa Casa, rumo à rampa do gasômetro que leva à praia. De repente, o apodrecido fundo do barril de imundície cede e afunda enterrando-lhe a cabeça até os ombros. O infeliz braceja como um cego, enquanto toda a gente ao redor, foge sem coragem de socorrê-lo. As irmãs de caridade da Santa Casa, mandam os jardineiros lhe atirarem alguns baldes de água, que o salvam daquela indigna situação. Pobre do Romão! Quando não conseguiu mais trabalhar, deixaram-no viver a um canto da Cadeia Pública, onde terminou seus dias.

O concorrente do Romão no asqueroso ofício é o Sabão-Mole, mestiço alto, cuja face amarelada semelhante ao sabão amolecido na água, deu origem ao apelido. Andava em companhia de uma mulher bem mais velha do que ele, que parecia sua sombra. Um dia a mulher o abandonou, e o Sabão-Mole vagava solitário, procurando trabalho indagando nas portas das casas: – tem limpeza hoje, freguesa?

Junta-se um bando de moleque atrás dele, gritando:  – Sabão- Mole, cadê a velhinha?  E o rapaz que ninguém sequer sabe seu nome, empunha furiosamente seu cajado de jucá e grita reprimendas com palavras obscenas. É um mestre do baixo calão, conhece todo o vocabulário. As famílias retiram-se das janelas , batendo vidraças e venezianas. As vezes a polícia é chamada, mas ao invés de reprimir os agressores que o provocam, levam o Sabão-Mole aos empurrões e o trancafiam no xadrez por algumas horas. Quando atravessa a Praça do Ferreira, então um vasto areal emoldurado de árvores antigas, com um cacimbão de pedra de Lisboa ao meio e um café ou quiosque de madeira a cada canto, Padre Macaíba, sacerdote brincalhão, emboscado a um canto da Farmácia Pasteur, disfarçando a voz, faz a pergunta que tira o Sabão-Mole do sério – Sabão Mole, cadê a velhinha? – “estou reconhecendo essa voz... é do Padre Macaíba... olhe seu padre, só não digo que está na **##**@## , porque o senhor é padre. Senão, diria...”


O Casaca-de-urubu é um cabra com sangue nos olhos, valentão, contínuo do Tribunal de Relação, cobrador terrível de contas perdidas e vendedor de latas de goiabadas nas horas vagas. Veste os fraques usados que lhe dão os desembargadores, daí seu apelido. Epiléptico e perigoso, anda sempre gesticulando, murmurando coisas desconexas sobre os maus pagadores e doces de goiaba. A molecada grita de longe, precavidamente: – Casaca de Urubu! Bu! Bu!. Ele esperneia, atira pedras, dá socos em si próprio com toda a força; no auge da fúria, vem o ataque epilético, cai no chão, espumando, se machucando, às vezes sangrando.

O Palheta é alto, esquelético, de ombros levantados, e andar vagaroso. Usa um chapéu de palha sobre a testa, chupando um eterno cigarro apagado. Muito calmo, faz ponto pelas esquinas mais frequentadas do velho centro. Vive de dar calotes, de aplicar golpes, de iludir a boa-fé dos que param para ouvi-lo. Conta misérias, vende joguinhos, cartões de rifas falsas, ingressos de teatro sem valor e bilhetes corridos de loteria.

 – Palheta! Gritam os moleques e acrescentam uma rima obscena; não dá escândalo, finge que não é com ele. Muda de pouso muito sério, muito digno. Mas vai resmungando impropérios e proferindo todo um repertório de palavrões e obscenidades.

O Mocó-Tinindo mora numa casinha de taipa, à sombra de uma tamarineira no alto de um barranco, além do Benfica, na estrada da Parangaba. Ao tempo da festa de Bom Jesus, padroeiro da antiga Arronches, os bondes andam repletos de moças ou com os estribos cheios de rapazes. E estes por pilhéria, gritam quando passam pela casa, o apelido odiado: Mocó-tinindo! Ele surge à janela, faz gestos indecentes, e os xingamentos sobram para todos que estão no bonde. As moças ficam envergonhadas. Os rapazes morrem de rir.

O Papai-abre-o-olho é vítima de troça e fica tomado de fúria quando lhe gritam a alcunha, que responde com xingamentos e berros hediondos. Não se sabe a origem do apelido.

Um poeta dizia que a falta de piedade dos meninos por estes infelizes é um tanto inconsciente. Falta-lhes a educação cristã, a única capaz de imprimir às almas em formação, o sentimento de verdadeira caridade, que muita gente pensa que consiste em tirar uma moeda do bolso e dar uma esmola. Essas pobres criaturas, vítimas da pobreza, do abandono, do desdém e do desprezo, há muito repousam em paz, lá onde não ouvem mais os escárnios que tanto os faziam sofrer.


Extraído do livro “Coração de Menino” /Gustavo Barroso/Livraria José Olympio/Rio de Janeiro/1939. Post Publicação Fortaleza em Fotos/Imagens postais antigos e Arquivo Nirez. 

    

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Os primeiros fatos históricos de Fortaleza

7 de dezembro de 1660 – nesse dia João de Melo Gusmão, nomeado capitão-mor, teve permissão para conduzir sua mulher e filhos para o Ceará, sendo esta a primeira família a residir no então Povoado do Forte;

16 de fevereiro de 1699 – nomeação do padre João de Matos Serra, o primeiro vigário do povoado do Forte;

25 de janeiro de 1700 – primeira eleição para a Câmara;


primeiro mapa de Fortaleza, autoria atribuída ao capitão-mor Manuel Francês - 1726

Considerada a foto mais antiga de Fortaleza, mostra a Praia Formosa, em 1892 
(Arquivo Nirez)

13 de abril de 1726 – instalação da Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção;

29 de novembro de 1726 – provisão de Manuel Martins Viana no cargo de advogado, o primeiro que teve a Villa da Fortaleza;

11 de junho de 1751 – Manoel do Nascimento de Albuquerque é escolhido pela Câmara para os cargos de alcaide e carcereiro da vila, sendo o primeiro a exercer essas funções;

17 de agosto de 1755 – nomeado, por concurso, para o ofício de almoxarife da Vila, Francisco Ferreira Marinho, o primeiro funcionário público nomeado por concurso;

25 de novembro de 1786 – é promovido a mestre de escrita e leitura, o sr. Manuel de Siqueira Braga, o primeiro mestre da villa;

2 de agosto de 1791 – é expedida a carta de aprovação em favor de Vicente Maria de Saboia, o primeiro boticário da Villa de Fortaleza;

25 de fevereiro de 1793 – nomeado por provisão régia, o primeiro professor de gramática latina, João da Silva Tavares;

12 de janeiro de 1795 – já havia na Villa da Fortaleza o primeiro alfaiate, de nome Salvador, morador na rua da cadeia (atual Rua General Sampaio)

24 de janeiro de 1799 – é nomeado o primeiro Juiz dos Feitos da Fazenda, Manuel Leocádio Rademaker;

26 de outubro de 1799 – fundeia no Mucuripe o correio marítimo “Príncipe Real”, sendo este o primeiro que chegou ao Ceará;

1 de julho de 1880 – é nomeado o arruador da vila, Manuel Ferreira da Silva, o primeiro arquiteto que se tem notícia;

18 de maio de 1802 – é aberto por Manuel Ferreira o primeiro açougue, localizado à Rua da Boa Vista (atual Floriano Peixoto);

7 de maio de 1804 – feita a primeira concessão à firma Bento Bandeira de Melo & Cia, com privilégio de 10 anos para extração de resinas e gomas;

1809 – parte do Ceará a galera Dois Amigos, levando produtos e amostras do algodão;

Maio de 1810 – chega a vila, o irlandês William Wara, que funda a primeira casa de comercio direto com o exterior;


A casa que pertenceu a José Antônio Machado, e onde funcionaram diversos órgãos públicos, foi a primeira sede do Correio (arquivo Nirez)

1 de maio de 1812 – instalação dos Correios no antigo edifício da Tesouraria da Fazenda;

1 de julho de 1812 – instalação da Alfândega, situada no Outeiro da Prainha;

Resolução Imperial de 02 de janeiro de 1823 – decreto imperial de 24 de fevereiro de 1823 e carta imperial de 17 de março de 1823,  elevam Fortaleza à condição de cidade com a denominação de Fortaleza da Nova Bragança, por Dom Pedro I, “pela Graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”;

1 de abril de 1824 – circulação do primeiro jornal denominado Diário do Governo do Ceará sob o comando do padre Gonçalo Inácio de Albuquerque Mororó, e impresso por Francisco José de Sales sendo esses o primeiro jornalista e o primeiro tipógrafo da terra.

1 de dezembro de 1824 – instalação do primeiro conselho da Província, no edifício nª 34, da Praça do Conselho (atual Praça da Sé)

3 de julho de 1837 – empossado o primeiro inspetor da Alfândega, Manuel do Nascimento Castro e Silva;


25 de março de 1854 – criado pelo presidente Pires da Mota o primeiro hospital de Fortaleza, depois transformado em Santa Casa de Misericórdia;

1 de novembro de 1860 – iniciada a construção de um paredão pelo engenheiro Berthot, a primeira tentativa do porto de Fortaleza, no Meireles;

16 de julho de 1861 – criação da Diocese do Ceará, sendo nomeado Dom Luís Antônio dos Santos, o primeiro bispo do Ceará;

17 de maio de 1862 – começa a circular o primeiro jornal católico, intitulado “Fortaleza”;

27 de novembro de 1862 – concedida a José Paulino Hoonholtz, concessão para distribuição de água, para toda a cidade, privilégio por 50 anos;

10 de dezembro de 1864 – instalação do Seminário da Prainha;

28 de janeiro de 1865 – apresenta-se ao presidente do Estado o primeiro voluntário da Guerra do Paraguai, Israel Bezerra de Menezes;

25 de março de 1867 – instalação da Biblioteca e Arquivos Públicos da cidade, na Praça do Patrocínio (atual José de Alencar);


A Ceará Gas Company Ltd, com sede em Londres, foi a primeira concessionaria de iluminação a gás em Fortaleza (foto do livro A História da Energia no Ceará, de Ary Bezerra Leite)

17 de setembro de 1867 – inauguração oficial da iluminação a gás em alguns trechos da cidade e de alguns edifícios, entre os quais o Palácio do Governo e o Clube Cearense;

12 de novembro de 1867 – são aprovados pelo governo os estatutos da Associação Comercial da Praça do Ceará;

30 de novembro de 1873 – inauguração da estação de Arronches, da Estrada de Ferro Baturité;

3 de fevereiro de 1874 – instalação do Tribunal de Relação;

25 de abril de 1880 – inauguração do transporte público com a utilização de bondes à tração animal, pela Companhia Ferro Carril do Ceará, com 4210 metros de linha.

30 de março de 1882 – inauguração do Cabo Submarino ligando Fortaleza ao Sul do país;


Fábrica Progresso, fundada  por Tomás Pompeu de Sousa Brasil, e Antônio Pinto Nogueira Accioly exclusivamente para fabricação de redes. A implantação dessa indústria foi o marco inicial do processo de industrialização do Ceará, onde até então a única atividade equipada com maquinário era a tipografia. (foto Revista do Instituto do Ceará)

1882 – Iniciada a instalação da primeira fábrica de tecidos de algodão em Fortaleza, propriedade de Tomás Pompeu de Sousa Brasil e Antônio Pinto Nogueira Accioly;

11 de fevereiro de 1883 – inauguração do serviço telefônico de Fortaleza;

22 de março de 1884 – inauguração da Escola Normal, em prédio construído especialmente para esse fim, na praça Marquês de Herval (atual Praça José de Alencar);

28 de junho de 1884 – inauguração do Clube Iracema;

8 de abril de 1888 – inauguração da estátua do General Tibúrcio, a primeira da cidade na praça homônima;

1 de fevereiro de 1889 – criação da Escola Militar de Fortaleza;

25 de maio de 1889 – morte do governador Caio Prado, sendo uma das vítimas da epidemia de febre amarela que assolava a cidade. A morte do governador, tido como belo, culto, rico, educado na Europa e filho de tradicional família paulista, causou grande comoção em Fortaleza. 

 

Café Java, na Praça do Ferreira (Arquivo Nirez)


30 de maio de 1892 – Fundação da Padaria Espiritual, no Café Java, na Praça do Ferreira;

18 de abril de 1896 – inauguração do Mercado de Ferro, na Praça Carolina (atual praça Waldemar Falcao), na gestão do intendente Guilherme Rocha;

13 de maio de 1896 – começa o assentamento dos trilhos dos bondes de burros, no Outeiro;

1 de outubro de 1899 – começam a funcionar as Caixas Postais, distribuídos pela cidade;

7 de setembro de 1902 – inauguração da Avenida 7 de setembro, na Praça do Ferreira;


O primeiro automóvel chegou por aqui em 28 de março de 1909, vindo dos Estados Unidos pelo vapor inglês “Cearense”. Era um automóvel da marca “Rambler” usado, comprado pela Empresa Auto Transporte, de propriedade do Dr. Meton de Alencar e de Julio Pinto,  dirigido por John Peter Bernard e Rafael Dias Marques.  (arquivo Nirez)

28 de março de 1909 – chegada do primeiro automóvel, importado pela empresa Auto Transporte Cearense;

Outubro de 1922 – construção do primeiro aparelho de rádio receptor, instalado por Clóvis Meton de Alencar.

 

Fonte: Coisas que o Tempo Levou – crônicas históricas da Fortaleza Antiga, de Raimundo de Menezes.

 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Santa Casa da Misericórdia


A Santa Casa da Misericórdia é uma instituição internacional, fundada em 15 de agosto de 1498 em Portugal, pelo monge Frei Miguel de Contreiras, da Ordem da Santíssima Trindade e Redenção dos Cativos de Portugal, com o apoio da rainha Dona Leonor de Lencastre, a qual em 1508, doou seus próprios bens para constituir o patrimônio da instituição.

Em Fortaleza, a ideia da criação foi lançada em 1839, pelo bispo de Recife e Olinda em visita a Fortaleza, Dom João da Purificação Marques Perdigão. A ideia não vingou. Em 1845 o presidente da Província Inácio Correia de Vasconcelos, após receber ajuda da sociedade para tal, ordenou a construção de um hospital no Largo do Paiol, em terreno doado por Dona Maria Guilhermina Gouveia. O início da obra só aconteceu em 1847, sob a responsabilidade do boticário Antônio Ferreira, presidente da Câmara dos Vereadores e Intendente Municipal e uma comissão formada pelos comendadores Joaquim Mendes da Cruz Guimarães, Antônio Telles de Menezes e João Batista de Castro e Silva.

Avenida Caio Prado, com o prédio da Santa Casa ao fundo. Nessa época o prédio tinha apenas um pavimento. Foto de 1908

O prédio foi concluído com apenas um andar, e denominado Hospital da Caridade, contando 80 leitos; mas passou muito tempo sem ser utilizado por falta de material e condições de funcionamento. Enquanto isso o presidente da Província autorizou a cessão de salas e enfermarias para o Liceu do Ceará, que permaneceu ali até 1861. 

A história do hospital só começou realmente em 1860, quando foi autorizada a criação e a instalação da Irmandade da Misericórdia. Foi a associação religiosa de maior importância durante o império, tendo à frente o Presidente da província como provedor e congregando a elite fortalezense.Assim o Hospital da Caridade foi inaugurado no dia 14 de março de 1861, sob o comando da Irmandade da Misericórdia, com a denominação de Santa Casa da Misericórdia.

Em 1869 foi assinado contrato com as Irmãs da Ordem das Vicentinas do Rio de Janeiro, as quais cuidariam dos serviços de enfermagem, cozinha, limpeza e outros; as primeiras freiras Vicentinas chegaram em janeiro de 1870.

Além das funções hospitalares, a Santa Casa da Misericórdia era a administradora do Cemitério São Casimiro, e do seu sucessor, o Cemitério São João Batista. A partir de 1876 passou a administrar os serviços funerários da cidade, com os rendimentos revertidos para a construção do Asilo de Alienados, para atender os loucos que perambulavam pelas ruas de Fortaleza, sem lar e sem nenhuma assistência.


O Asilo de Alienados São Vicente de Paulo foi construído em 1886, na distante Vila de Arronches (atual Parangaba) e abrigava doentes mentais de ambos os sexos, vindos de vários lugares do Estado, tanto da Capital quanto do Interior. Hoje se chama Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo e é administrado pela Santa Casa da Misericórdia até os dias atuais. 

O primeiro médico a prestar serviços na Santa Casa foi o Dr. Joaquim Antônio Alves Ribeiro, formado pela Universidade de Harvard, na Inglaterra, em 1853, nomeado no dia 12 de março de 1861. Pertencia à família Mendes da Cruz Guimarães, e era casado com sua prima Adelaide Smith de Vasconcellos, irmã do 2° barão de Vasconcellos.


Outro médico da mesma família foi o Dr. Antônio Mendes da Cruz Guimarães, filho do Comendador Joaquim Mendes da Cruz Guimarães. Formado em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro. Antônio Mendes foi médico da Santa Casa de Misericórdia, ingressando em 1873.

Após a nomeação de Joaquim Antônio Alves Ribeiro, outros médicos assumiram cargos na Santa Casa, durante os três primeiros decênios de seu funcionamento, como Meton da Franca Alencar (que atendia também no Asilo São Vicente de Paula) e João da Rocha Moreira. A partir dos anos 1880, foram nomeados os médicos João Guilherme Studart, Joaquim Antônio da Cruz, José Pacífico da Costa Caracas, Francisco Peregrino Viriato Medeiros, Pedro Augusto Borges, Guilherme Studart (Barão de Studart) e Helvécio da Silva Monte.

A partir de 1890 registram-se os nomes de João Marinho de Andrade, José Lino da Justa, Eduardo da Rocha Salgado, Antônio Pinto Nogueira Brandão, Duarte Pimentel, Gentil Pedreira, Venâncio Ferreira Lima, e Joaquim Anselmo Nogueira, admitido em 1899.


A partir de 1915 a Santa Casa deixa de ser tutelada pelo Estado, passando à condição de autônoma sob o patrocínio do Arcebispo de Fortaleza. A nova situação da entidade fez com que a confraria passasse a solicitar ajuda da sociedade, tendo sido criada nessa ocasião, pela Câmara Municipal, a Taxa de Caridade – cobrança de 10% do valor dos ingressos vendidos nas casas de diversão. Esse vínculo com a arquidiocese de Fortaleza durou até 1971.

Nesse mesmo ano a entidade teve o número de pacientes triplicado em razão da grande seca de 1915, quando passou a atender retirantes vindos do interior do Estado. Em 1920 a Santa Casa mandou demolir metade do prédio antigo e construir outro, de 2 pavimentos.

A Santa Casa da Misericórdia foi durante muito tempo o único hospital de Fortaleza. Atualmente, apesar de ser o maior hospital filantrópico do Estado, vive de doações e repasses do SUS, que paga valores muito defasados pelos procedimentos realizados na instituição. Só em 2016, foram 35 mil atendimentos na emergência e mais de 50 mil consultas ambulatoriais. Por isso, a instituição precisa de ajuda financeira.


A Santa casa da Misericórdia fica na Rua Barão do Rio Branco, (a antiga Rua Formosa) s/numero, Centro de Fortaleza. 

fontes: 
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
Ideal Clube - história de uma sociedade de Vanius Meton Gadelha Vieira
fotos:  arquivo Nirez e Fortaleza em Fotos


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Fortaleza Belle Époque - Cuidados Médicos e Controle Social

A preocupação com o saneamento de Fortaleza surgiu na segunda metade do século XIX, integrado ao processo de remodelação e aformoseamento da Capital. Um conjunto diversificado de intervenções, e reformas sanitárias, disseminou-se pela cidade e entre a população, por todo o período que compreende parte do Império e a primeira República (1889-1930).

milhares de retirantes fugidos da seca do sertão, se concentram na Praça da Estação em Fortaleza, em busca de alimentos, trabalho e assistência médica.

A proporção que Fortaleza se adensava de gente e construções, verificou-se por parte das autoridades e da elite intelectual, toda uma produção de discursos acerca do que as autoridades e os habitantes precisavam ter e fazer para se atingir um desenvolvimento organizado, sistematizado, saudável e civilizado. E daí surgiu uma grande preocupação com a questão social dos menos favorecidos e que, segundo as autoridades, comprometiam o desenvolvimento e o grau de civilidade que se planejava alcançar.

Disciplinar o meio urbano remetia à necessidade de regular o social. Nessa perspectiva, produziu-se uma imagem negativa da população pobre, qualificada como indolente, propensa ao vício e à vadiagem. Assim, não tardou a aparecer a lista de acontecimentos apontados como obstáculos à ordenação de Fortaleza e que deveriam ser combatidos com rigor: epidemias, morbidade e mortalidade consideradas altas, proliferação de lixo, água insalubre, aumento do contingente de loucos, vadios, mendigos, menores abandonados, delinquentes, alagamentos, falta de higiene pública e doméstica, etc.

Santa Casa da Misericórdia - um hospital para os pobres



Os estabelecimentos e instituições foram surgindo à medida que os problemas se agravavam. As secas e epidemias foram as maiores responsáveis pela construção da Santa Casa da Misericórdia e do Lazareto da Lagoa Funda. A decisão de erguer um hospital que a cidade ainda não dispunha, foi motivada pelas doenças e sequelas deixadas pela seca de 1845. Apesar de parcialmente concluída em 1857, a Santa Casa só foi concluída em 1861, no mesmo local em que se encontra até hoje, entre o Passeio Público e a antiga cadeia. Até o início dos anos 30, quando aparecerem as Casas de Saúde, a Santa Casa foi o principal espaço de tratamento da população pobre, desde que não se tratasse de moléstias contagiosas.

Lazareto da Lagoa Funda - um hospital para doenças contagiosas

Para os portadores de moléstias contagiosas foi criado o Lazareto da Lagoa Funda, localizado a 7 km do centro da Cidade, edificado entre 1856 e 1857. O Lazareto foi o primeiro exemplo concreto da medicina urbana e preventiva em Fortaleza, já que foi criado com a finalidade de abrigar os prováveis atingidos pela epidemia de cólera que se espalhava pelos Estados do Nordeste. A epidemia efetivamente chegou e atingiu toda a província entre 1862 e 1864, ceifando a vida de 11 mil cearenses, com 362 óbitos na Capital.

Cemitério de São João Batista - para evitar a contaminação da água e do ar

Ainda na década de 1860, Fortaleza passaria por duas importantes resoluções visando a preservação da salubridade do ar e da água. Uma foi a decisão de transferir o Cemitério de São Casimiro, localizado em área central, para o arrabalde de Jacarecanga, com o nome de São João Batista. No lugar do São Casimiro foi construída, em 1873, a Estação Ferroviária.
A escolha de Jacarecanga para acolher o novo cemitério, deveu-se ao fato de um ser espaço praticamente vazio à época, além de estar a oeste da cidade, isto é, a sotavento. O cemitério não poderia ficar a leste (a barlavento), porque como os ventos correm na direção Leste-Oeste, eles espalhariam os germes do cemitério pela cidade. Pelo mesmo motivo, o Lazareto da Lagoa Funda também foi edificado no mesmo subúrbio de Jacarecanga.

Asilo São Vicente de Paulo - um hospital para os loucos

O Asilo de Alienados São Vicente de Paulo, concluído em 1886 na vizinha localidade de Arronches, hoje Parangaba, foi a décima instituição para loucos edificada no Brasil. Dentre as justificativas para a sua criação, estavam a retirada dos loucos do espaço urbano e afastamento das respectivas famílias que não podiam tratar nem controlar, além de afastá-los do crime. O maior impulso financeiro à construção do Asilo veio da lei provincial de 1876, concedendo à Santa Casa o privilégio de administrar o novo cemitério de São João Batista. Todo o saldo líquido auferido dessa atividade foi empregado na obra de construção do Asilo São Vicente de Paulo.

Dispensário dos Pobres e Asilo de Mendicidade - para os pobres e mendigos


Prédio antigo do Dispensário dos Pobres, no Benfica

O Dispensário dos Pobres foi criado em 1885, situado na atual Avenida da Universidade, no Benfica, entregue aos cuidados das Irmãs da Ordem Filhas de São Vicente de Paulo; também no Benfica foi instalado o novo Asilo de Mendicidade, patrocinado pela maçonaria através da congregação de três lojas maçônicas, a "Igualdade", "Fraternidade Cearense" e "Amor e Caridade". O asilo de Mendicidade foi criado em 1905, na Chácara Amaral, localizada na Avenida Visconde de Cauípe, hoje Avenida da Universidade, sendo depois transferido para a Chácara Virginia Salgado, no bairro Jacarecanga. Hoje é o Lar Torres de Melo.

Para menores abandonados foram criados o Patrocínio dos Menores Pobres, em 1903, a Escola para Menores Pobres (1908), e o Dispensário Infantil (1914).

Patronato Maria Auxiliadora e Internato Bom Pastor - para moças pobres, órfãs e mães solteiras

Para moças pobres e órfãs surgiu o Patronato Maria Auxiliadora (1922), criado pela Liga das Senhoras Católicas e instalado na atual Avenida do Imperador; e o Internato Bom Pastor (1928) situado no bairro do Jacarecanga,  onde eram confinadas as moças que tinham desviado suas condutas e, para não causarem vergonha à família, eram mandadas para lá e ali permaneciam até cair no esquecimento da sociedade.

 Internato Bom Pastor

As internas do Bom Pastor eram, muitas vezes, moças solteiras “de família” que engravidavam, e eram afastadas do convívio familiar, antes que a vizinhança percebesse o acontecido e começassem os comentários maldosos, e as especulações sobre paternidade. Se a mãe solteira fosse descoberta, ficaria “falada” e desonrada, e dificilmente arranjaria um noivo ou teria novamente um relacionamento sério. Assim, o expurgo familiar, evitava que tanto a moça quanto a família viessem a sofrer as consequências da desonra, ou que o bom nome da família fosse maculado.

Depois, com o passar do tempo, e purgado a culpa, as internas retornavam aos lares, depois de terem recebido cursos e aprendido trabalhos manuais sob orientação das irmãs religiosas, como costurar, bordar, cozinhar e outras atividades domésticas. As moças recolhidas ao Bom Pastor tinham uma maneira peculiar de se vestir: se cobriam de preto, lenço na cabeça, e nas ocasiões em que frequentavam missas, usavam um véu no rosto, evitando assim o reconhecimento de pessoas que estavam na igreja e pudessem, porventura identifica-las.

Saíam do Bom Pastor como quem deixa o cárcere depois de ter cumprido pena pelo mal cometido.  A criança fruto desse amor clandestino, era dada em adoção, com a condição de jamais poder ser revelado quem eram os verdadeiros pais. Além das mães solteiras, o Bom Pastor também acolhia órfãs e meninas abandonadas ou em situação de extrema miséria.

Campo Penal Agrícola de Canafístula - prisão agrícola para homens

Colônia Cristina em data anterior à instalação da Prisão Agrícola de Canafístula. À época da foto, o local abrigava retirantes da seca. (foto Brasiliana Fotográfica)   

Em 1925 foi construída e posta em funcionamento a primeira prisão agrícola, situada na Colônia Cristina, em Canafístula, denominada “Campo Penal Agrícola de Canafístula (atual Antônio Diogo). Naquele ano a Colônia registrava a presença de 34 sentenciados, recebendo diárias de mil e oitocentos réis e com direito a plantação de roçados às suas custas. Além do cultivo de algodão, milho, mandioca e feijão, a instituição comercializava lenha com a Estrada de Ferro Baturité. Antes, as terras da Colônia Cristina abrigaram retirantes da grande seca de 1877/1879. Depois que a prisão agrícola foi desativada, passou a funcionar no local o Leprosário de Antônio Diogo.  

Santo Antônio do Buraco - para menores abandonados

Em razão dos sucessivos períodos de secas e da consequente migração de sertanejos para a capital, havia um grande contingente de crianças órfãs, vítimas da estiagem ou de epidemias, que perderam os pais e seus responsáveis, e se viram sozinhas no mundo, sobrevivendo de esmolas, perambulando pelas ruas da cidade. As meninas eram encaminhadas ao Bom Pastor ou ao Patronato Maria Auxiliadora; os meninos, para o Santo Antônio do Buraco.

prédio principal da Estação Experimental de Santo Antônio de Pitaguary

Para esses meninos abandonados, recomendou-se prática regenerativa semelhante ao da Colônia Cristina, através de uma instituição disciplinar específica. Em 1928 surgiu um internato com características prisionais através da Estação Experimental de Santo Antônio do Pitaguary (atual Maracanaú).


Estrada de acesso à Fazenda Santo Antônio alguns anos antes da instalação do Internato 

A escola foi instalada na Fazenda Santo Antônio, de propriedade do Estado e se destinava a regeneração de menores com idade entre 8 e 18 anos. O prédio da escola foi construído com a ajuda de presos sentenciados. A operação de internamento é relatada com minúcia pelo governador:
  • primeiro veio uma lei que conferiu ao juiz municipal da 2ª. Vara a atribuição para recolher menores vagabundos ou mendigos;
  • Em seguida, foram colocados à disposição do juiz, pelo Secretário de Segurança Pública, os policiais requisitados, investidos da função de comissário de menores.
  • Os policiais sem demora, saíram as ruas e delas recolheram 48 menores para a Estação Experimental que funciona no Sitio Santo Antônio, de propriedade do Estado.

Estava assim criado, o reformatório “Santo Antônio do Buraco” como ficou conhecido popularmente. O lendário rigor aplicado aos internos permaneceu por muitas décadas no imaginário infantil cearense como verdadeiro signo de terror.

Fontes:
Fortaleza Belle Époque – reformas urbanas e controle social – 1860-1930, 
Relatório Carneiro de Mendonça - 1936
Benfica de Ontem e de Hoje, de Francisco de Andrade Barroso
fotos Brasiliana Fotográfica, arquivo Nirez, relatório Carneiro de Mendonça