domingo, 30 de setembro de 2012

Adolfo Herbster, e os Mapas de Fortaleza

Pernambucano, nascido em 14 de maio de 1820, filho de pai suíço-alemão e mãe francesa, Herbster veio para o Ceará em 1855, desembarcando em Fortaleza a 29 de janeiro. Tinha 29 anos de idade. 
Veio contratado para trabalhar como engenheiro da Província, tendo firmado contrato em 21 de novembro daquele ano. No ano seguinte assumia a direção das obras públicas gerais, para o qual fora designado pelo Presidente Francisco Xavier Paes Barreto. 
Em sessão do ano anterior, a Câmara Municipal havia decidido dispensar o arruador Antônio Simões Ferreira de Farias que “não pode desempenhar este lugar porque quase sempre está fora da cidade, ficando muitas vezes empatadas as obras dos particulares”.  Assim, deliberou-se que o engenheiro da província deveria ser contratado para ser também o engenheiro da Câmara, obrigado a cordoar e tudo o mais que fosse concernente à sua profissão.


Planta da Cidade de Fortaleza e Subúrbios, de Adolfo Herbster, elaborada em 1875 (Arquivo Ah, Fortaleza!).

E efetivamente Herbster substituiu ao velho Simões Ferreira, desde muito tempo no exercício das funções de arruador e cordoador, uma espécie de arquiteto leigo. Muitos bons serviços prestou Herbster à Capital, não somente pelo levantamento de cartografias, como a Planta da Cidade de Fortaleza de 1852, mas também pela construção de edifícios, estradas e várias outras obras, como a Via Fortaleza-Maranguape e a ponte que ligava a Praça da Sé à Prainha, na “subida do Seminário”.
Adolfo Herbster era de uma paciência infinita em se tratando de ordem e simetria dos arruamentos,  desapropriando, medindo e alinhando, de modo a servir a beleza da cidade e fazer observar o Plano Paulet, que devia dividir a cidade em paralelogramos.  
A maior prova disso, com efeito, está nas cartas de Fortaleza que traçou, tendo em mira, a sua remodelação e notadamente, à sua ampliação.
A primeira, de abril de 1859, levantada por ordem da Câmara e aprovada pela lei provincial n° 914, de 12 de setembro, está na escala de 4.800 palmos e 480 braças e se restringe ao estado atual da cidadezinha acanhada. Sua população, contando com os subúrbios, constituídos de tugúrios de palha, não ultrapassava os 16 mil habitantes. Casas de tijolo, alinhadas, apenas 690, dos quais 80 eram sobrados. 
A segunda data de 1875. Intitula-se “Planta Topográfica da Cidade de Fortaleza e Subúrbios”, porém, é antes de tudo, um traçado expansionista: pretende disciplinar o crescimento da cidade, levando o sistema xadrez muito além da parte construída. A escala dessa planta é ainda em palmos.


 Avenida dom Manuel, antigo Boulevard da Conceição

 Avenida Duque de Caxias, antigo Boulevard Duque de Caxias

Avenida do Imperador, antigo Boulevard do Imperador

preocupado com o direcionamento do crescimento da cidade, Herbster desenha na sua segunda planta de 1875, não só a situação real da cidade, mas o seu plano de expansão. Ele propõe os boulevards, as grandes avenidas circundando o espaço urbano já habitado: os Boulevards da Conceição, Duque de Caxias e Imperador.  

De 1888 é a última, organizada pelo arquiteto no pleno gozo de sua aposentadoria. “Planta da Cidade de Fortaleza Capital da província do Ceará” , é o título. De grandes dimensões e escala de 0,005=100 palmos e consolida o enxadrezamento. Impressa em Paris, por Burke e Cie, num dos exemplares, existente no Museu do Ceará, Herbster, a tinta, consigna as cotas de altitude  de vários pontos da cidade. Também naquele museu se guarda, na “Sala da Cidade”, a prancheta de trabalho do ilustre cartógrafo. 
Ainda outros mapas deixou Adolfo Herbster: A Planta da Povoação de Arronches, Planta do Porto da Cidade de Fortaleza, 1887, e a planta cadastral dos terrenos foreiros a N.S. do Rosário de Fortaleza. 


Palácio Senador Alencar, que abrigou a Assembleia até a década de 1970 (foto O Nordeste)

São ainda de sua autoria, os planos e desenhos do Paço da Assembleia Legislativa, cujas obras, inicialmente (1856) estiveram sob a responsabilidade do empreiteiro Joaquim da Fonseca Soares e Silva. Interrompidas mais de uma vez, acabaram entregues exatamente a quem as projetara. De fato, em 1867, Herbster contratou com o governo os serviços finais de carpintaria, marcenaria, pintura e outros acabamentos dos pavimentos térreo e superior do prédio, que foi concluído em 1871.


Nesta casa localizada no cruzamento da Rua Conde d'Eu com a Rua Sobral, na Praça da Sé,  funcionou a primeira sede da Assembleia Provincial do Ceará. 


Quando de sua instalação em 7 de abril de 1835, pelo Presidente José Martiniano de Alencar, a assembleia localizava-se em prédio da Praça da Sé, no qual mais tarde esteve a Casa Singlehurst. Nas palavras do presidente Dr. Joaquim Vilela de Castro Tavares, mais parecia edifício destinado às sessões de alguma municipalidade de aldeia. Em 1859 mudou-se para o Paço da Câmara Municipal (Intendência), na Praça do Ferreira.
Adolfo Herbster casou-se a primeira vez com Henriqueta Maria de Almeida, falecida em maio de 1866, e a segunda com Filismina Lopes. Faleceu em 12 de novembro de 1893, em Fortaleza, completamente esquecido. Os jornais da época mal noticiaram sua morte. O Barão de Studart, nas suas tão minuciosas Datas e Fatos, deixou em branco a data do seu desaparecimento. Só em 1932, veio seu nome a figurar na placa de denominação de uma rua, numa homenagem tardia, prestada por Raimundo Girão quando exerceu o cargo de Prefeito de Fortaleza.

fotos do Arquivo Nirez
Extraído do livro de Raimundo Girão
Geografia Estética de Fortaleza

2 comentários:

Anônimo disse...

...Mas se ele nasceu em 1820, como tinha 29 anos em 1855? o_O Tem que ver isso aí

Anônimo disse...

Na verdade ele nasceu em 1826....