terça-feira, 25 de setembro de 2012

Silva Paulet e a Cidade Xadrez

 Fortaleza vista do alto, foto (provavelmente) dos anos 30
 Planta do Porto e Villa da Fortaleza, de autoria de Silva Paulet.

O Português Antônio José da Silva Paulet, ajudante de ordens do governador é personagem central na evolução do desenho da cidade de Fortaleza. Ele traça a “Planta da Villa” em 1818 – embora a versão que chegou à posteridade seja de 1831. O Riacho Pajeú continua aparecendo como limite físico, com poucos indícios de mancha urbana para a margem direita. 
Chamam a atenção as vias que levavam às saídas da Vila. Essas saídas, todas convergentes para o Centro, das quais algumas não subsistem, já antecipavam o plano radial que Fortaleza viria a assumir. 

Mucuripe

A cidade tem um núcleo original, que se irradia para o interior a partir das vias de penetração: a estrada de Soure, de Caucaia que corresponde à BR-222, a Estrada das Serras, Visconde de Cauípe, hoje Avenida da Universidade que ligava Fortaleza a Maranguape e Pacatuba, o calçamento de Messejana, hoje BR-116, a via que ligava aos Arronches, a Vila da Parangaba, além da picada do Mucuripe, onde havia o farol como remanescente das preocupações portuguesas em vigiar a costa.

Estrada Fortaleza - Parangaba 1929

Inicialmente, ao longo destas vias, se estabeleceram as famílias abastadas vindas do interior; desejando a proximidade com a cidade sem abrir mão das vantagens da vida rural, estas famílias se instalam em sítios e chácaras.
Na planta de Paulet, não se nomeiam as edificações, a cidade aparece dividida em blocos, como o primeiro indício do traçado xadrez que a capital viria a ganhar – e até hoje marca a configuração de sua malha urbana. Nas plantas que desenhou Paulet traçou ainda que vagamente, o futuro axadrezado do desenho da vila.  Desde Paulet, o risco de ruas paralelas passou a ser uma constante na cidade, de modo que os primeiros sobrados fortalezenses, erguidos a partir daquela época, observaram o alinhamento em retícula. 

 O prédio da Intendência Municipal foi o primeiro sobrado da cidade. Tinha 4 frentes: uma para a Praça do Ferreira, outra que ligava a Praça com a Rua Pará, outra para a Rua Pará e uma para a Rua Floriano Peixoto. Foi demolido porque nós não zelamos, nem valorizamos nada do passado.

A organização enxadrezada proposta por Silva Paulet encontrou no presidente da Câmara Antônio Rodrigues Ferreira, o Boticário Ferreira, um grande entusiasta. Por encomenda dele outros mapeamentos da cidade foram feitos, mas eram imprecisos. A primeira representação precisa da organização urbana de Fortaleza, é a Planta Exacta da Capital do Ceará, de 1859, a primeira de três plantas desenhadas pelo pernambucano Adolfo Herbster.  
O currículo do português Silva Paulet, que permaneceu no Ceará até 1821, traz ainda outra ligação intima com a história da capital: ele projetou e construiu a nova Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, considerada a edificação mais antiga da cidade. 

Fonte:
Revista Fortaleza, fasciculo 10, de 11 de junho de 2006
Roteiro Sentimental de Fortaleza, Coordenação de Simone de Souza
e Sebastião Rogério Ponte
fotos do Arquivo Nirez
 

3 comentários:

Karine Costa disse...

Fátima, estou encantada com seu blog e todas as fotos e histórias interessantes que estou encontrando nele! Parabéns!

Fátima Garcia disse...

Olá karine Costa,
é sempre muito bom saber que nosso trabalho é apreciado. Obrigada, volte sempre.
abs

Aloizio Andrade disse...

Fátima, parabéns pelo seu blog. Também sou um apaixonado pela nossa cidade e este blog resgata um pouco de nossa história.