segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Pelas Ruas da Cidade –- Parte VI -- Rua Major Facundo



 --Rua Major Facundo --
 

 A Rua major Facundo já foi a Rua Nova Del Rei, por volta de 1828 e, em 1856, teve dois nomes: do início até a Praça do Ferreira, chamava-se Rua da Palma e da praça até o final, Rua do Fogo, devido o episódio acontecido no lado sul da Praça do Ferreira, que deu origem ao nome de Rua das Trincheiras.
Em 1888, a Rua recebeu o nome de Major Facundo. Em 1890, todas as ruas e avenidas de Fortaleza passaram a ter números no lugar dos nomes, e a Major Facundo passou a denominar-se n° 3, que durou pouco e voltou ao seu nome atual logo depois. 

 A Estrela do Oriente era um dos vários comércios existentes na rua

Sendo uma das mais centrais ruas da cidade, na Major Facundo existiram casas famosas como a loja Estrela do Oriente, a Casa Villar, a Livraria Gualter, a Libro-Papelaria Bivar, a Casa Mesiano, a Torre Eiffel, o sobrado do Barão de Ibiapaba, a Casa Albano, a Farmácia e Drogaria Mamede, o Sobrado do Comendador Machado, a Maison Art-Nouveau, o Café Riche, O Povo, o café do Comércio, o Cine-teatro Majestic-Palace, o Cine Moderno,  a Pharmácia Galeno, e muitos outros estabelecimentos comerciais que marcaram época em Fortaleza.

A Major Facundo dos anos 1970

A Rua Major Facundo foi uma das que primeiro recebeu os melhoramentos da cidade, por sua localização. Recebeu água encanada e esgoto em 1926; calçamento em 1857, o paralelepípedo em 1933, o concreto no ano seguinte, o meio-fio em 1921 e o asfalto em 1963. A luz elétrica para sua iluminação pública foi colocada em 1935 e por ela passou, até 1947, a linha de bondes José Bonifácio.  
A Rua Major Facundo começa na Rua Dr. João Moreira, no Passeio Público, e termina no Bairro de Fátima, a cerca de dois quarteirões da Avenida 13 de Maio. 

-- Quem Era --


José Facundo de Castro Menezes nasceu em Aracati (CE), em 12 de junho de 1787, filho do capitão-mor José de Castro Silva e Joana Maria Bezerra. Até 1818, quando Facundo se transfere para Fortaleza, nada tinha acontecido de marcante em sua vida. Defensor das ideias políticas de sua família, opõe-se a junta governativa liderada por Tristão Gonçalves, Pereira Filgueiras e Padre Mororó. Preso, deportado para o Rio de janeiro, é solto por ordem de D. Pedro I. Em 1824, durante a Confederação do equador, deixa novamente o Ceará por divergências com os revolucionários.  Presidente da Assembleia Provincial depois da derrota da Confederação participa ativamente da movimentação política e social. Devido ao ato de maioridade, recebe interinamente o cargo de Presidente da Província. É considerado, por este fato, o primeiro a governar o Ceará depois que D. Pedro II foi declarado maior.
Além de chefe do Partido Liberal, Major Facundo foi comandante do Batalhão dos Nobres de Fortaleza e exerceu o cargo de Inspetor da Alfândega. Sua posição na liderança liberal sempre foi combatida pelos conservadores, que lutavam a todo custo para a manutenção do poder. As formas de intimidação ao Major eram as mais diversas, desde a censura em suas cartas até mensagens com ameaças de morte. 

 Rua Major Facundo
 Casa em que residiu e foi assassinado o Major Facundo. De 1854 a 1959 funcionou no local a Casa Villar. Ficava na esquina da Rua da Palma com a Rua das Belas (atual Rua São Paulo)

No dia 8 de dezembro de 1841, consagrado a Nossa Senhora da Conceição na província do Ceará vivia momentos de festa e religiosidade com grande aglomeração popular na Capela da Prainha. Depois de participar com a família das comemorações e visitar alguns amigos, major Facundo descansava em sua casa na antiga Rua da palma, n° 72. Aproximadamente às 20 horas, dirige-se a sala principal para atender um portador de Sobral. De repente três grandes estrondos ecoam na noite. 
 De um casebre em frente, partem os tiros certeiros de bacamarte que estraçalham a cabeça do chefe político liberal. Alguns estilhaços ferem a mão de sua mulher e abrem buracos nas paredes da casa.  O Major Facundo estava morto aos 54 anos de idade.  As ameaças contra sua vida se concretizaram de forma trágica.  

fontes:
A História do Ceará passa por esta rua, de Rogaciano Leite Filho
Guia Turistico da Cidade, organizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza - administração do General Manuel Cordeiro Neto, 1961
  

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