quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Percurso da Energia no Ceará


Passeio Público, com elegantes lampiões à gás, tendo ao fundo a Praia Formosa (Marciano Lopes)

No principio era o binômio luminoso sol e lua, a envolver a pequena povoação à beira mar, sob os coqueirais de suas areias brancas. Se era noite de luar, tudo bem. Nas noites sem lua, no entanto, a escuridão envolvia a vila. 

E começa aí a história da iluminação artificial, com as velas de cera de carnaúba, alumiando a Fortaleza recém-nascida.  Depois entram em cena os lampiões de rua, queimando azeite de peixe, que muitos anos depois foram substituídos pelos gás carbônico originário da hulha, trazido pela inglesa Ceará Gaz.   

O prédio pertenceu primeiro ao Hotel do Norte, depois a Sociedade União Cearense, Correios, Ceará Tramway, Coelce, e futura sede da IAB da Orquestra Filarmônica do Ceará. Fica na esquinas das Rua Dr. João Moreira e Floriano Peixoto (Marciano Lopes) 

Em 1912 chegou à cidade a Ceará Ligth Tramway and Power Ltd, o polvo inglês, que veio modernizar o transporte coletivo, substituindo o bonde puxado a burro pelo tramway.  Para tanto instalou a primeira rede de distribuição na cidade, como suporte para os bondes elétricos. As residências também se beneficiaram com este equipamento moderno, mas a iluminação pública permaneceu a gás até 1935, por força do contrato entre o estado e a Ceará Gaz,  assinado em 1867.

Nesse meio tempo,   A Light Tramway iniciou um duelo com a Ceará Gaz querendo assumir também o domínio do fornecimento de luz elétrica para as ruas e residências.  Estabeleceu-se pelos jornais uma batalha de anúncios sobre as vantagens de um e de outro, como este anuncio da Ceará Gaz:
Uma luz boa e barata é o gaz incandescente, porque é mais suave à vista, 50% mais econômico.
Em outra página, o troco da Light: 
A melhor e a mais econômica luz é a luz elétrica, e a única que lhe faz competência é a do sol. 

Em 1935, venceu o novo. O governo rescinde o contrato que mantinha com a Ceara Gaz, seguindo-se uma longa e difícil  batalha judicial.

Mais tarde, a Ceará Light  iniciou uma nova batalha, desta feita contra o emergente serviço de auto- ônibus, como era denominado na época. A companhia inglesa sentiu a ameaça e opôs forte resistência à chegada do novo modelo de transporte coletivo, mas teve que encarar a concorrência que se instalava. 

Adquiriu e lançou em diversas linhas alguns ônibus, veículos de pequenos,  mas confortáveis, para 17, os menores e 34 passageiros. A população apelidou os veículos da Light de ramonas, alusão ao título de um filme de sucesso naquele tempo.


Veículos da Light: bondes e ônibus concorriam entre si. Esses da foto eram utilizados para conserto das linhas elétricas dos bondes (arquivo Nirez) 

Os micro-ônibus com os quais a Light concorria com seus próprios bondes, ajudaram a empresa a se manter no ramo por mais alguns anos, até retirar-se definitivamente, por conta da precariedade dos serviços prestados. A 2ª Guerra Mundial impedira a importação de novos veículos e peças de reposição. Findo o conflito, dois anos após em 1947, os bondes sem energia suficiente para movimentá-los e sem a indispensável manutenção mecânica, saíram de circulação.

A Light entrara afinal em agonia, não podendo mais arcar com os custos de operação, deixando inclusive de cumprir sentença trabalhista que a obrigava a conceder aumentos salariais aos seus servidores.  Pelo descumprimento, a empresa sofre intervenção federal. 

A sua nova direção procura, em desespero, soluções paliativas para o agravamento do problema da energia elétrica em Fortaleza. Daí surgem a Conefor, o Serviluz,  usinas térmicas, troca de combustível a lenha por óleo diesel, e remendos sem fim nas velhas caldeiras. Tudo foi tentado, mais os apagões continuavam atormentando a vida dos moradores da cidade.

Assinatura do decreto de encampação da Ceará Light (O Povo)

Por essa época foi eleito o prefeito Acrísio Moreira da Rocha, que determinou a encampação definitiva da companhia britânica.  Apesar de tudo, a crise energética continuava,  Fortaleza continuava sofrendo com a falta de energia, o crescimento industrial paralisado,  a economia estagnada, as residências às escuras.  

Usina Serviluz era resultante da encampação pelo município da Ceará Light. (IBGE)

A situação começou a ser contornada a partir de 1964, com a chegada da energia gerada a partir da cachoeira de Paulo Afonso, distribuída pela CHESF.
A energia só chegou ao Ceará em 1964, bem depois dos depois de outras localidades do Nordeste, a exemplo  de Recife (1954) e Salvador (1955). 

Ocorreu que, quando foi criada em outubro de 1945, a área de concessão da CHESF abrangia um círculo de 450km de raio a partir da usina a ser construída em Paulo Afonso. Incluía, portanto, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa. Excluía Fortaleza e grande parte do Ceará.

Em 05 de julho de 1971, o Governo do Ceará criou, mediante lei estadual , a COELCE - Companhia de Eletricidade do Ceará, autorizada a funcionar pelo Decreto Federal 69.469 de 05 de novembro de 1971. A Coelce foi privatizada em 1998.

fonte:
Blanchard Girão e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)

5 comentários:

Ana Karine disse...

Queria ter acesso as imagens desse texto, como posso fazer, poderia me enviar por email com os dados de data e de as quem pertence.

Fátima Garcia disse...

olá Ana Karine
informe um email para onde devo mandar as fotos
abs

Aldemir Cearamor disse...

Muito legal saber a história da nossa fortaleza

Aldemir Cearamor disse...

Muito legal saber a história da nossa fortaleza

Luana de Sousa Sales disse...

0lá Fátima Garcia! Gostaria de ter acessoa ao texto e as imagens...Estou trabalhando um projeto com os meus alunos e seu texto e imagem será muito útil no trabalho...
Esse é o meu email : luanadesousasales@gmail.com
Se puder me enviar por email eu agradeço muito sua atenção e colaboração..
Um abraço
Luana