domingo, 21 de agosto de 2011

O Assassinato do Major Facundo

Casa em que residia e foi assassinado o Major Facundo em 1841. De 1854 a 1959 nela funcionou a Casa Vilar. Ficava na Rua da Palma esquina com a Rua das Belas (atual Rua São Paulo). arquivo Nirez
  
João Facundo de Castro Menezes Nasceu em Aracati, Ceará,  no dia 12 de julho de 1787, filho do Capitão – Mor José de Castro e Silva e Joana Maria Bezerra de Menezes.  Em 1818 transferiu-se para Fortaleza, onde se dedicou à politica.

Contrário à Junta Governativa formada por Tristão Gonçalves, Padre Mororó e Pereira Filgueiras, foi preso e enviado para o Rio de Janeiro, sendo libertado por ordem de D. Pedro I.
Era defensor das ideias políticas da família Castro, e chefe do Partido Liberal, por ocasião da Confederação do Equador.

O militar, chefe do partido Liberal e comandante do Batalhão dos Nobres de Fortaleza, tinha inimigos influentes. Divergências políticas. Para se ter  ideia, o chefe de Polícia da Comarca, Miguel Fernandes Vieira, e o comandante da milícia, major Franklin de Lima, eram desafetos de Facundo.  Não cruzavam a mesma esquina. Adversários irreconciliáveis, integrantes do Partido Conservador.

Toda a Província já sabia que o militar estava jurado de morte.  Já tinha sofrido dois atentados, conseguindo escapar ileso:  primeiro, uma tocaia na rua da Ponte. Tiros. E depois, atentado na Praça Carolina, esquina das ruas da Boa Vista e antiga Assembleia Provincial, nas imediações  do atual Museu do Ceará.

No dia 9 de maio é nomeado um novo Presidente do Ceará, Brigadeiro José Joaquim Coelho (1841-1843). O Major Facundo, embora fosse seu Vice-Presidente, lhe fazia cerrada oposição. As divergências e os ânimos se acirravam.

O crime aconteceu em 8 de dezembro de 1841, dia dedicado a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Fortaleza.  O major Facundo foi morto, em casa, por pistoleiros pés de chinelos. Dispararam os tiros e fugiram no meio da noite em Fortaleza. Iluminação natural e raros combustores a gás.

Facundo e sua mulher, Florência de Andrade Bezerra e Castro, tinham acabado de jantar. Por volta das 20 horas, alguém bateu à janela. O major foi atender,  peito aberto, talvez nem tenha tido tempo de pensar. Recebeu três tiros certeiros na cabeça.

Pelo estrondo e tamanho do estrago, bacamarte fora a arma usada. Desespero. Gritaria. O homem estava morto e sua mulher sangrava na mão, atingida por estilhaços.  O cirurgião-mor da Província do Ceará Grande, Joaquim da Silva Santiago, junto com  outro médico, Francisco José de Matos, examinaram o corpo. As balas por pouco não arrancaram a cabeça da vítima.

A mulher do presidente conservador José Joaquim Coelho foi apontada como mandante do crime. Apesar da acusação, ela nada sofreu.
Os executores, Antônio Manoel Abrahão e Pedro José das Chagas, foram condenados a galés perpétuas pelo júri de Fortaleza. Joaquim Ferreira de Sousa Jacarandá, intermediário da pistolagem, foi julgado e absolvido três vezes.


A Igreja do Rosário e a lápide do túmulo do Major Facundo.

A  família do major  sempre imputou  o crime aos interesses palacianos, e mais diretamente, à esposa do Presidente da Província, convicção tão profunda, que na laje do túmulo do major, a viúva mandou escrever que, o Major Facundo falecera no dia 8 de dezembro de 1841, assassinado, sendo presidente José Joaquim Coelho.

Ainda hoje, na Igreja do Rosário, se conserva esse mármore de dor e de ódio, único dos muitos que estiveram pelas paredes daquele templo.
A antiga Rua da Palma, onde ocorreu o assassinato virou Rua Major Facundo em 1888.

pesquisa livros de 
Raimundo Girão e Mozart Soriano Aderaldo
Jornal O Povo

20 comentários:

Felipe Silveira disse...

Excelente blog! Gostei do texto sobre Major Facundo.
Serei seu seguidor e leitor dos textos!

Mantenho também um blog, onde, entre crõnicas e fotos, falo de Fortaleza e, sempre que possível, do Centro da cidade: http://blogdosilveir4.blogspot.com

Abçs.

Fátima Garcia disse...

obrigada Felipe, também dei uma olhada no seu blog, depois volto lá com mais calma.

O Vigilante Urbano disse...

oi, Fátima.
eu estou planejando fazer a história do Ceará em quadrinhos, sobre as épocas e as personagens antigas, vc poderia me ajudar com textos? você já fez roteiros para esse tipo de trabalho?

Fátima Garcia disse...

Olá Vigilante Urbano,

nunca fiz esse tipo de trabalho, mas posso colaborar com os textos, tenho vários livros que falam da história do Ceará e de Fortaleza em particular.
sucesso na sua empreitada

Enéas Aguiar disse...

Gostaria de saber se o boticário Ferreira teve mesmo envolvimento junto à esposa do Presidente Joaquim...
Como faço pra obter detalhes desse crime?
Será que ainda existe o processo?
Além, é possível o acesso as fotos desse blog?
Obrigado

Fátima Garcia disse...

Olá Enéas Aguiar,
desconheço que o Boticário Ferreira tenha tido envolvimento com esse caso, o presidente em questão, cuja mulher foi acusada de ser mandante do assassinato do major, era José Joaquim Coelho. Você encontra dados sobre o Major Facundo nos livros "A História do Ceará passa por esta Rua", de Rogaciano Leite Filho; "A Margem da História do Ceará", de Gustavo Barroso e na Revista do Instituto do Ceará, um texto do Barão de Studart. Não sei informar se o processo ainda existe.
abs

Fátima Garcia disse...

Olá Enéas
diga quais as fotos que você quer e para onde devo mandá-las.
abs

Dr. LEMOS disse...

a esposa do Presidente contratou um matador que assassinou Facundo, no dia 8 de dezembro de 1841 em frente a sua própria residência, na atual Rua Major Facundo.
No local onde funciona hoje a livraria das Edições Paulinas.http://www.guiace.com.br/termo/provincia

Fátima Garcia disse...

Dr. Lemos
Todas as informações da postagem foram retiradas dos livros de Raimundo Girão (Geografia estética de Fortaleza) e de Mozart Soriano Aderaldo (História Abreviada de fortaleza e crônicas sobre a Cidade Amada). A foto e a localização da residência onde o major foi assassinado, estão no livro "História Abreviada..."capitulo VIII Fotografias, 3a.edição, editora UFC, 1998.

Anônimo disse...

Olá, Fátima!
Essas fotos disponibilizadas na net, têm sua resolução alterada ou não?
Grato

Anônimo disse...

Olá, Fátima!
Essas fotos disponibilizadas na net, têm sua resolução alterada ou não?
Grato

Fátima Garcia disse...

as fotos antigas de que disponho são de baixa resolução, a mesma com que foram publicadas. As fotos novas estão com a resolução alteradas.

Juliana de Castro Menezes disse...

Texto bacana, Fátima! Você teria mais informações sobre a genealogia da família Castro Menezes?

obrigada,

Juliana

Fátima Garcia disse...

vou ver se tenho algo mais, Juliana
abs

Anderson Fortaleza disse...

Fui à Igreja do Rosário por ocasião da Santa Missa Tridentina (24/02/2015 Às 09:00) e ao passear pela igreja, olhando as imagens e inscrições, me deparei com a triste lápide.

Ao procurar pelo que aconteceu no Google encontrei seu blog, obrigado por esclarecer as circunstâncias deste assassinato que à época pareceu terrível, mas que hoje é tão banal em nossas ruas.

E ainda dizem que a humanidade avança, não é mesmo? :)

ROBSON VIANA disse...

Olá, onde fica os restos mortais do major facundo, seria na igreja?

Fátima Garcia disse...

Verdade Anderson, hoje, com a violência instalada em nosso dia a dia, o crime do qual foi vítima o Major Facundo, passaria desapercebido, seria mais um entre tantos
abs

Fátima Garcia disse...

Sim Robson Viana, ele foi sepultado lá.

Alberto Alexandre disse...

Ola Fátima adorei o seu blog e participo agora, queria te pedir dicas de livros da historia local para me ler, aguardo a resposta obrigado.

Anônimo disse...

Somos descendentes da Menezes em Manaus, nosso pai Thales de Menezes Loureiro , era tetraneto do Major Facundo de Menezes, de quem temos reprodução de imagem muito antiga, idêntica à que está na internet. Na nossa família, até o século passado, tiveram muitas mulheres chamadas de Liberalina, em função do partido Liberal. Nosso bisavô paterno , João Facundo de Menezes, foi um dos fundadores da segunda cidade em importância econômica no período de ouro da borracha, na Província do Amazonas, chamada Arremate de Males, imortalizado por Mario de Andrade. Ele foi casado com Liberalina Accioly de Menezes, cujos pais fugiram de Pernambuco durante o movimento Revolucionário de 1817.
Parabéns pelo seu blog que nos trouxe novas informações de nossos ancestrais.

Antônio José Loureiro