quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Igreja de Nossa senhora do Carmo


Antes de ser matriz, o que ocorreu em 21 de abril de 1915, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo era uma capela simples, batizada com o nome de Nossa Senhora do Livramento, sendo administrada pela Paróquia do Patrocínio.
A capela se erguia em área distante do centro, cercada de árvores, com uma lagoa nas proximidades. Ainda na construção, a autoridade diocesana permitiu que fosse mudada a invocação para Nossa Senhora do Carmo.
Nessa época os trabalhos da construção ficaram sob a responsabilidade do padre João Dantas F. Lima, diretor da Confraria de Nossa Senhora do Carmo.
O templo foi inaugurado em 25 de março de 1906, com muita solenidade, sendo o primeiro capelão monsenhor José Gurgel do Amaral.


A imagem que ocupa o centro do altar-mor tem uma história de desencontro:
o Padre Dantas tinha encomendado a imagem de Nossa Senhora do Carmo em Portugal. Quando a efígie da santa chegou a Fortaleza, ele foi avisado de que deveria pagar os direitos alfandegários para que pudesse recebê-la, o que ele não fez por esquecimento.
Então a imagem foi a leilão, tendo sido arrematada pelo Sr. José Rossas, que procurado pelo padre negou-se a cedê-la por qualquer preço. Dias depois José adoeceu gravemente, de paratifo, e mandou que sua esposa procurasse o Pe. Dantas para entregar-lhe a imagem da Virgem Maria, sem qualquer compensação.

 
A pintura que se encontra no teto sobre o altar principal da igreja é de autoria do artista Ramos Cotoco. A obra quase se perdeu devido à ação do tempo, mas foi restaurada por uma equipe de italianos

Nas colunas da igreja há placas de agradecimento à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, por milagres concedidos, que datam de 1902

 
O púlpito foi obra da Fundição Cearense e data do início do século XX. É um trabalho primoroso. Todas as faces do balcão do púlpito têm a imagem do Sagrado Coração de Maria, e os detalhes artísticos vão desde o teto à escadaria da peça.
O púlpito era usado quando no passado os padres não dispunham de serviço de som na igreja. Para a realização do sermão, o padre se dirigia ao púlpito seguido por coroinhas providos de grandes velas ou luminárias.
Ao chegar, o padre subia a pequena escada, impunha-se na plataforma e discursava para os fiéis. Terminado o sermão a pequena procissão de coroinhas acompanhava o sacerdote de volta ao altar principal para a finalização da missa


A Igreja do Carmo tem um acervo de peças antigas e raras

No que pese a padroeira da Matriz ser N.Sra. do Carmo, existia na paróquia uma associação dedicada à Nossa Senhora da Paz, fundada em 1912, o que explica a existência no adro da igreja da imagem da santa.
Segundo contam, a imagem foi encomendada pelo governo em 1912. Quando chegou, Franco Rabelo já havia sido destituído do cargo. Levaram então a imagem para o armazém da firma Machado e Coelho, que ficava na Praça do Ferreira.
Num caixão de madeira destampado, a efígie ficou ali durante anos, até ser transferida para as escadarias do Carmo. Por fim, em 1921, o monumento foi inaugurado. A estátua repousa em pedestal de mármore em cujo centro se lê a inscrição PAX

 
A agitação da Praça do Carmo, repleta de veículos, de bancas de jornais e vendedores, vizinha a um colégio e a uma grande agência bancária, não interfere nos ritos da Igreja, apesar das grandes portas e janelas se abrirem para a praça.
A Praça do Carmo se situa na Avenida Duque de Caxias entre as ruas Major Facundo, Clarindo de Queiroz e Barão do Rio Branco, centro de Fortaleza.

pesquisa:
FONTES, Eduardo. As pouco lembradas igrejas de Fortaleza. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, 1983
Jornal Diário do Nordeste

9 comentários:

Carlos, Carlinhos, Getúlio disse...

Além de que é linda, né? Só espero que um dia, um grupo de empresários a derrubem para por um shopping em cima. Me diga, Fátima, a Igreja do Carmo é tombada pelo IPHAN. Se não, podemos fazer uma campanha para o tombamento, não?

Lúcia Paiva disse...

Muito linda!
Quando a Igrja Coração de Jesús desmoronou, em 1957, nossa família passou a frequentar a Igreja do Carmo. Todos os domingos, saíamosa antes das cinco da "matina", andávamsos apenas cinco quarteirões,para asistir à missa das cinco. O Evangelho e o sermão eram proferidos desse belo púlpito.
É uma igreja bem acolhedora.
Hoje está cheia de grades e já não
se fica nela em silêncio, com tranquilidade. O perigo e o barulho rondam todo o entorno....

Muito oportuno o comentário do Carlinhos, quanto ao tombamento.
A belíssima tela de Ramos Cotoco correu o risco de passar para particular....o pároco queria rifar para fazer uma suposta reforma na igreja. Teria sido só "ameaça"?...nunca vai se saber!!!

Lindo, Fátima!Parabéns!
Bjo!
Lúcia

Fátima Garcia disse...

Todo patrimônio histórico de Fortaleza corre risco diante desse crescimento desordenado, dessa avidez capitalista, em busca de espaços privilegiados p/instalação de seus megaempreendimentos. O receio de que um dia façam ali um shopping, ou coisa que o valha, é real, é possivel. Além de que os próprios religiosos muitas vezes não têm nenhum apego ao lugar, já que ficam temporários em um templo, depois vão embora. Quanto ao tombamento, a Constituição Brasileira define patrimônio cultural como sendo como sendo os bens tomados individual ou em conjunto, que tenham referências à identidade, à ação e a memória dos diferentes grupos sociais.
Observados esses critérios qualquer pessoa pode requerer a abertura de estudos visando o tombamento de um bem. As três esferas de poder (federal, estadual e municipal) podem fazer o tombamento: o governo federal através do IPHAN, os estados e municípios, por secretarias com funções semelhantes ao IPHAN.
Depois do pedido de abertura de processo, o tombamento é avaliado por um corpo técnico, que vai analisar se o bem em questão tem valor histórico ou arquitetônico, cultural, ambiental ou afetivo para a população. Caso seja aprovado, uma notificação é expedida ao proprietário e o estudo volta para o corpo técnico. Enquanto a decisão final é tomada, o imóvel fica legalmente protegido contra destruição ou descaracterizações. O processo termina com a inscrição no Livro Tombo e comunicação formal aos proprietários
A Igreja do Carmo não figura entre os imóveis tombados em Fortaleza.

Fátima Garcia disse...

Oi Lucia,
Achei o interior da Igreja bem tranquilo, não ouvi o barulho externo, vindo da praça, talvez porque o coral porque estivesse ensaiando, acompanhado do som belissimo de um órgão. Há muito tempo não frequentava a igreja do carmo, me surpreendi com sua beleza e conservação.
bjs

Anônimo disse...

linda,,muito linda,,,sempre que vou a fortaleza faço questão de fazer uma visita nessa igreja tão linda e rezar para essa santa que já me concedeu e vai me conceder mais milagres nessas terras cearences...
Ricardo

Fátima Garcia disse...

Olá Ricardo,
de fato a Igreja do Carmo além de muito bela, é um lugar de paz e recolhimento. Nem parece que fica no meio daquela agitação da praça.

CM disse...

Estive hoje visitando a igreja pela primeira vez. Que Paz! infelizmente não achamos o orgão. Já não estava sendo usado.

Fátima Garcia disse...

acho que o templo tem muito a perder se retirarem o som do órgão, vamos torcer para que esteja em manutenção, CM

FRANCISCA MONICA PORTO FREIRE disse...

Minha tia avó, CARMEM FREIRE, * 15/03/1897 - 04/08/1980, professora de desenho da Escola Técnica, contou-me, quando eu era menina, hoje tenho 64 anos, que a estátua de nossa senhora, que não apareceu nas fotos, se eu acertar incluir, vou depois tentar postar, vista de frente, mostra a imagem de uma nossa senhora diferente, com o corte de cabelo chanel. Ela me disse que esto foi feito pelo escultor apaixonado por sua noiva que usava este corte de cabelo e para não polemizar, arrumou nas costas um arranjo de cabelo longo preso. Hoje, com muito medo de perder meu celular fiz as fotos para contar esta história para minha família, mas antes busquei informações para ver se alguém já havia contado este fato. Na abaixo da estátua tem: ERIGIDO POR INICIATIVA DE MILTON DE SOUZA CARVALHO E ADOLPHO G DE SIQUEIRA. INAUGURADO EM 23 DE JANEIRO DE 1921. Não sei se tem alguma relação o fato da segunda esposa de MILTON ter o nome de MARIA DO CARMO HERBSTER DE SOUZA PINTO. É isso, a história de GENTE atras da história social. Vou continuar pesquisando. Super interessante a história deste MILTON cearense nascido em Ipu empresário e politico. Escreveu um livro de memórias História de um Comerciante que estou curiosa em encontrar para ler.