
Por volta do ano de 1912 a Praça Marquês do Herval (atual Praça José de Alencar) era um dos mais belos logradouros de Fortaleza. A exemplo da Praça do Ferreira, também havia ali quatro quiosques de madeira, artisticamente trabalhados, ocupando os quatro cantos da avenida.
Ao centro, suntuoso coreto, onde a Banda da Polícia Militar realizava retretas em dias designados pela Intendência. No local onde funcionou o Centro de Saúde – e hoje é ocupado pelos jardins do Teatro José de Alencar – situava-se o Quartel da Polícia; no outro lado, esquina com a Rua 24 de Maio, ficava a Escola Normal.
A praça era ajardinada com extremo bom gosto. Sobre quadrados de grama bem cuidada havia canteiros de flores das mais variadas espécies. Colunas de mármore vindas de Portugal, trabalhadas em estilo coríntio, sustentavam grandes jarros de porcelana japonesa.
Nos jarros, plantas exóticas de grande efeito estético, e nas longas alamedas com piso de mosaico, inúmeros bancos de madeira pintados de verde.
Combustores de luz carbônica esverdeada davam ao local uma atmosfera de fantasia. À noite famílias inteiras visitavam o local, uns para passear, outros simplesmente para sentarem nos bancos e apreciarem o cenário.
Nos dias de retreta, a população acorria, acotovelando-se para conquistar um lugar mais perto do coreto, onde a banda executava valsas e trechos de operetas como A Viúva Alegre ou O Príncipe Estudante. Grandes árvores – mangueiras, mongubeiras, palmeiras, davam ao local uma beleza ímpar. Nos canteiros, dálias, rosas, margaridas, crisântemos e uma infinidade de crótons, brotavam do verde com as mais variadas cores.

Os quiosques viviam lotados de fregueses. Ao cair da tarde, o acendedor de lampiões surgia, com uma vara comprida a acender, um por um, os combustores de caixas retangulares, dentro dos quais de incendiavam ao contato com a chama, os bicos de acetileno.
A praça adquiria assim, um aspecto poético e agradável, pronta para acolher os visitantes, nas noites cálidas da Fortaleza Antiga.
A Praça Marquês do Herval vista da sacada do teatro José de Alencar em foto de 1911Fotos: Ah, Fortaleza! 1880-1950
texto extraído do livro
Fortaleza descalça: reminiscências
autor: Otacílio de Azevedo






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