terça-feira, 13 de abril de 2010

Fortaleza, 284 anos: Pão e Circo


A Praça do Ferreira, o coração de Fortaleza

A Reitoria da UFC fica no Benfica

Praia do Futuro

Feira de Artesanato na Praia de Iracema

Rua Guilherme Rocha

Rua Barão do Rio Branco

Avenida José Bastos

Prédios antigos estão se tornando raridade em Fortaleza, esse fica na Rua Guilherme Rocha

Igreja de São Bernardo, fica na Senador Pompeu esquina com Pedro Pereira

Há 284 anos no dia 13 de abril de 1726, a Coroa Portuguesa transformava o povoado localizado às margens do riacho Pajeú na Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.
Era desejo das autoridades transferir para cá a sede da Vila do Ceará, em razão das investidas dos indios contra o pelourinho que havia sido instalado em Aquiraz.
A data passou a ser o marco de fundação da cidade. O titulo de vila, no entanto, não muda a situação de abandono e pobreza a que o povoado estava relegado, sem nenhuma importância econômica.
Cabia-lhe como função principal o apoio logístico à navegação existente entre Pernambuco e Maranhão. Essa realidade que só começou a se transformar no final do Século XVIII, quando o Ceará foi desmembrado da Capitania de Pernambuco, em 1799. Com a separação das duas provincias, chega a Fortaleza o primeiro governador, Bernardo Manuel vasconcelos, que demonstra decepção ante a pobreza da capital, onde faltava até coisas de primeira necessidade. Mas paulatinamente, a vila vai sendo dotada de infra-estrutura e serviços para atender as atividades administrativas e as transações comerciais.
A cidade que chega aos 284 anos é a mais populosa do Ceará e a 5ª cidade do país. De acordo com as projeções feitas pelo IBGE, a população estimada de Fortaleza em 2009 é de 2.505.552 habitantes.
Fortaleza é também um dos menores municípios do Ceará, com uma base territorial de 313 km², a mesma do município de Jati (CE) que conta com apenas 7.518 habitantes.
Possui a maior densidade demográfica do País, com 8.001 hab/km².
A Região Metropolitana de Fortaleza possui 3.655.259 habitantes, sendo a sétima mais populosa do Brasil, e a terceira do Nordeste. Em recente estudo do IBGE, Fortaleza aparece como metrópole da terceira maior rede urbana do Brasil em população.
É um dos maiores destinos turisticos do Brasil, recebe visitantes do mundo todo durante o ano inteiro, já que não apresenta variações climáticas significativas e seus maiores atrativos estão no litoral.
No que pese todas esses indicativos, é uma cidade que tal e qual a antiga vila, continua abandonada pelos governantes, especialmente os atuais, que não suprem as necessidades de serviços básicos de saúde, educação, saneamento, transportes, limpeza, segurança; não gerenciam o patrimônio público com eficiência, permitindo a ocupação de áreas públicas por construções irregulares, e fazendo vistas grossas a camelôs e ambulantes que invadiram o centro e decretaram o fim do tráfego de pedestres.
Na Roma antiga, a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o emprego e migrassem. O crescimento urbano acabou gerando problemas sociais e o imperador, com medo que a população se revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida, acabou criando a política “panem et circenses”, a política do pão e circo.
A receita era simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios, e durante os eventos eram distribuídos alimentos.
Enquanto se distraía e se alimentava a população esquecia os problemas e não ameaçava o império romano com rebeliões. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controle, que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.
Com alguns séculos de atraso, a politica do pão e circo chegou a Fortaleza, e ao resto do país. Começou com distribuição de recursos do bolsa familia e se completa com o patrocinio do poder público municipal, de shows, alguns carissimos, para entreter a população desavisada. Enquanto recebem os trocados da bolsa-esmola e participam do circo na arena da Praia de Iracema,
esquecem que lhes solaparam o direito à uma vida digna, a um emprego decente, a uma moradia segura. E ficam felizes da vida.
E lá se vão 284 anos...

2 comentários:

Carlos, Carlinhos, Getúlio disse...

Nem sei se é o caso, cara Fortaleza, posto que aos shows públicos vão poucas pessoas. E também os programas de transferência de renda dos governos FHC e Lula tem mostrado certa eficácia, não sendo, assim, esmola.
Eu, por mim, vejo o Pão e Circo atuais nos clubes de forró e nas porcarias que os mais pobres estão comendo e dando a seus filhos, e em nenhum dos casos, é de graça. É uma junção entre a invenção romana e o capitalismo. Mesmo a ilusão, hoje, tem que ser paga.

fatima garcia disse...

Carlinhos, pense no que vai acontecer se mudar o governo e resolverem suspenser o bolsa-familia. Todos voltarão á estaca zero porque o programa não tem sustentabilidade (palavra de ordem p/tudo que é politica pública). Melhor seria um programa de geração de empregos, aí a parcela mais carente da população não precisaria ficar dependendo da vontade governamental. Quanto aos forrós concordo com voce: não dá p/encarar.