quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Histórias da Fortaleza Antiga: a Garapeira do Bembém

Uma das figuras mais populares de Fortaleza, por volta do ano de 1913, era o garapeiro Bembém, estabelecido num quiosque nas imediações do antigo Mercado Público.
O estabelecimento era em estilo francês, semelhante a outros espalhados pela cidade.
A antiga engenhoca era movida à manivela e moía centenas de pedaços de cana com casca, produzindo um barulho ensurdecedor.
A garapa produzida era apanhada num recipiente de madeira, engarrafada e colocada sobre o balcão, quando ficava disponível para a venda por um tostão o copo.
O que sobrava era vendido no dia seguinte como “garapa azeda”, de grande aceitação.
No terceiro dia era chamada de “garapa doida”, anunciada como o melhor refresco para afinar o sangue e deixar as faces coradas.
Bembém tinha um sonho dourado: conhecer a França! de tostão em tostão juntou uma razoável quantia e, um belo dia, partiu para Paris em busca das maravilhas de que tanto ouvia falar.
Foi e voltou encantado, contando as experiências que vivera por lá:
que só andava com um homem chamado Cicerone, que como ele, sabia português;
que todos falavam francês, até mesmo os carregadores, as mulheres do povo e pasmem, até as crianças! e a única palavra que ouvira em português fora “mercibocu”.
A conselho de um amigo gozador mandou imprimir um cartão para distribuir com os fregueses: BIEN-BIEN – GARAPIÈRE – Fortaleza – Ceará.
A Garapeira do Bembém ficava na Praça José de Alencar, hoje Praça Waldemar Falcão, área central de Fortaleza.

extraído do livro Fortaleza Descalça - Autor: Otacílio de Azevedo

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