segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

As lojas de tecidos de Fortaleza

Na década de 1940 não existiam ainda em Fortaleza as indústrias de confecções que oferecem roupas prontas ao gosto do freguês. Predominava então o comércio de tecidos, onde as pessoas adquiriam o necessário para confecção das vestimentas, trabalho que era realizado pelas inúmeras costureiras ou alfaiates espalhados pela cidade.
As lojas de tecidos eram mais conhecidas como “Casas de Fazendas”. Na maioria dessas casas, não havia grandes preocupações com a decoração do ambiente, os proprietários se empenhavam principalmente, com a qualidade das mercadorias, quase todas importadas, vendedores educados e vitrines de alto nível.
A denominação “casa” seria uma referência a “Maison” uma vez que à época estava em voga o uso de expressões que lembravam a cultura francesa.
A Cearense, localizada na Rua Barão do Rio Branco, bem no meio do chamado "quarteirão sucesso". Construída à semelhança de grandes “maisons” parisienses, com gigantesco salão bastante requintado, com ambientes de espera e nichos iluminados para exposições de peças finas. De propriedade de Aprigio Coelho de Araújo, A Cearense tinha um slogan: a casa que cresce diminuindo os preços.
ao contrário da maioria, A Cearense investiu bastante na decoração da loja e era um dos espaços mais requintados de Fortaleza na década de 40. 
A Broadway era uma loja bem menor em instalações, mas exercia enorme fascínio na clientela de alta classe social, pois só trabalhava com tecidos finos. De propriedade de Alberto Bardawill, estava localizada na esquina das ruas Guilherme Rocha com Major Facundo.
A Rianil localizada na Rua Floriano Peixoto entre as travessas São Paulo e Pará possuía as mais famosas vitrines da cidade. Era uma loja toda azul numa alusão ao Rio Anil no Maranhão, em cuja capital, São Luis, ficava a matriz. 
A cor do prédio também servia para a divulgação do slogan: “Rianil, a loja azul da Floriano Peixoto”.
Loja Rianil na Floriano Peixoto 
A loja Ceará Chic, localizada na Rua Floriano Peixoto, no extremo sul da Praça do Ferreira também tinha o seu ponto alto nas vitrines bem elaboradas, e também só trabalhava com tecidos finos.
Sua vizinha Rainha da Moda ficava na esquina em frente ao Cine moderno, também vendia tecidos além de bolsas, sombrinhas, e outros acessórios.
Na esquina das ruas Floriano Peixoto e São Paulo, ficava A Central, de propriedade de Pedro Lazar. Vendia tecidos, e era muito popular.
Na linha popular estavam as Casas Novas, três lojas localizadas nas ruas Major Facundo e Floriano Peixoto. A empresa patrocinava um programa de rádio nas noites de segunda-feira na PRE-9, apresentado pelo radialista José Limaverde, chamado “coisas que o tempo levou”. Seu proprietário Gutemberg Telles tinha noções de marketing e propaganda, usava faixas e panfletos para atrair os clientes.

A Casa Plácido só vendia produtos importados 
A Casa Plácido, do comerciante Plácido de Carvalho, estava situada na Rua Major Facundo, ao lado do Excelsior Hotel. Tudo era importado da europa: tecidos, confecções masculinas e femininas, perfumes, móveis, luminárias, leques, louças, cristais e pratarias. Depois da primeira guerra, quando a Europa reduziu a produção de bens, o comerciante revendeu tudo que a Europa precisava, a preços elevadissimos.
Muitos outros estabelecimentos contaram a história do centro de Fortaleza nesse período específico; mas seguindo a dinâmica que anima as grandes cidades, esses locais fecharam, quebraram ou apenas sumiram, cedendo os espaços para novos empreendimentos.

Fonte e origem das fotos:
 Royal Briar A Fortaleza dos Anos 40
De Marciano Lopes

3 comentários:

Lúcia Paiva disse...

Oi, Fátma!

Neste "post" vc faz referêcia à "Rainha da Moda",era mesmo em frente ao Cine Moderno. O prédio ainda permanece alí (milagre!!), tal e qual era....esquina de Mj. Facundo com Pç. do Ferreira.

A gente pode apreciá-lo na postagem
do dia 2 ou 3 do o9/10, sobre o Centro...,vizinho à Casa Pio...atualmente o prédio é cor de goiaba(do lado de dentro e da vermelha..rsrsrs).

Beijos!
Lúcia

Fatima Garcia disse...

Oi Lúcia,
eu lembrava que tinha feito um post sobre as lojas, só não liguei o local. Ainda bem que tenho vc p/me lembrar.
bjs

Mirna disse...

Que lembranças bonitas. Obrigado por contar a história do lugar. Minha avó sempre me conta histórias de sua vida. Como foi o país e do mundo, quando ela foi jóven.Mi avó comprou perfume lá. Antes não era tão comum viajar e ficar perfumes femininos importados.