segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A História de Zé Tatá


Em épocas antigas era comum os comerciantes terem seus estabelecimentos no térreo e residirem no piso superior. Quando os comerciantes se mudaram do centro, os sobrados foram ocupados pelas pensões e cabarés. (arquivo Nirez)

José Vicente de Carvalho  ou simplesmente Zé Tatá, era empresário da noite em Fortaleza, proprietário de diversas casas noturnas que ficaram na crônica e na memória da cidade.  A Pensão Ubirajara funcionava na Rua Major Facundo entre as Ruas Senador Alencar e São Paulo, depois  se transferiu para um sobradão antigo com escadaria de madeira.

A Boate Tabariz ficava na Rua Pessoa Anta n° 120, onde mantinha música ao vivo. Foi neste estabelecimento que Zé Tatá  obteve maior êxito no ramo, pela exuberância do local e pela grande frequência. Depois  o empresário abriu a Pensão Hollywood, na Rua Barão do Rio Branco.

Zé Tatá era uma figura exótica, com aproximadamente dois metros de altura, com quase 120 kg de massa corpórea, traços fisionômicos corretos, prolongada calvície, cor parda, semblante alegre, bem trajado, sem muita afetação,  com sandália quase femininas, mas com roupas adequadas.

Participava ativamente das festas carnavalescas. Durante o período momino se fantasiava e fazia parte do Bloco das Baianas. Com seu porte gigantesco, vestido à La Carmem Miranda, ocupava posição de destaque no bloco, recebendo calorosos aplausos de quantos assistiam o corso que se iniciava na Avenida Dom Manuel, percorria a Avenida Duque de Caxias e ia até a Avenida Padre Ibiapina.

Na rua o homenzarrão despertava curiosidade de todos,  quando circulava sua figura portentosa pelo centro da cidade,  sem jamais ser importunado com vaias, assobios,  piadas ou pilhérias - uma espécie de marca registrada do centro - isto porque, o homossexual mais assumido da época, tinha também o seu lado macho e quando entrava num entrevero, não levava desvantagem.  Com fama de brigão e de não levar desaforo para casa, Zé Tatá atravessa o quartel general do Ceará moleque – a Praça do Ferreira – sob olhares curiosos e bocas bem fechadas.

Na Boate Tabariz – Zé Tatá era quem abria as festas, rodopiando no salão, escalando para seu par uma dançarina que bem pudesse representar o cabaré. A escolhida era quase sempre uma certa Francisca ou na falta desta, Das Dores ou Clébia. De repente todos os presentes começavam a dançar com muita animação e o cabaré se inflamava com as músicas de diversos ritmos.

Um aspecto que era rigorosamente observado pelo proprietário, dizia respeito aos frequentadores dos seus cabarés, que se porventura, com ele cruzasse nas ruas do centro de Fortaleza ou no Mercado Central, onde diariamente fazia suas compras, demonstrava que não conhecia ou simplesmente acenava com o olhar, num cumprimento cauteloso, para não ser notado por outras pessoas nem comprometer o nome e a reputação do cliente.


Mas quem subisse as escadarias de qualquer uma das casas noturnas do temível Zé Tatá, tinha assegurado um tratamento atencioso, um ambiente discreto e seguro e todas as diversões que as noites proporcionavam.

viaduto da FEB, que a cidade chama de Tatazão

A homenagem da cidade ao Zé Tatá, foi dar o nome de Tatazão ao famoso viaduto da Avenida Alberto Nepomuceno, esquina com a Rua José Avelino – antiga Rua Mesquita, pelo fato de se situar o último estabelecimento comercial e residencial no início da primeira quadra da mencionada Rua José Avelino.

Extraído do livro de Zenilo Almada   

6 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Sempre ouvi falar do Zé Tatá, e sabia da homenagem a ele, batizndo-se de Tatazão, ao viaduto. Mas não conhecia a história dele. Aí está, e muito bem contada. Além da excelente ilustração da postagem, com ótimas fotos.
Um abraço

Fátima Garcia disse...

É um personagem bem interessante, tem muitas histórias sobre ele que contam por ai.
bom feriado

Anônimo disse...

Contam que certa feita estava frequentando o estabelecimento um certo aspirante a tenente arrogante e metido a valente do exército pelo qual Zé Tatá se agradou e como o militar era homossexual ativo, foi com Zé Tatá para o quarto, onde pouco depois de meia hora se inicia uma briga é Zé Tatá de posse de um revóler obriga o Sub oficial a trocar as posições, os que viram disseram que o rapaz saiu do quarto com lágrimas nos olhos.

Fátima Garcia disse...

eu imagino!rsrsrsr

Lucas disse...

O povo para acreditar em qualquer besteira.

paulus disse...

Pouca gente sabe, mas Zé Tatá também tinha o seu lado de gay ativo e até bissexual (ocasionalmente transava com mulheres também). Ele mesmo referia-se a essa preferência periódica pelo sexo feminino como "recaída". Quando isso acontecia, elegia uma das mulheres de seu cabaré Como preferida. Dizem que ness as ocasiões tirava o atraso due sea abstinência vaginal.