domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os Clubes Suburbanos

O Baile da Marinha era um dos eventos mais elegantes da cidade na década de 1950
(foto de dezembro de 1953 - acervo Blanchard Girão)

A elite e a classe média dividiam espaço no recesso dos clubes elegantes da Fortaleza durante  décadas, até por volta dos anos 60/70:  Ideal, Náutico, Iracema, Diários, Maguary, Comercial e Massapeense. Os grandes eventos e os encontros de amigos aconteciam no ambiente distinto e seguro das maiores agremiações. 

um carnaval de luxo e distinção - este era o bloco oficial do Náutico em 1954
(acervo Blanchard Girão)


Fortaleza, porém, não era feita apenas do mundo elegante. Outros segmentos tinham seu espaço próprio e participavam ativamente de animadas reuniões festivas, especialmente nos finais de semana. 
Em muitos bairros existiam clubes, a maioria pequenos, mas não menos movimentados. Alguns típicos de classe média, outros, de classes menos favorecidas, mas, todos vivendo uma fase de grande efervescência.
Os militares de patentes mais baixas, suboficiais e sargentos, freqüentavam suas próprias agremiações: o Clube General Sampaio congregava o pessoal do exército. Tinha sede no Benfica, com bar e restaurante organizados, sempre com boa freqüência.
Os sargentos da Aeronáutica tinham seu ambiente especial no Ícaro, na Avenida Visconde do Rio Branco, bairro de Joaquim Távora, com festas de grande prestígio aos sábados e domingos. 
No mesmo bairro Joaquim Távora, bem próximo ao Ícaro, ficava o Suerdieck, que viveu uma fase de grande esplendor, promovendo bailes monumentais , inclusive patrocinando concursos para a escolha da Miss Suburbana, uma espécie de miss Ceará alternativa. 
Ainda na Visconde do Rio Branco já próximo ao centro, estava o 24 de Maio, que aliava sua condição de time de futebol de muita força na Segunda Divisão, a uma intensa atividade social em sua sede, onde às festas costumavam comparecer centenas de jovens.
Havia o Santa Cruz, que teve como presidente Francisco Dutra, um dos primeiros sócios do Ferroviário e antigo árbitro de futebol da Primeira Divisão do futebol cearense. Apesar da proximidade com o Cemitério São João Batista, promovia grandes bailes de carnaval e festas nos finais de semana, com muitos freqüentadores. 

Sede social do Gentilândia Futebol Clube (arquivo Nirez)

Não menos animados eram os bailes do Jabaquara, onde a presença mais notada era a de Valfrido Coelho, o “Pimpolho” ex-jogador de futebol, folião de primeira hora, e um dos criadores do famoso Cordão das Coca-Cola. O Jabaquara teve seus tempos áureos quando mantinha sede na Avenida Carapinima, no Benfica. 
Também no Benfica ficava o Gentilândia Futebol Clube, onde a freqüência, notadamente a masculina era predominantemente de alunos da Universidade, daí o apelido de dado pela imprensa de time dos acadêmicos. 

O Vila União no bairro do mesmo nome é um dos clubes que ainda resistem 


Na Fortaleza provinciana também havia festas animadas nos salões do Terra e Mar, no Mucuripe, do Rio Branco, no Antonio Bezerra, do Trilho, na Volta da Jurema e em inúmeros outros pequenos e médios clubes suburbanos, que agitavam fins de semana e períodos carnavalescos, hoje desaparecidos em sua quase totalidade.

Fonte:
Sessão das quatro, cenas e atores de um tempo mais feliz, de Blanchard Girão 

4 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Ah! o tempo dos das tertúlias, dos bailes! Minhas duas irmãs e eu frquentávamos, com as amigas do bairro,os Clube General Sampaio e o Ícaro. Os dois ficavam relativamente perto de nossa casa. Ia-se a pé. Eu adorava dançar bolero!
Bom demais!

Fátima Garcia disse...

Pois é Lucia, não foram só os clubes elegantes que venceram o prazo de validade, os dos bairros também. Hoje eles nem seriam mais classificados como suburbanos, porque essa denominação era por causa da distância em relação ao centro. Hoje, seriam todos centrais. Acho que o que determinou o fim dessas agremiações foi a insegurança, qq evento nos dias atuais acabam em confusão e pancadaria.
bjs

florbela disse...

Vários clubes não foram citados: Acrem, Secai, Tiro e Linha, Romeu Martins, Comercial, Internacional, e outros mais.

Paulo Cesar Gonçalves disse...

FREQUENTEI MUITO O ACREM há mais de 50 anos cujo presidente era o José Nilson. gente finíssima. Tempos de estudante com pouco dinheiro, ele frequentemente nos punha para dentro sem pagar. Era uma maravilha tomar a cerveja observando o casais a dançar ao som de conjuntos amadores com suas guitarras "feitas em casa".Uma pena ter acabado