quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bairros de Fortaleza: Pirambu


A área original do que era Pirambu foi dividida em pequenos bairros pela Prefeitura de Fortaleza: Tirol, Nossa Senhora das Graças, Quatro Varas e Cristo Redentor . Como ninguém consegue definir onde termina um e começa o outro, para efeito desse post, consideramos o Pirambu como a área que fica entre a os Bairro Moura Brasil e o Cristo Redentor, limitada pela Avenida Leste-Oeste e o Oceano.  
   
O bairro é cortado por uma das principais avenidas de Fortaleza, a Leste-Oeste

O Pirambu está localizado no litoral oeste de Fortaleza. Sua origem remonta ao final do Séc. XIX,  quando a capital recebeu levas de flagelados que fugiam das secas que assolavam o interior do estado. 
A população indigente foi se alojando em barracos,  em terrenos próximos à ferrovia, às indústrias, à zona de praia, e às margens dos rios, áreas desprezadas pelos grupos sociais de maior poder aquisitivo. 

 As ruas sem alinhamento denunciam o caráter informal/ilegal da ocupação da área

 o desnível do terreno é um indício de que em tempos passados esta pode ter sido uma área 
de dunas


Apesar de pequenos, esses aglomerados começaram a se tornar visíveis a partir da década de 1930, quando começaram a ser apontados como locais de extrema pobreza, moradias precárias, alta insalubridade e altos índices de violência.
Em meados da década de 1940 os dois bairros mais pobres eram o Arraial Moura Brasil, na parte baixa da cidade, localizado entre a linha férrea e a região de praia, e o Pirambu localizado na praia a noroeste do centro. 

 o emaranhado de fios de alta tensão transmitem uma impressão de precariedade e risco à segurança dos moradores

com vistas para o mar 

O Pirambu era considerado um prolongamento do Arraial Moura Brasil, tanto na base territorial quanto no sofrimento do povo.  Mas o Pirambu foi à luta. Desde 1948 possuía uma sociedade feminina constituída para lutar contra a ameaça de expulsão dos moradores do bairro e a favor de melhorias urbanas. A maioria dos moradores não pagava aluguel, porque seus casebres estavam em terrenos de marinha. 
O ônibus que fazia a linha do bairro tinha o seu ponto final na Rua Braga Torres, logo depois de passar pelo Moura Brasil. Ali começava o Pirambu. Na continuação dessa rua ficava um trecho muito habitado, dos dois lados, formando uma longa rua. 
Num riacho situado entre o Pirambu e o Moura Brasil havia uma ponte estreita, chamada de pinguela, que só dava passagem a uma pessoa de cada vez e no inverno o povo tinha que caminhar dentro d’água. 


A Sociedade Feminina do bairro solicitava o calçamento das ruas, reivindicava remédios, empregos e alimentos. Nas décadas de 1940/50, O Pirambu ainda era um subúrbio, onde se misturavam casebres e palhoças ocupadas por operários, pescadores, lavadeiras, e empregados domésticos. 

Em uma carta ao Jornal o Povo, um leitor faz um comentário sobre o Pirambu: “estão sendo construídos casebres, e mais casebres em propriedade privada, sem plano, sem licença, sem nenhuma norma legal... até casas edificadas no espaço reservado às ruas... criando sério e insolúvel problema para a higiene e estéticas locais, com uma favela a mais e uma praia a menos...”  

Unidade hospitalar na rua Nossa Sra. das Graças
A situação no bairro só começou a melhorar com a construção da Avenida Leste-Oeste na década de 1970 e a implantação do saneamento básico nos anos 90, gerando perspectivas de melhorias para seus moradores. 

 Fortaleza dos contrastes: uma das áreas mais pobres da capital  emoldurada pelo metro quadrado mais caro da cidade: o Meireles

lixão na beira do mar

Mas o desenvolvimento local, não foi do tamanho esperado pela população: O Pirambu é o bairro mais populoso de Fortaleza e apresenta maior densidade populacional do Brasil, com 40 mil habitantes por km2. 
A comunidade tem baixos indicadores sociais, com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de apenas 0,391, classificando-se entre os 10 piores da Capital cearense.


A área que cresceu muito nos últimos anos, é ainda conhecida por ser uma das mais perigosas; a falta de moradia e o desemprego são, ainda, graves problemas sociais.E conta com famílias que ocupam a faixa de praia, onde estão expostas a riscos como avanço da maré, deslizamentos de encostas, insalubridade, doenças e total insegurança.
Vários projetos, associações e ONG's atuam na área do Pirambu, na busca de melhorar a qualidade de vida dos moradores, equacionar problemas estruturais e dessa forma, mudar a história do bairro, contada por anos e anos de pobreza, preconceito e exclusão social.  


fotos: Raquel Vianna
(fevereiro de 2011)
fontes:
Jucá. Gisafran Nazareno Mota. Verso e Reverso do Perfil Urbano de Fortaleza (1945-1960). São Paulo: Annablume; Fortaleza: SECULT, 2000
Costa, MCL. Fortaleza: expansão urbana e organização do espaço. In_____Silva, José Borzacchielo da; Cavalcante, Tércia C; Dantas, Eustógio W.C (org). Ceará: um novo olhar geográfico. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2005. 
WIKIPÉDIA

26 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Conheci o Pirambu quando nem existia rua entre a favela e a areia da praia.Era pobre,mas uma pobreza menos indigna. Como pode, um bairro crescer tão desordenadamente, comm tanta miséria, sendo tão "coladnho" a bairros nobres....
É.....não temos um administrador, afinal de contas!

Anônimo disse...

Trabalhei no Pirambu,à noite,numa escola de ensino médio e nunca tivemos problema nenhum com os alunos que eram então orientados por padres como o padre Caetano que ficou conhecido na cidade toda.Na verdade o bairro não era tão populoso como hoje e a violência não andava solta.Mudou para pior.

Fátima Garcia disse...

O Padre Caetano deu uma grande contribuição à cidade e ao bairro do Pirambu e arredores, prestando assistência religiosa, social e material ao povo da comunidade. Faleceu no primeiro dia do ano de 2010, deixando um legado de amor ao próximo e uma comunidade órfâ(mais uma vez)

Gislaynne Lourenco disse...

oi gostei muito do material sobre o pirambu gostaria de saber como faco para adquirir este material e outros se tiverem, moro no pirambu sou uma defensora dele e alem de tudo tenho um trabalho onde tenho que mostrar para meus colegas de trabalho a origem dele, pontos fortes e fracos enfim tudo sobre este tao honroso bairro, se possivel, desde ja agradeco meu email de contato e: gislaynne_ballet@hotmail.com
ass: gislayne lourenco

Fátima Garcia disse...

Olá Gislaynne,

vou reunir o material e enviar para o seu email.

Fátima Garcia disse...

De acordo com o IBGE - censo 2010, os limites do bairro Pirambu, são
Ao Norte, Oceano Atlântico;
A Leste, Av. Philomeno Gomes;
Ao Sul Rua Marinho Andrade; e
A Oeste, Avenida Pasteur.
nem sempre essa delimitação feita pelo IBGE coincide com a da Prefeitura.

Elierton Meneses disse...

Oi gente!
Partilhar as coisas do cotidiano de um bairro com o Pirambu, hoje, Nossa Senhora das Graças e Cristo Redentor, é de extrema relevância e, sobretudo, muito interessante saber reúne-se aqui várias gerações... Tenho um pequeno estudo sobre este privilegiado bairro, porém meus dados estão desatualizados. Gostaria de saber se alguém possui informações do IBGE sobre a quantidade de igrejas e capelas católicas, igrejas evangélicas e terreiros de umbanda existente no bairro

Fátima Garcia disse...

Olá Elierton,
O IBGE faz essa estatística no censo, mas a publicação demora um pouco mais do que a contagem da população. Mais ou menos em maio, procurei por esses dados e eles disseram que não estavam prontos. Quem sabe agora, já estejam disponíveis.
www.ibge.gov.br

Elierton Meneses disse...

Oi, Fátima!
Obrigado pela gentileza. Vou ficar verificando no site do IBGE e, tão logo tenha esta informação, compartilho com todos.

Anônimo disse...

Olá, gente boa de Fortaleza q compartilha não só conhecimento, mas, vivência neste espaço de nossa cidade. Eu compartilho q os mais antigos contavam q o Pirambú, era sim, iniciado da rua atrás da Marinha, Escola de Aprendizes Marinheiros, indo sentido Barra do Ceará. Da Av. Francisco Sá, descendo sentido praia, até a própria praia.O Pirambú, fora dividido em 09 (nove) bairros, entre eles, alguns como: Tyrol, N. Sra. das Graças,Vila Santo Antônio, Colônia... O bairro Moura Brasil, iniciava na Rua Pe. Mororó, subindo, sentido nascente. Portanto, ficava no meio, o bairro de Jacarecanga, bairro "nobre" da cidade. Há uma monografia de uma professora da UFC, resgatando a história deste bairro. Espero ter contribuído de alguma forma. Ah! Ia esquecendo de informar q existe no Pirambú, um centro comunitário Luiza Távora, onde resguarda toda a história documentada do Pirambú, assim, podem visitá-lo e verificar em loco a história supra-citada. Ione Freire.

Anônimo disse...

Olá, gente boa da nossa cidade de Fortaleza, que não só compartilha conhecimento, mas, vivência. Contavam, os mais antigos, que o bairro do Pirambú, tinha seu início, por trás da Marinha, Escola de Aprendizes Marinheiros, indo sentido Barra do Ceará.Da Av. Francisco Sá, descendo sentido praia, até a própria praia. O bairro fora dividido em 09(nove) "bairros", alguns como: Tyrol, N. Sra. das Graças,Vila Santo Antônio, Colônia... Toda a história, pode ser encontrada no Centro Comunitário Luiza Távora,onde é resguardada através de documentos. Já o bairro Moura Brasil, iniciava na Rua Pe. Mororó, subindo sentido nascente, abrangendo todo o morro. Ficando no meio, o bairro de Jacarecanga, o qual, era conhecido como bairro "nobre" da cidade. Há uma monografia de uma professora da UFC que resgata toda a história deste bairro. Espero ter contribuído de alguma forma. Ione Freire.

washington disse...

olá, meu nome é Washington Luiz; atualmente moro em Belo Horizonte - MG. Morei no bairro Cristo Redentor no ano de 2001, na casa missionária da Igreja católica pertencente à Comunidade Shalom. Conheci de perto a pobreza, mas a humildade e o desejo de ser melhor de alguns moradores. Também conheci de perto o Pe. Caetano, um grande homem, por sinal. Quero apenas dizer que foi com muita alegria que vi as fotos e o texto desse blog, que ficaram muito bons. Porém grande alegria mesmo foi rever essa terra boa de Fortaleza, mesmo por fotos. Abração a todos e se alguém que acessar esse blog me conhecer,pode comunicar-se comigo no Face Book: Frei washington, Belo Horizonte. obrigado!

Fátima Garcia disse...

Olá Washington,
obrigada pela visita ao blog, ilustramos nossos assuntos com fotos atuais, para que pessoas como você, que estão ausentes da cidade, possam rever os lugares de seus afetos.Espero que o pessoal que conviveu com você possa lhe reencontrar por aqui.
abs

Fátima Garcia disse...

Olá Ione Freire,
obrigada pela visita e pela dica.
valeu!

Francisco Cavalcante disse...

Eu só lembro do Pirambu de 1963/64,(lembro porquer gostava de arrancar o papel da FOLINHA do dia anterior) das dunas de areias em que brincava com uma tábua(tabinha escorregadeira) descendo morro abaixo no conhecido morro do Japão, do jogo de BILA, de soltar ARRAIA(pipa/papagaio)da praia do pescador, da barra do ceará,praia de iracema, da antiga Hospedaria onde ficavam os flagelados da seca...do buraco do santo antonio(reformatorio).... ahh e tambem do papafigo... hehehehe,tempo bom que não volta mais...eu morava na rua são francisco, 114,(tambem lembro disso) mas saimos de fortaleza(eu minha mãe e meu pai de criação) dessa viagem fomos parar em Belém do Pará,em 1964 eu tinha 7 anos de idade,hoje moro em Boa Vista - Roraima, tenho 54 anos de idade, mas... ainda não tive oportunidade de dar uma volta no Ceará... meu pai biológico trabalhava ou tinha onibus que fazia linha Pirambú/Carlito Pamplona... acho que era isso... tambem nunca mais tive noticias dele, parece que o nome dele era Efigenio, mas era mais conhecido como Cagalha.
Eita... escrevi um jornal...

Francisco de Assis
cavalcante.francisco@gmail.com

Francisco Cavalcante disse...

Eu só lembro do Pirambu de 1963/64,(lembro porquer gostava de arrancar o papel da FOLINHA do dia anterior) das dunas de areias em que brincava com uma tábua(tabinha escorregadeira) descendo morro abaixo no conhecido morro do Japão, do jogo de BILA, de soltar ARRAIA(pipa/papagaio)da praia do pescador, da barra do ceará,praia de iracema, da antiga Hospedaria onde ficavam os flagelados da seca...do buraco do santo antonio(reformatorio).... ahh e tambem do papafigo... hehehehe,tempo bom que não volta mais...eu morava na rua são francisco, 114,(tambem lembro disso) mas saimos de fortaleza(eu minha mãe e meu pai de criação) dessa viagem fomos parar em Belém do Pará,em 1964 eu tinha 7 anos de idade,hoje moro em Boa Vista - Roraima, tenho 54 anos de idade, mas... ainda não tive oportunidade de dar uma volta no Ceará... meu pai biológico trabalhava ou tinha onibus que fazia linha Pirambú/Carlito Pamplona... acho que era isso... tambem nunca mais tive noticias dele, parece que o nome dele era Efigenio, mas era mais conhecido como Cagalha.
Eita... escrevi um jornal...

Francisco de Assis
cavalcante.francisco@gmail.com

Fátima Garcia disse...

olá Francisco de Assis,
ach que você vai ter uma agradável surpresa ao voltar ao Pirambu, muita coisa melhorou, muita coisa ainda precisa ser feita, mas no geral, o saldo é positivo. Vejo também que você tem nítidas lembranças do que viveu no bairro. No final da contas é sempre assim: a gente sai da cidade, mas a cidade não sai da gente.abs

HELENICE disse...

MOREI NO PIRAMBU ATE 1974 .. MORAVA NA AV NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS..HOJE MORO EM SÃO PAULO,MAS NÃO ESQUECI MINHA INFANCIA E ADOLECENCIA PASSADA.AI AS TERTULHAS KKKKK PAQUERAS .ESCOLA MONSENHOR HELIO CAMPOS . SAUDADESSSSSSSSSSS

Fátima Garcia disse...

Helenice, é provável que você nem reconheça o Pirambu hoje, o bairro cresceu e se modernizou. Legal né?
abs

Ivam Peixoto disse...

Olá Sra Fátima, sou nascido em 1955 no Pirambu e morei até completar os 13 anos, me chamo Ivam Peixoto, morei na Rua 7 de setembro, meu pai (Miguel Peixoto) foi presidente do círculo operário, meu pai Miguel Peixoto hj com 90 anos conta causos com o tenente barroso que invadia os terreiros de macumba, fala do Padre Helio subindo descendo as dunas num jipe do exercito, da assistente social "Dona Aldaci" eu me lembro Dona Zaranza - diretora do colégio com uma régua de madeira de um metro acertando nossas pernas no recreio. Pegando buxexa nos ônibus da São Vicente de Paula, comendo sirizinho vivo nas piscinas de pedra da praia, nas enxurradas nas ruas sem rede pluvial (acho que até hj nao tem) descer rua abaixo na vala de agua até se esborrachar nas calçada do buteco do Sr Diomedes. Eta saudade arretada. um abraço e parabéns pelo blog.

Fátima Garcia disse...

quanta lembrança boa, né Ivam Peixoto? abraços p/vc e p/ o seu pai.

Anônimo disse...

Queria que vc mim desse noticia de uma irmã que tenho que nunca eu vir pois ela e por parte de pai nos morava na rua macilio dias 904 essa rua fica atrás da igreja nossa senhora das graças foi guando minha mãe faleceu eu e uma irmã tevemos que ir morar com nossos avos mas meu pai continou ai mas ele faleceu e eu tenho essa irmã que continua ai na mesma casa der noticia dela pra mim meu nome e antonio Alves martins o meu pai se chamava benedito rodrigues martins meu telefone 92991303944.

Dida disse...

Minha mãe nasceu em Fortaleza e morou no Pirambu no ano de 1947. Ela fala que meu avô trabalhava na light(onde fornecia luz elétrica), quando vinha do serviço, ele tirava a roupa e dobrava, colocava na cabeça preso com o cinto, e vinha nadando. Mas ele fica com calção. Ela lembra também que quando chegava na porta da cozinha via o mar. E que tinha uma cacimba onde ela tomava banho. Dos navios passando mar e pescadores na jangada.Hoje ela tem 71 anos e moramos em São Caetano do Sul, SP desde 1972.No Pirambu ainda mora uma prima da´minha avó.Que eu e minha mãe fomos visitar no ano passado.Sou também cearense com muito orgulho. Abraço.

Anônimo disse...

meu nome é marcelo morei no pirambu desde que nasci de 70 a 85 hoje moro no interior de são paulo mais tenho muita vontade de reve minha querida escola centro educacional dom hélio campos,e rever o bairro nossa senhora das graças morei nessa rua,deixei mui.um dia voltarei para rever minha linda cidade.hoje estou com 46 anos.

Anônimo disse...

Meu nome é Geraldo, hoje com 54 anos Na minha infancia morei no bairro Nossa Senhora das Graças. Lembro que lá havia uma horta, era bem grande, com o seu catavento. Havia, também uma sapataria, não me recordo bem o nome do dono, acho que era Sr Nepomuceno, um dos filhos chama-se Rangel o outro atendia por "costinha" e havia uma moça, acho que Rejane. No bairro existia uma mercearia que levava o nome do dono "Mercearia do Geraldo" e que proximo da mercearia havia uma escola, onde estudei, mas não recordo o nome.
Foi nesse bairro que iniciei minha vida escolar, escola da D. Graça, cuja filha chava-se letícia (se não me falha a memória e não troquei os nomes). A alfabetização foi na cartilha ABC, cartilha grande, com as letras do alfabeto e era ilustrada com fotos. Êta saudade dos tempos memoráveis...reminiscências...orgulhoso de ter morado nesse bairo...Tantos anos fora, mas amo por demais essa terra!

elba morena disse...

alguém pode me falar sobre as prais antigamente no pirambu cerca de 1800