segunda-feira, 4 de julho de 2011

Novamente O Centro de Fortaleza

Praça do Ferreira na década de 1930

Abandonado pelas camadas de alta renda e esvaziado, no que se refere às atividades de lazer, cultura e administração, o Centro Histórico de Fortaleza foi apropriado pelas camadas populares. 
Nos anos 1980/90 o centro tornou-se uma área tipicamente comercial e de serviços direcionada à população pobre e de classe média da periferia. Suas praças antes voltadas para o lazer dos segmentos abastados, foram sendo convertidas em terminais de ônibus, a exemplo da Praça José de Alencar, Praça Castro Carreira, Praça do Coração de Jesus ou em comércios informais, como a Praça da Lagoinha, Cidade da Criança.

Praça José de Alencar - década de 1970

A consolidação da Aldeota como área de lazer, comércio e serviços na década de 80, levou à decadência do Centro Histórico de Fortaleza.  Um dos sinais mais evidentes de como a chegada dos shoppings centers ajudaram a esvaziar o centro, foi o fechamento dos cinemas da região,  O Jangada que encerrou as atividades 1996, o Diogo em 1997, o Fortaleza, em 1999.

Prédio onde funcionou o antigo Cine Diogo, agora Shopping Diogo

O Cine São Luiz ainda resistiu por algum tempo, mas também foi vencido pela nova dinâmica da cidade. Com o esvaziamento e a consagração do comércio da zona leste, as ruas do Centro foram invadidas por milhares de camelôs, com e sem barraquinhas, onde vendem inúmeros produtos populares de procedência duvidosa, sem garantia, sem emissão de documento fiscal, havendo a suspeita de que muitos sejam contrabandeados ou falsificados.

Rua General Sampaio

Somente após os anos 1970 enfatizou-se o tratamento da questão do comércio ambulante no Centro, visto que entre as décadas de 1930-1960 a Prefeitura dispensou alguma atenção aos camelôs, praticamente através da adoção de medidas repressivas e disciplinamento, pautadas em questões relativas ao trânsito e a higiene. 
A partir do final dos anos 1970, começaram a adotar políticas de urbanização relacionadas ao uso do espaço público, visando implantar  medidas que promovessem o controle, o disciplinamento e ordenamento daquelas práticas populares de comércio.

Rua Liberato Barroso: intransitável. E uma preocupação: o que acontecerá caso haja um incidente (como um incêndio por exemplo)  

Ainda que a prefeitura tenha tentado controlar esse processo de ocupação do espaço público, seja por meio de recadastramento, seja por restrições e delimitações de área de comércio, a questão nunca foi resolvida – ao contrário, a quantidade de ambulantes sempre aumentava, bem como a área ocupada por eles, como a Praça da Estação e o Beco da Poeira. 

Praça do Ferreira

As tentativas de transferência dos camelôs para mercados públicos, ou áreas de maior infraestrutura foram  infrutíferas, porque os vendedores preferem permanecer no Centro, em razão da grande concentração de consumidores de baixa renda.
Sem a presença das classes dominantes, a área foi negligenciada pelo poder público: tudo está deteriorado  e com ares de abandono: calçadas estreitas e ocupadas, fachadas sem manutenção, intensa poluição visual e sonora, falta de segurança, trânsito caótico e escassez de estacionamento. 
Rua Liberato Barroso num domingo à tarde

Criou-se um circulo vicioso de segregação espacial e deterioração.  Ao consolidar-se como área de comércio para os pobres, o Centro teve reduzidas suas possibilidades quanto a demanda por melhor qualidade espacial, na medida em que o poder de pressão das camadas populares é pequeno e o Estado dá prioridade ao atendimento dos setores mais abastados, que não tem interesses  na área central.

extraído do livro:
Fortaleza, uma breve história, de Artur Bruno e Airton de Farias.  

10 comentários:

Ana Luz disse...

A primeira foto,de Fortaleza antiga possui uma aparência de nobreza,parece fotos de cidades européias,contrastando com a grande favela em que transformou o centro da capital cearense .

Fátima Garcia disse...

coloco essas fotos de propósito, para que possa ser avaliado o quanto a cidade está degradada. Uma pena!

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Um diferença enorme, da primeira para as demais. Parece outra cidade. Com enfeia, essa cameloadada toda. Gostei de rever a faixada do Shopping Diogo, ainda bem que conservaram essa linda entrada, em arco. Como entrei aí, para ver lindos filmes, nos anos 50
e 60. Tudo que é bom, nessa terra, se acaba...

É muito bom, comparar o velho com o novo, para a crítica...
Boa noite, Fátima

Anônimo disse...

Adoro Fortaleza, mas é uma pena que os cearenses tenham que se submeter a um trabalho duro de "vendedores ambulantes", além de jordana dura, acabam com a nosso centro.

Fátima Garcia disse...

Olá anônimo, também acho que tinha de haver um local adequado para que os ambulantes pudessem exercer suas atividades. Um local central,com alguma estrutura, que oferecesse algum conforto, tanto para os vendedores quanto para os clientes.
Mas sinceramente, não vejo nenhuma luz no final desse túnel.
abs

Anônimo disse...

Semana passada fui conhecer Fortaleza. Achei o centro da cidade um horror.

Fátima Garcia disse...

anônimo,
o centro de Fortaleza está abandonado, sujo e degradado. Em suma, está um horror!

Andrezza Helen disse...

Realmente está sim tudo muito feio. Mas se vocês parem para refletir, isso não é culpa somente do governo. Não estou defendendo, acho que o governo, se quisesse, teria resolvido muitas coisas aqui, sei também o quanto o mesmo é CORRUPTO e tal... mas e a população? afinal de contas, não é o PRESIDENTE nem o PREFEITO e muito menos o GOVERNADOR que anda por la. SOMOS NÓS!! Será que todos que estão reclamando utilizam os espaços de FORTALEZA com cuidado??? EU TENHO CERTEZA QUE NÃO! PARECE CLICHÊ OU BOBAGEM, MAS SIM NÓS TEMOS QUE FAZER A NOSSA PARTE, ATÉ PRA RECLAMAR NÓS TEMOS QUE 1º FAZER NOSSA PARTE!!!!! É ISSO, FORTALEZA ESTÁ ASSIM POR CULPA MINHA, DA FÁTIMA GARCIA, DO ANONIMO, DOS GOVERNADORES, DE TOOODOS NÓS!!

ASS: ANDREZZA HELEN (andrezzahelen06@gmail.com)

Andrezza Helen disse...

Se vcs reparem a culpa de FORTALEZA está desse jeito não é somente do governo. Não estou defendendo, sei o quao SUJO e PREGUIÇOSOS eles são. Mas não são eles quem usam aquele tal espaço, se duvidar eles nem aqui moram. Então será que você alguma vez, não jogou um papel de bombom no meio da rua, podendo colocar no bolsa, dentro da calça ou sei la, da um jeito de não o rebolar no chão, ou a garrafinha de água, tooodo barraquinha tem um saco pra lixo, será que vc não tem CORAGEM de perdir: "por favor, vc tem um lixo q eu possa colocar essa garrafinha?". DUVIDO QUE ALGUEM FAÇA ISSO. ENTÃO, SE NAO FAZEMOS NOSSA PARTE QUEM VAI FAZER?? SE NÓS QUE USAMOS AQUELE TAL ESPAÇO NÃO CUIDAMOS, QUEM VAI CUIDAR? O DEPUTADO? LOGICO QUE NÃO!!! PARECE CLICHÊ PARECE BOBAGEM, MAS ATÉ PRA RECLAMAR TEMOS QUE 1º TER FEITO NOSSA PARTE!!

ASS: ANDREZZA HELEN (ANDREZZAHELEN06@GMAIL.COM)

Fátima Garcia disse...

concordo plenamente, Andrezza Helen, mas não só faço minha parte como ensinei meus filhos a fazê-la. Morei em outras capitais, (Curitiba, Brasilia e Salvador) e nada se compara a falta de sensibilidade que vejo por aqui. No centro, as lixeiras estão por toda parte, mas os restos de embalagens, sabugos, papel, tudo é jogado no chão. Precisamos educar as crianças, para que os adultos aprendam com elas.