quinta-feira, 3 de março de 2011

Fortaleza anos 20 – A Moda Mudou a Cidade

O Passeio Público era o local de encontro de familias elegantes. A Avenida Caio Prado era reservada exclusivamente para as elites fortalezenses (Foto de 1910 - Arquivo NIREZ)

O Século XX chega com significativas mudanças de hábitos na pacata Fortaleza. A chegada dos cinemas Majestic (1917) e Moderno (1921) desfazem as rodinhas das calçadas, tiram as pessoas de casa, botam a cidade para dormir mais tarde. Antes do cinema, as mulheres eram mais do lar, as saídas eram para a missa, procissões e novenas, a diversão era a conversa com os vizinhos.
Os anos 1920 considerados por muitos historiadores como turbulentos e anos loucos marcaram uma época de efervescência cultural, movimentos feministas e também de uma moda, importada da Europa, que vai ditar ousadas formas de vestir e consumir produtos de beleza no Brasil e no mundo, tendo as mulheres como alvo principal.

Nos anos 20 a moda feminina se torna mais leve, mas não menos elegante
(foto de 1926-do livro Fortaleza Belle Epoque)

Em Fortaleza essa moda chegou com a finalidade de marcar a consolidação da modernidade cearense, tanto espacial quanto cultural. A elite de Fortaleza estava disposta a consumir as novidades, freqüentar espaços modernos com a intenção de se distinguir do resto da população por seu poder aquisitivo. 
Assim as mulheres da elite aderiam à moda vinda de Paris como uma regra da modernidade. 
O momento era propício à disseminação de consumo de novos itens de vestuário, tecidos, chapéus, luvas e demais adereços, vindos, sobretudo, de Paris e Londres.

Passeio de amigas na ala chique do Passeio Público. Nos anos 20 as fortalezenses assumiram as roupas, chapéus e cabelos curtos, apesar das censuras iniciais. As pernas estavam sempre cobertas por meias de seda. O Uso de sombrinhas se dava mais por elegância do que por proteção contra o sol. (Foto de 1926 - do livro Fortaleza Belle Epoque)

E não faltavam oportunidades sociais e urbanas para ostentação dos novos figurinos. Havia modelos de vestimentas adequados a qualquer ocasião: bailes nos clubes ou no carnaval, para ir aos cinemas, para as tardes de turfe no Campo do Prado, para o footing do Passeio Público, nas solenidades ou para passear na Praça do Ferreira. 
  
anúncio de loja publicado na revista Bataclan, em 1925
No entanto, tais adesões nem sempre eram aceitas pela sociedade em geral, devido ao forte sentimento católico e conservador que norteava a cidade, representado por um grupo que se autodenominava conservador que tentava barrar o uso da moda parisiense com duras críticas e proibições por parte de pais e maridos.
Se havia uma ala conservadora, por outro lado tinha os considerados modernos que incentivavam o uso das novidades através de revistas, concursos, fotografias e elogios para as mulheres modernas.

Nesse sentido a publicação de revistas de atualidades como A Jandaia, de Aldo Prado, a Ceará Ilustrado, de Demócrito Rocha e a Ba-ta-clan, da Associação do Comércio, tiveram forte influência na divulgação da moda. 
Além dos anúncios de produtos, a promoção de concursos de beleza e elegância relacionados aos ambientes mais freqüentados pela elite, como cinemas e o Passeio Público, e a promoção das moças da elite através de suas fotos nas capas das revistas, foram usados como artifícios para incentivar a adesão da moda parisiense, já que somente moças modernas e ousadas se mostravam em público. 

As moças que apareciam nas capas de revistas, eram tidas como musas inspiradoras da moda, tanto pelos acessórios quanto pela ousadia da própria foto.
Depois que casavam, saíam da badalação, pois o matrimônio significava comedimento e dedicação exclusiva ao lar.

A moda impulsionou o comércio de Fortaleza. Com a chegada das vitrines, ficou mais fácil para os lojistas expor seus produtos aos possíveis clientes. Assim a exposição de produtos em vitrines, usadas inicialmente para incremento de vendas, tornou-se um hábito e uma forma de diversão nos anos 1920, uma vez que virou programa de muitas famílias irem ao centro visitar as vitrines de lojas.

fontes:
Fortaleza Belle Epoque - Reformas urbanas e controle social 1860-1930 de Sebastião Rogério Ponte
Revista Fortaleza - fasciculo 12 - p.14
SECULT

6 comentários:

Anônimo disse...

Com certeza o planeta não era tão aquecido caso contrário como as mulheres suportariam tanta roupa?

Fátima Garcia disse...

acho que nos anos 20 Fortaleza tinha um clima mais ameno, porque quase não havia prédios, as ruas não eram asfaltadas e a brisa corria livre pela cidade. Além do mais os tecidos eram muito leves. Só não assimilo as luvas e os chapéus, esses sim, deviam fazer um calor infernal. Eu por exemplo, jamais seria uma elegante dos anos 20: detesto carregar sombrinha.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Por isso mesmo, Fátima,a brisa corria solta.... Quanto a moda dos anos 20, eu gosto. Hoje, é impossível se usar meias finas e chapéu...tá mesmo infernal o calor, pior que é o ano todo.

Germano santosgonçalves disse...

sinto saldades da minha querida terrinha saldosa e bela, das lagoas onde eu pegava meus camarõe e alguns peixes com meu pai bernardo,passavamos o dia todo banhando nessa lagoa de momdubim ,ai que lenbranças de ver tantos passaros que posavam a beberem agua;eram muitas qualidades lindas,e seus cantos diversos me encantavam por baixo das olveiras de azeitonas,cajueiros,mangueiras e coqueiros e bem proximo as ateiras frutas divinas, não havia necessidade aguma, somente oque diferenciava era o grande cheiro da finura que fazia um doce tão cheirso de banana e de goiaba; não sei mais como é viver esse tempo atual sem essas lenbranças do passado ,espero que o crescimento populacional não mate mais o que ainda resta do tão bonito que ainda se ver da minha terra.

Germano santosgonçalves disse...

minha linda terra esta cada vez mais desaparecendo do mapa norteado pelos ancestrais contados por josé de alencar, foi se iracema,irapoã, os potys,guaranys ,nssais e outras tribos que não são tão lenbrados hoje por não existirem mais
hoje o que resta é somente um poco de saldades da minha tão adorada terrinha Fortaleza ceara brazil

Germano santosgonçalves disse...

minha linda terra esta cada vez mais desaparecendo do mapa norteado pelos ancestrais contados por josé de alencar, foi se iracema,irapoã, os potys,guaranys ,nssais e outras tribos que não são tão lenbrados hoje por não existirem mais
hoje o que resta é somente um poco de saldades da minha tão adorada terrinha Fortaleza ceara brazil
terra adorada, Não é mais a encantada entre as mil nem a ordem é o seu progresso.