sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Asilo Bom Pastor, um abrigo para mães solteiras



No bairro do Jacarecanga, ficava o internato Bom Pastor, inaugurado em 1928, local onde eram confinadas as moças que tinham desviado suas condutas e, para não causarem vergonha à família, eram mandadas para lá e ali permaneciam até cair no esquecimento da sociedade.
As internas do Bom Pastor eram, geralmente,  moças solteiras “de família” que engravidavam, e eram afastadas do convívio familiar, antes que  a vizinhança percebesse o acontecido e começassem os comentários maldosos, e as especulações sobre paternidade. 
A mãe solteira ficava “falada” e desonrada, dificilmente arranjaria um noivo ou teria novamente um relacionamento sério. Assim  o expurgo familiar, evitava que tanto a moça quanto a família viesse a sofrer as consequências da desonra,  ou que o bom nome da família fosse maculado.  Depois com o passar do tempo e purgado a culpa, as internas retornavam aos lares, depois de terem recebido cursos e aprendido trabalhos manuais sob orientação das irmãs religiosas, como costurar, bordar,  cozinhar e outras atividades domésticas.

Antiga Praça Gustavo Barroso (Arquivo Nirez) 

As moças recolhidas ao Bom Pastor tinha uma maneira peculiar no trajar:  se cobriam de preto, lenço na cabeça, e nas ocasiões em que frequentavam missas, usavam um véu no rosto, evitando assim o reconhecimento de pessoas que estavam na igreja e pudessem, porventura identifica-las. 
Saíam do Bom Pastor como quem deixa o cárcere depois de ter cumprido pena pelo mal cometido.  A criança fruto desse amor clandestino, era dada em adoção, com a condição de jamais poder ser revelado quem eram os verdadeiros pais, evitando manchar o nome da família ou dos pais do inocente que não pedira para vir ao mundo e nem poderia pagar por erro cometido.

fotos do arquivo Nirez

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