terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Guilherme Rocha A reforma urbana de Fortaleza


Guilherme César da Rocha (1846-1928) - Coronel da Guarda Nacional, vereador, presidente da Câmara Municipal, deputado, vice-presidente do Estado e Intendente de Fortaleza, de 1892 a 1912.

O coronel Guilherme Rocha tomou posse na Prefeitura de Fortaleza em 1902. Durante sua administração conseguiu realizar importantes reformas de praças e prédios, proporcionando maior lazer e bem estar para os moradores da província. 

Segundo o escritor Mozart Soriano Aderaldo, Guilherme Rocha foi o primeiro governante depois do boticário Ferreira, que se interessou agressivamente pela solução dos problemas urbanísticos da cidade.

De fato, Guilherme Rocha promoveu uma série de melhoramentos, inaugurando em 1902, o jardim da Praça do Ferreira, até então, um vasto areal, como de areia eram até a década de 1930, as Praças do Carmo, do Coração de Jesus e de Pelotas (depois da bandeira e hoje Clóvis Beviláqua.)

Jardim 7 de setembro, na Praça do Ferreira (arquivo Nirez)

Em 1903 o então intendente ajardinou as Praças da Sé e do Patrocínio (atual José de Alencar). Nesse mesmo ano a cidade foi enriquecida com a inauguração da Igreja do Pequeno Grande, anexa ao Colégio da Imaculada Conceição.  O templo dedicado a Nossa Senhora do Carmo, erguido no local onde antes se venerava a imagem de Nossa senhora do Livramento, foi entregue aos fiéis em 1906.

Antes da urbanização, a Praça do Ferreira, cercada de mongubeiras, não era revestida sequer de um calçamento tosco.  As árvores eram utilizadas também para amarrar animais dos comboios que traziam mercadorias do sertão para a capital. No centro da praça havia uma cacimba, de uso público.

jardim 7 de setembro, na Praça do Ferreira (arquivo Nirez)

Guilherme Rocha converteu tudo isso num jardim de encantos, rodeado por um amplo passeio do lado oposto à Câmara Municipal. Entre os Cafés Elegante e Iracema, erguia-se um belo chafariz com quatro torneiras. No centro do passeio, um alto catavento, e ao pé deste um grande depósito de água. Oito tanques com repuxos forneciam água aos numerosos canteiros de flores, situados dentro das áreas que dividiam o jardim.

Igreja do Carmo, inaugurada em 1906 
imagemhttp://www.photography-discussions.info/en/peCqiSN 

Guilherme Rocha nasceu em Fortaleza, em 16 de agosto de 1846, filho do comerciante português e cônsul da Bélgica Manuel Antônio da Rocha Júnior e de Joaquina Mendes da Rocha. Aos dez anos foi para o Rio de janeiro, onde fez estudos preparatórios no Colégio dos Padres Paiva. Matriculado na Escola de Guerra, abandonou tudo no terceiro ano por problemas de saúde. De volta ao Ceará dedicou-se à vida do comércio.


Conjunto arquitetônico Igreja do Pequeno Grande/Colégio da Imaculada Conceição (foto Ah, Fortaleza!)

Com o falecimento do pai, Guilherme Rocha foi nomeado cônsul da Bélgica, confirmada por carta imperial de 26 de janeiro de 1872. Eleito membro da Irmandade do S.S. Sacramento de Fortaleza em 1873, foi em 1878, nomeado tesoureiro da Santa Casa de Misericórdia, cargo que exerceu por mais de trinta anos. Por  Carta Imperial de 3 de fevereiro de 1883, foi nomeado 6° vice-presidente da província. 

Durante o Império  Guilherme Rocha foi vereador e presidente da Câmara Municipal. Foi nomeado Intendente no período Republicano, assumindo o cargo a 12 de julho de 1892, permanecendo no cargo até 1° de fevereiro de 1912, sendo assim o Intendente de mais longa administração, durante o qual realizou diversos melhoramentos urbanos.

Mercado de Ferro, construído na gestão de Guilherme Rocha (arquivo Nirez)

Em 1892 Guilherme Rocha pediu exoneração do cargo de Cônsul da Bélgica. Foi então nomeado agente do Loyde Brasileiro em Fortaleza, permanecendo nesse cargo por vinte anos.  Devido ao golpe político da época, foi eleito vice-presidente do Estado, tendo em seguida a patente de Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Fortaleza.

Foi exonerado dos cargos de Intendente de Fortaleza, Tesoureiro da Santa Casa de Misericórdia e Agente do Loyde Brasileiro, após movimento armado que depôs o governo de Antônio Pinto Nogueira Accioly. Guilherme Rocha faleceu em Fortaleza, em julho de 1928.

fonte:
A História do Ceará passa por esta rua
de Rogaciano Leite Filho          

6 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Esse Guilherme Rocha, era uma"rocha" mesmo, de grande valor... fez executar obras maravilhosamente belas.
Pena que muitas foram abaixo.
Pelo que vi, só restaram as belas igrejas do Pequeno Grande e do Carmo.

Gostei muito!

Anônimo disse...

ele é da minha família!!!! sou a tataraneta dele!!! uhu!!

Fátima Garcia disse...

Olá anônima Rocha, obrigada por visitar o blog. Gostou do post? então, volte sempre

Fátima Garcia disse...

Olá Lucia,
acho que a diferença fundamental entre os governantes das antigas e os de hoje, era o amor pela cidade. Veja quantos cargos Guilherme Rocha ocupava simultaneamente, e conseguiu realizar melhorias que repercutem até hoje. Hoje, o que temos são políticos profissionais, carreiristas insaciáveis, que governam de olho na próxima eleição e não honram o mandato que recebem das urnas. Por isso esse caos.

Anônimo disse...

eu amei!! fiquei super feliz em saber mais sobre a minha família... a minha vó q disse sobre ele!!! amo fatos históricos!!! de: camila rocha

Fátima Garcia disse...

Camila Rocha você pode ser uma das últimas pessoas que pode se orgulhar de parentes que governaram essa cidade tão maltratada. Os parentes dos governantes mais recentes, inclusive dos atuais, devem morrer de vergonha.
abs