quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Criação dos Cemitérios

Cemitério São João Batista (foto jangadeiro online)

Em 1844, a lei n° 319 mandou que fosse edificado um cemitério junto ao Morro do Croatá, obra que seria realizada com recursos das leis orçamentárias. Ficou ainda determinado que a Tesouraria do cemitério seria de propriedade da Santa Casa de Misericórdia, se existisse, e não havendo, seriam esse recursos aplicados na sua construção. (A Santa Casa de Fortaleza foi  inaugurada oficialmente em 1861)

A obra foi iniciada no mesmo ano de 1844. Pelo regulamento de 16 de março de 1848, o presidente Casimiro José de Morais Sarmento (outubro de 1847/abril de 1848), ordenou que a partir dia 1° de maio daquele ano, os cadáveres dos indivíduos falecidos na cidade e seus subúrbios só poderiam ser sepultados no Cemitério de são Casimiro, e aquele que infringisse as normas, sofreria multa de 25$000 reis. 

O cemitério foi concluído em 1853, e já no ano  seguinte, o presidente Vicente Pires da Mota (fevereiro de 1854/outubro de 1855), reconhecendo que o campo santo era demasiado pequeno em relação à mortalidade da população, do que resultavam graves inconvenientes,  solicitou à Assembleia Provincial que fosse o mesmo ampliado. 


Nas Igrejas do Rosário e a antiga Matriz (demolida em 1938), as mais antigas de Fortaleza, foram feitos inúmeros sepultamentos, costume seguido em todo o Brasil antigamente.  


Em 1856, receando o aparecimento de surtos de cólera-morbus, o presidente Paes Barreto (outubro/1855/março de 1857), mandou aumentar o mencionado cemitério, dando-lhe mais 150 palmos de frente a 300 de fundos, tornando-o assim, três vezes maior do que era. 
Nesse ano foi feita a murada, foram colocadas as grades de ferro e construíram-se os alicerces de duas casas ao lado do portão de entrada, para depósito de materiais.  Em 1862, o presidente José Bento(maio de 1862/fevereiro de 1864)  encaminha um relatório à Câmara Municipal no qual reivindica a construção de  um novo cemitério, em razão de achar-se o Cemitério de São Casimiro, quase dentro da cidade, estar sendo invadido pelas areias do Morro Croatá, além de que, numa parte dele já fora sepultado grande número de coléricos, representando um risco de contaminação para os moradores locais.


Aprovada a proposta firmou-se o contrato para sua construção na estrada do Soure, além do riacho Jacarecanga, devendo ficar pronto em dezembro de 1863. Apenas chegaram a concluir os muros, quando a obra foi embargada em razão da proximidade com o arroio do Jacarecanga, que abastecia de água a capital.

Diante da urgência da construção do novo cemitério, visto que o velho não tinha mais capacidade, foi nomeada pelo presidente uma comissão composta pelos médicos Rufino Antunes de Alencar, José Lourenço de Castro e Silva e do engenheiro José Pompeu  de Albuquerque Cavalcante para escolherem um local, e a comissão indicou o que se acha atualmente o São João Batista, terreno comprado ao brigadeiro Francisco Xavier Torres. 


Capela do Cemitério São João Batista (arquivo Nirez)

Concluído em 1865, efetuou-se a benção desse cemitério, que recebeu o nome de São João Batista,  em 5 de abril, começando-se  a fazer nele os sepultamentos. Em 30 de abril foi contratada a construção da Capela, com o artista João Francisco de Oliveira. Em janeiro de 1870 foi contratado o empedramento da Rua das Flores (atual Castro e Silva) entre a Rua Senador Pompeu e o novo Cemitério, o qual ficou pronto no prazo de seis meses.

Por inexplicável coincidência, o cemitério foi construído de frente para a Igreja da Sé , uma a olhar para o outro na distância de um quilômetro. 
O cemitério de São Casimiro foi demolido e no local foi erguida a Estação João Felipe (arquivo Nirez)

O cemitério de São Casimiro foi desativado na mesma data em que o São João Batista entrou em funcionamento. Era localizado no terreno ocupado atualmente pela Estação João Felipe, na Praça da estação, que já pertenceu à estrada de Ferro Baturité. A partir de 1865, jazeu em completo abandono até que, em 1877 se resolveu sua demolição.

A autoridade competente mandou exumar alguns restos e os recolher ao Cemitério de S. João Batista. Em 1878 já estava quase tudo em ruínas: túmulos desmoronados, grades quebradas, ossos dispersos pelo chão, onde animais pastavam tranquilamente. Na reforma por que passou a estação Central em 1879, construiu-se parte das oficinas sobre túmulos antigos; até hoje as construções feitas no local pesam impiamente, sobre mortos. Quando se cava a terra por ali, é raro não se encontrarem restos humanos. 


é comum em templos mais antigos, encontrar-se lápides no chão ou nas paredes indicando que alguém foi sepultado no local. 
Outrora os enterramentos efetuavam-se nas igrejas, até que em 1° de maio de 1848 passaram a ser feitos no Cemitério de São Casimiro. A lei n° 660 de 29 de setembro de 1854, proibiu expressamente, inumações de corpos em todas as igrejas da província.


Fontes:
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes – introdução e notas de Raimundo Girão
Fortaleza Velha,  de João Nogueira  

6 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Fátimamiga

Boa informação, cuidada, fruto de pesquisa que deve ter sido complexa. O tema... pois, o tema podia ser outro, mas...

Aqui nesta cidade das sete colinas, temos o Cemitério dos Prazeres... É mesmo assim: fica situado na freguesia lisboeta Prazeres. Contradições onomásticas...

Qjs pré-natalícios

E na Travessa podes saber o porquê do Pai Natal não vir...

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Além de apreciar a matéria,bem pesquisada de fato, como constata aí o Ferreiramigo, ainda o encontro aqui, neste excelente blog.

Mais: meu bisavô paterno, o artista João Francisco de Oliveira (pai do Romancista Mamoel de Oliveira Paiva)é citado,já que foi o "arquiteto" da capela do Cemitério São João Batista. Poucos conhecem a trajetória deste artista português (dos Açores), aquí no Ceará.

Bom domingo, Fátima...

Fátima Garcia disse...

Olá Ferreira,
estou com problemas na visualização do blog, e com alguma dificuldade com os comentários, mas, vamos nós: A última postagem não é mesmo lá das mais agradáveis, mas dentro da proposta do blog (historiar a cidade), é ruim, mas passa. É uma abordagem do ponto de vista histórico, então...
Pra variar estive lá na sua Travessa e dei muita risada com aquele Papai Noel "quebrado" que voce descreveu. A crise econômico-financeira faliu a banca de papai Noel?! Voltarei na travessa para lhe visitar e ler seus posts, únicos e espirituosos, assim que regularizarem por aqui. uma abraço grande

Fátima Garcia disse...

Oi Lúcia,
lembro do seu antepassado, ainda procurei a foto dele aqui no meu computador, mas não encontrei. Mas fica o registro. um abraço

D.G disse...

Querida Fátima,
Estou encantada com o seu blog, fico grata por haver pessoas como você, que se importam com a memória de nossa cidade. Amei o seu tema, principalmente porque não se fala muito sobre esse cemitério. Abraços.

Fátima Garcia disse...

obrigada D.G., acho que a nossa Fortaleza merece ter sua história divulgada. O blog é feito para pessoas como você, que se identificam e gostam do nosso trabalho. Volte sempre.
abs