quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Troca no Nome dos Bairros: em nome da modernidade

No rol das confusões entre os bairros, a memória e a modernidade travam uma luta diária. Enquanto as novas gerações conhecem nomes como Antonio Bezerra, Meireles, Bairro de Fátima, Castelão e Messejana, moradores mais antigos se lembram do Outeiro, do Lagamar, da Praia do Peixe, da Estância e do Mata Galinha. 
Mesmo com o antigo nome em desuso, a simples lembrança é significativa para a identificação da população com o bairro
Praça de Otávio Bonfim

Caso peculiar: o antigo Otávio Bonfim teve o nome trocado para Farias Brito, porém ninguém aceitou a mudança e o bairro continua a ser conhecido como Otávio Bonfim.  
 Avenida Luciano Carneiro, bairro de Fátima

Mesmo com o antigo nome em desuso, a simples lembrança é significativa para a identificação da população com o bairro. Por conta do crescimento da cidade, muitos bairros mudaram de nome, ou simplesmente desapareceram.
O Porangabussu virou Rodolfo Teófilo; o  Coqueirinho e o Campo do Pio se tornaram Parquelândia; o Outeiro passou a se chamar Aldeota; a Pirocaia agora é Montese.  
 nesta rua no bairro da Parangaba a fábrica apropriou-se do espaço público e invadiu a calçada. O prejuízo fica para a população.
 Avenida General Osório de Paiva atravessa vários bairros de Fortaleza: Parangaba, Vila Peri, Bom Jardim,Canindezinho, Siqueira,  e se estende  até a divisa com o município de Maracanaú
 Praça na Aldeota
 Rua Liberato Barroso, no centro de Fortaleza
 O Centro Dragão do Mar

Prainha é o nome correto da área antiga onde agora está o Centro Dragão do Mar e que por falta de informação é chamado de Praia de Iracema. 
De acordo com Marciano Lopes,  a Praia de Iracema é mais adiante. A parte alta daquele pequeno bairro, onde está a Praça Cristo Redentor era o Outeiro da Prainha.
 Avenida Presidente Castelo Branco (Av. Leste/Oeste) localizada no Bairro Moura Brasil
Outros bairros  praticamente desapareceram do mapa, e os antigos nomes são desconhecidos da maioria da população. 
A Vila Monteiro foi incorporada ao Joaquim Távora; o mesmo aconteceu com a vizinha Vila Zoraide. 
O bairro Tauape é outro exemplo: identificado com a Lagoa do Tauape, no momento em que o manancial foi aterrado para a construção do canal do Jardim América, o nome do bairro praticamente desapareceu junto com as águas. 
Outro caso interessante é o bairro é da Piedade, que segundo o historiador NIREZ, nunca existiu. A população chamava o bairro de Piedade por causa da igreja da Piedade, mas o bairro nunca existiu. 
 Praça em frente ao Santuário de Fátima, no bairro do mesmo nome.

Anteriormente as denominações das unidades urbanas eram escolhidas a partir de nomes da fauna e flora regionais,  das atividades econômicas que caracterizavam uma determinada região, da tradição indígena.
 Os nomes refletiam a perspectiva histórica de uma sociedade coletivista. Com a modernidade e a ascensão dos valores individualistas, as nomenclaturas foram substituídas por nomes de personalidades que tiveram relevância para o bairro, poder, influência política ou desempenharam um papel representativo na sociedade. 
Assim surgiram bairros com nomes de Olavo Bilac, Quintino Cunha, Edson Queiroz, Dias Macedo, etc.     
Parque Parreão
 Parque urbano do Parreão
Parque da Lagoa da Maraponga
O nome de um bairro não está ligado apenas uma questão estética, mas é resultado de um momento histórico e da organização social nesse dado período.
 Um exemplo é o bairro atualmente denominado Planalto Ayrton Senna. A comunidade, formada a partir de ocupações de terras, era conhecida como Pantanal.
 Em 2001 a população se organizou e votou pela escolha do nome atual do bairro. A troca foi uma forma de quebrar o estigma de violência e pobreza que a área carregava perante os outros moradores da cidade.
Não restou comprovado  que a troca de nome tenha reduzido os índices de violência do local. Ao buscar uma fotografia do bairro no Jornal Diário do Nordeste, constatei que todas as imagens relativas ao bairro Ayrton Senna, estão relacionadas ou ao tráfico de drogas ou a crimes de morte

pesquisa:
Jornal Diário do Nordeste
Jornal O Povo
fotos: arquivo do Blog

3 comentários:

Anônimo disse...

Resumindo: Nasci na Estrada do Gado, morei no Coqueirinho, na Pirocaia, na Rua da Cachorra Magra e hoje me escondo no Mata Galinha...

Fátima Garcia disse...

mudaram os nomes, mas os problemas continuam os mesmos.

Anônimo disse...

Concordo com você, Fátima. Inclusive, os nomes antigos eram bem mais pitorescos.