domingo, 12 de dezembro de 2010

Emiliano Queiroz

Emiliano Guimarães Queiroz nasceu em Aracati-CE, no primeiro dia do ano de 1936, filho de Henrique Queiroz e Ana Guimarães Queiroz. Começou a participar de pequenos espetáculos teatrais na escola, por volta dos cinco anos de idade na cidade de Russas, também no Ceará, para onde a família se mudara há pouco tempo atrás. Depois se mudou com a família para Fortaleza. 
O artista com 1 anos e 6 meses
Aos 14 anos começou a trabalhar na Fábrica Progresso, primeiro como contínuo, depois como auxiliar de escritório. Estudava à noite no colégio Dom Bosco, que incentivava o teatro, e Emiliano criou o Teatro de Arte Fortaleza –TAF, dentro da escola. Nessa época começou a participar de um grupo amador de teatro, onde atuou numa peça com a Cia. J. Cabral. Aos 16 anos passou a integrar o Teatro Experimental de Arte em Fortaleza, criado em 1952, dirigido por B. de Paiva. Com esse grupo encenou diversas peças, como Lampião, de autoria de Rachel de Queiroz. Na mesma época também atuava na Ceará Rádio Clube como radioator.  
aos dezessete anos
 Aos 18 anos foi convocado para servir ao exército, e o ator de teatro virou o soldado Queiroz 301 da Bateria de Comando do 13° GAT de Fortaleza-Artilharia. Depois de um ano voltou ao rádio, na PRE-9, onde foi comediante, locutor, fez auditório, trabalhou na discoteca, no arquivo musical, foi copista de programa, e principalmente, foi radio-ator. Depois da morte do pai, decidiu ir embora do Ceará, foi para São Paulo, levando no bolso o endereço da Escola de Arte Dramática. A viagem até São Paulo – cidade que Emiliano só conhecia através de revistas e dos filmes da Vera Cruz – durou oito dias, feita em cima de um pau-de-arara, já que não existia linha de ônibus para aquela cidade. 
na primeira peça em São Paulo Nega de Maloca - 1959
Recusado na Escola de arte Dramática, Emiliano Queiroz fez um teste para a Federação Paulista de Teatro onde foi aprovado para um curso de teatro com dois anos de duração. Na Federação Paulista teve aulas de história do teatro e música, voz e texto com Ruy Afonso, conferências com Augusto Boal, e interpretação com Osmar. 
Freqüentou a escola de dança de Madame Gumiel. Assim estreou no palco do Municipal de São Paulo, no Primeiro Festival de Dança Contemporânea. Ainda em São Paulo trabalhou como datilógrafo, comissário de bordo, fez pontas em filmes, fez pequenas participações na TV Tupi, trabalhou em peças infantis e participou de shows em boates.
Quando o curso da federação havia terminado, soube pela amiga Neide Maia que os Diários Associados estavam inaugurando uma emissora de TV em Fortaleza, e que a programação local seria totalmente gerada por artistas da terra.
Emiliano retornou a Fortaleza em 1960, retomando suas funções na PRE-9 como radio-ator. A TV Ceará foi inaugurada em 26 de novembro de 1960, onde logo Emiliano Queiroz assumiu diversas funções. Preparou as radio-atrizes para o novo veículo, foi diretor de comerciais ao vivo e selecionou candidatas para serem garotas-propaganda, fazia contato com os clientes, adaptou contou e peças e escrevia textos para o programa O Contador de Histórias.  
Ao fim de dois anos, voltou a São Paulo, por entender que, com a chegada do videoteipe, - e  como as emissoras passaram a gravar seus programas -  mais dia menos dia, essa programação seria distribuída para todo Brasil, e em conseqüência, nas emissoras regionais a teledramaturgia estava com os dias contados. 
Em São Paulo trabalhou com Maria Della Costa em uma montagem de Depois da Queda, de Arthur Miller. 
Na mesma época, foi convidado para participar da novela Eu amo esse homem, produzida pela TV Paulista, em 1964. Quando a emissora foi comprada pela TV Globo, a produção da novela foi cancelada e Emiliano Queiroz, assim como outros atores e técnicos, foi contratado para trabalhar na TV Globo no Rio de Janeiro.
 Da primeira fase da teledramaturgia da emissora, o ator participou de quase todas as novelas, em geral escritas pela autora cubana Glória Magadan.
 Fez sucesso no papel do vilão nazista Hans Stauben na novela O sheik de Agadir, em 1966. No ano seguinte, a convite de Glória Magadan, o ator assumiu a tarefa de escrever Anastácia, a mulher sem destino, adaptação do folhetim francês A touti negra do moinho, ambientada na Rússia, no início do século. 
Sem experiência prévia como escritor de novelas, Emiliano acabou tendo problemas para dar conta do número excessivo de personagens e controlar a narrativa da trama. O ator foi então, substituído pela dramaturga Janete Clair, que para diminuir o elenco e alterar radicalmente os rumos da novela, escreveu um capítulo em que mais da metade dos personagens era eliminado por um terremoto.
Juca Cipó era um personagem secundário na trama, ganhou força e espaço e acabou como um dos pontos altos da novela Irmãos Coragem  
Em 1970, ao participar da novela Irmãos Coragem, escrita por Janete Clair, Emiliano Queiroz compôs o personagem antológico Juca Cipó, que alcançou uma grande popularidade no Brasil. Participou ainda de O homem que deve morrer, em 1971, e Selva de pedra, em 1972. No ano seguinte, o ator integrou o elenco de O bem-amado, primeira novela a cores da televisão brasileira, escrita por Dias Gomes e estrelada por Paulo Gracindo. 
Seu personagem, Dirceu Borboleta, foi um marco em sua trajetória e entrou para a galeria dos personagens inesquecíveis da televisão brasileira. Dirceu Borboleta acompanhou Emiliano Queiroz muito além da exibição da novela. Entre 1980 e 1984, o ator retomou o personagem no seriado O bem-amado e, a partir de 1994, no humorístico Escolinha do professor Raimundo.   
Durante todos esses anos, Emiliano Queiroz participou de várias outras novelas.
Entre elas: 
 Pecado capital (1975), 
Estúpido cupido (1976), 
Maria, Maria (1978), 
Pai herói (1979), 
Cambalacho (1986),
Sexo dos anjos (1989), 
Barriga de aluguel (1990), 
Deus nos acuda (1992) 
e Era uma vez... (1998), 
As filhas da mãe  (2001) 
Começar de novo (2004), 
Senhora do destino (2004)
 e Alma gêmea (2005). 
O ator teve também significativas participações nas minisséries 
Tenda dos milagres (1985), 
Abolição (1988) 
Tereza Batista (1992), 
Chiquinha Gonzaga (1999)
Um só coração (2004),
Hoje é dia de Maria (2005) e 
Carandiru, outras histórias (2005).
no Cinema Emiliano Queiroz teve as seguintes participações: 
 A extorsão (1975), de Flávio Tambellini,
O Xangô de Baker Street, de Miguel Faria Jr. (2001),
Madame Satã (2002), de Karim Ainouz,
Casa de areia (2005), de Andrucha Waddington.
Mulheres do Brasil (2006), de Malu de Martino, e
 Xuxa - Gêmeas (2006), de Jorge Fernando.
No teatro destacam-se personagens como:
Veludo da peça Navalha na carne (1969), de Plínio Marcos,
o Tonho de Dois perdidos numa noite suja (1971), também de Plínio Marcos,
o Dr. Martin da peça Equus, de Peter Shafer, e
 sua antológica composição de Geni na Ópera do malandro, de Chico Buarque de Hollanda.
Em 2007, Emiliano Queiroz interpertou o padre Agnaldo na novela Eterna Magia, de Elizabeth Jhin.  Seus personagens no cinema e no teatro lhe renderam críticas bastante elogiosas, considerável reconhecimento de público e alguns prêmios importantes. Como o Kikito de Ouro no festival de Gramado, como melhor ator coadjuvante por uma participação de três minutos no filme Stelinha (1990), de Miguel Faria Jr.
imagem rede globo
Atualmente Emiliano Queiroz está vivendo o sapateiro Nonno Benadetto,  na novela Passione, de Silvio de Abreu na Rede Globo. 
 
 na TV Ceará em Ana Karenina com Cleide Holanda
 Primeira Novela da TV Ceará - Poeira Vermelha. Com Laura Santos e Lourdes Martins
 novela Sheik de Agadir de 1966 com Ioná Magalhães e Márcia de Windsor
 Outdoor do filme  
 Interpretando a Geni, na Ópera do Malandro  
 Na inauguração do Teatro Emiliano Queiroz com Ary Sherlock, Iris Breno e Augusto Borges
 O teatro Emiliano Queiroz foi inaugurado no ano 2000, no edificio do Serviço Social do Comércio (Sesc), na Avenida Duque de Caxias em Fortaleza
na minissérie A Muralha (2000)

Pesquisa:
Letícia, Maria. Emiliano Queiroz, na sobremesa da vida. Coleção Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006 

10 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

É um excelente ator, merecendo todas as hmenagens.Lembro-me quando êle integrou o Teatro Experimental de Arte, cujos encontros (ensaios), se deram muitas vezes no quintal de minha casa, na Rua Saldanha Marinho.
Emiliano, foi um belo Cristo, no Martir do Gólgota.....quando eu assistia à peça, por trás dos bastidores, êle me pedia para ficar com seu cordão de ouro...eu não perdia um só dia de encenação...Ô tempo bom!!!!

Boa tarde, Fátima!

Fátima Garcia disse...

Olá Lúcia
no livro o artista fala dessa peça, onde ele fazia Jesus dirigido por B. de Paiva. Fala da criação desse TEA e dos inúmeros trabalhos que levaram aos palcos. Tb acho que é um grande artista.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Quando estive no DF,mês passado, lí essa biografia dele.Muito fiel!

No seu post, vc fala da peça "Lampião" de Raquel de Queiroz.Ela foi toda ensaiada no nosso quintal.Marcos Miranda era o Lampião e Glice Sales (que era noiva de B. de Paiva) fez a Maria Bonita. Ainda hoje, qnd encontro a Glice,recordamos essa época...salvo engano, era 1951 (eu tinha 9 aninhos! rsrs).
IMPORTANTE : Raquel de Queiroz veio para a estréia. RESPEITE!!!

Sei de coisas do "arco da velha".srsrsrrsrs....

Fátima Garcia disse...

sabe mesmo, tudo isso que vc falou está lá, no livro.

emilio disse...

Gostei muito da materia biografica e agradeço.Ultimas no cinema: fiz Suprema felicidade com Jabor e na semana passada filmei nova versão de Meu pé de laranja lima de Marcos Bernstain e estou sendo convidado por Caio Quinderé para filmar em Quixadá.Lucia que bom você presente, você irmã do B. que na minha memoria interpretou um anjo em cena comigo....Um grande abraço do velho ator emiliano queiroz..

Lúcia disse...

Assim, vc emociona meu molengo
coração, amigo/irmão.
Essa blogueira, Fátima Garcia, vai ficar famosa que nem tu rapaz !

Volte sempre, obrigada, pela lembrança, Emilio(ano)...
Luminoso Natal!
Promissor Ano NOVO!!!
Contínuo SUCESSO!
Beijos!!!!

Anônimo disse...

É impossível falar de televisão aqui, sem citar o nome do nosso querido, brilhante e grande ator Emiliano Queiroz, que marcou época, interpretando papéis memoráveis, como o vilão nazista Hans Stauber, na novela O Sheik de Agadir, sem falar do Juca Cipó em Irmãos Coragem e do Dirceu Borboleta em o Bem Amado, vivendo sempre, com muita eficiência, muita competência, com seu extraordinário talento e com muito realismo, todos estes grandes papéis, tornando-se um dos maiores e melhores atores de nossa teledramaturgia, de todos os tempos.

A você Emiliano!, os meus sinceros Parabéns!!! e um Grande Abraço!

Fátima Garcia disse...

olá anônimo, se o Emiliano Queiroz lesse esse comentário iria gostar de saber quem o escreveu. Concordo com você em gênero, número e grau. É um grande artista "made in Ceará"

KEKE SHOWS disse...

EMILIANO É EXEMPLO DE DEDICAÇÃO A ARTE. O CONHECI ATRAVÉS DA NOVELA IRMÃOS CORAGEM E O CURTI D+ A TRINCA DE ASTROS COMPARTILHADA COM LIMA DUARTE E PAULO GRACINDO EM 'O BEM AMADO'.
AO POVO O QUE É DO POVO; À ARTE O QUE É DA ARTE.

Fátima Garcia disse...

Concordo com voce Keke Shows, Emiliano Queiroz é um artista em tempo integral, e com a vantagem de ter nascido no Ceará