sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Surgimento das Vilas Operárias em Fortaleza

embarque de algodão na Estação Central, em fins do século XIX (foto O Povo)

As vilas Operárias estão ligadas a história do ciclo do algodão, produto responsável pela dinamização do comércio e pelo aparecimento das primeiras indústrias têxteis. O setor de fiação e tecelagem implantou-se no final do século XIX, mas as vilas operárias surgiram a partir de 1920.
As vantagens para os empresários, é que estando os operários próximos aos locais de trabalho, ficavam asseguradas a assiduidade, a pontualidade, a prontidão destes, bem como o envolvimento de toda a família, necessária ao tipo de trabalho que caracteriza a produção têxtil.  Ao mesmo tempo a ação do Estado se fez presente na forma de concessão de incentivos e isenções de impostos, propiciados pela legislação para o desenvolvimento dessa forma de habitação dos operários. Assim, vários empresários do ramo têxtil se empenharam na construção de casas de aluguel.
No Ceará esse padrão de construção está ligado à história do algodão. Entretanto o aparecimento dessas habitações em Fortaleza a partir de 1920 foi consequência de dois fatores: o rápido crescimento urbano da cidade e as novas necessidades do processo industrial.

Instalada em 1926, a Fábrica de Tecidos São José, que foi durante muitos anos a maior fabricante de redes do Brasil. A empresa possuía um parque fabril que ocupava área de 26.000 metros quadrados, empregando mais de mil operários. Em 1928 a empresa construiu a Vila São José, nos arredores da fábrica, no bairro Jacarecanga. (foto do arquivo Nirez)

Em outubro de 1922, quando a cidade sofre um processo mais intenso de crescimento urbano, e a indústria têxtil necessitava da proximidade domicilio/trabalho, foi sancionada a lei 2002, que concedia isenção de todos os impostos inclusive os municipais, a firma ou empresa que construísse para venda, casas populares, de sólida construção, com acomodações amplas e higiênicas.
A lei estabelece ainda suas implantações nos bairros menos habitados da cidade, empregando os meios apropriados para o saneamento e conveniente preparo dos terrenos baldios. A prioridade para ocupação dos imóveis seria dada aos operários, funcionários públicos e demais classes menos favorecidas.

Acima da foto fachada da Fábrica Santa Elisa que em 1928 contava com 350 operários que produziam diarimente, 1200 tubos de fios (para fabricação de redes) e 500 redes. Na 2a. foto, a Vila Diogo, para moradia dos empregados, composta de 66 casas.

Em 1915 os benefícios  foram ampliados e incluíram a isenção da décima urbana e de todos os impostos estaduais pelo prazo de 15 anos, para quem construísse vilas operárias com dez ou mais unidades, construídas de acordo com as normas de higiene e saneamento, e mediante planta devidamente aprovada  pela municipalidade.  Apesar das vantagens, somente duas vilas operárias ligadas à indústria têxtil foram construídas na década de 20: a Vila Diogo, fundada em 1922, do Grupo Diogo Siqueira, situada nas proximidades do centro e inserida na área urbanizada da época, e a Vila São José, fundada em 1928, do Grupo Philomeno Gomes,  implantada na extremidade do perímetro urbano,  no bairro do Jacarecanga.
O Almanaque do Ceará, de 1932 registra um total de 15 vilas operárias de aluguel isentas de impostos, com 293 casas, nas quais somente duas,  de Diogo e Pompeu são ligadas à indústria têxtil.  No entanto, em 1933, a Fábrica São José mantinha 80 casas alugadas com perspectiva de mais 70.

Fábrica de Cigarros Araken, de propriedade de Diogo Siqueira. Os operários tinham acesso a Vila Operária construída pelo empresário. (foto do Arquivo Nirez)

A construção de vilas operárias cresceu inda mais na década de 40. O Grupo Diogo Siqueira constrói a Vila Araken, nas proximidades do seu empório industrial. Mais uma vez ampliam-se as atividades imobiliárias desse grupo, na mesma área de seus primeiros investimentos.  

 Indústria Têxtil José Pinto do Carmo na década de 50 (foto IBGE)

O Grupo José Pinto do Carmo também cria um conjunto com 51 casas no bairro do Jacarecanga. A Vila São José cresce em unidades habitacionais, que atingem 247 casas ao final da década. Até 1945 oito vilas operárias foram criadas por empresários ligados à indústria têxtil em Fortaleza,  somando em torno de 500 unidades habitacionais.  Nota-se então que é depois de 1930 que o número de unidades habitacionais cresce, sendo que, enquanto alguns grupos criam novos conjuntos de vilas, outros aumentam o número de unidades de conjuntos já existentes.

Extraído do artigo de Margarida Andrade,
A Legislação no Campo da Habitação Popular em Fortaleza 
sites consultados:
http://www.fiec.org.br
e outros artigos consultados:
As múltiplas facetas de um marchante: a vida empresarial de Antônio Diogo de Siqueira 
de Carlos Negreiros Viana
 

8 comentários:

Fernando Gurgel disse...

E a Vila Gurgel, da Siqueira Gurgel? Vocês têm alguma foto? Alguma história? Muitos parentes e amigos moravam lá.

Ana Paula disse...

Parabéns! Adoro o seu blogger

Fátima Garcia disse...

Olá Fernando, não tenho fotos nem encontrei informações sobre várias vilas operárias que sei que existiam, como essa que você citou e outras, como a vila ferroviária no bairro Farias Brito. Só encontro matérias sobre o assunto em trabalhos acadêmicos, o que exige muito tempo de pesquisa. Mas continuo pesquisando e pretendo complementar esse post sobre as vilas.
abs

Fátima Garcia disse...

Obrigada Ana Paula, é um prazer contar com a sua companhia
abs

Anônimo disse...

QUERO INFORMAR A TODOS OS AMANTES DA HISTORIA QUE MOREI EM FORTALEZA NO ANO DE 1968 E 69 E MORAVA NA VILA DO COTONIFICIO LEITE BARBOSA, UMA FABRICA DE TECIDO QUE FICAVA DO BAIRRO MONTESE, FOI A MELHOR COISA DA MINHA VIDA, A VILA OPERARIA DE LÁ, QUE SAUDADES, MORAR EM FORTALEZA

Fátima Garcia disse...

você tem alguma foto da Vila operária do Cotonificio Leite Barbosa, anônimo?

Anônimo disse...

hola Fatima , estoy interesada en esta historia buscamos a nuestros familiares en brasil , mi mama y mi tia ana maria pinto y ana lucia pinto perdieron contacto con fernando Oshiel pinto su padre y casualmente tienen una prima que se llama fatima.
cualquier informacion daniella.fp007@gmail.com

Dr. LEMOS disse...

Olá Fátima Garcia. Parabéns pelo blog. Sobre o Cotonifício Leite Barbosa(antiga Fábrica Santa Teresa) o link a seguir conta toda a história...ok?!
http://www.institutodoceara.org.br/revista/Rev-apresentacao/RevPorAno/2014/08_AfamiliaLeiteBarbosa.pdf