quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Governo Caio Prado (1888-1889)

Caio Prado (no centro do grupo) e seus amigos na chácara do livreiro Guálter Silva, no Benfica. (arquivo Raimundo Girão))
Antonio Caio da Silva Prado foi nomeado presidente da província do Ceará por carta imperial de 25 de março de 1888. Nascido em São Paulo, em 13 de junho de 1853, de família rica e tradicional, irmão do renomado escritor Eduardo Prado, foi educado na Europa, cursou Engenharia na França e formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo.

Caio Prado assumiu o governo do Ceará em 21 de abril de 1888, cercado de admiradores e elogios de simpatizantes, mas com reservas da imprensa local. Ao tomar posse no cargo, logo se viu cercado de dificuldades de todos os tipos.

A maior delas foi que o estado, mais uma vez, se deparava com o flagelo da seca, essa denominada “seca dos três oitos”. Também estava às voltas com dificuldades políticas por ter entregado todos os postos oficiais do governo a correligionários.

Criticado por setores da sociedade, e alheio aos problemas que assolavam o estado, Caio Prado entregou-se à convivência dos intelectuais da terra e pessoas da sociedade, abrindo os salões do Palácio do Governo para receber a elite que o acompanhava às tertúlias e aos piqueniques domingueiros em sítios e chácaras de Fortaleza e Maranguape.
O palácio era um salão de festas aberto todo o tempo, as festas e recepções eram contínuas, os gastos altíssimos.

O presidente da província foi descrito pelo cronista João Brígido como homem que deslumbrava pelo seu jeito principesco, talentoso, hábil e com muito senso prático, mas totalmente destituído de noções peculiares do governo local.

Enquanto as festas palacianas aconteciam, a seca continuava implacável, trazendo para a Capital a miséria, a fome e um exército de retirantes. Somente após os rumores da existência de ações que visavam sua interdição, o governo decidiu adotar algumas providências ainda que tardias e iniciou a assistência aos flagelados através dos serviços públicos.

E a ajuda veio em maior intensidade em forma de migração, principalmente para a Amazônia e para o Sudeste, solução bastante comum em outras secas, sob outros governos. O “inferno verde” e os trabalhos nos cafezais atraíam os nordestinos expulsos pela seca, que sonhavam com dias melhores nos eldorados dos seringais e dos cafezais.

A administração de caio Prado não fugiu à regra; apesar dos elogios recebidos pelas iniciativas tomadas em socorro dos necessitados, como a construção de obras de açudagem, foi muito criticado pela imprensa pelas atitudes tomadas, e por incentivar a migração de cearenses para outras regiões do país.

Noticiais de jornais da época davam conta que em apenas dois vapores da Companhia Brasileira, embarcaram 2.720 emigrantes; outro jornal revelava que no período entre 19 de setembro a 12 de janeiro do ano seguinte, deixaram a província 5641 pessoas com destino ao sudeste e 2421 cearenses foram para o Norte.
Apesar das críticas, cada vez mais contundentes, o Presidente Caio Prado continuou incentivando a emigração: não foi proposta nenhuma outra solução.

Para completar a tragédia da falta de chuvas, proliferou no Ceará uma violenta epidemia de febre amarela, agravando o quadro de miséria para milhares de pessoas sem remédios, sem alimentos, sem esperanças.
Com a epidemia instalada no estado, o próprio presidente foi uma das vítimas; acometido da doença, faleceu em 25 de março (ou maio) de 1889.
Com características tão marcantes, Caio Prado seria imortalizado no livro “A Normalista”, de Adolfo Caminha, um romance regionalista que trata dos costumes da época em fortaleza.

Fontes:
GIRÃO, Raimundo. Geografia Estética de Fortaleza. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1959.
GIRÃO, Valdelice Carneiro. A Emigração Cearense no Governo Caio Prado (1888-1889). Fortaleza: Revista do Instituto do Ceará, 1990.

Um comentário: