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sábado, 7 de outubro de 2023

Colégios Antigos – Doces Lembranças

 

A escola é certamente o primeiro relacionamento sério da vida de alguém, um relacionamento que cobra responsabilidade, exige comprometimento. Em troca, abre portas com tantas possibilidades, que a jovem imaginação de uma criança sequer havia sonhado. É o lugar onde se passa mais tempo, depois da casa paterna. As escolas deixam marcas, lembranças inesquecíveis, a maioria boas, que ficarão para sempre no imaginário e nos ensinamentos que levamos pela vida afora. Por isso, é tão desanimador constatar que sua escola, o seu lugar de memória mais representativo, não existe mais. Algumas dessas escolas:   

Colégio Brasil

Colégio Brasil na Rua Dona Leopoldina. foto do Anuário do Ceará

Criado nos anos 60, por iniciativa do professor Amadeu Arraes, o Colégio Brasil iniciou as atividades com apenas 63 alunos, distribuídos em 2 salas de aula, em prédio alugado, localizado na Rua Rodrigues Júnior, 384. Na década de 70 contava com 1500 alunos e funcionava em prédio próprio, na Rua Dona Leopoldina, 480. A nova sede tinha 3 pavimentos, 21 salas de aula, 4 laboratórios, biblioteca e cursos de língua estrangeira e educação artística.  

Colégio São José

funcionava na Avenida Visconde do Rio Branco, 1257, ao lado do Parque da Liberdade (Cidade da Criança). Foi autorizado a funcionar como colégio pelo Decreto nº 17.700, de 30 de janeiro de 1945. Até então era o Ginásio São José.

Colégio Nogueira

Localizado na Praça do Carmo esquina com a Rua Barão do Rio Branco. Foto Arquivo Nirez

No início das atividades funcionava na antiga residência de Meton de Alencar, na Rua General Sampaio, ao lado da Casa Juvenal Galeno, com a denominação de Externato Pedro II, de Francisco Gonçalves. A partir de 1918, passou a chamar-se Instituto de Humanidades, (Colégio Nogueira), criado pelo professor Joaquim da Costa Nogueira. O colégio destacou-se pelo revolucionário método didático, tornando-se o melhor e mais procurado educandário de Fortaleza. Tinha como lema na pedagogia da época, de ensinar não muito, mas ensinar bem, ensinar certo, levando o aluno por processos naturais e ensinamentos concretos, a formar juízo perfeito de cada uma das disciplinas professoradas na escola. Ficava na Praça do Carmo, esquina com a Rua Barão do Rio Branco, local onde depois esteve o Colégio Farias Brito.

Colégio Capital (Evolutivo)

Antes de se tornar uma unidade de uma das maiores organizações educacionais do Ceará, a Organização Educacional Evolutivo (que também já fechou), o prédio localizado na avenida Heráclito Graça, número 826, antes abrigou o Colégio Capital. A marca Evolutivo se tornou uma das mais conhecidas na educação cearense. O colégio chegou a ter nove sedes em seu auge e era conhecido por ter preços acessíveis comparados a outras instituições privadas, à época. Em 2012, o Evolutivo fechou as portas. Atualmente, no prédio que já foi Colégio Capital e Evolutivo Capital, funciona a Faculdade Ari de Sá.

Colégio Rui Barbosa

sala de aula do Colégio Rui Barbosa, com o professor Clodomir Teófilo Girão, no centro, com alguns de seus alunos, no ano de 1949. Foto Arquivo Nirez. 

O colégio Rui Barbosa foi inaugurado em 01 de maio de 1945, pelo professor Clodomir Teófilo Girão, instalado na Rua Senador Pompeu em prédio antes ocupado pelo Colégio Dom Bosco.  Mais tarde o colégio foi vendido, mudando-se para a Avenida do Imperador nº 372.

Colégio Nossa Senhora Aparecida

prédio onde funcionou a Escola Jesus Maria José e o Colégio Nossa Senhora Aparecida 2012 acervo Fortaleza em Fotos 

A Escola Nossa Senhora Aparecida foi fundada em 1963, pelo padre Valdemar Marques, na paróquia do Cristo Rei, funcionando da 5ª. a 8ª séries na qualificação de empregados domésticos. A partir de 1980 passou a funcionar no prédio localizado na Rua Coronel Ferraz, n° 120, no centro, construído para abrigar a Escola Jesus Maria José, destinada à educação de meninos pobres ou órfãos. Em 1987 criou os cursos pedagógicos, científico e profissionalizante, mediante convênio com o Senac e a UECE. A partir daí foi reconhecida como de utilidade pública pelo Conselho Estadual de Educação e manteve convênio com as Secretarias de Educação do Estado e do Município. Era administrada pela Paróquia da Catedral de Fortaleza.

Colégio Pio X

Fundada por Frei Mansueto em 1908. O prédio foi construído em terreno doado pelo padre João Augusto da Frota, na esquina sudeste do Boulevard do Livramento (atual Avenida Duque de Caxias) com a Rua Pero Coelho (atual Barão de Aratanha). Os recursos para construção foram obtidos por Frei Marcelino de Milão através de campanhas movidas pelas várias confrarias religiosas. Foi inaugurado em 5 de julho de 1908, mantido e dirigido pelos frades capuchinhos; era uma obra das vocações missionárias, misto e gratuito.  O prédio passou por reforma e ampliação em 1924, quando foi construído o segundo pavimento. Atualmente o imóvel está alugado a uma faculdade.

Colégio Padre Champagnat

Fundado em 14/09/1971, sob direção do professor Miguel Elpídio Dantas Silveira, encerrou as atividades em 2007. Funcionou inicialmente no prédio onde antes estivera o Cine Familiar, de propriedade dos padres franciscanos, depois vendido a Luiz Severiano Ribeiro, que fechou o cinema.  Depois abriu filiais em outros endereços. O nome era em homenagem ao padre Marcelino Champagnat, fundador da Congregação dos Irmãos Maristas.

Colégio Castelo Branco

O colégio Castelo Branco foi fundado no dia 1° de junho de 1900 com o nome de Instituto Miguel Borges, pelo professor Odorico Castelo Branco, na Rua Major Facundo, 156-B. Em 1910 mudou-se para a Rua Senador Pompeu, 24, depois mudou-se para a Praça Senador José Júlio (Praça do Coração de Jesus) onde permaneceu até a morte de Odorico, em 1921. Após o falecimento do seu fundador, o estabelecimento de ensino recebeu a denominação de Colégio Castelo Branco, teve seu patrimônio alienado à Arquidiocese de Fortaleza e mudou-se para a Avenida Dom Manuel no final da década de 1930.

Escola Alba Frota/Cidade da Criança

foto da Internet

A escola foi fundada em 26 de maio de 1937, pelo prefeito Raimundo de Alencar Araripe (1936/1945) com a denominação de Serviço de Educação Infantil, composto de duas seções: Jardim da Infância (para crianças de 3 a 6 anos) e Parque Recreativo (crianças de 7 a 14 anos), transformando o Parque da Independência em Cidade da Criança. A primeira diretora foi a professora Zilda Martins Rodrigues. Em 1967, por sugestão da escritora Rachel de Queiroz a nome da escola foi mudado para Alba Frota, ex-professora e diretora da escola entre 1946 e 1954. Em 1966 foi construída uma nova escola na Avenida Dom Manuel, em melhores instalações, junto ao Parque Pajeú.

Colégio Juventus

Fundado em fins dos anos 60, situado na Rua João Siqueira, bairro Joaquim Távora. Foi extinto em 2008, a pedido do seu diretor, Padre Gotardo Thomaz de Lemos.

Colégio Fênix Caixeiral

primeira sede da Fênix Caixeiral na Rua Guilherme Rocha esquina com a Rua General Sampaio. acervo Instituto do Ceará 

Um dos estabelecimentos de ensino mais tradicionais de Fortaleza, a Fênix Caixeiral surgiu como escola de comércio, inaugurada em 24 de junho de 1905, na esquina da Rua General Sampaio com a Guilherme Rocha. O palacete com um andar superior e um porão tinha o acesso voltado para a atual Praça José de Alencar. Como o palacete logo se tornou pequeno para abrigar as diversas dependências da associação e a sua escola de comércio, a instituição iniciou a construção de uma casa maior, no terreno da Rua 24 de maio esquina com a Rua Guilherme Rocha, onde estivera a residência do Comendador Antônio Nogueira Pinto Acioly. A segunda sede ficou em poder da Fênix até a década de 1970, quando a instituição a vendeu e mudou-se para a Avenida do Imperador.

Grupo Escolar Rodolfo Teófilo

em 1923 ano da inauguração. Foto Nirez

O Grupo Escolar Rodolpho Teófilo foi instalado em 2 de janeiro de 1923, projeto do arquiteto José Gonçalves da Justa, no bairro Benfica, atual Avenida da Universidade. Inicialmente era chamado de Grupo Escolar do Benfica, depois passou a denominar-se Grupo Escolar Rodolfo Teófilo. Em 20 de agosto de  1956, o estabelecimento de ensino foi transferido para outra rua próxima, e o prédio passou a abrigar o Museu Antropológico e o Instituto do Ceará.   Depois de sucessivos usos, como o Museu Antropológico e o Instituto do Ceará, hoje o prédio abriga a Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade da Universidade Federal do Ceará. Os Grupos Escolares foram extintos nos primeiros anos da década de 1970, substituídos paulatinamente pelo sistema de ensino de 1° Grau determinada pela Lei n. 5.692/71, durante o regime militar, na gestão do presidente Emílio Garrastazu Médici.


Veja mais sobre os antigos colégios: 

http://www.fortalezaemfotos.com.br/2017/05/colegios-desativados-de-fortaleza.html

http://www.fortalezaemfotos.com.br/2014/04/antigos-colegios-de-fortaleza.html


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Modernidade Turbulenta dos Anos 20


No mesmo ano da inauguração do cine Majestic Palace (1917), veio à tona a primeira greve cearense realmente operária, a dos trabalhadores da Ceará Light and Power, movimento que se repetiria em 1918, 1925 e 1929. Antes já houvera as paralisações dos trabalhadores da Estrada de Ferro Baturité em 1891, e a dos catraieiros, em 1904.
No período em questão, o movimento operário no país, como um todo, revitalizava-se com as greves gerais anarquistas, a influência da revolução bolchevique na Rússia em 1917 e a emergência do Partido Comunista Brasileiro, em 1922. Em Fortaleza, para fazer frente à politização do operariado, o patronato local criou o Centro Industrial Cearense em 1919.

O problema da educação, ponto de vital importância para a produção do novo trabalhador que se desejava treinado, competente e civilizado, não podia ficar de fora das estratégias dos setores governamentais. Nesse sentido o governo de Justiniano de Serpa (1920-1923), realizou ampla reforma do ensino primário através do educador paulista Manuel Bergstrom Lourenço Filho, especialmente contratado para esse fim. 
Ressalte-se, porém, que a reorganização do sistema educacional empreendida por Lourenço Filho não se limitava apenas à educação pública. Outros itens considerados básicos e indissociáveis também foram observados, como higiene, arejamento e conforto das salas de aulas e novos edifícios colegiais. 

 Grupo Escolar do Benfica, inaugurado em 1923

Como o embelezamento da cidade compunha o dispositivo disciplinar urbano que envolvia saúde-saneamento-racionalidade, as novas escolas ganharam estilo neocolonial – numa tentativa de criar uma versão nacional do ecletismo arquitetônico – projetado pelo arquiteto Armando Oliveira, do Rio de Janeiro.
De fato, o aformoseamento continuou como uma das questões centrais do anseio de remodelação urbana da Capital. A década de 1920 evidenciando as preocupações nesse sentido viu surgirem expressivas obras públicas e privadas, que reformulavam os espaços e criaram outros. Dentre esses espaços estavam o Parque da Liberdade, a nova reforma da Praça do Ferreira e a constituição de bairros elegantes. 

Praça do Ferreira em 1919, com o Cine-Teatro Majestic Palace e o Café Elegante. O café, juntamente com outros três que ocupavam os quatro cantos da Praça, foram demolidos no ano seguinte, na reforma promovida pelo prefeito Godofredo Maciel. 

O Parque da Liberdade, na antiga lagoa do Garrote, localizado no centro urbano de então, recebeu completa reforma em 1922. Realizada por Ildefonso Albano, que substituíra Justiniano de Serpa, falecido em 1923, o Parque veio repartir as opções de lazer com o Passeio Público. O logradouro recebeu cerco de gradil de ferro, muretas de alvenaria em estilo colonial, grande portão de entrada com azulejos portugueses e demais ornamentos internos.  No alto do portão da entrada principal, deveria ser implantada uma cópia em tamanho pequeno da Estátua da Liberdade, de Nova York, sendo, no entanto, substituída por um índio que partia dos grilhões da submissão colonial.
Na gestão de José Moreira da Rocha (1924-1928), além da inauguração do serviço de abastecimento de água e esgotos, obra que se arrastava desde o início do século, foi procedida ampla reformulação da Praça do Ferreira, a principal da cidade. A obra foi exigida por motivos higiênicos e estéticos, mas, sobretudo, para racionalizar a circulação de pedestres, bondes e automóveis.
A nova praça do Ferreira também recebeu amplo piso de ladrilhos, mas sacrificou os quatro quiosques, tipo chalés de madeira, que se localizavam  nos quatro cantos da praça. 

 Avenida Pessoa Anta

Em 1927 concluía-se um sistema de avenidas ligando o centro à praia. Em seu trajeto as novas vias passavam pelo Quartel Federal, Praça da Sé,  Alfândega, armazéns de exportação e Secretaria da Fazenda.
O projeto das avenidas não alterou o traçado da cidade, posto que foram aproveitadas vias já existente, mas com ocupação rarefeita (valorizando, consequentemente, os terrenos desocupados da área). Estas vias que se transformam em avenidas nos anos 20, já estavam previstas na planta urbanística feita por Adolfo Herbster em 1875, cujo plano em forma de xadrez, antecipou o crescimento disciplinado da cidade, sem necessidade de grandes intervenções urbanas.

 A Avenida Duque de Caxias é uma das três avenidas mais antigas da cidade - era um dos boulevards criados por Adolfo Herbster,  na Planta da Cidade de Fortaleza e Subúrbios, de 1875

A planta de Herbster, porém, foi perdendo sua força sistematizadora ainda naquela década, principalmente a partir dos anos 1930.
Estudiosos dos dias atuais, que se debruçam sobre a formação do espaço urbano de Fortaleza, concordam que a Capital sofre um crescimento desordenado a partir dos anos 30.  Diante da constatação do problema, em 1932, o Prefeito Tibúrcio Cavalcante alerta sobre a necessidade inadiável de ser adotado um plano de sistematização urbana. 
Coube, porém ao sucessor, Raimundo Girão, contratar o arquiteto Nestor de Figueiredo, cujo plano de remodelação, o primeiro depois de Herbster, foi abandonado na gestão municipal seguinte, do prefeito Álvaro Weine, sob a alegação de que a cidade precisava de outras realizações mais necessárias.
No que diz respeito às camadas dominantes, a expansão e a movimentação pública do perímetro central nos anos 20 foram suficientes para fazê-las se transferirem do centro para áreas periféricas desocupadas. Estas redundaram na formação dos primeiros bairros ricos.

 Avenida Philomeno Gomes, no Jacarecanga

Na verdade, o deslocamento burguês começou lentamente a partir de 1915, poucos anos após a revolta urbana de 1912, em razão do medo causado pelas depredações, saques e incêndios e no momento da entrada de flagelados na Cidade, vindos do sertão, devido a seca de 1915.
As primeiras mansões levantadas no lado oeste da cidade, no arrabalde de jacarecanga, aproveitando a continuação da Travessa Municipal (atual Rua Guilherme Rocha).
A ocupação do Jacarecanga e, em menor escala, da Praia de Iracema pelas elites a partir da década de 20, configura o surgimento dos primeiros bairros elegantes da Capital, delineando com maior visibilidade os novos espaços burgueses e reforçando a segregação sócio-espacial entre ricos e pobres.

Avenida Santos Dumont

Inquestionavelmente, naquele final de Primeira República, a tensão social entre os diversos segmentos sociais urbanos se agravou em Fortaleza, como de resto em todo o país. O perímetro central crescia com o movimento acelerado de carros, lojas, armazéns, oficinas, cinemas, parques e clubes.
O movimento da multidão na Capital também se adensou – a população em 30 atinge os 100 mil habitantes – e na sua maior parte era formada pela massa  que o poder procurava disciplinar - e que ao mesmo tempo produzia operários e demais categorias de trabalhadores, os desempregados, os mendigos, os menores abandonados, as prostitutas e todos os pobres em geral, com suas aparências e comportamentos tidos como selvagens, nocivos e inadequados.  

 Avenida Santos Dumont

A resistência das camadas populares ante os variados mecanismos disciplinadores que lhe afetavam cotidianamente tanto nos espaços públicos como privados, expressou-se sob as mais diversas formas: além das já apontadas, houve relutância em receber vacinas, a conservação de certos hábitos, crenças e posturas, o desapego ao trabalho sistematizado. Mas houve também resistência por parte das classes dominantes, pois se tratava de um enfrentamento de forças sociais em todas as horas, dias, lugares e relações.

fotos do Arquivo Nirez
Extraído do livro de Sebastião Rogério Ponte
Fortaleza Belle Epoque: Reformas Urbanas e Controle Social (1860-1930)
  

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Fortaleza - 286 anos a Velha e a Nova Cidade

arquivo Nirez
foto: Fátima Garcia

Construído no local do antigo Matadouro Público, que posteriormente foi um sobrado de propriedade do Coronel José Eustáquio Vieira, onde residiu o Comendador Luis Ribeiro da Cunha. Este imóvel sofreu um incêndio devastador em 1902 e o que restou,  foi demolido em 1907.
O terreno foi adquirido pelo Barão de Camocim, que construiu o palácio, inaugurado em 1908. Foi ocupado sucessivamente pelo Bank of London, (1910) Banco dos Importadores (1925) a Boate Guarani, o Clube dos Diários, e Banco do Estado do Ceará, e uma empresa de telecomunicações. Sofreu diversas reformas, inclusive no telhado de ardósia, fortemente inclinado, que servia para escorrer neve. 
Fica na esquina da Rua Barão do Rio Branco com Senador Alencar. 


foto: panorâmio

Foi em 2 de janeiro de 1923 que o prédio construído para abrigar o Grupo Escolar do Benfica ficou pronto, um projeto do arquiteto José Gonçalves da Justa, localizado na Avenida Visconde de Cauípe, atual Avenida da Universidade, 2431.  
Sua instalação deu-se no mesmo dia. Depois passou a denominar-se Grupo Escolar Rodolfo Teófilo. 
Em 20 de agosto de  1956, o estabelecimento de ensino foi transferido para outra rua próxima, e o prédio passou a abrigar o Museu Antropológico e o Instituto do Ceará.  
Dez anos mais tarde foi feita uma permuta com a Universidade Federal do Ceará e o Instituto do Ceará passou a funcionar na Rua Barão do Rio Branco, na Praça do Carmo onde ainda se encontra, e o museu foi para uma casa na Avenida Barão de Studart. 
Atualmente o prédio, que sofreu algumas modificações,  abriga os cursos de Economia, Administração e Ciências Contábeis – a FEAAC, da Universidade Federal do Ceará.


arquivo Nirez
foto: Fátima Garcia

a Pharmácia e Drogaria Pasteur, foi fundada em 19 de setembro de 1894, na Rua Major Facundo, 16 (atual 538), pelo Dr. Leopoldo Domingues, que após 9 anos vendeu ao farmacêutico Francisco Linhares Filho, que por sua vez, em 1905, vendeu a Eduardo de Castro Bezerra. 
A Pasteur era a mais famosa, a mais acreditada e a maior em instalações dentre todos os estabelecimentos farmacêuticos do Ceará, tendo, inclusive, fundo correspondente com a Rua Barão do Rio Branco.  No antigo prédio da Pasteur funciona a Farmácia Avenida, a faixa branca com o nome Farmácia, encobre o antigo nome da Pasteur.

acervo Marciano Lopes
foto: Fátima Garcia

No belo sobrado, bastante modificado, onde hoje funciona a loja de calçados "Esquisita", existia o Café Sport, dos irmãos Emygdio. Era o mais central e mais bem frequentado café da cidade, no cruzamento das Ruas major Facundo e Liberato Barroso

arquivo Nirez
foto: Fátima Garcia

A Praça Venefrido Melo ficava no Mondubim e dividia em duas vias a estrada que cruzava a linha de ferro, inaugurada juntamente com a luz elétrica. Hoje a estação de trem foi demolida, a pracinha desapareceu e tudo que restou foi a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que apesar de continuar de pé, está desativada já que ao lado, foi construída uma nova igreja sob a mesma invocação da anterior. 

Paróquia de Bom Jesus dos Aflitos

Acervo do Museu da Imagem e do Som
imagem: http://www.dipity.com/tickr/Flickr-igreja-bom/

O nome da igreja é devido à devoção dos moradores, desde o século XVI, ao Bom Jesus dos Aflitos que em 1759 se tornou padroeiro da ainda vila de Arronches. A igreja tem tradicional desenho de planta de nave central com duas torres simétricas e de igual forma embora uma delas abrigue um relógio enquanto a outra o sino. Sua fachada é bastante simples e possui alguns poucos elementos de decoração na balaustrada das janelas superiores e nos arcos das portas de acesso. Seu adro não possui nenhum elemento de destaque, mas somente um desenho em pedra portuguesa. Fica na praça central de Parangaba, chamada de Praça dos Caboclos. Foi construída em 16 de março de 1877, pelos padres jesuítas.

fontes:
Cronologia ilustrada de Fortaleza
Royal Briar, a Fortaleza dos anos 40

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ildefonso Albano e as Reformas Urbanas

Em 12 de junho de 1923, o presidente da província Justiniano de Serpa, por motivos de doença, transmitiu o governo do Ceará para o vice-presidente Ildefonso Albano. Na liderança, o substituto de Serpa continuou as obras iniciadas pelo antecessor, demonstrando experiência no trato com as questões públicas.

Grupo Escolar do Benfica, fundado em 1924 (arquivo Nirez)

Ildefonso Albano já ocupara o cargo de Prefeito de Fortaleza no governo do coronel Franco Rabelo (1912-1914). Como prefeito na administração de Justiniano de Serpa, foi responsável pela reforma urbanística de importantes áreas da cidade: arborização da Avenida Alberto Nepomuceno, reforma e construção dos jardins da Praça General Tibúrcio, reforma do Parque da Independência (atual Cidade da Criança), reforma das calçadas com a utilização de fios de pedra e arborização da cidade com Ficus benjamin.

O Parque da Independência foi reformado em 1923, quando Ildefonso Albano ocupava o cargo de prefeito de Fortaleza (arquivo Marciano Lopes)

Durante sua permanência na presidência do Estado foram construídas várias pontes, além de edifícios escolares, como os grupos escolares do Benfica, hoje edifício da Faculdade de Ciências Econômicas, os grupos de Visconde do Rio Branco e o de Fernandes Vieira; concluiu o edifício da Secretaria da Fazenda e iniciou a construção do Quartel da Polícia Militar. 

Marco de inauguração da Ponte Epitácio Pessoa, construída no governo Ildefonso Albano (acervo Museu do Ceará) 

Deste modo dotou o Ceará de uma boa infraestrutura de prédios indispensáveis aos serviços de  educação e segurança pública. No exercício da presidência do Ceará, fundou a sociedade de agricultura, convocou e mobilizou os cotonicultores para produção e expansão do algodão; estudou e defendeu os interesses da pecuária cearense, sendo o seu governo o que melhor compreendeu a dinamização dos recursos, notadamente o binômio  gado – algodão.


Ildefonso de Abreu Albano nasceu em Fortaleza em 12 de fevereiro de 1885, filho de José Albano Filho e Maria de Abreu Albano. Seu avô paterno era José Francisco da Silva Albano, o Barão de Aratanha. 

Estudou no Seminário da Prainha – ao lado do irmão José de Abreu Albano – e  depois na Áustria e na Inglaterra. Cursou até o terceiro ano da faculdade de Direito do Ceará, mas não obteve o bacharelato.

Quando retornou da Europa, onde estudou tecnologia da tecelagem, ocupou o cargo de gerente da firma Albano e Irmão, a afamada Casa Albano, fundada em 1852, pelo Barão de Aratanha e por seu irmão, Manoel Francisco da Silva Albano.

Propaganda da Casa Albano no ano de seu jubileu em 1912 (Ah, Fortaleza!)

Casado com uma filha do coronel Franco Rabelo, foi nomeado prefeito de Fortaleza. Como deputado federal defendeu o Nordeste, enfatizando a problemática das secas. Denunciou também o boicote organizado contra os Estados do Norte e sugeriu soluções ao problema do algodão.

Publicou os seguintes livros: O secular Problema do Nordeste; A Cultura do Algodão no Ceará; Jeca-Tatu e mané Xique-Xique; O Empréstimo Americano;  Brazil Readers Digest, este último um trabalho didático como professor de língua inglesas no Colégio Pedro II, em que demonstra sua preocupação e devotamento à sua terra e a sua gente.

Prédio da Sefaz, construção iniciada em 1924 no governo de Ildefonso Albano e concluída em 1927, na gestão de José Moreira da Rocha (arquivo Nirez)

Um ano depois, em julho de 1924, quando Ildefonso Albano entregou o cargo de presidente ao seu sucessor  – José Moreira da Rocha – encontrou seu antigo estabelecimento comercial (Casa Albano) em dificuldades financeiras. Além disso, não conseguiu ser incluído na chapa para a Câmara dos Deputados.

No Rio de Janeiro passou a trabalhar como caixeiro e depois como guarda-livros, a fim de sobreviver. Pouco depois foi nomeado adido comercial do Brasil em Havana. Ao retornar ao Brasil ocupou outros cargos no ensino e na administração pública. 
Faleceu no Rio de janeiro, a 22 de dezembro de 1956.


Extraído do livro de Rogaciano Leite Filho - A História do Ceará Passa por esta Rua