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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Base Americana em Fortaleza


Com a entrada do Brasil no confronto mundial, os Estados Unidos instalaram bases em Belém, Natal, Fernando de Noronha e Fortaleza – a costa Norte-Nordeste constituía-se ponto estratégico de defesa para os Aliados, pela proximidade da África, já ocupada pelos Alemães, e por possibilitar a patrulha do Oceano Atlântico. 


O B-17 chamado de Fortaleza Voadora foi um avião bombardeiro quadrimotor construído pela Boeing, durante a Segunda Guerra Mundial, para a Força Aérea dos Estados Unidos. Era uma aeronave potente, de grande raio de ação, capaz de provocar grande destruição em alvos inimigos e com grande capacidade de autodefesa.  
Quando a pista do Pici ainda estava em  fase final de construção, foi prematuramente inaugurada por uma aeronave desse tipo, que precisou pousar por se encontrar perdida em relação a sua rota original. O sobrevoou deste avião de grande porte  causou pânico em Fortaleza (foto wikipédia)

No início de 1943, os norte-americanos iniciaram a construção de sua base na capital cearense. Na então distante área onde hoje se encontra a bairro do Pici, estabeleceram seu Posto de Comando, erguendo um aeroporto no Alto da Balança, conhecido como Cocorote (denominação que vem da expressão inglesa The Coco Route – a rota do Rio Cocó). Era grande o movimento de pousos e decolagens de aviões e dirigíveis (blimps), planando nos céus da capital, patrulhando o litoral contra submarinos alemães. 

 Os Blimps sobrevoavam o litoral cearense tentando localizar e identificar submarinos alemães (postal da época)

Em pouco tempo os soldados americanos passaram a manter contato com a população, influenciando, logicamente, os costumes locais. Curiosamente, uma das formas de aproximação foi através do cigarro – num inglês arranhado, populares pediam cigarros aos gringos e iniciavam uma amizade. Ficaram famosas as marcas de cigarros como Camel, Chesterfield, Lucky-Strike e Pall-Mall em Fortaleza. 

A cidade ganhou uma agitada vida social no entorno da Praça do Ferreira, para onde convergiam os ônibus, os bondes e os carros de aluguel, em cujo quadrilátero encontravam-se os principais cafés, cinemas, restaurantes, farmácias, bares, lojas, garagens, sorveterias, etc. Ali as pessoas iam realizar compras, assistir filmes, falar de futebol, política ou amenidades nos bancos da praça.
E foi para lá, naturalmente, que se dirigiram os norte-americanos, com suas fardas cáqui e branco, se constituíam numa novidade impossível de não ser notada. Altos, de porte atlético, pele, cabelos e olhos claros, os gringos gastavam dólares, paqueravam as mulheres e provocavam ciúmes entre os nativos. 

 a Praça do Ferreira que os americanos conheceram nos anos 40 (foto do Arquivo Nirez)

Apesar do discurso das autoridades e da imprensa da época propagar uma relação amistosa entre fortalezenses e americanos, a convivência não foi assim tão harmoniosa. Há vários relatos de americanos atingindo a boa moralidade local, a exemplo de assédio a mulheres, bebedeiras, atentados ao pudor (soldados chegaram a ser detidos após tomarem banho nus na praia de Iracema), brigas generalizadas em prostibulos, etc. Muitas vezes os nativos reclamavam que, por força do dólar, os americanos eram mais bem atendidos nos estabelecimentos comerciais. Segundo estatísticas da época, 50 mil soldados e técnicos norte-americanos teriam transitado por Fortaleza. A base seria desativada em 1946.

Os Acidentes

Há relatos de alguns acidentes aéreos, todos envolvendo aviões B-24, que tinham Fortaleza como ponto de partida ou de chegada. Esses fatos não foram divulgados pela imprensa. O primeiro deles ocorreu no dia 22 de janeiro de 1944, quando o B-24 comandado pelo segundo tenente Henry A. Daum,  se chocou com uma montanha a 25 milhas a sudoeste de Fortaleza, por volta de 13 horas, em meio a muita chuva. Todos os seis ocupantes da aeronave faleceram.  


 O Consolidated B-24 Liberator  era o bombardeiro americano de maior produção que qualquer outro avião americano durante a Segunda Guerra Mundial  e foi usado pela maioria dos Aliados durante a guerra. Esse modelo de avião este envolvido nos três acidentes relatados. (foto wikipédia) 

Limitado nas informações e pouco detalhista, o relatório da destruição da B-24 mostra que, provavelmente o sinistro ocorreu nas serras existentes entre as cidades de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, facilmente visíveis para quem se desloca de carro pela BR-222.
O segundo acidente ocorreu na madrugada de 8 de fevereiro de 1944, quando o B-24H, pertencente a Esquadrilha 758, sob o comandado do segundo tenente Daniel B. MacMillin, partiu em direção a Dacar, capital do atual Senegal.
Naquela época, segundo a documentação, cada avião que decolava de Fortaleza era obrigado a enviar uma mensagem em código, em períodos de tempo pré-determinado, para que soubessem que estavam em voo e qual era a sua posição. Nas três primeiras horas a mensagem chegou, depois nada mais. O B-24 e seus dez tripulantes desapareceram. Os documentos apontam que durante dez dias foram realizadas missões de busca visual, mas nunca se soube o que ocorreu com esta aeronave, ou com a sua tripulação.


Funeral dos militares americanos na Base Aérea do Pici. Os corpos foram enterrados em Fortaleza e transladados para os Estados Unidos ao final do conflito.
 (fotos do livro História da Energia no Ceará)

O terceiro e mais documentado, ocorreu  por volta da meia noite e cinquenta do dia 28 de fevereiro de 1944, quando o B-24H, comandado pelo segundo tenente Willian M. Brock Jr., decolou em direção a Dacar, mas devido a problemas em um dos motores, fez uma volta para aterrissar e caiu.
Verificado o número do avião com o registro de partida, foi descoberto que aquele B-24 foi o último a sair da base naquela noite e o acidente ocorreu três minutos após a decolagem.  No local já se encontravam viaturas e membros do Corpo de bombeiros de Fortaleza,  para manter o fogo sob controle. Dez tripulantes perderam a vida.  

A influência yanque
               
Se a influência cultural do american way of life já se fazia sentir no Ceará desde os anos 1920 em oposição ao estilo Belle Epoque, foi com e após a 2ª. Guerra Mundial que o processo intensificou-se. Nisso desempenhou um papel preponderante o cinema hollywoodiano no país: astros e estrelas verdadeiros deuses de uma nova mitologia, transmitiam ao povo brasileiro novos valores, novos hábitos, e comportamentos, fosse no modo de vestir, cortar os cabelos, comer, beber e no relacionamento entre pessoas.  

 Praça do Ferreira, anos 60: slacks, meias de nylon, copos de plástico e Coca-Cola (foto do arquivo Nirez)

Foi inspirado no modo de vestir dos americanos, que os cearenses  passaram a usar silaque, uma camisa de tecido leve, própria para o clima quente – ate então predominavam os paletós de linho branco irlandês ou de casemira inglesa – aumentaram o interesse pela língua inglesa, quando surgiram vários cursos de inglês na cidade,  e substituíram o vidro por objetos de plástico.
Outro exemplo das mudanças de costumes foi a diminuição do preconceito das elites para a popular cachaça, vista como bebida de desclassificados. A polícia criava restrições à venda de aguardente nas bodegas, não permitindo a comercialização depois das 18 horas e nem  periodo de carnaval. 

 casamata construída no Pici pelos mericanos, espécie de abrigo subterrâneo para instalação de bombas e outros equipamentos bélicos. A construção resistiu ao tempo, mas não é mais subterrânea e hoje abriga uma familia. (foto do Diário do Nordeste)
 
Os rapazes americanos, porém, quando iam ao centro de Fortaleza, especialmente aos cafés da Praça do Ferreira, em busca de “bebida forte”, ao não encontrarem uísque, bebiam cachaça misturada com Coca-Cola. As elites locais logo aderiram a moda, bebendo aberta e socialmente, eliminando o preconceito contra a cachaça, e consumindo a Coca-Cola, não por acaso, um dos símbolos do capitalismo, vindo da terra dos valorosos combatentes.


pesquisa:
História do Ceará, de Airton de Farias
História da Energia no Ceará, de Ary Bezerra Leite
Tok de História, de Rostand Medeiros - disponível em < http://tokdehistoria.wordpress.com>

     

domingo, 21 de novembro de 2010

Visitantes Ilustres



Em 22 de junho de 1889, desembarca em Fortaleza no viaduto em construção na Praia do Peixe, O Conde D’Eu vindo do paquete Alagoas. Durante a visita ao Ceará foi recebido por autoridades de todos os escalões.



Presidente Afonso Pena (sentado) em companhia do presidente da província Nogueira Accioly 

Em 15 de junho de 1906 desembarca em Fortaleza o presidente eleito da República Dr. Afonso Augusto Moreira Pena, em visita aos estados do Nordeste. 
Afonso Pena governou o Brasil entre 15 de novembro de 1906 e 14 de junho de 1909, quando faleceu durante o mandato. Foi substituído pelo Vice Nilo Peçanha.



Washington Luís tem ao seu lado o general Eudoro Correia, comandante do Colégio Militar de Fortaleza e o desembargador Moreira da Rocha, presidente do estado. 

Chegou a Fortaleza no dia 2 de agosto de 1926, a bordo do navio Pará, na condição de candidato a presidência da república. Foi recebido pelo presidente do Estado José Moreira da Rocha e o prefeito Godofredo Maciel.
 Foi-lhe oferecido um jantar com 150 convidados no Teatro José de Alencar. 
Washington Luiz foi eleito, assumiu o cargo em 15 de novembro de 1926 e governou o Brasil até 24 de outubro de 1930, quando foi deposto por um golpe militar (conhecido como a Revolução de 30), vinte e um dias antes de completar o mandato.  



no Teatro José de Alencar, vemos o poeta Pierre Luz, Alberto Klein, Bidu Sayão, Paurilo Barroso, Fernando Pinto e Perboyre Quinderé

A cantora lírica Balduína de Moreira Sayão (Bidu Sayão) chegou à Fortaleza em 27 de novembro de 1936, para realizar um recital no Teatro José de Alencar, sob o patrocínio da Sociedade de Cultura Artística. 
Bidu Sayão foi uma das mais respeitadas artistas do Metropolitan Opera de Nova York. Ao longo de sua carreira, conviveu e trabalhou com as maiores personalidades artísticas deste século, como o maestro Arturo Toscanini, um de seus grandes admiradores, Maria Callas, a pianista Guiomar Novaes e Carmem Miranda. 
Além disso, foi a parceira favorita de Villa-Lobos, numa carreira que durou 38 anos. Nesse período, emprestou sua voz e imortalizou a Bachiana n.º 5, das Bachianas Brasileiras, as peças mais conhecidas e mais amadas do compositor. 
Esta, que foi considerada pelo maestro como a mais perfeita gravação da obra, foi escolhida para o prêmio Hall of Fame, dado pela National Academy of Recording Arts and Sciences. Clássico brasileiro mais conhecido no mundo, por dois anos seguidos foi o disco mais vendido nos Estados Unidos.



O ministro do Trabalho Waldemar Falcão fala ao microfone da Ceará Rádio Clube. Estão com ele o interventor Menezes Pimentel, comendador Ananias Arruda, prefeito Raimundo Alencar Araripe e o diretor da PRE-9 João Dummar. 

O Ministro do Trabalho Waldemar Falcão visitou Fortaleza em 26 de fevereiro de 1938, sendo recebido no Palácio da Luz com discursos de Perboyre e Silva e Eduardo Mota.
Cearense de Baturité formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1917. 
Foi delegado de Polícia e da 1ª. Região Policial.
 Entre 1921 e 1931 exerceu o magistério e a dvocacia. Em 1934 foi eleito deputado pelo estado do Ceará, participando da comissão constitucional. Foi eleito Senador em 1935; Ministro do Trabalho em 1937; e nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal em 1941; Vice-Presidente do Tribunal Superior Eleitoral em 1945.
 Faleceu em 1945 nos Estados Unidos, onde se encontrava realizando um estudo sobre Legislação Eleitoral.



no Aeroporto condor na Barra do Ceará vemos M.G.Barreto, João Dummar e o cantor Francisco Alves 

O Cantor Francisco Alves chegou a Fortaleza no dia 28 de  julho de 1938, a bordo de um avião da Condor , descendo no aeroporto da Barra do Ceará. O artista cumpriu uma temporada  ao microfone da ceará Rádio Clube, que tinha seus estúdios nas Damas. 
Francisco Alves apresentou-se também no Teatro José de Alencar no dia 30.
Francisco Alves foi um dos mais populares cantores brasileiros de todos os tempos, na época em que se apresentou em Fortaleza, estava no auge de sua carreira.

Getúlio Vargas


O presidente Getúlio Vargas visitou a Cidade da Criança ao lado da professora Alba Frota e do prefeito Raimundo Alencar Araripe 

O presidente visitou Fortaleza no dia 15 de outubro de 1940, uma das escalas de sua visita aos estados do Nordeste. Fez um discurso na Praça General Tibúrcio, em frente ao Palácio da Luz, e a noite participou de um banquete no Ideal Clube. No dia seguinte visitou a Cidade da Criança e o Posto de Piscicultura da Gentilândia.
Getúlio Vargas foi presidente da república em dois períodos. O primeiro durou 15 anos, de 1930 a 1945, e dividiu-se em três fases:  
De 1930 a 1934, era o chefe do Governo Provisório;
De 1934 a 1937 foi eleito presidente da república eleito pela Assembléia Nacional constituinte de 1934;
De 1937 a 1945, como ditador, após um golpe de estado.  Foi Nessa condição que ele visitou Fortaleza em 1940.
No segundo período de governo Getúlio foi eleito por voto direto, e governou o Brasil como presidente por 3 anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954, quando cometeu suicídio, e saiu da vida para entrar na história.  

Brigadeiro Eduardo Gomes
 

José Américo de Almeida discursa fazendo campanha pelo brigadeiro Eduardo Gomes para a presidência da república, vendo-se também Paulo Sarasate.
 
Acompanhado de grande comitiva, chega a Fortaleza no dia 11 de novembro de 1945, o candidato a presidência da República, o brigadeiro Eduardo Gomes, que traz entre seus assessores o escritor José Américo de Almeida. 
Eduardo Gomes candidatou-se a presidência da república em duas oportunidades: na primeira, em 1945, perdeu a eleição para Eurico Gaspar Dutra; e na segunda, em 1950, foi derrotado por Getúlio Vargas.

General Eurico Gaspar Dutra


Avenida João Pessoa, na altura do estádio do Ceará Sporting, quando da chegada à Fortaleza do presidente Eurico Gaspar Dutra. Era o acesso ao aeroporto do cocorote.

O então presidente visitou Fortaleza no dia 02 de outubro de 1949, desembarcando no Aeroporto do Cocorote. Eurico Gaspar Dutra foi o 16° Presidente do Brasil, governou de 31 de janeiro de 1946 a 31 de janeiro de 1951.

Escritor Érico Veríssimo


o escritor em uma das livrarias que promoviam suas obras

 O escritor gaúcho veio a Fortaleza em 08 de novembro de 1951, onde proferiu palestras, divulgou algumas de suas obras e recebeu muitas homenagens.

 Ministro da Guerra Henrique Teixeira Lott


O candidato Teixeira Lott em campanha(em pé) . Na mesa, Francisco Menezes Pimentel, Parsifal Barroso e Armando Falcão. Em pé os repórteres, entre eles Edilmar Norões e Armando Vasconcelos. 
   
O Marechal Henrique Dufles Teixeira Lott veio a Fortaleza no dia 24 de julho de 1959 para lançar sua candidatura a presidência da república. 
Lott foi derrotado por Jânio Quadros na eleição de 1960. No dia 1º de abril de 1964 quando o presidente João Goulart foi derrubado por um movimento político-militar, Lott declarou numa nota a seus colegas de armas,  que era antidemocrático e contrário aos interesses nacionais,  depor um presidente da República mediante uma insurreição. A partir daí o Marechal retirou-se definitivamente da vida pública, por não concordar, nem com o golpe militar, nem com a ditadura que se seguiu.

 Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco


O Presidente Castelo Branco cumprimenta o general Raimundo Teles Pinheiro.
   
Castelo Branco visitou Fortaleza no dia  29 de dezembro de 1966 por ocasião da inauguração da avenida da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. 
Foi o primeiro presidente do regime militar que assumiu o poder em 1964. Governou entre 15 de abril de 1964 e 15 de março de 1967. Faleceu em 18 de julho de 1967, vítima de um acidente aéreo, logo após deixar o poder.

O Cientista Albert Sabin


o cientista Albert Sabin e sua esposa, na companhia de Demócrito Dummar.

O Cientista Albert Sabin e sua esposa Heloisa Carneiro, no dia da inauguração da placa do Hospital Infantil de Fortaleza, no Parreão, que passa a chamar-se Hospital Infantil Albert Sabin. 
Albert Sabin foi um renomado pesquisador, sendo mais conhecido, por ter desenvolvido a vacina oral de combate a poliomielite.
  
Presidente João Batista Figueiredo


o Presidente João Batista Figueiredo, no palácio da Abolição, em companhia do governador Virgílio Távora

O presidente João Figueiredo chegou a Fortaleza em 13 de novembro de 1980, vindo do Piauí. 30° presidente do Brasil (1979-1985).



fontes:
fotos: Arquivo NIREZ
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (NIREZ)
wikipedia

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fortaleza na 2ª. Guerra: As Bases Americanas do Pici e do Cocorote

vista aérea de Fortaleza na década de 1930 - foto reprodução



Na década de 1940, durante a 2ª. Guerra mundial, Fortaleza abrigou duas bases americanas que serviam de apoio as forças aliadas. Uma base ficava no Pici, local que até aquela data nem era considerado como pertencente ao município de Fortaleza: era uma área com muito espaço verde que abrigava muitos sítios.

A paisagem começou a mudar com a construção de uma base aérea americana no ano de 1941, local escolhido para instalação de um posto de comando com uma pista de pouso de onde partiam aviões para bombardear países inimigos. Havia também uma torre para o pouso de zepelins.

O levantamento da área para a construção da pista do Pici foi iniciado em julho de 1941. O projeto previa uma pista de 500 pés de extensão para permitir o tráfego de aviões de médio porte, além de prestar apoio às aeronaves que patrulhavam o litoral do Nordeste. A pista foi inaugurada em fevereiro de 1942, com apenas 75% de extensão construída, para acolher um avião americano B-17 que estava perdido de sua rota original. A permanência da aeronave em Fortaleza foi de apenas 30 minutos.

Dados da época informam que o sobrevoo da aeronave causou pânico na população local em função das notícias que chegavam da Europa. O temor era causado pela possível participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. De fato, o Brasil entrou na guerra em agosto de 1942.

As limitadas dimensões da pista do Pici e o avanço das forças alemãs na Europa e na África levaram os americanos a procurar outro local para a construção de uma nova pista em Fortaleza. A área escolhida foi o bairro Cocorote. Esse novo local permitiu o pouso dos aviões brasileiros estacionados no Alto da Balança. Foi construída ainda uma ampla pista de taxiamento, que facilitou a interligação com a pista do Alto da Balança.

Os trabalhos na base do Cocorote foram iniciados em julho de 1943, enquanto a Base do Pici era ampliada para atender a marinha americana. A Base do Cocorote, situada no mesmo local onde hoje funciona o Aeroporto Internacional Pinto Martins, praticamente só era separada da Base do Pici pela Avenida João Pessoa e um trecho da linha férrea. O acesso à pista do Cocorote pela Avenida João Pessoa era feito pelo Bar Avião, ainda existente na Avenida João Pessoa.

A pista de pouso do Pici ficava no bairro que lhe emprestou o nome, dentro do terreno que hoje pertence à Universidade Federal do Ceará. Para dar suporte às obras das duas pistas (Pici e Cocorote) os americanos construíram uma fábrica de asfalto no Bairro da Itaoca.