terça-feira, 25 de março de 2014

A Violência em Fortaleza e o Regime da Lata


O general Manuel Cordeiro Neto foi eleito prefeito de Fortaleza no período  1959-1963, graças ao símbolo de sua campanha: uma lata. Antes, no início da década de 50, Cordeiro Neto fora Chefe de Polícia (cargo equivalente ao atual Secretário de Segurança), oportunidade em que instituiu o que foi chamado de “Regime da Lata”.
Ladrões, vagabundos, vadios, presos por desordens ou sentenciados pela Justiça, eram utilizados em obras públicas como pedreiros, ajudantes, serventes e outros trabalhos relativos a construção ou em serviços de limpeza. 
Uns diziam que o trabalho era prestado gratuitamente, outros que os presos recebiam uma diária. Ocupavam-se e, no trabalho, longe dos rigores do encarceramento, muitos ganharam a recuperação pretendida pela sociedade.  Junto à população, essa imagem encontrou repercussão positiva, afinal a população sempre aplaudiu atitudes rígidas contra marginais, especialmente ladrões. 

  
O prédio da Polícia Civil, na Praça dos Voluntários, foi praticamente todo construído na vigência do Regime da Lata. Naquela época, aconteciam costumeiramente, arrombamentos de residências, quando não apenas invasão de quintais, com roubo de galinhas. Esse tipo de delinquente, que governos anteriores encurralavam num depósito degradante, localizado na Praça da Escola Normal, foi de que se valeu Cordeiro Neto para implantar o regime da lata. Como "o homem da lata", Cordeiro Neto encontrou respaldo em todas as classes sociais, e contrariando as previsões das lideranças partidárias, elegeu-se prefeito de Fortaleza por larga maioria.


Hoje, surgiriam dois obstáculos para implantação do regime da Lata:
Primeiro, a atuação dos defensores da bandidagem, que acham que eles é que são as vítimas;
Segundo porque a maioria dos crimes envolvem menores, e como sabemos, existe um normativo denominado Estatuto da Criança e do Adolescente que proíbe o trabalho desses coitadinhos. Mas, caso fosse instituída uma política para apenados similar ao Regime da lata, a mão-de-obra desse exército de marginais, que hoje toma conta nas ruas de Fortaleza, poderia ser utilizada para trabalhar pela cidade: tapar buracos, pintar muros pichados, varrer as ruas, ajudar na limpeza de mananciais, como os riachos Pajeú, Maranguapinho, Jacarecanga e outros; ajudar nessas obras inacabadas, tipo a Praça 31 de Março, enfim, realizar todos esses trabalhos que a cidade necessita e ninguém faz. Além do que, estariam ocupados demais para ter tempo de matar, assaltar ou roubar os outros.


4 comentários:

Tobias disse...

Muito legal esse texto! Parabéns.

Anônimo disse...

o trabalho edifica qualquer um ... quando uma pessoa paga pelo que faz ela vai pensar bem antes de fazer de novo,pois hoje ser só preso quer dizer engorda

Unknown disse...

A ideia é excelente na teoria. Hoje em dia e com as leis brasileiras é muito difícil de ser implantado algo assim. Os gastos e riscos com esse tipo de trabalho hoje em dia seriam maiores que os benefícios, é só pensar um pouco. Nas cadeias não há pessoal suficiente pra conter presos enjaulados, imagine-se soltos nas ruas trabalhando com instrumentos.

Anônimo disse...

Excelente.