quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fortaleza anos 1930: deficiências e vocações

Parabéns Fortaleza - 285 anos 
Até 1930, era Fortaleza uma cidade plana, com edificações que não ultrapassavam a dois pavimentos. O seu perfil observado desde o mar era praticamente uma linha no horizonte. Os edifícios mais representativos na paisagem urbana eram a Estação João Felipe, a Santa Casa de Misericórdia, a Cadeia Pública, o Forte de Nossa Senhora de Assunção e a catedral.
Fortaleza em dois tempos: na década de 1930, em foto aérea de Amélia Earhart (arquivo Nirez) 
Fortaleza na década de 1940 (arquivo Nirez)
Os problemas urbanos sempre se manifestaram na área central da cidade: acesso a transporte, energia elétrica, saneamento. Até a década de 1920, o fornecimento de água era efetuado em lombos de jumento com depósito de madeira. Conta-se que em 1947, duas caldeiras da light explodiram, provocando racionamento de energia e a suspensão do serviço dos bondes.
Os donos dos cafés do centro reclamavam por não poderem mais servir as bananadas e abacatadas nem as saladas de frutas geladas. Nas casas comerciais, que vendiam material elétrico, como a Casa Victor e o Centro Elétrico, as lanternas e as lâmpadas de querosene passaram a ter grande saída.
Praça do Ferreira, década de 1940
A cidade concentrou durante muitos anos importantes indústrias têxteis. A produção de tecidos de algodão era uma atividade de destaque no início do século XX em todo o Brasil. O Ceará costumava tirar proveito dos momentos de recessão como aconteceu durante a 1ª Guerra Mundial, quando os tecidos importados ficaram escassos no mercado brasileiro. 
Mas o Estado sentiu os efeitos da grande depressão americana, quando a indústria brasileira saiu prejudicada pela redução da exportação de produtos embalados em sacos de algodão e na diminuição do poder aquisitivo da população. 
A situação só melhora com a 2ª Guerra mundial. O crescimento da produtividade nesse período foi decorrente de circunstâncias externas favoráveis e de não de um crescimento real. De modo que, findo o conflito, os empresários brasileiros começaram a perder os mercados que haviam conquistado no exterior. 
O declínio industrial acentuou-se na década de 1950. Fortaleza dispunha de apenas 310 indústrias e 6.748 operários. Era o setor de serviços que congregava a maior mão-de-obra trabalhadora. Depois vinha a atividade agrícola, e por último, a industrial. 

fonte:
revista Fortaleza, fascículo 4   

Um comentário:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...
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