quinta-feira, 3 de junho de 2010

Praça Capistrano de Abreu (Praça da Lagoinha)

Praça Capistrano de Abreu em 1931. (foto reprodução)

A Praça Capistrano de Abreu, localizada no Centro de Fortaleza é uma das mais antigas da cidade, sua demarcação é anterior a 1859. Batizada em 1891, com o nome de Comendador Teodorico, passou a ser chamada de Capistrano de Abreu em 1965. Ficou conhecida também como ‘Lagoinha’ porque um dos afluentes do riacho Pajeú passava pelo local e formava uma pequena lagoa, que foi posteriormente aterrada.

Tinha um coreto em forma de lira, onde a banda da policia Militar realizava retretas às 4as. Feiras, e que demolido em 2001. Em 1930, foi construído um jardim com fonte luminosa, importada da Alemanha, que depois foi para o cruzamento das Avenidas da Universidade com Treze de Maio e atualmente pode ser encontrada na Praça Murilo Borges, em frente ao Banco do Nordeste.

Em 2003, a estátua de Capistrano de Abreu, em bronze, fundida em Paris no início do século passado, medindo 1,90m e pesando cerca de 100 quilos, desapareceu da praça, onde estava desde 1964. No mês seguinte a estátua foi recuperada.Estava prestes a ser vendida como sucata pelos ladrões. Depois de resgatada foi restaurada e devolvida ao seu pedestal. Hoje, os sinais da restauração já desapareceram. O monumento encontra-se pichado e abandonado como o resto da praça. 
O pedestal da estátua está sem identificação, consequência da última reforma do equipamento público iniciada em 2000. Na época, foram construídos uns arcos de alvenaria projetados pelo arquiteto Ricardo Muratori, para dar suporte a um museu aberto. Estes pórticos atualmente estão servindo de banheiro e esconderijo de marginais.

Há cerca de trinta anos, começou a ocupação irregular da Praça Capistrano de Abreu, com a invasão inicialmente de camelôs. Como o poder público não tomou nenhuma providência, não colocou nenhum obstáculo para evitar a privatização do espaço público, nem ofereceu nenhuma alternativa aos trabalhadores, a invasão foi crescendo até ficar fora de controle. 
O que se via era uma multidão de camelôs, artistas de ruas, pedintes, barbeiros, fotógrafos, sapateiros, prostitutas e malandros. Por conta da grande quantidade de produtos comercializados sem comprovação de procedência, o local também ficou conhecido como feira dos malandros
Diante da inércia da prefeitura, foi preciso que o Ministério Público entrasse com um pedido de liminar para a desocupação do local que já contava com cerca de 900 feirantes.
O pedido de liminar, promovido pelo Ministério Público do Estado do Ceará contra o Município, alega que a Praça Capistrano de Abreu, localizada no Centro, é ocupada diariamente por feirantes que comercializam “produtos de origem duvidosa ou sem nota fiscal”, como relógios e celulares. De acordo com o Ministério Público, a administração municipal não tomou nenhuma atitude para solucionar o problema do uso inadequado do espaço.A data da desocupação já foi marcada e adiada inúmeras vezes.

Muitas são as funções que são atribuídas às praças nos centros urbanos, mas a principal é sem dúvida, a de local de encontro e convívio da população, espaço de reunião construído pela e para a sociedade.

Dificilmente a Praça da Lagoinha voltará a ser o espaço bucólico e agradável que já foi um dia. Mas se voltar a ser, pelo menos, uma praça que se possa parar para cumprimentar um conhecido, atravessar sem ser assediado, assaltado ou incomodado por marginais ou desocupados de vários calibres, a população já estará no lucro.

foto do arquivo Nirez 

2 comentários:

Anônimo disse...

Q saudade dessa praqça aliás da praça dos anos 70 onde muitas vezes namorei sentada com que éhoje meu marido no coreto todas as noites namoravamos lá esa praça ficou marcada em nossas vidas!momentos bons!q nos beijavamos e....nada mais saudade....

Fátima Garcia disse...

As praças ficaram na memória coletiva da cidade como espaços de encontros, lazer e socialização. Só na memória, porque na real se tornaram lugares de risco que devem ser evitados. Você teve o privilégio de poder frequentá-las e guardar boas lembranças. É o que resta.